29 setembro 2009

a ver se eu percebo

alguém me acusa de um crime.

ninguém o consegue provar.
outro alguém condena.me na imprensa.
surge um volte face.
a conclusão é que fui eu que utilizei a informação para tirar disso proveito.

é lógico, não é?

25 setembro 2009

bad lieutenant

são os new order versão waiting for the sirens' call com outro nome.

18 setembro 2009

serviço nacional de música

conheço pouca gente em portugal a fazer podcasts interessantes. os do volume/tone são os melhores.

12 setembro 2009

não há justiça no mundo

quando o che guevara vende mais t.shirts que o william shatner.

10 setembro 2009

dona ligeirinha ep, diabo na cruz

sou facilmente corrompível. basta dizerem que a minha opinião vos interessa e dou.vos trela para uma semana. o jorge cruz corrompeu.me. e como é que eu poderia não me deixar corromper por um tipo que conta a estória da sua vida daquela maneira?
a gentileza do jorge vai.me servir, sobretudo, para algumas considerações sobre a música folk portuguesa.
goste.se ou não daquilo que significa o percurso ascendente da flor caveira nos últimos 2 anos, não podemos deixar de ir ao centro da questão. estes senhores estão a redescobrir portugal. com maior ou menor ortodoxia e com maior ou menor perspicácia, a flor caveira parece apresentar.se como um movimento a querer refundar a música portuguesa. não interessa para aqui se gosto ou desgosto do b fachada ou do tiago guillul: abstraio.me dos nomes e vejo a ideologia. ou, se quiserem, um ideário de combate, vulgar acção.
essa opção, mais do que um capricho, parece.me resultar do facto de sermos orfãos de movimentos substanciados, em geral, e da folk, em particular. ao contrário de países como os eua ou a inglaterra, que ostentam percursos lógicos na música popular, em portugal encontramos sempre as coisas um pouco avulso. nunca tivemos um dylan ou um nick drake a definir os zeitgeist. e um zappa ou um tom waits para os desconstruir. o nosso gosto andou sempre a reboque do fado, a nossa música popular andou sempre atrás do que nos chegava do reino unido, e a nossa folk derivou, por culpa óbvia da condição política, para a canção de intervenção. não me interessa agora discutir se nos saímos melhor ou pior. mas, de facto, não atingimos a consistência produtiva de outros países e nem a fase pop-atira.me-água-benta pode ser equiparada a um verdadeiro movimento. isso transpirou para os dias de hoje e estes músicos estão a fazer o que, provavelmente, devia ter sido feito depois da morte do antónio variações ou do fim dos heróis do mar.

os diabo na cruz, um supergrupo da flor caveira, estão a fazer com a folk aquilo que o joão coração faz com a chamada canção de autor. ou o que os golpes estão, noutro espectro, a fazer com a pop. redescobrir portugal em 2009. para mim um ep é sempre uma amostra pouco convincente. mas os 8 minutos de dona ligeirinha ep levam.me a uma conclusão. os diabo na cruz concorrem a um espaço que outros grupos já tentaram preencher. nenhum deles foi particularmente bem sucedido, sobretudo porque fazer música folk exige resolver os fantasmas que ficaram para trás e acertar na maneira de projectar música para o futuro. é claro que alguns venderam uns discos e acabaram por fazer uns quantos concertos, mas não deixaram uma marca que eu considere significante. para os diabo na cruz a balança pode, invariavelmente, tender para dois lados. eu diria que a primeira metade do álbum é agradável e enérgica - surpreendeu.me a dimensão escrita do álbum e os padres comem putos e os putos comem ratos será a frase do ano. a segunda metade do álbum deixa.me inquieto. fico a pensar o que é que poderá vir daqueles lados se a opção dos diabo na cruz for a de encetar uma revisitação da música portuguesa via corridinho do verão.
se fosse eu era por aí que seguia.
está lá tudo o que é preciso.