29 julho 2006

o ponto da situação

tempos difíceis, sem computador. falta.me o necessário para manter uma certa ordem cá na casa.
deixo duas recomendações e umas quantas promessas.
fiquem com o blog do puto e com um grande barco preto. são novas ideias, descomprometidas e apaixonadas, como todo o 'jornalismo' de blog deve ser.
para a semana críticas aos mais recentes de thom yorke e daniel johnston, bem como a dissecação crua da entrevista de luis montez a ana sousa dias.
imperdível.

24 julho 2006

sugestão do professor marcelo

uma das razões que me levou a deixar de ler o blitz há um bom par de anos foi o facto de grande parte das pessoas que por lá passarem devotarem em demasia certas bandas que, veja.se hoje, estão esquecidas e ao abandono de meia dúzia de imberbes. os que tiveram o discernimento de procurar estabelecer relações mais cerebrais com os músicos, de forma mais independente, foram escorraçados com cartas e e.mails de fanáticos religiosamente apegados a bandazecas da moda ou a bandas com 35 anos de carreira às voltas num círculo viciado. quantas e quantas vezes me perguntei quem é que perdia tempo e dinheiro a defender com a vida o trabalho dos uhf, dos heroes del silencio, dos taproot ou dos linkin park, só para dar alguns exemplos.
esses críticos mais iluminados (como por exemplo jorge manuel lopes ou pedro gonçalves), foram tantas vezes insultados que me pergunto como conseguiram reagir sempre com a ironia cordial tão certeira que ficou apanágio da escrítica musical portuguesa desse período.
[aliás, se lhes juntarmos os nomes de antónio sérgio, miguel esteves cardoso e nuno calado, temos, concerteza, o grupo de pessoas que mais contribuiu para a causa nos últimos anos]
tudo isto a propósito de um álbum de daniel johnston. tudo isto a propósito da masturbação mental que foi a reacção ao meu último post - façam a vossa própria relação.
aos masturbadores faço.lhes a mesma pergunta que foi feita a johnny cash.
se tivessem a morrer e tivessem tempo para uma última música. uma só.
era uma dos she wants revenge que escolhiam?

23 julho 2006

lisboa soundz

não tive paciência de enfrentar o calor da tarde para poder ver howe gelb ou isobel campbell. a opção de os meter a tocar antes dos los hermanos e dos she wants revenge foi pura idiotice da organização.
dos she wants revenge, lamento.me de não ter ficado a ver o benfica jogar. tinha sido tempo muito melhor passado. concerto chato, repetição exaustiva de fórmulas e de clichés feitos nos anos 80 com muito mais urgência e muito mais sabedoria. pose falsamente decalcada de milhares de bandas glam, canções sem sumo, sem meio, só princípio e fim. batidas roubadas aos new order para põr o povo a dançar e fazê.lo esquecer a mediocridade da composição. valeu, no fim da noite, a simpatia do defesa central do benfica alcides, engarrafdo na confusão criada pela PSP, a fazer esquecer o erro de escolha.
os dirty pretty things não são os libertines, mas parecem. os libertines foram os strokes do reino unido. concerto competente. gostam de tocar, divertem.se, sobretudo. alguns bons momentos, nomeadamente o recurso à memória dos próprios libertines. alguns maus momentos. no fim é entretenimento que compensa o que os she wants revenge não sabem fazer.
os strokes foram obviamente aclamados como reis do terrapleno. concerto estimulante, com bom alinhamento. tudo bem feitinho, pose descontraída, explosões controladas e interessantes. em palco não falham.
is this it continua a ser o álbum mais importante do novo rock.

21 julho 2006

pixies

estou farto de clichés sobre as bandas.
em poucos minutos li 3 críticas ao concerto de ontem dos pixies no pavilhão atlântico: os pixies são os pixies, os pixies já não são o que eram mas são os pixies, os pixies dispensam apresentações, os pixies são os pixies, os pixies disseram que nunca mais tocavam o here come's your man e acabaram o concerto dessa forma mas os pixies são os pixies.

depois disto o que é que eu posso dizer?
que foi a segunda vez que os vi tocar ao vivo.
e que foi bom.

20 julho 2006

ci vediamo!

o planeta não mudou de órbita, aparentemente.
hoje vou ver os pixies.

19 julho 2006

when i say jump you say how high

amanhã cumpre.se a derradeira tentativa de alterar a órbita do planeta através de um salto colectivo. será exactamente às 11.39.13 que milhões de pessoas em todo o mundo começarão a saltar durante 2minutos para tentar mandar a bolinha azul para outra galáxia.
eu, por mim, há muito que estou inscrito.

18 julho 2006

o lobby dos orgulhosamente ricos

eu sei que os strokes são um lobby da mtv.
os strokes nasceram para o mundo porque são ricos e têm connections, vulgo recurso estilizado no território nacional como panaceia universal para a falta de qualidade.
hoje os strokes não se distinguem do que a mesma mtv está a fazer com kanye west. o rapper, cujo sucesso deriva da estação de televisão, não é mais do que um produto de consumo temporário.
a questão anti-pragmática está, no entanto, no facto de ele ter bom gosto e qualidade. mas, como tudo na vida, o que vende é a ideia do orgulhosamente só, do anti-bush-ismo, da pamela anderson a fazer valer todos os seus argumentos no video-clip.
tal como os strokes, o kanye west tem piada. é diferente dos outros rappers, é muito mais profícuo na produção e ouviu muito boa música quando era garoto.
mas tal como os strokes, kanye west é um lobby.

eu não paguei para ver o kanye west. mas desembolsei 30€ para os strokes. e duvido que vá prestar alguma atenção a outra banda que vai desembarcar no lisboa soundz. porque os strokes são ricos, são uma cambada de chulos com cabelo espectacular e com t.shirts d&g. são uns putos mimados. mas trocaram as voltas ao rock do novo milénio.
aleluia.

o rock dos orgulhosamente ricos

The Strokes - Last Night


já ando a calmantes

17 julho 2006

e tu, qual é o teu estilo?

conhecem o álbum de estreia dos belle & sebastian, "tigerlilly" [sic]?
aparentemente, o crítico nuno galopim conhece.

10 julho 2006

eu agora é mais praia

muito se falou durante este campeonato do mundo sobre a saída de cena de zidane. relembro um post de um blog aqui do lado que falava no espectro que é ter crescido a ver jogar o homem. eu confesso que nunca apreciei muito esse tipo, talvez por sempre ter jogado em equipas que nada me dizem [no entanto poderei dizer a todos os meus descendentes que vi jogar pirlo, o homem que joga de pantufas].
porém, a estocada final de zizou foi realmente digna de um grande mestre. aquela cabeçada no matterazzi, acabando de vez um trabalho começado contra a arábia saudita há uns anos, intercalado por uma valente cornada num adversário quando envergava a camisola da juve, foi obra de um verdadeiro ídolo do futebol.
maradona acabou drogado. van basten saiu sem calcanhares. zidane despede.se à cabeçada.
mas não temam. o futebol espectáculo não acaba com zidane.
teremos sempre o beto.

08 julho 2006

return to cookie mountain, tv on the radio



os tv on the radio são uma banda sexy.
mas sexy a valer. assim ao estilo sexy que antónio pires de lima queria para o cds. creio até que o pires de lima devia ter este mais recente long play dos tv on the radio no seu i.pod. o cds ficava, de certeza absoluta, bem mais sexy.
é que a banda nova iorquina é responsável por uma estética cosmopolita bastante interessante e bem diversa do marasmo em que caiu o indie rock. combinando uma herança soul e funk com os ditames incontornáveis do novo rock, os tv on the radio chegam ao seu segundo álbum com um à vontade que indicia uma sapiência e uma maturidade consideráveis.
de facto, a banda está a trilhar um caminho muito estimulante. se no anterior long play o espanto inicial mascarava algumas falhas criativas e alguns aspectos técnicos menos bem geridos (o caso do acerto de vozes era por vezes bem notado), em return to cookie mountain os tv on the radio souberam acertar tudo o que tinham de melhor com uma maior intelectualização e um muito maior (e diga.se desde já muito bem conseguido) controlo dos tempos de contenção e de explosão.
no fundo, em vez de meterem a carne toda no assador, descobriram como manter o suspense, o que só os torna dez vezes mais enigmáticos, dez vezes mais soul power, dez vezes mais fantásticos.
o que eu acho que os tv on the radio têm de melhor é o facto de estarem orientados para o que aí há.de vir. tal como os liars ou os interpol, é nos subúrbios de NY que se estão a dar cartas. e os ases estão, invariavelmente, a começar a sair das mãos dos produtores.
return to cookie mountain assinala a época festiva com um golaço.
um dos melhores, até agora.

8.5/10

07 julho 2006

vem devagar, emigrante

o dia dos blogs dedicados à causa ficou marcado pela eleição que a uncut promoveu, relativa aos melhores álbuns de estreia.
evidentemente, ganhou o dos velvet underground. sem surpresa nem grande apelo.
mas a grande revelação sai, mais uma vez, da boca de nuno galopim. no sound+vision o mais promovido crítico da nossa praça espanta.se com o facto de que álbuns como o dos libertines e dos arctic monkeys tenham suplantado os de arcade fire e...pasme-se pela originalidade...franz ferdinand.
que o crítico tem um fetiche pelos escoceses já todos sabíamos.
que os arctic monkeys não são grande espingarda também.
que os arcade fire mereciam muito melhor, idem aspas.
agora perguntar em que lugar do esquecimento estarão os libertines daqui a uns anos, evidenciando de forma natural os 39 anos de velvet underground, ao mesmo tempo que faz a apologia implícita dos franz ferdinand, cujo próximo álbum será, muito provavelmente o último, é de homem.
com muita precipitação. mas é de homem.

06 julho 2006

ninguém gosta da frança, porra

declaro encerrado o meu apoio ao scolari

04 julho 2006

nobody has viewed your profile

o futebol está hoje, como há quarenta anos, ao serviço de um regime. em 1966, ao mesmo tempo que lá fora o quadrado mágico que equipava de águia ao peito abria os olhos ao mundo com a cor da selecção nacional, fazendo-se ao regime salazarista, mesmo que o magnífico simões recuse essa ideia, hoje a mesma equipa está ao serviço de outro regime.
ainda não sei bem, neste momento, se fale de futebol ou desta primeira ideia.
porque por um lado apetecia-me relembrar o saudoso jogo suado do eusébio, zé augusto, mário coluna e antónio simões [porque todos sabemos que a selecção equipa de vermelho e não de verde] mas por outro lado não me desagrada a ideia de mandar uma alfinetada na populaça.
é que isto hoje toda a gente pede à nossa senhora para a selecção ganhar. e já são tantos pedidos e tantos crentes satisfeitos que começo a suspeitar que a nossa senhora deve estar quase quase a meter férias do scolari.
(que para o bem e para o mal meteu a selecção a jogar à bola)
no fundo este novo regime é a aspiração nacional à justificação pelo oculto. sócrates, hoje, não precisa do futebol como salazar precisou.
tem a internet.
mas a igreja, que deve estar a dar pinotes de satisfação com tamanha euforia devota à senhora precisa.
no fundo, no fundo, a selecção está ao serviço da igreja.

28 junho 2006

veneer, josé gonzález



se josé gonzález mudasse o nome para qualquer coisa que soasse a inglês venderia dez vezes mais discos do que os que vende. é que josé gonzález parece nome de dj house e, parecendo que não, isso é à partida desmotivador.
se mudasse de nome, acredito, não seria recebido com a estranheza com que vai ser ouvido no sudoeste deste ano. mas tenho a certeza que a partir desse dia a turba vai a correr para a fnac comprar veneer.
veneer tem tudo o que nick drake deixou quando morreu. tem tudo o que devendra banhart procura, mas com maior racionalidade e maior sensibilidade. josé gonzález, o sueco com nome de nharro, tem a melhor voz que eu já ouvi este ano. e embora datado do ano que passou, veneer está aí mais do que presente.
se ainda não chega, percebam que veneer se baseia em meia hora de um tipo agarrado à guitarra a recordar o que poderiam ter sido os dias de reclusão em que john faye se encontrou, qual milagre, com o espírito de elliott smith.
e como daí [parece tão fácil] se fez música.
quase brilhante.

8/10

27 junho 2006

he poos clouds, final fantasy



na mesma semana em que desisti de tentar escrever sobre the dirft, a mais recente bomba atómica lançada por scott walker, reporto.me à crítica de um dos mais entusiasmantes compositores rock da actualidade.
é que isto com o rock há duas maneiras de fazer: a maneira empírica e a maneira sofisticada. owen pallett, membro influente dos arcade fire, é daqueles que gosta de caminhos por trilhar.
com essa inquietação, e com a capacidade lírica que lhe conhecíamos há muito da banda canadiana que o lançou na ribalta, os final fantasy, projecto que espero muito paralelo, aventuram-se por um mundo que tem tanto de experimentalismo pop como de integração de um certo classicismo da composição e virtuosismo orquestrado.
no fundo, he poos clouds é uma obra que em certos momentos, se não tivesse voz, poderia ser vendida ao lado de qualquer ópera de pergolesi. no entanto, a ousadia das insinuações e a aventura que é ouvir owen pallett entregar.se aos comandos do órgão de cabaret fazem deste álbum uma das melhores referências, ao momento, do cardápio de 2006.
os final fantasy têm tudo para não ser os arcade fire. se isso, por um lado, é preocupante - dada a falta do passo final para a genialidade -, por outro lado, a consistência em crescendo que prometem é um sinal que nos descansa.

8/10

25 junho 2006

#537

se tudo correr bem o a new order regressa já a partir de amanhã no formato saudoso. o tempo disponível poderá vir a alargar.se, a paciência também. muitos e bons álbuns na calha para serem comentados, entre outras considerações bem menos conseguidas.
vamos pensar positivo.
entretanto, chá branco para toda a gente.

24 junho 2006

la divina commedia

são quase duas da manhã.
não durmo decentemente há três semanas e quando chega o tempo das recomendadas onze horas seguidas de sono, que me acompanham durante o fim de semana, a minha vizinha tem a televisão aos berros por cima do meu quarto. e no pátio, outra vizinha deixou a roupa estendida e foi passar o fim de semana fora. a corda rebentou e a roupa está desde as 4 da tarde a bater nos canos do escoamento de água.
a vingança será terrível.