30 setembro 2005

lisboa é gente

é sempre bom ver os candidatos a misturar.se com a plebe.
o advogado sá fernandes, aquele que é gente, apareceu hoje no campus de monsanto com o seu autocarro de city sightseeing com a fronha em tamanho garrafal estampada por todos os lados. ainda bem que lisboa, com o advogado sá fernandes, vai ser gente . e ainda bem que o advogado sá fernandes come em cantinas. sempre vai dando para poupar uns trocos, diminuir o défice e alugar aquele autocarro.

29 setembro 2005

you're a woman i'm a machine, death from above 1979



não é preciso ser.se um grande músico para se fazer um grande álbum. os sex pistols pouco mais que três acordes deveriam saber. o nick cave não é propriamente um tipo muito afinado, apesar de excelente pianista. o vocalista dos libertines passava grande parte do tempo que durava um concerto completamente drogado. e acreditem que a voz do homem não ganhava asas. mas em todos estes casos existe uma condição muito mais importante do que a básica capacidade de acertar com as notas todas ou de compor complexas teias de acordes: a força.
os death from above 1979 não são propriamente maus músicos. não são propriamente inventivos. nem são propriamente os portadores de uma mensagem decisivamente original. mas têm força e só querem divertir.se. tocam a muitos quilómetros horas com dedicação e glória. fazem de três instrumentos (sintetizador, baixo e bateria) um barulho ordenado. o ritmo frenético e as palavras cuspidas, cuja qualidade real são disfarçadas pela excelente produção, fazem de you're a woman i'm a machine um estimulante regresso à crueza original do underground dos anos 70 e 80 numa versão para consumo imediato. não são uma grande banda. nem se vão escrever manuais daqui a muitos anos sobre eles. mas divertem.nos.
levantem o rabo do sofá e partam alguma coisa, se faz favor.

7/10

everything dies baby that's a fact but maybe everything that dies someday comes back

28 setembro 2005

da islândia (quatro)

a menina dança?

não sendo propriamente a minha área de interesse, não posso deixar de dar voz aos amigos que fazem música por esse país.
quando puderem vejam o que os

contratempos

andam a fazer

takk, sigur rós

o universo da música rock gira, neste momento, à volta de três bandas: os interpol, os arcade fire e os sigur rós. não caindo no absurdo de ignorar todas as outras, são estas três que escrevem a rota que o movimento tende a tomar. digam o que disserem, é nas salas de ensaio de cada uma delas que se está a fazer história.
os sigur rós, face mais visível da música islandesa (até nos postos de turismo de reykjavik se vende este mais recente álbum), apareceram como uma espécie de alien no espectro em que nos movemos. poderia estar aqui linhas e linhas a dizer coisas que já toda a gente minimamente interessada sabe. mas o que realmente interessa é que takk, o último long play do colectivo não nos pode parecer tão revigorante como ágaetis byrjun ou tão perfeito como ( ). porque, evidentemente, o factor surpresa na música é por demais importante. mas atenção, um álbum dos sigur rós é, até à data, um álbum acima da média. e takk é um LP maduro, uma afirmação de uma visão menos funerária do caminho que querem seguir, um marco de segurança e de bom gosto. a surpresa, em doses mais moderadas que anteriormente, surge nos arranjos para orquestra e sopros. as coisas encadeiam.se, fazem sentido. não sendo o 9/10 do seu segundo álbum ou o mais que justo 9.5/10 de ( ), sai desta crítica com um nada desilusor

8.5/10

27 setembro 2005

26 setembro 2005

não tem nada que saber, o caminho é para a frente

da islândia (dois)

over the mountains i've passed/lord give me a sign/
and it's so funny the way i try/ all over again




25 setembro 2005

pocket revolution, dEUS

os dEUS regressaram com o seu quarto álbum de originais e ninguém fala disso.
são os dEUS, caramba!
o que é que me interessa, neste momento, a crise económica do país ou as disputas pela presidência da república? uma das maiores bandas do universo underground do rock europeu voltou à carga com um álbum musculado e incisivo, menos ousado mas igualmente interessante que os seus anteriores. não consegue alcançar o patamar criado com in a bar under the sea ou the ideal crash, mas é um álbum dos dEUS, sinónimo de qualidade. não têm a mesma formação de outrora, mas todos os que já saíram acabam por contribuir em alguma das 12 músicas. e, caramba, aquelas pseudo-baladas rock que só os dEUS sabem fazer, tom barman à guitarra, violinos e ritmo certinho (the real sugar, nothing really ends...) são coisa de homem.
estes senhores estão em forma.

7.5/10

the battle of the bandidos, hudson wayne

da islândia, sem qualquer resto de amor.
os hudson wayne são uma banda de reykjavik formada em 2002, que agora editaram o seu primeiro LP, The battle of the bandidos. com a referência de nick cave, calexico ou will oldham no cardápio, os hudson wayne sobressaem pela inspirada pop-country-alternativa que produzem, onde a melancolia do som é apenas um caminho para uma viagem fantástica por todo um universo que poucos, até hoje, conseguiram captar.

8/10

de amesterdão (ou de um café luso-espanhol com um autocolante da superbock, dos gipsy kings e do mike tyson)

este post podia ser sobre amesterdão. ou podia ser sobre uma rua inteira cheia de coffeeshops, sexshops, mini casinos e tipos drogados. podia ser sobre o rio que corta a cidade e sobre os barcos-casa que por lá se vêem. até podia muito bem ser sobre as milhares de bicicletas. mas não.

este post é sobre o mike tyson a almoçar, sozinho, num café luso-espanhol em amesterdão, enquanto ouvia os gipsy kings e enquanto autocolantes da superbock embelezavam as portas abertas a quem o quisesse fotografar.

da islândia (o país-postal)



16 setembro 2005

adeus

vou de férias.
volto numa semana. fechem a porta antes de sair.

política suja

os dois principais candidatos à câmara municipal de lisboa protagonizaram, na noite de ontem, um dos piores debates de sempre de umas eleições autárquicas. a carmona rodrigues e a manuel maria carrilho não interessou, nunca enquanto o debate durou, a exposição de ideias ou a afirmação de uma linha orientadora (programática e ideológica, de concepção) para a cidade. ali tudo foram acusações e ataques pessoais. você fez isto, e você fez aquilo. você é isto, e você aquilo. rebaixaram.se os dois ao nível dos propagandados autarcas corruptos do norte do país que fazem capas de jornais todas as semanas. saiu pior carrilho que se recusou a cumprimentar o seu adversário POLÍTICO no final.
ali nada de realmente importante interessou.
tratou.se pura e simplesmente, de um retrato do pior da nossa classe política: révanches em directo.

15 setembro 2005

e 5 músicos blá blá blá

05. ryan adams
04. bonnie prince billy
03. william elliott whitmore
02. morrissey
01. tom waits

10 bandas que ainda me faltam ver antes de poder morrer em paz, se a minha consciência assim o ditar

10. yeah yeah yeahs
09. zita swoon
08. white stripes
07. kings of convenience
06. pearl jam
05. the strokes
04. mars volta
03. pulp
02. interpol
01. new order

i see a darkness

quero desde já inaugurar um novo provérbio que figure de ora em diante na lábia do mais comum e insuspeito cidadão português. corporativismos leva.os o vento.

um professor deu.se ao trabalho de colocar um anúncio num jornaleco qualquer a comunicar que se arrependeu de ter votado no zé sócrates. como outros tantos professores que passaram a ter dois meses e meio de férias em vez de três e que, coitadinhos, gastam o papel e a tinta da impressora para uma ficha de apoio em cada semana, e que, coitadinhos, vêm o seu ambiente familiar perturbado porque têm de corrigir testes em casa, como outros tantos professores, dizia eu, sentiu.se e à sua classe por conveniência lesado. e quis dizê.lo a toda a gente.

para aparecer na têvê, na rádio e na k7 pirata como o serafim saudade, digo eu na melhor das minhas intenções.

como qualquer português vulgar, o homem tem todo o direito a errar e a assumir o erro. mas estas limpezas de consciência fazem.se em sede própria e não nos telejornais e o rodrigo guedes de carvalho devia recusar.se a fazer disto uma estória. bastava dizer: não leio. mas não. continuamos a dar voz aos oprimidos do sistema, os professores, aos corporativistas selvagens e demais sindicalistas que só olham para o umbigo e não têm qualquer ideia de sacrifício em nome de um bem comum. 'são sempre os mesmos, o zé povinho é que paga'. pois. mas foi o zé povinho que se habituou a viver de expedientes e de subsídios da cee. agora acabou.
vai trabalhar.
malandro.

14 setembro 2005

specialized in revenge (parte 2)



the 25th hour é um filme do realizador (especializado em vinganças sociais através da imagem) spike lee. filmado em 2002 sob o espectro do 11 de setembro, conta.nos a magnífica história das últimas horas em liberdade de um traficante condenado a cumprir pena numa das piores prisões da cidade. salvo algum paternalismo do argumento, em fases cruciais em que se exigia tudo menos uma visão socialmente desculpabilizadora, o filme é uma boa reflexão explícita sobre a questão em causa e implícita sobre o clima pós-11 setembro em nova york. um drama urbano com músculo e com 2 momentos de verdadeiro cinema: o discurso em que o protagonista, observando.se ao espelho manda tudo e todos aquele sítio e o final, inspirado e até tocante.

13 setembro 2005

morte à música em português (oh maria albertina ond'é que te foram desencantar?)

é triste mas de quando em quando entopem.nos os ouvidos com merdas destas. o antónio variações, que era um tipo com alguma visão e com muito desprendimento em relação aos compromissos sociais num portugal de brandos costumes, fez umas músicas há uns anos que nuna gravou e que agora lhe foram arrancadas por uns musicozitos para vender uns álbuns. mas qual homenagem qual quê. aquilo é, pura e simplesmente, uma questão de reconhecimento e de números. em euros, se faz favor.
o camané, que até um tipo com alguma decência, deixou.se corromper por 2 tipos que ninguém conhece, por uma tipa que é, porventura, uma das personagens mais sobrevalorizadas do nosso confrangedor panorama musical, e por um tipo que eu aprendi a não gostar. ali tudo é rápido e consumível. tudo é irritantemente contagiante. os críticos adoram e exultam a música em português. eu detesto porque se imiscui perigosamente no seio de uma sociedade que nunca conseguiria lidar correctamente com o compositor daquelas músicas. e odeio porque o compositor daquelas músicas nunca chegaria ao palco principal do maior festival de música português. ficar.se.ia, eternamente, pela barbearia onde trabalhava.

hinos para os desesperados, o demis roussos na vh1 e os êxitos dos anos 80 a tocar num café

na música, só as estórias cantadas fazem sentido.
tudo o resto, todas as tentativas mais ou menos new age, mais ou menos jazz, mais ou menos electrónicas ou psicadélicas, são derivações melhor ou pior conseguidas, meros exercícios práticos sem sabor.
música sem história (por mais banal que seja) não nos pode servir. música que nos serve parte do rock.
sempre com princípio e fim.
uma elegia da música rock compreende décadas de autores fantásticos. de dylan a malkmus. de curtis a whitmore.
não há cá espaço para os coldplay, no entanto.