para descomprimir um pouco, surge este novo projecto, baseado numa estória verídica, e com contornos quase metafísicos. um blog para acompanhar para aí durante uma semana, uma vez que, posto isso, pouco mais haverá para dizer.
31 outubro 2008
thee silver mt.zion memorial orchestra @ zdb
entre a hipnose do som dos 2 violinos arrastado praticamente ad eternum e o descalabro emocional da guitarra que já foi peça central dos gy!be, a thee silver mt.zion memorial orchestra arrasou, ontem à noite, a sala do bairro alto.
não fosse a forma como os músicos se apresentam em palco, e a desfaçatez das palavras que dão corpo à música, e poderia muito bem tratar.se de uma orquestra daquelas sérias e arranjadinhas. não fosse a violência das peças que apresentam, e a oscilação dramática entre o caos total e o silêncio que o é quase nos 15-20 minutos de duração de cada investida, a thee silver mt.zion memorial orchestra poderia aspirar a salas mais respeitadas. mas não é assim que as coisas são no mundo rock, e o público que ontem se deslocou à baixa lisboeta, fazendo esgotar o aquário da zdb, fez questão de o demonstrar. minado, provavelmente, pelo descomprometimento do frontman canadiano.
em troca os thee silver mt.zion arrumaram a contenda com 6 faixas que percorreram algumas das fases de uma carreira que se estende já em 6 álbuns de estúdio. no final do dia fica a sensação de que, se os gy!be foram o início de qualquer coisa que entretanto se desfez no tempo e na necessidade, os thee silver mt.zion são, de facto, o passo seguinte no pós pós-rock.
1. 13 blues for thirteen moons
2. 1.000.000 died to make this sound
3. take these hands and throw them in the river
4. god bless our dead marines
5. there's a light
6. microphones in the trees
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joséreisnunes
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tag concertos
29 outubro 2008
o plano paulson
cheguei ontem à conclusão que o fight club foi escrito unicamente a pensar na crise financeira de 2008. e não há modo de contornar que o colapso - físico neste caso - das instituições de cartões de crédito que se vê no final é, de forma romanceada, o que nos está para acontecer.
é por isso que não me custa nada imaginar o obama na vez do tyler, a estender a mão ao john mccain na pele da marla, com a música dos pixies a fazer de fundo às torres em chamas, enquanto lhe sussurra: you've met me in a very strange time of my life...
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joséreisnunes
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tag obama
24 outubro 2008
a dieta sá pinto
os dois melhores blogs sobre bola da actualidade são também os que têem o nome mais genial: obrigado sá pinto - de e para benfiquistas - e a dieta rochemback - de e para todos os tiffosi em geral.
aproveito também eu para agradecer ao sá pinto em nome do a new order.
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joséreisnunes
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7:22 da tarde
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no age @ zdb
foi telegráfica a primeira passagem dos norte americanos no age pela capital. 50 minutos bastaram para devastar as filas da frente do aquário da zdb e provocar alguns espasmos nas filas de trás, as dos bem comportados, como eu. a prestação do power duo de LA não deve ter andado muito longe, em termos de fúria controlada, da passagem do furacão gustav por nova orleães, há coisa de um mês. não havendo mais para mostrar, os no age percorreram todas as faixas que compõem o recente nouns, apresentaram uma ou duas músicas novas e uma versão dos misfits quase a terminar exibição suada q.b.
o final foi rock, apoteótico portanto.
e fica no goto de toda a gente que por lá passou uma certeza: não há banda no mundo que, neste momento, encarne melhor o espírito underground.
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joséreisnunes
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3:34 da tarde
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tag concertos
21 outubro 2008
long time ahead of us
you & me, the walkmen [2008] - um dos discos mais outonais de 2008 - e sem dúvida um dos melhores do ano - chega.nos pelas mãos dos the walkmen. é a pop mais do que adulta do quinteto de ny a marcar decisivamente este fim de época. personalizada e suficientemente inspirada para proporcionar duas mãos cheias de canções de bom recorte, a música dos the walkmen mostra.se, ao quinto álbum, mais visceral do que nunca. you&me vai ser capaz de arrebatar qualquer admirador da velha escola velvet underground. o single, então, é um mimo.
dear science, tv on the radio [2008] - terceiro álbum dos tv on the radio, terceira lição sobre arte de vanguarda. o futuro está ali e continuará a sorrir enquanto os tv on the radio mantiverem a salutar capacidade imaginativa que os tem caracterizado no sentido ascendente que tem sido a carreira que desenvolveram. um disco diferente, mais pujante e mais matemático, talvez menos iluminado que os antecessores, mas a deixar água na boca para um próximo capítulo.
the hawk is howling, mogwai [2008] - é o regresso aos épicos por parte dos mogwai. depois da leitura estruturada do post rock apresentada no álbum antecessor, os escoceses regressam aos carroséis emotivos que os celebrizaram nos primeiros avanços, para assinar um dos ovnis do ano. the hawk is howling é música que podia dar um filme, e compreende.se o saudosismo young team que atravessa este conjunto. no entanto continuo a gostar dos mogwai que exploram a introdução da voz em faixas de 4 minutos. e em the hawk is howling essa faceta eclipsou.se. é pena.
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joséreisnunes
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15 outubro 2008
adelia, i want to love
através dos olhos de vincent moon já tínhamos tido a oportunidade de perceber o processo que levou à concepção do último álbum dos the national. agora chega.nos às mãos um filme sobre os mogwai. ou melhor, um filme onde a estória de uma avó italiana de 89 anos se cruza com o rock dos mogwai. sem imediatismos nem redundâncias, vincent moon assina mais um belíssimo momento de 2008.
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joséreisnunes
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tag cinema
14 outubro 2008
epifania em formato single
se as missas do padre barreiros tivessem um coro gospel, provavelmente hoje não era ateu.
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joséreisnunes
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9:44 da tarde
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tag voz do povo
09 outubro 2008
buenos matrimonios ahí fuera
alegranza, el guincho [2008] - se a pop fosse sempre feita pelo el guincho, alegranza não servia rigorosamente para nada. e para quem diz que el guincho 'é' o panda bear - não me lembro se não terei também caído nesse engodo um dia - alegranza também não serve para nada. no entanto, e para os interessados mais incautos, o disco de estreia de el guincho é o eldorado de 2008. saído um pouco do nada - à semelhança dos álbuns do rapaz dos animal collective - e sem que ninguém estivesse à espera, aí está a principal razão pela qual eu nunca direi que de espanha não vem bom vento ou que os tokio hotel são a melhor banda de sempre. el guincho é um dos mais revigorantes autores da indústria nos dias de hoje e a prova está espelhada no exercício de corte e costura que é alegranza. é um long play que transpira esclarecimento por todos os poros e que, apesar das limitações de ter sido feito em casa em poucos dias, é digno, no mínimo, de fazer todos os casamentos e baptizados ibéricos até 2010.
está mais do que claro que este ano podem continuar a lançar os álbuns que quiserem. podem vir os franz ferdinand, os radiohead e o morrissey.
depois de ouvir alegranza, o a new order fechou para férias.
mas isto comigo já sabem que para a semana, provavelmente, há mais não é?
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joséreisnunes
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7:33 da tarde
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tag álbuns
08 outubro 2008
hetero avaliação
autista, azevedo silva [2008] - em 2006 o luís azevedo silva contactou.me para escrever umas linhas sobre clarabóia, a demo que tinha acabado de lançar. desde então, não sei se por ter sido demasiado cáustico com o que era apenas uma primeira impressão, deixou de me procurar. em 2007 lançou tartaruga, o primeiro long play, e já este ano, em maio, aventurou.se com autista.
o luís, que eu neste momento considero o bon iver português - a frase é minha e não pressupõe que se copiem um ao outro, mas sim que ambos imprimem uma carga dramática brutal à música que produzem - é o tipo de músico que não precisa de se expôr para fazer música. os álbuns podem ser descarregados gratuitamente, as notícias são escassas, os concertos ocorrem em salas pequenas e se não fossem os blogs eu jamais teria continuado a acompanhar a sua carreira. no entanto, e apesar da contrariedade que possa resultar da falta de feedback massificado - não o conhecendo transparece.me no entanto uma grande e salutar indiferença em relação a isso - a música do luís é de uma honestidade inatacável. perguntam.se, provavelmente com desdém, o que é música honesta. sinceramente não vos consigo explicar. mas consigo.vos dizer que o ambiente que paira em autista é intemporal, e isto ainda a propósito do post anterior, não há tempo que consiga apagar a necessidade de se fazerem álbuns destes. o luís azevedo silva, apesar de ter uma voz educada e extremamente agradável, bem como um bom gosto acima da média nacional, não vai conseguir mudar o mundo com este novo álbum. ele deve.o saber melhor do que ninguém, e talvez por isso não faça de autista um cavalo de batalha demasiado orgulhoso. mas é da entrega de um músico que me conquistou com uma cover de uma música de daniel johnston que se consegue extrair o cimento de um álbum que está ao nível da boa lo-fi que se faz lá fora.
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joséreisnunes
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11:46 da tarde
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tag álbuns
material inútil
há uma razão forte para os the strokes terem tido o sucesso que tiveram no ano em que o tiveram. e há uma razão para que, do outro lado do mundo, os the libertines tivessem tido o mesmo efeito, praticamente ao mesmo tempo. há também uma razão para que, no ano passado, os vampire weekend tivessem alcançado a exposição mediática que alcançaram. e há tantos e tantos outros casos antes deles, sempre com razões fortes: a qualidade no tempo e no espaço.
isto tudo acerca de uma recente onda de excitação, da qual me abstenho desde já em partilhar, levantada em torno do álbum de estreia d'os pontos negros. apesar de nutrir uma simpatia pela banda - como aliás por todos os músicos descomprometidos como eles - e de achar que sim senhora, estão ali umas belas canções para cantarolar com uma produção interessante - apesar dos tiques desnecessários do vocalista, que com a experiência acabará por perder - ouvir o álbum d'os pontos negros nesta altura é um pouco como ouvir o novo álbum dos oasis, dig out your soul, que soa exactamente a como soava um álbum dos oasis em 1994.
para me fazer entender: num caso, como no outro, não é a qualidade da banda que está aqui em causa. adoro os oasis, dig out your soul é o melhor álbum de rock n' roll do ano, os pontos negros são bons rapazes e o conto de fadas de sintra a lisboa é a melhor música portuguesa de 2008.
é uma questão de pertinência temporal das músicas que ouvimos.
nesse aspecto acho que ambos são tiros ao lado.
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joséreisnunes
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10:47 da tarde
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03 outubro 2008
as chanatas do jacinto
porque é que eu hei.de escrever sobre a minha religião, se o jacinto lucas pires o faz tão bem no jornal de notícias, e, desde há bem pouco tempo, online, no chanatas?
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joséreisnunes
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6:24 da tarde
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chama imensa
toda a gente parece ter alguma coisa a dizer sobre sarah palin.
por isso também quero dar um contributo.
mesmo que seja difícil perceber porque raio é que em portugal há interesse por umas eleições em que não temos nada a decidir, a verdade é que é condição nacional meter o bedelho e assumir estas questões como se fossem as nossas. depois da decisão de mccain de convidar a governadora, a imprensa tentou, em vão, transformar a candidata republicana num assunto. cá em marrocos abraçou.se a audácia, e, na blogoesfera, sucederam.se as reacções, sobretudo de uma conhecida ala conservadora que tem dado cartas na definição dos grandes temas de discussão online dos últimos anos.
findou.se a chama, fez.se o debate - muito simpático por sinal - e no que é que isto deu?
em rigorosamente nada.
porque a verdade é que o provincianismo da senhora diluiu o efeito potencial do design dos óculos, que nem são assim tão giros.
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joséreisnunes
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4:28 da tarde
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