31 maio 2009

wavves, zdb

os wavves não vieram a lisboa.

a zdb diz que foi por causa de uma doença do vocalista. ou isso ou o facto de terem andado quase à pancada no dia anterior em cima do palco do primavera.
uma das duas.

18 maio 2009

mais amor que propriamente fúria

cruz vermelha sobre fundo branco, os golpes


o melhor d'os golpes faz.me lembrar a mensagem.
ressalvando a devida separação das águas entre os músicos e fernando pessoa, cruz vermelha sobre fundo branco tem uma série de imagens fortes e incisivas sobre um país que está para ser e, em grande parte dos seus capítulos, uma prosa poética sobre um país que já o foi que me agrada particularmente. o melhor d'os golpes condensa.se, a meu ver, na frase de abertura da marcha: gerados por uma pátria ausente,/buscamos um tempo transparente.
mas é claro que a retórica na música - a retórica per se - serve.me de pouco.
se não houver o clique que é inatingível pelas palavras resta a minha condenação a uma vida de esquecimento.
feitas as contas, e descontando os instrumentais, cruz vermelha sobre fundo branco tem 6 faixas onde se dá o clique.
e embora muito se tenha desfiado sobre a banda por fóruns e jornais nunca dantes navegados [os strokes ou os television, os colégios jesuítas ou o nacionalismo dos heróis do mar] a mim tanto se me dá. e embora me estranhe que nenhum iluminado com tempo de antena reconheça n'os golpes alguma da mesma massa que tornou a ceremony dos new order na melhor música de sempre, a crítica de música não é um exercício de pura comparação ou de referenciação abusiva.
para isso existem os textos do joão lisboa.

no fim de contas trata.se de discernir se a banda em causa tem, ou não, a atitude e a massa necessárias para fazer alguma coisa com significado. serão os golpes os já anunciados rostos da pop portuguesa do novo milénio?
estão mesmo à espera que eu - ou alguém - consiga responder?
sobre isso pouco saberei. conheço mal a música portuguesa. limito.me a reconhecer n'os golpes a ingenuidade que faz os músicos quebrar barreiras.
e atitude. muita atitude.


15 maio 2009

antony and the johnsons, coliseu lisboa

já confessei por diversas vezes que tenho muito pouca paciência para as conversas dos músicos sobre o povo português, o castelo de são jorge ou as aparições de fátima. por isso, e se a boutade de antony sobre obama e dick cheney lhe saiu relativamente bem, o certo é que as estorietas sobre sintra, sobre o poder das mulheres - e aí fiquei relativamente confuso apesar de reconhecer um transgender quando o vejo - ou sobre jesus reencarnado numa mulher que anda sobre a água, mais não fizeram que retirar tempo para pelo menos mais duas interpretações. o que foi uma pena porque em cima do palco estiveram aquilo que na verdadeira acepção da palavra se designa por músicos. os ambientes de maior cumplicidade entre artistas e público servem sobretudo os interesses de  intérpretes menores. não sendo o caso de antony e do sexteto que o acompanha em digressão ficou.me alguma raiva. 

moderada.
mas é claro que isto acaba por não influenciar de modo algum a ideia que formulei na última passagem do músico pela sala lisboeta: antony é um caso raro da pop actual e um dos poucos que consegue, nas actuações ao vivo, re-inventar as suas composições sem nunca perder o fio à meada da essência dos seus 3 álbuns de estúdio. contudo, como fiel apreciador do álbum homónimo, o primeiro da carreira de antony, desgosto bastante que hitler in my heart não faça parte do alinhamento de todos os concertos. 
no entanto, a noite de ontem era de the crying light. e o preâmbulo do concerto, na forma de actuação de uma bailarina butoh, serviu para dar consistência à linha conceptual do último long play do músico. e como é de luz que se fala quando se fala de antony, a noite só podia ter terminado como ele/ela a imaginou: com a sala às escuras e um foco sobre o piano, ao som de hope there's someone, hino maior de i am a bird now, música capaz de levar à histeria grande parte de um coliseu esgotado. 
o que me deixou definitivamente confuso.  

10 maio 2009

i trust their guitar, etc.

mais uma coordenada para a história dos anos 00: balf quarry é o novo avanço dos magik markers.

04 maio 2009

black dice, museu do chiado

facto primeiro: há gente que paga para estar no mesmo espaço que os black dice.
facto segundo: diz quem já lá esteve que ny é a cidade mais interessante do mundo. e eu acredito.
facto último: já paguei o espaço partilhado com os black dice por 3 vezes. continuo a não lhe chamar concerto por mero processo de dúvida. nunca estive em ny, mas hei.de lá ir. um dia.

03 maio 2009

go where new experiences await you

por causa da crise, da precariedade no emprego ou da falta de candidatos às eleições do sporting - escolham a que melhor vos convier - tive de faltar à apresentação do disco de estreia d'os golpes. espero, no entanto, que a celebração tenha confirmado a minha vontade. saberei esperar pacientemente até comprar um exemplar do disco.
hoje, sem falhas, black dice no chiado.
amanhã menos dinheiro para as contas do fim do mês.