o ronald koeman, que é um dos jogadores holandeses mais brilhantes de sempre, pertencente à "laranja mecânica" e símbolo do barcelona, bi-campeão da holanda enquanto treinador, espicaçou a naval 1º de maio, dizendo que o facto de terem adiado o jogo da taça em vésperas de defrontarem o benfica era um sinal do medo que sentia pelo adversário.
o manuel cajuda, que é um técnico que fracassou em todos os clubes por onde passou, com um considerável rol de despedimentos e sem qualquer carreira futebolística de relevo enquanto jogador que se lhe conheça, apressou.se a dizer que medo tinha tido koeman quando o benfica defrontou o manchester united (provavelmente um dos cinco melhores clubes da actualidade).
no dia em que o manuel cajuda tiver a hipótese de treinar um clube que almeje defrontar o manchester logo se verá quem tem medo de quem.
mas podemos esperar sentados.
é que vai demorar.
28 outubro 2005
o artista português
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joséreisnunes
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7:53 da tarde
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27 outubro 2005
a piada do dia
depois das saídas de josé peseiro da equipa e dias da cunha e paulo de andrade da SAD, o leão decidiu abandonar o emblema do sporting.
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joséreisnunes
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6:48 da tarde
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26 outubro 2005
unknown pleasures, joy division

havia de chegar o dia em que eu tinha de escrever sobre este disco.
corria o ano de 1977 quando é oferecido ao mundo o álbum modelo de toda a música moderna.
do nada, ou melhor, das ruas cinzentas do pós punk londrino dos sex pistols e dos the clash, com raiva e com angústia, quatro tipos tão cinzentos como elas Criam uma nova ordem de pensamento musicado.
o santo graal da música de hoje continua a ser este unknowm pleasures.
nele, com ele, vêm as melhores músicas já feitas, os momentos mais catárticos, mais apaixonantes, mais cáusticos, mais tudo.
se o propósito último da arte é a auto-identificação com momentos, a expressão manuseada do pensamento, unknowm pleasures é único. e não é só a questão de tudo fazer sentido. é a inauguração de um novo caminho, de uma nova maneira de fazer, de uma nova linhagem de apropriação de um determinado estado de intensidade, autencidade, ansiedade.
unknown pleasures é hipnótico. visceral. irreflectido.
no fundo, perfeito.
10/10
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joséreisnunes
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10:19 da tarde
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24 outubro 2005
the great recent american novelists: bonnie 'prince' billy
life is a tribute to you, and so is dying and drinking in this way to die is what im trying
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joséreisnunes
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7:43 da tarde
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23 outubro 2005
the great recent american novelists: elliott smith
i'm walking out on center circle been pushed away and i'll never go back
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joséreisnunes
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4:41 da tarde
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22 outubro 2005
raindogs, tom waits

o universo tom waits, galáxia paralela à via láctea, começou a desenhar.se nos idos anos 70 quando um tipo desgrenhado se lança à guitarra com o promissor closing time. nessa altura, os ecos da beat generation de jack kerouac, a tradição recuperada da música tradicional americana (se isso existir), com bob dylan, captain beefheart, os blues de nova orleães e o jazz à cabeça e um ideário lowlife que se resultasse em estilo era tudo menos pop, marcaram o ritmo do início de carreira daquele que não é (injustamente) considerado um dos maiores génios dos u.s. of a. tom waits faz há 20 e tal anos discos de qualidade ímpar, não se limitando a recriar fórmulas, antes combinando.as com influências diversas e com novas aproximações a uma espécie de poesia do comum, de canções sobre os podres do dia a dia.
em 1985, meio ano depois de este que vos escreve ter nascido, tom waits atinge a maioridade na escrita de canções com aquele que é, até à data, o clímax de uma obra. porque no caso deste homem existe claramente uma obra feita com um referencial que se alarga a muitos outros autores. raindogs é feito de cacofonias e de momentos de uma calma pouco habitual. é uma espécie de dicotomia canção pura/canção estranha tão peculiar na discografia do seu autor. tango till they're sore, hang down your head, time ou o fantástico walking spanish, inseridas nesta fórmula menos incompreensível, muito americana, são coisas que ninguém pode dizer que não gosta, sob pena de ser internado compulsivamente numa quinta qualquer para celebridades pindéricas de mau gosto.
tom waits não recebe lições de ninguém. é impossível.
muitos querem ser como ele, aventurando.se naquela que é uma marca muito característica e que não resulta para todos. o gaijo é uma entidade, um músico de alma cujo corpo sofre com isso, ou não fosse conhecida a sua faceta de bon vivant. mas isso não tem nada a ver com o caso.
nobody does it better.
9/10
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joséreisnunes
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6:50 da tarde
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the great recent american novelists: stephen malkmus
come join us in a prayer we'll be waiting where everything's ending here
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joséreisnunes
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4:09 da tarde
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21 outubro 2005
the great recent american novelists: iggy pop
Now I'm looking for the dum dum boys where are you now when I need your noise
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joséreisnunes
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8:47 da tarde
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19 outubro 2005
professor daciano da costa, 1930-2005
o a new order presta.lhe a sua homenagem
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joséreisnunes
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9:14 da tarde
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18 outubro 2005
the great recent american novelists: black francis
i sail away on the wave of mutilation
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joséreisnunes
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6:36 da tarde
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17 outubro 2005
rykodisc
a rykodisc é uma editora inglesa de música alternativa que teve a gentileza de me enviar, após pedido, uma compilação destinada a celebrar os 20 anos de publicação.
no catálogo contam.se edições dos supra-sumos morphine, frank zappa, the flaming lips, robert wyatt, dos velhinhos e pouco conhecidos big star, kelly joe phelps, the replacements, da super-estrela das canções pop josh rouse e de algumas promessas do garage e do punk revival - the carlsonics, stiffed e pilot to gunner, entre outros.
um álbum muito razoável para quebrar alguma monotonia das edições próprias.
obrigado pela oferta e felicidades.
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joséreisnunes
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7:35 da tarde
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16 outubro 2005
she was all right cause the sea was so airtight she broke away
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joséreisnunes
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10:28 da tarde
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jacksonville city nights, ryan adams and the cardinals

periodicamente, as coisas correm surpreendentemente bem.
o trabalho avança sem pudor, o nosso clube quebra recordes com quase tantos anos como aqueles que nós próprios temos, e o ryan adams lança um álbum.
tornou.se cíclica a vontade do homem em fazer canções. falei aqui recentemente de um álbum duplo que o relançava neste mundo e no outro. chega.nos agora uma nova edição, em formato mais apetecível, de 50 e poucos minutos.
jacksonville city nights é o derradeiro regresso de ryan adams ao imaginário country dos chapéus de cowboys, dos bares à pinha com a banda ao canto e casais a alinhar em slows, do tipo bêbedo ao balcão e do homem de barba agarrado à harmónica a ver quem não entra.
jacksonville city nights é, todo ele, uma imagem desses anos perdidos, dos que realizadores cotados recuperaram em películas de interesse menor, dos que músicos como os blue rodeo ou gram parsons, bem como os blind boys of alabama e william elliott whitmore numa versão mais sulista e blues, conseguiram ou conseguem perpetrar.
não há muito de novo que possa dizer sobre este tipo. as músicas são boas, de execução excelente. os companheiros da aventura têm a escola toda e ryan adams é um músico que leva até ao fim o conceito de dedicação. as coisas funcionam e desenrolam.se sem sobressaltos.
não há, em jacksonville city nights, espaço para mudar o mundo.
as coisas são como são: amores em catadupa, raparigas que fogem, amigos que morrem, vales que formam skylines impressionantes, comboios.
mas há a américa no seu melhor.
7.8/10
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joséreisnunes
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5:58 da tarde
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14 outubro 2005
da carnificina perfeita (capítulo segundo)
sabem aqueles gaijos que vos dão aulas e que pensam que esse facto lhes permite serem irónicos connvosco, para gozar com a vossa cara, quando na realidade não se apercebem que vocês lhes estão a fazer o mesmo, e que a certa altura já não se sabe muito bem quem é que está a gozar com quem?
eram os segundos a morrer.
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joséreisnunes
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6:13 da tarde
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13 outubro 2005
lomografias e comentários que não consigo evitar

já repararam decerto que o a new order tem tido um acréscimo desmesurado de comentários aos posts. mas desenganem.se se julgavam que os leitores se tinham, subitamente, tornado participativos. como qualquer website de referência o blogger.com tem sido alvo de publicidade online e dos seus divulgadores. assim, e muitas das vezes que um post é lançado, é automaticamente inserido um comentário que visa publicitar alguma coisa, desde conselhos económicos até comprimidos para aumentar o tamanho não sei do quê. quando descobrir uma forma de evitar esta propagação fá.lo.ei.
lomografia: sucintamente, provêm das máquinas fotográficas soviéticas LOMO, que são máquinas um bocadinho diferentes das normais e que deram origem a uma cultura própria, do quotidiano urbano, cujo lema é disparar sem pensar, sem regras. para mais informações carreguem aqui
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joséreisnunes
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9:29 da tarde
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da carnificina perfeita (capítulo primeiro)
sabem aqueles gaijos que, em pleno eixo norte-sul, e quando vocês estão a 400 metros de distância, aceleram até o carro cagar fumo para se colar a vocês, pensando que a faixa da esquerda é toda para eles, numa perigosa acrobacia de junção de dois carros que só não acaba em tragédia porque vocês se desviam no exacto momento em que o pára-choques do carro deles sente o rabo do vosso carro?
eram os primeiros a morrer.
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joséreisnunes
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5:26 da tarde
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12 outubro 2005
The Royal Tenenbaums

de vez em quando, para quebrar a rotina da pseudo crítica de álbuns, que, apesar de apreciada por duas ou três pessoas (na qual não me incluo), não deixa de ser um exercício de pura especulação, tenho esta necessidade de me aventurar pela pseudo crítica de cinema.
eu confesso, e faço.o já depois de ter escrito uns quantos posts sobre filmes, que não percebo nada de cinema.
sinceramente, hitchock, o ian curtis dos movies, não me aquece nem arrefece. e confesso que não consegui ver mais de 10 minutos de citizen kane do orson welles, o bob dylan da sétima arte, nem mais de 30 segundos de nightmare before christmas do tim burton, o billy corgan lá do estúdio. para mim, os filmes de david lynch, o mike patton da imagem, são uma parvoíce. e não compreendo o fascínio que existe por metade dos filmes do stanley kubrick, o tom waits das fitas.
dito isto, acho que the royal tenenbaums, do wes anderson, é um filme fantástico, na medida em que convoca todo um imaginário pop e kitsch com o qual eu sonho que todos os filmes um dia vão ter. um drama em jeito de comédia, que exponencia tudo o que de pior existe no ser humano. uma estória cheia de trejeitos intencionais e de referências à cultura pop e à american way of life. não sendo propriamente um poço de introspecção ou da filosofia e psicologia baratas a que muitas das películas de hoje em dia se dedicam, acaba por ter um toque escondido de reflexão e outro explícito de gosto (a cena em que richie tenta o suícidio ao som de needle in the hay de elliott smith devia ser ensinada a todos os alunos de cinema).
sempre sem demagogias nem paternalismos mensageiros.
continuo a dizer que não percebo nada de cinema. não sei distinguir um super8 duma 35mm. nem sequer sei o que isso é.
mas se isto não é bom cinema, andamos desacertados com a nossa coerência.
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joséreisnunes
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5:58 da tarde
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11 outubro 2005
10 outubro 2005
antics, interpol

à falta de melhor, e como consolação de algumas horas mal dormidas, das quais ninguém quer falar, podemos sempre recorrer a este antics, dos interpol.
obra magistral, catártica, hipnótica, é, provavelmente, o disco mais importante desde, atrevo.me a dizê.lo, ok computer dos radiohead.
antics é uma espécie de percurso delineado e perfeitamente composto por 10 momentos coerentes entre si, cuja força em crescendo faz da banda americana a mais proeminente da cena rock actual. antics, como tantas outras masterpieces, passou ao lado dos circuitos. é um álbum (já) de culto. um manual didáctico para todas as bandas que se dizem alternativas, que se dizem rock.
antics é, um último caso, uma lomografia do que é, e do que vai ser, a música que queremos ouvir: directo, mutável, enfim, fantástico.
9/10
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joséreisnunes
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7:08 da tarde
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07 outubro 2005
façam lá o que fizerem
dêem as voltas que quiserem. vão à praia, à neve, ao centro comercial.
passem o dia no carrefour se vos der na bolha.
doam.vos as pernas, os braços, o coração
arranjem tudo e qualquer coisa que precise de arranjo
mas antes de se deitarem, lembrem.se que perderam uma oportunidade de participar activamente no futuro.
não custa nada. é só escolher um quadrado. ou nenhum.
bons votos.
até segunda.
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joséreisnunes
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12:00 da manhã
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04 outubro 2005
cripple crow, devendra banhart
devendra banhart, diz.se, foi descoberto a cantar e a tocar na rua, qual mendigo. músico simples, cuidadoso, quase ingénuo nos temas e nas palavras, lançou.se nos discos com uma produção caseira que o catapultou para as bocas do universo da free folk. depois de oh me oh my, a edição rafeira das primeiras músicas, assola o mundo com dois excelentes álbuns quase simultâneos. torna.se um ícone dessa malta freak dos cãezinhos e das bolas de palhaço, de certeza por causa da barba e de parecer um deles. mas devendra é um compositor muito mais honesto que a freakalhada.
e toda a gente (sim, toda a gente) sabe que eu odeio álbuns muito grandes. é que na maior parte dos casos são aborrecidos. um álbum com 39 minutos chega e sobra. cripple crow, por seu lado, tem quase oitenta de pequenas estórias. mas, como há sempre uma parva duma excepção que confirma a regra, este mais recente álbum é um tónico de largos minutos.
cada nova música, cada novo tiro certeiro.
e só não tem mais, digo eu, porque a fita deve ter acabado lá no estúdio onde dezenas de pessoas de barbas grandes e pés descalços devem ter dançado felizes da vida durante a concepção de um momento que me parece a mim bastante orgânico e improvisado.
só que devendra banhart sabe bem o que faz, até nesse suposto exercício de improvisação mais ou menos regrada. e só não sai desta crítica com um número maior porque não gosto nada daquela cara cheia de pêlos.
7.5/10
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joséreisnunes
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10:49 da tarde
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03 outubro 2005
02 outubro 2005
bom domingo. a sério...
Well the moon is broken
And the sky is cracked
Come on up to the house
The only things that you can see
Is all that you lack
Come on up to the house
There's no light in the tunnel
No irons in the fire
Come on up to the house
And your singin lead soprano
In a junkman's choir
You gotta come on up to the house
Does life seem nasty, brutish and short
Come on up to the house
The seas are stormy
And you can't find no port
Come on up to the house
Come on up to the house
The world is not my home
I'm just a passin' thru
Come on up to the house
(waits)
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joséreisnunes
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6:49 da tarde
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01 outubro 2005
from the lions' mouth, the sound

na ressaca da morte de ian curtis, em 1980, pouco ou mesmo nada mudou em termos práticos no mundo. a bem da verdade, a importância dos joy division, como a de qualquer fonte de um movimento, tem um impacto muito maior com alguma distância temporal. e se hoje os joy division significam o momento fundamental para a música a seguir aos beatles, não é mentira nenhuma que, em três anos, aqueles tipos foram mais um culto que uma certeza.
os the sound, contemporâneos dos joy division, editam o seu primeiro álbum no mesmo ano em que ian curtis se suicidava a ouvir iggy pop. herdeiros das mesmas raízes e seguidores do pós-punk, poderiam muito bem ter sido preponderantes para todos nós. mas não o foram porque, pura e simplesmente, existiram os joy division. prosseguir com uma teorização acerca de onde acabam uns e começam os outros seria um puro exercício de perda de tempo. o que importa é que os the sound foram uma muito boa banda e from the lions' mouth um exemplo alternativo aos mesmos de sempre na descrição do estado de espírito (mais que um movimento) dos subúrbios cinzentos da londres dos anos 80.
realmente, gostaríamos de poder ouvir este from the lion's mouth com outros ouvidos. sabemos que é óptimo e que nos arrepia. mas não podemos deixar de ouvir, nas entrelinhas, as gargalhadas de ian curtis.
é que ele fê.lo antes. e melhor.
8/10
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joséreisnunes
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5:41 da tarde
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