
eu nunca deixei de acreditar que o ryan adams é um dos mais dotados compositores da onda a que muitos chamam de country alternativo, seja lá o que isso for. para não entrarmos em discussões, aceito o termo.
mas dizia que nunca deixei de acreditar nele. e se rock n' roll, o último long play do homem era competente mas chato, cold roses está aí para silenciar os 75% de críticos musicais que não gostam do ryan adams. pegue.se no melhor de love is hell e tem.se o primeiro de dois discos. pegue.se no melhor de demolition (uma pérola que é continuamente e injustamente rebaixada) e de heartbreaker, e tem.se o segundo de dois discos. pegue.se no folk, no country, no rock, na melhor onda americana e tem.se cold roses. um merecidíssimo regresso para um prodígio das canções.
aqui não há divagações pretensamente transcendentais. há simplicidade e bom gosto. e 19 canções para decorar.
(7.5/10)
30 agosto 2005
cold roses, ryan adams and the cardinals
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joséreisnunes
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29 agosto 2005
smell the difference
mogwai, 5 fevereiro 2004
KIDS WILL BE SKELETONS
MOGWAI FEAR SATAN
HUNTED BY A FREAK
ITHICA
I KNOW YOU ARE BUT WHAT AM I?
YOU DON'T KNOW JESUS
KILLING ALL THE FLIES
STANLEY KUBRIcK
2 RIGHTS MAKE 1 WRONG
RATTS OF THE CAPITAL
HELICON 1
MY FATHER MY KING
mogwai, 28 agosto 2005
GLOWER OF A CAT
HUNTED BY A FREAK
SUMMER
TRACY
WE'RE NO HERE
EX-COWBOY
HELICON 1
2 RIGHTS MAKE 1 WRONG
MOGWAI FEAR SATAN
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joséreisnunes
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2:54 da tarde
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o som de lisboa
um festival urbano, regra geral, resvalaria, no nosso país, para uma demonstração de meia dúzia de rappers a debitar palavras de ordem sempre iguais, em mau português. um festival urbano entitulado sons de lisboa seria isso, ou então uma concentração de bandas lisboetas medíocres e conimbricenses um pouco melhor que medíocres. mas, talvez por isso, optou.se por chamar lisbon soundz, em mau ingês, a este festival urbano. se a escolha do nome é bastante atractiva, o seu significado não pode deixar de ser questionado.
afinal, é este o som de lisboa? e se é, o que duvido, porque é que nenhuma banda lisboeta está representada?
ou este é o som que lisboa devia ter?
na minha perspectiva este tema poderia ter sido muito melhor explorado. mas não deixa de haver muito mérito no cartaz.
dos bunnyranch, que aparecem aqui um pouco como extraterrestres, pouco mais haverá a dizer do que "são de coimbra".
promover o regresso de jimmy chamberlin a portugal é um ponto favorável. porque o homem é um grande baterista, e apesar de a música do seu complex roçar por vezes a banalidade e o cansaço, reconhece.se o risco e a coragem da escolha.
depois há a opção, arrojada, de colocar uma banda como os mogwai a tocar ao ar livre para pessoas maioritariamente desesperadas pelo carinho da banda cabeça de cartaz. arrojado, mas ganho. os mogwai foram os senhores da noite, num cenário estranhamente incorporador do rock instrumental dos escoceses. sem rodeios nem floreados de linguagem ou de pose, as descargas eléctricas foram sendo debitadas irrepreensivelmente com a cumplicidade de uma óptima engenharia de som. mogwai é uma experiência, não um espectáculo. foi uma banda sonora quase perfeita para uma noite à beira do rio.
depois há o factor moda. todos sabemos que os franz ferdinand passaram muito rapidamente de revelação da pop alternativa para os escaparates do conhecimento global. não deixaram de ter algumas boas músicas entre outras mais pressionadas. não deixaram de arrastar muito boa gente com bom gosto. têm um espectáculo bem oleado, divertido, competente, profissional. são músicos acima da média... portuguesa, digamos. mas também não deixam de arrastar muita gente que não percebe nada do que se passa neste mundo. nem deixam de ser um retrato pálido dos pulp de 1994 (different class tem lá tudo - som, pose, atitude - dez anos antes). as novas músicas são banais. meia dúzia das primeiras que fizeram são contagiantes. fifty fity portanto.
o som de lisboa? definitivamente: não. apenas um conjunto interessante de bandas estrangeiras num festival bem localizado que, curiosamente, se revelou uma surpresa agradável. e isso chega.nos perfeitamente.
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joséreisnunes
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28 agosto 2005
ursinho misha: o cavalo de tróia do comunismo

o a new order regressa aos grandes temas para vos dar conta de uma preocupação que me anda a corroer os dedos e a fazer engolir em seco.
todos sabemos que a morte oficial do comunismo foi anunciada com o fim da urss. é claro que ainda subsiste a "ameaça" cubana e coreana, mas temos hoje a noção de que tudo está controlado.
ora parece.me a mim que neste momento começa a renascer um zeitgeist que julgávamos nunca mais vir a existir.
apercebi.me por um destes dias que uma produtora nacional vai editar uma compilação das melhores aventuras do ursinho misha, a mascote dos jogos olímpicos de moscovo, que virou, incompreensivelmente, estrela da têvê.
entre as suas pérolas, conta.se o genérico, onde, sem nunca aludir directamente a estalinegrado, se diz, sem papas na língua, "vem para esta terra distante, vem para esta terra maravilhosa". tudo embalado para criancinhas (as mesmas que os comunistas comem ao pequeno almoço), empapado numa musiquinha em japonês a que a heidi nos habituou.
de forma enclausurada nas entrelinhas, qual cavalo de tróia, o ursinho misha volta a colocar a urss no mapa.
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joséreisnunes
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27 agosto 2005
há muito tempo que não nos lembrávamos
que os mogwai são um dos melhores segredos do rock.
recordar não é viver.
é perceber.
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joséreisnunes
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25 agosto 2005
from texas
continuo pelo texas, servem.me os postos públicos de acesso à internet para ir descarregando as idiotices do costume.
houve um tipo que deixou um comment enorme no meu último post sobre madeiras e tretas ambientalistas de anárquicos disfarçados. não me dei ao trabalho de ler. se alguém tiver paciência explique.me o que é que ele quer e o que é que eu tenho a ver com isso.
o benfica calhou com o manchester, villareal e lille no grupo da liga dos campeões. o sporting vai para a segunda divisão da europa. bem feito.
vou para a islândia em setembro. e até ver não estou a gozar. já está tudo marcado.
a minha vida tem tido alguma animação nos últimos dias.
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joséreisnunes
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19 agosto 2005
farewell and goodnight
o a new order regressa com a antevisão, reportagem e demais variações do lisbon soundz, já para a semana.
outras idiotices não continuarão a ser postadas.
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joséreisnunes
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1:28 da tarde
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mas o futuro passa pelas cabeças e capacetes destes seis

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joséreisnunes
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18 agosto 2005
coura(tos)
há coisa de seis ou sete anos deu.me na cabeça ir a paredes de coura comprar uma t.shirt do festival. puto, completamente imberbe e inculto, estava por aqueles lados e meteu.se.me a ideia que queria ir ver o festival. à época paredes de coura era um festival em ascensão. nesse ano, suede, a descoberta dos lamb, mogwai, entre outros. não vi nenhum concerto, é certo, mas ganhei a t.shirt.
e de borla.
volvidos todos estes anos, puto, um pouco menos imberbe e bastante menos inculto, meteu.se.me outra vez a ideia de ir a paredes de coura. mas desta vez havia o factor-pixies.
se me perguntarem, a bem da verdade, os pixies são os últimos de uma série de grandes bandas underground de rock. quando morrerem de vez, acabou. as referências morrem com eles. a linhagem acaba e a série tem de ser recomeçada. não existe outra banda, no activo, com o peso dos pixies. só isto, por si, justifica qualquer deslocação e contrariedade. só isto, fala do concerto. os pixies estão gordos e velhos, mas não erram. e não desiludem. maçam um pouco, se estivermos no ambiente da fauna, mas começam com wave of mutilation e acabam com gigantic. e pelo meio há hey, where is my mind, monkey gone to heaven, debaser e gouge away.
pelo meio há vinte anos de rock underground. do melhor alguma vez feito.
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joséreisnunes
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16 agosto 2005
heróis do mar
o rei do rock português, segundo a rtp n, chama.se marco antónio (ou marcantónio para os amigos), tem a poupa do elvis na cara e no corpo do josé peseiro, toca com uma banda chamada the duffy duckies (ou coisa que o valha), onde pontuam os nomes do ex-baterista e do ex-teclista do casino estoril, tem por ídolos o tony de matos, o frank sinatra e o próprio king, e anda por inglaterra a mostrar o rock n' roll (originais e covers, uma da quais de 'cartas de amor' ao estilo tony bennett) aos emigrantes lusos, nos clubes de portugueses.
é impossível não morrer de simpatia por ele.
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joséreisnunes
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pobre povo
este ano fui pela quarta vez ao festival do sudoeste.
bem diferente de anos anteriores, o sw transformou.se, estupidamente, no algarve dos festivais de música: é ver as meninas da linha a passear os namorados na praia, com o único intuito de adquirir o melhor bronze do grupo de amigas. a música, essa, pouco importa.
o sw massificou.se.
já há carrinhos de choque, farturas, mais de cinquenta mil pessoas na noite de sábado. já temos o sean paul, os korn e a, veja.se, orquestra imperial, seja lá o que isso for. o espírito do sw, neste momento, está em paredes de coura. aquele que era um festival de tendência rock, por onde passaram os flaming lips, os portishead, os placebo, a pj harvey, entre outras superpotências do mundo indie, confina as pérolas ao palco secundário.
passaram por lá este ano os the kills, os the (international) noise conspiracy, o devendra banhartt, o josh rouse e os wray gunn. e passaram muito bem. se fossem sujeitos à fauna no placo principal corriam o risco de ser enxovalhados, porque a malta queria era dançar, bater palminhas e gritar portugal. a malta queria era pensar que são os maiores só porque um vocalista qualquer lhes diz obrigado. a malta queria foder outra vez o concerto dos oasis, porque em portugal tornou.se bem dizer mal dos oasis, mas não conseguiu. porque eles são a maior banda de rock n' roll do mundo, e a única coisa de jeito que passou este ano por aquele palco enorme.
mas a malta só quer é dançar.
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joséreisnunes
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i hope that i don't fall in love with you (again)

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joséreisnunes
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old shoes pictures and postcards
ou como isto nem é assim tão mau, mesmo com um quarto vazio, a tresandar de nostalgia, e com um cabrão dum bêbado agarrado à guitarra na aparelhagem, a cheirar a whisky pelos poros todos
benvindos ao fabuloso mundo do a new order
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joséreisnunes
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12:19 da manhã
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