31 março 2006

vamos lá rapazes estamos a chegar aos 900

amanhã não percam os desaconselhamentos de fim de semana do professor marcelo (regressado de férias), uma crónica a um álbum que hei.de ir comprar e uma dissertação acerca das agruras do dia a dia, do passado próximo, enfim, da vida.

29 março 2006

recordar é viver



esta semana recuamos até 1989, ano em que o rock underground norte americano vê nascer uma das mais geniais amostras do seu próprio paroxismo. não quero, com isto, fazer apenas uma frase bonita. a verdade é que doolittle, o brilhante segundo álbum dos pixies, saindo de um meio de experimentação e de alternativa ao mainstream, ganhou contornos de aula para músicos. a partir do momento em que os recentemente regressados mostraram que surfer rosa, o brutal álbum de estreia (1988) não era um tiro no escuro, o mito ganhou uma força inigualável.
doolittle aparece.nos assim como um complemento vitamínico da música que julgamos ser possível fazer. a crueza das guitarras e o quase lunatismo de muitas das composições encaminha.nos para uma situação de algum desconforto em virtude da consistência com que as músicas, autênticos singles, se apresentam. e depois existem, claro, as que quase todos conhecem.
doolittle é sangue e teatro.
sejamos honestos. os nirvana, os pearl jam, aliás, todos os grupos entendidos como pedras basilares do movimento grunge do princípio dos anos 90 terão despertado para o rock com as músicas dos pixies. eles são, na verdadeira acepção do termo, os pais do novo rock americano. é claro que todo o seu percurso teve antecedentes evidentes: iggy pop, lou reed, ramones, pretenders... mas surfer rosa e doolittle constituem um díptico muito importante para perceber porque é que hoje nos debatemos com uma generalizada falta de criatividade.
é que, há quase 20 anos, já andavam estes senhores a fazer música.
fundamental.

9.5/10

afinal hoje foi dia de nem tudo nem nada

faltou.nos um bocadinho assim

27 março 2006

amanhã é dia de tudo ou nada

prometemos ser breves

o rescaldo à realidade, e a consequente queda abrupta nas coisas mundanas, não nos traz mais maduros nem tão pouco diferentes ou mais ponderados. não nos dá novas visões nem nos faz pensar em todos os que se lembraram de nós. não nos faz fazer uma lista de todos os que não se lembraram ou não quiseram, legitimamente, saber de nós. não nos dá nenhum conforto nem nenhuma inquietação.
o rescaldo de um aniversário dá.nos uma grande dor de cabeça.
literalmente.

24 março 2006

post scriptum

o sterling hayden (johnny guitar) nasceu a 26 de março.

um blog mais sexy

a casa informa que este fim de semana vai estar encerrada para um peeling espiritual. uma vez que no domingo se assinalam os 21 anos da minha estadia na terra, decidimos unanimemente estoirar dinheiro para tornar este blog mais sexy. agradecemos ainda ao j., que, de forma pertinente, me comparou a um tipo do johnny guitar, estimulando.me a escrever este post e a não ficar em branco nesta jornada:

-you don't drink, you don't smoke, you're mean to horses. what do you like?
-me. i like me. and i'm takin' good care of me.

23 março 2006

o dia em que os mariachi se transformam em qualquer coisa próxima de uma consideração

os dias não deveriam ser todos com tempestades não anunciadas por uma estação do éter que sintonizei há anos no auto-rádio sem coragem para de lá a retirar, mas que insistentemente me mente sobre o estado do tempo. mas os dias deveriam todos ter festas à saída das horas de trabalho, a escassos metros dos estiradores. as coisas seriam bem mais divertidas se no momento em que dizemos basta e atiramos com as lapiseiras entrássemos directamente para esse meta-mundo. e como este post é, essencialmente, sobre nada, os dias deveriam todos fazer.nos descobrir bandas que têm a ousadia de se atirar a esse nicho de mercado que os calexico abriram, que o tarantino molestou cinematograficamente sem que daí tivessem advindo grandes problemas, e que o ryan adams sintetizou em the sadness.

22 março 2006

a escumalha de um país/desliguem a luz quando esta treta for vendida

1. a madeira não é um jardim. é um circo.

2. não é respeito que nos vão dar lá fora. é vergonha.

recordar é viver



quando chegamos a uma encruzilhada e não sabemos que caminho tomar, o mais fácil é sempre atirar um papel ao ar e deixar que seja o vento a indicar.nos por onde seguir. sabemos, porém, que tudo o que daí possa advir é completamente desconhecido. e se temos a tendência para o medo quando isso se passa com questões banais da nossa vida, quando falamos de música a surpresa e o simples desconhecimento do que vem a seguir a qualquer coisa é, por vezes, gratificante.
ok computer, o mais badalado álbum dos britânicos radiohead é um desses raros casos em que nunca se sabe o que vem a seguir. e, mais do que isso, nunca sabemos se a nota obviamente debitada não é, também ela, uma perversão do óbvio. nunca sabemos sequer o que as palavras querem dizer, tal a dualidade e ambiguidade com que podem ser interpretadas. mas sabemos que estamos perante uma das obras-primas da história da música rock. a texturização de uma espécie de sinfonia que alterna entre o psicótico e o despudoradamente sereno e harmónico é a marca principal de uma jornada no mínimo transcendente.
1997 marcou a carreira dos radiohead decisivamente, na medida em que que atingiram um patamar de materialização dos seus pressupostos para estas questões que muito dificlmente voltarão a igualar.
mas, de qualquer maneira, com eles nunca sabemos o que vem a seguir.

9.5/10

20 março 2006

the tracker

hoje, entre cartão que não cola e cola que não me sai dos dedos, só tenho tempo para vos convidar a passarem pelo the tracker, blog generalista bastante actualizado e cujo autor tem sido suficientemente simpático para comentar os meus posts. a casa recomenda.

19 março 2006

este domingo o professor vitorino equaciona

visitar a frida kahlo no ccb
ou então o que o joe berardo andou a coleccionar, no diário de notícias
fall heads roll, the fall
pesca à linha na barragem da marateca

18 março 2006

ballad of the broken seas, isobel campbell & mark lanegan



para dar alguma cor a um ano que começa carregado de nuvens e de passos obscuros mais ou menos definidos, isobel campbell (ex-belle & sebastian) e mark lanegan (ex-screaming trees, queens of the stone age), maquilharam.se, renovaram.se, e aparecem.nos agora com uma nova roupagem linguística. musically speaking...
ballad of the broken seas é um álbum que, bebendo claramente da tradição folk e blues que cada um deles cultiva, nos mostra uma isobel campbell transmutada em beth gibbons (o que per si já é uma interpretação mais interessante da herança da música norte americana de raíz popular), se fechássemos os olhos, e um mark lanegan a fazer lembrar o tom waits, nem sendo particularmente necessário recorrer ao cerramento dos já referidos. e é nesta dialética aparentemente contraditória, entre a voz quase irreal tipo alice no país das maravilhas da escocesa e o tom cavernoso e despudoradamente negro de lanegan que se faz o equilíbrio de um som que parece saído de uma câmara obscura.
toda a atmosfera criada pelo excelente desempenho dos músicos convidados, cujo bom gosto e contingência musical transformam este álbum num caso sério de composição pop, só ajuda a realçar que estamos perante dois músicos de uma capacidade transformativa e de uma versatilidade incríveis.
pessoalmente dá.me muito mais prazer ouvi.los juntos que ouvi.los pelas diferentes bandas por onde já passaram. parece.me que este é daqueles álbuns cuja toada introspectiva e melancólica ao ritmo de um piano, a fazer lembrar os melhores momentos em que o nick cave de the good son e no more shall we part encontra (hipoteticamente) essa obra prima que é out of season (beth gibbons & rustin' man), será um momento irrepetível. desaconselho desde já os intervenientes a tentarem repetir a gracinha. o primeiro impulso é, nestes casos, o ditame certeiro.
é que é preciso muita sorte na vida para a coisa correr tão bem duas vezes seguidas.

8/10

portugal retro kitsch

o morrissey português a dizer que os gnr são a melhor banda do mundo, com piadas brejeiras e demasiada base na cara. o elton john português de ray ban nos olhos às 11 da noite. as velhotas a bater palmas em contratempo. o júlio isidro em modo radiodifusão portuguesa, emissora nacional, meeting festival eurovisão da canção. as t.shirts dos xutos e pontapés. as cadeiras de jardim no gimnodesportivo por onde entra água, naquele sítio onde o empreiteiro disse que se podia poupar no material, que ninguém ia reparar, porque, afinal de contas, os putos vêm aí para mandar uns chutos na bola, não para fazer sala. as crianças em ambiente de arraial popular enquanto os trabalhadores do comércio sucedem ao escocês mais português que existe.
[só falta o galo de barcelos e alguém a dançar o fandango.]

Let's just say that an architect is more likely to hire a prostitute than vice versa

complexidade e contradição é a mais recente proposta da ementa da casa. fora dos conselhos habituais do a new order, este é um blog que trata do pão nosso de cada dia, do que, também em mim, começam a ser fixações: a arquitectura per si, as desavenças entre colegas de profissão, a inveja típica das super stars, os desaires do benfica...

bye bye pork pie [eric mingus dixit]

aqui há uns tempos falei de um blog superstar criado por vasco pulido e valente e constança cunha e sá. lembro.me vagamente de na altura ter dito que não morro de amores por nenhum dos dois. hoje descobri que o espectro morreu. sem ninguém dar conta. na penúria. sem amigos.
aleluia.

17 março 2006

fechar um ciclo

just give me a reason, some kind of sign/i'll need a miracle to help me this time i heard what you said, and I feel the same/i know in my heart that I'll have to change

(dave gahan)



pronto.acabou.

a lei da selva

ouve.se por esta altura, com crescente preocupação, evidentemente, o descalabro da imagem imaculada e progressista que a frança cultivou durante tanto tempo. a questão das manifestações estudantis, que resulta da tentativa de aplicação de leis do trabalho ultra liberais, tem tido a consequência de mostrar ao mundo a força do estado vergar.se perante os arruaceiros extremistas.
se, durante a recente crise dos motins suburbanos o estado francês respondeu com veemência e de forma afirmativa, ainda que sem a capacidade de prontamente resolver a situação, só nos pode preocupar agora que não exista a fortificação da autoridade legítima do país sobre os que não o respeitam.
não quero com isto dizer que a estratégia política é a correcta - porque não é - ou rejeitar o direito à indignação. mas uma coisa é ser contra alguma coisa por convicção. outra é aquilo que a televisão mostra. quero com isto dizer que a frança não vai conseguir, desta forma, evitar uma escalada de violência exponencial.
quando os grupos de delinquentes marcam o passo dos confrontos, alguma coisa está mal. e quando um país, para além de ter esquecido há muito o slogan da revolução que impõs à europa, ouve o seu povo falar de uma lei da rua que prevalece sobre a lei do estado, pior.

egoísta



foi uma viagem fantástica. e depois acabou. acho que não devíamos ter terminado. eu queria continuar mas o Johnny Marr queria acabar. e foi assim.

16 março 2006

a casa aprova

blog recentemente descoberto na complexa teia de relações que envolve um mundo que é, cada vez mais, pequeno, o recpop é um dos sítios mais actualizados do panorama português. um trabalho muito interessante de pesquisa e também de crítica. para descobrir.

14 março 2006

playing the angel, depeche mode



o tempo ensina.nos que o tempo pode modificar as coisas tal qual as entendemos. o conceito de velhice é, dessa forma, facilmente esquecível se nos concentrarmos o suficiente para perceber que os bauhaus ainda dão concertos, que os the fall ainda editam discos em 2005 ou que os pixies, um dia, resolveram voltar, qual aparição.
não será difícil perceber o que penso do mais recente long play dos depeche mode. não é apenas a minha mania revivalista a falar, se bem que eu sonhe com o dia em que o pós-punk volta a estar na moda e em que os eccho & the bunnymen tomam o lugar dos keane no palco principal do SBSR. é que o tempo ensina.nos a esquecer muito do que vem agarrado aos calcanhares da banda britânica.
realmente 25 anos são muito tempo. e quando parte do percurso se confunde com o de bandas como os roxy music, a-ha, spandau ballet, culture club, the human league ou cabaret voltaire, quer pela afinidade temporal quer, muitas vezes, pela proximidade da linguagem utilizada, não me será difícil dizer uma, duas, três razões para sentir um ardor ao dizer depeche mode.
mas o tempo ensina.nos a perdoar [como cristo na cruz] e playing the angel já não é o exercício automático proto-kraftwerk de manipulação de caixinhas de som a que os depeche mode recorreram em alturas várias. playing the angel é um disco de autor, da mesma forma que falamos de literatura de autor ou do raio que o parta.
hoje, ouvir os depeche mode já não é ouvir um álbum de pop sintético. não esquecer que os new order assassinaram o termo sem pudor, anos antes dos depeche mode começarem a vender discos. nem tão pouco é um mero regresso ao passado glorioso de violator ou do cabelo à marc bolan.
equilíbrio, dinâmica, novidade, força. podiam ser slogans de uma campanha para as presidenciais [a estabilidade dinâmica está na berra, seja lá o que isso for] mas são, neste caso, a minha classificação deste álbum. playing the angel resume.se a palavras parcas de sensibilidade estética e de independência face aos rótulos. a bem da verdade, e para não me acusarem de reaccionário, os tipos têm alguma quota parte na música que vivemos. é também devido a eles que os indies dançam.
playing the angel é surpreendente.

8/10

os maiores hits de verão



preparem.se

13 março 2006

crítica da razão pura ou a apologia de palavras que já não se escrevem

For you I came to forsake
Lay wide despise and hate
I sing of you in my demented songs
For you and your stimulations
Take what you can of me
Rip what you can off me
And this I'll say to you
And hope that it gets through

And I'll walk away
Away
Walk away

(bauhaus, crowds, algures entre 1979 e 1983)

11 março 2006

recomendações de fim de semana do professor freitas

mr beast, mogwai
love travels at illegal speeds, graham coxon
ballad of the broken seas, isobel campbell & mark lanegan
legítima esperança para barcelona
pétanque na costa da caparica

lenda (com brilho q.b.)



lee konitz & OJM @culturgest

09 março 2006

06 março 2006

enquanto esperamos pelo dia de amanhã

que nos vai trazer a edição do novo long play dos muito recomendados mogwai - mr. beast - deixo.vos com uma das melhores descrições de uma música que já tive oportunidade de ler.

[young team speaks of passion and wonder in its own intuitive logic. especially notable tracks include the sixteen-minute-long, mind-exploding closer mogwai fear satan which is by far the most accurate sonic representation of the big bang theory in the history of music.

Nick Mirov

05 março 2006

este domingo o professor marcelo não vai

passar o dia a arrastar.se pelo sofá e pela cama à espera que aqueles versos do ryan adams [if only a day to let her know without her love i'm nothing at all the change is happening and i'm almost gone] nunca cheguem ao fim, porque, lá no fundo, sabe que se dá bem com a saudade.

04 março 2006

de milão - cidade da moda



fashion victim

regresso a lisboa depois de uma viagem pela europa dos ricos, dos passeios da fama e do glamour da moda que nos chega muito depois de estar fora de prazo, dos lugares fotografados por milhares de japoneses, das caras bonitas e das paredes impecáveis. de uma estranha sensação de pertença e de encanto.
o regresso a lisboa, e, por consequência, à realidade, consuma.se quando uma vulgar fila para entrar num avião é quebrada pelo casal que aproveita um olhar desviado para ganhar um lugar na pole position, ainda que exista um número no bilhete, quando o teu próprio lugar está ocupado - 'este lugar é seu?' - ainda que exista um número no bilhete, quando a chegada é celebrada com palmas, quando a espera para levantar bagagem, um corredor suficientemente amplo para suportar a presença de todos os ocupantes de um avião pequeno, é perturbada por empurrões e carrinhos mal estacionados, de pessoas que se se desviassem 1 metro me tirariam o peso da claustrofobia e da proxemia que não desejava.
aí sabemos que chegámos.

if you need me i can always be found