30 dezembro 2006

bye bye porkpie

um ciao a 2007.
um ciao diferente a itália.
vemo.nos em breve.

21 dezembro 2006

we shall overcome, bruce springsteen



nada aparece por acaso.
bruce springsteen, para além de ter feito um dos álbuns chave da música tradicional norte americana, desde sempre se destacou como assumido patriota e como politicamente bastante interventivo. as seeger sessions que agora edita poderiam ter.se chamado apenas seeger sessions.
mas não. nada aparece por acaso.
e é por isso, e porque springsteen sabe que os eua têem que superar a crise de uma administração que cada vez mais está a condenar metade do mundo a sofrer consequências das quais não tem responsabilidade nenhuma, que as seeger sessions, que recuperam de forma magistral o reportório folk que escreveu a estória dos states que grande parte desconhece, pegaram num dos temas mais absorventes da americana para nomear um álbum que tem tanto dos outros como de springsteen.
este é, decisivamente, o boss que eu gosto.
faz.me confusão aquele de born in the usa, de bandeira às costas. mas atrai.me o de nebraska, o de devils and dust, aquele que consegue conjugar soberbamente os sons, as letras, tudo o que vem de trás com tarimba folk, com os sopros do jazz, os coros gospel e as mini-orquestras que fariam o gosto de tantos.
esta é a américa. a américa não é o reflexo dos bimbos de t.shirts sem alças a pavonear.se por veneza com total desrespeito por toda uma cultura europeia com séculos de evolução. a américa é muito mais. é um país com uma estória musical riquíssima e com uma série de cidades onde se escreveram as páginas mais importantes das rupturas e onde, neste momento, se prepara o rock do futuro.
e é por isto, por causa desta cultura que continua a construir as páginas dos estados unidos que os americanos devem ter a coragem de ultrapassar.
bom natal a todos.

8/10

ecos cá de dentro

continuo bastante interessado em ver as listas de fim de ano que nos proporcionam diversos sites. a do disco digital considerou modern times, de bob dylan, álbum que eu ainda não ouvi, como o melhor de 2006. parece.me uma boa escolha. o resto da lista é um pouco obtuso.
a radar, por seu lado, não surpreendeu: the strokes em primeiro, she wants revenge em segundo, arctic monkeys em terceiro, por aí em diante. é claro que é uma lista feita pelos ouvintes, mas que, estranhamente, reflecte tudo aquilo em que a própria rádio se empenhou ao longo do ano. curiosa, porém, a introdução no top 10 de um álbum de 2005.

20 dezembro 2006

hoje não há título

quando acordei no avião hoje de manhã sobrevoávamos monsanto. é preciso uma grande sorte. mas mesmo assim regressar a lisboa foi bom. seguem.se dez dias para meter a conversa em dia.
ah, e a pitchfork deu o prémio aos the knife. a montanha pariu um rato.

18 dezembro 2006

primeiro ensaio

foi divulgada hoje a lista das 100 melhores músicas do ano da pitchforkmedia, como que a prever a que, já amanhã, definirá o top álbuns do ano que quase se encerra. o primeiro lugar, oferecido a justin timberlake, não augura nada de bom.

12 dezembro 2006

the 25 most crushworthy bands of 2006

excelente a reportagem de fim de ano do allmusic sobre as 25 bandas mais in, mais hype, mais tudo-o-que-lhes-quiserem-chamar do momento. à distância de um clique, a possibilidade de um namoro.

às vezes lado b

alternativa credível e interessante à caixa de pandora, o lado b oferece uma selecção online de pedro esteves. não é a aleatoriedade seleccionada do serviço mais badalado do momento, mas não é por isso que deixa de ser uma, quase sempre, boa banda sonora.

11 dezembro 2006

a minha esperança é a pitchfork

mojo, nme, q e rough trade...até agora nenhum dos tubarões reconheceu a importância do álbum dos liars.

06 dezembro 2006

a new order 2006, 15 albuns



1. drum's not dead, liars
2. return to cookie mountain, tv on the radio
3. playing the angel, depeche mode
4. he poos clouds, final fantasy
5. the eraser, thom yorke
6. ringleader of the tormentors, morrissey
7. the drift, scott walker
8. mr. beast, mogwai
9. ballad of the broken seas, isobel campbell and mark lanegan
10. leaving songs, stuart a. staples
11. show your bones, yeah yeah yeahs
12. 'sno angel like you, howe gelb
13. first impressions on earth, the strokes
14. subtitulo, josh rouse
15. the greatest, cat power

a new order 2006, 5 concertos



1. morrissey, festival paredes de coura
2. kings of convenience, aula magna
3. the strokes, lisboa soundz
4. pixies, pavilhao atlantico
5. broken social scene, festival paredes de coura

a new order 2006, 5 adendas a 2005



1. apologies to queen mary,wolf parade
2. clap your hands say yeah, clap your hands say yeah
3. veneer, josé gonzalez
4. black sheep boy, okkervil river
5. black mountain, black mountain

a new order 2006, acto 1

os premios a new order deste ano reflectem um desconhecimento profundo daquilo que se fez no mundo depois de setembro. por esse facto a lista dos melhores foi elaborada sem ouvir muitos potenciais bons albuns de 2006. isto significa que nao vale a pena perguntarem pelo album a ou pelo grupo b.
se e bom e se nao esta aqui, esqueçam. nao cheguei a ouvir.

01 dezembro 2006

esta quase quase

mesmo sem acentos, o a new order nao vai falhar.
o juri esta ja em deliberaçao e os premios 2006 serao mesmo atribuidos.

09 novembro 2006

can you help me discover more music that i'll like?

a indisponibilidade diária de acesso à internet fazem com que a experiência walking through venice não esteja a assumir a importância que eu gostaria. por isso, e porque o meu irmão me fez descobrir a melhor invenção da internet desde o google, abro as portas de novo para uma sugestão que pode abrir os olhos a muitos amantes da música que ouvimos.
falo de uma verdadeira caixa de pandora

12 outubro 2006

clarabóia, azevedo silva

não me foi muito fácil corresponder à solicitação que o luís me fez.
digo desde já que me deu um nó na garganta contrariar a interrupção a que tinha sujeitado o a new order.
mas, cá de longe, fazer esta crítica aproxima.me de portugal. não só porque neste momento estou 'emigrado'mas sobretudo porque falamos de música feita aí.
regra geral eu odeio a música portuguesa. ou melhor, odeio o rock português. porque acho que a língua não é apropriada e porque, geralmente, os intérpretes não são famosos. os que mais me surpreenderam nos últimos anos foram aqueles que adoptaram o inglês. falo dos x-wife, dos wray gunn ou dos parkinsons, para dar alguns exemplos.
clarabóia, o primeiro avanço de azevedo silva cheira a um rock underground sujo e despretensioso que podia ter sido feito num outro sítio que não o nosso. há qualquer coisa da escola pós-rock escocesa em o início. há qualquer coisa dos gy!be na mutação compassada de charlie. mas há tanta coisa da música americana de autor e de escola no excepcional devil's town, que só nos apetece perguntar ao luís de onde é que ele tem andado a beber.
é que há também um pouco de tool. e estão lá as referências mais ou menos explícitas a um pouco da música de influência negra que william elliott whitmore, que nunca me cansarei de citar neste blog, anda a fazer. há até, estranhamente, um pouco do mundo paralelo que os ornatos violeta criaram no nosso rock cansado e fustigado por colheitas péssimas.
isto tudo para dizer que clarabóia é um bom manual.
é claro que há imperfeições. bem como algumas indefinições. diria que falta ao luís dar um pouco mais de equilíbrio a esta demo, se o objectivo for o de criar um álbum.
no fundo, fazer desta série de canções, num formato mais extenso, um elemento mais uno e um pouco menos requebrado em diferentes pedaços sonoros. a ideia serve também no caso de o futuro passar por uma criação completamente diferente, como é óbvio.
mas, faça ele o que fizer, espero que a melancolia a que se entrega com a guitarra, que a aspereza e lucidez com que compõe, e sobretudo a verdade do gosto que é fazer música que transpõe para as canções, nunca se percam.
clarabóia não vai, provavelmente, chegar aos ouvidos de muitas pessoas. é assim o mercado, são assim os gostos,
é assim, enfim, a vida.
mas também não precisa. já marcou o seu lugar.
e é isso o mais importante.

7/10

10 setembro 2006

remember remember the 14th september

o a new order muda.se de malas feitas para outras paragens. a partir de quinta feira (ou logo que possível) podemos ser visitados em walking through venice. esperamos ser suficientemente breves.

09 agosto 2006

o tenente silva vai bebendo granizados e fotografando, com o telemóvel, as meninas da ribeiralves

o a new order vai parar para reabastecimento de conteúdos.
regressa em setembro, num novo formato.
haverá vida em veneza?

08 agosto 2006

é uma américa

existem, essencialmente, duas américas e meia.
da mesma forma que existe o portugal de fantasia e reminiscência salazarista da floribella a medir forças com o portugal cibernáutico do pastorinho da tv cabo e de sócrates [sendo que entre eles existe o portugal sempre destemido do professor marcelo], a américa luta entre a do dr phill e a de michael moore.
na américa de dr phill, assente nos pilares tradicionais da família e da verdade puritana do ser, américa sulista, tudo tem sempre uma solução, desde que devidamente aconselhada pelo próprio. não me admira que o dr phill seja republicano.
na américa de michael moore, pelo outro lado, tudo está sempre à beira do caos e da conspiração, américa urbana do espectáculo e da denúnicia mediática e falsamente puritana. não me admira que o michael moore, bem lá no fundo, seja democrata.
entre eles, claro, a meia américa surreal de george w bush.

06 agosto 2006

estado da nação

a semana passada ficou marcada pela divulgação da entrevista que luis montez deu a ana sousa dias na 2:. e digo marcada porque aquela entrevista dava uma excelente reportagem sociológica do que tem sido a música em portugal nos últimos 20 anos.
antes de mais digo.vos que admiro a postura empreendedora do empresário. luis montez tem gasto o seu tempo a construir uma espécie de império da música, contando já com três rádios (entre as quais a radar) e a maior promotora de espectáculos do território. e admiro também que este engenheiro de formação consiga manter uma bipolaridade no negócio: ganhar dinheiro com nomes feitos e ajudar à promoção de novos artistas, muitos deles de um espectro musical bastante complexo.
o que me chateia é que luis montez reduza tudo a "eu fiz, eu faço, eu vou fazer". as palavras do empresário, directas e acutilantes, determinam claramente o que se ouve nos nossos palcos. se luis montez quiser encher o pavilhão atlântico com o jack johnson, ele enche.o. se luis montez quiser que a radar diga que os she wants revenge foram a sensação de austin (ao qual luis montez assiste todos os anos), a radar di.lo. chega ao ponto de afirmar que vai encher o atlântico com o josé gonzález (reporto.vos para a minha crítica a veneer, para que atentem no meu presságio).
no fundo a música em portugal é isto. está nas mãos de um homem.
e enquanto esse homem detiver a capacidade quase autocrática de decidir aquilo que vamos ouvir durante a temporada (ao qual não é alheia a credibilidade que conquistou enquanto promotor) há muito boa música que se vai limitar a pequenos palcos ou à ausência total do circuito. tenho esperança que os últimos fracassos (depeche mode, hype@tejo, sigur rós) ajudem a equilibrar um pouco mais a balança. tem de haver lugar para o espirito crítico. e tem de haver lugar sobretudo para uma educação musical menos personalizada do dito povo.
porque isto com luis montez não há lugar para possibilidades ou enganos: ele é que faz.

05 agosto 2006

lloyd, i'm ready to be heartbroken

cá pela casa é costume andar sempre atento às edições ditas alternativas ou independentes. o que não invalida que no fundo no fundo tenha uma costela que presta adoração cega ao que hoje temos como kitsch mas que nos anos 80 era pão nosso de cada dia. nem invalida que arregale os olhos quando, nos dias que correm, os artistas piscam os olhos à estética retro kitsch que a mtv ajudou a internacionalizar.
não é por isso de estranhar que os meus heróis secretos sejam os eurythmics, mesmo que nunca tenha ouvido duas músicas seguidas deles, a forever young dos alphaville ou a take on me dos a-ha revisitada em qualquer discoteca sem grande gosto na escolha dos seus alinhamentos.
não me revoltei, dessa forma, quando a mtv me mostrou o mais recente single de nelly furtado - maneater - cujo refrão, num bom estilo soft cell me fez recordar instantaneamente aquilo que a like a prayer da madonna fez nos idos 89.
antes pelo contrário, dei por mim a pensar que maneater é a like a prayer dos anos 00 e que nelly furtado, com tudo o que isso pode trazer de bom e de mau, é a madonna da nossa era.
a rainha da noite.