28 abril 2007

pobreza intelectual 2

acaba de ser publicado o resultado levado a cabo pelo igai, respeitante à questão dos desacatos do último benfica-porto. a conclusão do inquérito foi a da responsabilização da psp e do benfica pelo sucedido.
mas...não falta aqui alguma coisa?
foi a psp que lançou petardos? foi o benfica que arremessou cadeiras? foram os agentes da autoridade a saltar sobre os torniquetes? devem ter sido, uma vez que a claque é excluída de qualquer responsabilidade nesta questão.
eu não costumo entrar na onda popularucha do "só em portugal é que isto acontece" mas é de facto muito pobre desculpabilizar os inergúmenos, que, com este inquérito, só ganham força para justificar a tese de que é normal fazerem aquilo e de que o clube visitante é que tem de mobilizar os meios para os impedir.
é como se num país as coisas funcionassem ao contrário no que concerne este grupo regional de adeptos. é como se as prioridades se invertessem.
é como se, surpresa das surpresas, vivêssemos num estado em que a regra é o elefante entrar na loja e partir a loiça, e quem paga a conta é o tipo que a arruma no armazém.

pobreza intelectual

há uns tempos, depois de ver o que o amigo jacaré aprendeu com o statcounter, resolvi abrir uma conta para o a new order. depois de umas semanas a analisar diariamente as estatísticas, e logo depois de perceber que existem já muitos blogs nacionais com ligação directa para esta casa - aos quais agradeço sinceramente - deparei.me com alguém que chegou a este espaço através de uma consulta google cujo tema era o do título.
é, no mínimo, esclarecedor.
bom fim de semana.

27 abril 2007

conselho matrimonial de fim de semana


tom waits, franks wild years [1987]

bonnie 'prince' billy, ease down the road [2001]

25 abril 2007

a derrota do futebol

há um momento no encontro que opõs ontem à noite o milan ao manchester united no qual qualquer adepto de futebol que não seja comentador da rtp nem sócio dos ingleses percebe porque é que cristiano ronaldo não é o melhor jogador do mundo. há um momento em que o brasileiro kaká consegue através de um subtil movimento de cabeça fazer chocar dois defesas ingleses, naquela que poderá ter sido a maior humilhação da vida de ambos, culminando a jogada num belo tento.
o jogo de ontem, para além de uma partida emocionante, foi um festival de comentários ridículos. os dois repórteres do canal público de televisão, para além das banalidades comuns e de alguns erros técnicos (o milan não é terceiro classificado da liga italiana), passaram hora e meia a falar do "cinismo típico" da equipa de milão. referiram.no, segundo as minhas contas, pelo menos 5 vezes. repetiram e abusaram dos chavões sobre o futebol italiano, que só utiliza quem não vê um jogo da liga desde que o arrigo sacchi deixou de treinar, e esqueceram.se de falar de futebol real. meteram o milan numa espécie de ilusão imagética à qual vivem agarrados todos os europeus que se habituaram a ouvir falar em catenaccio, sem que saibam muito bem o que é que isso quer dizer. em relação ao manchester nem sequer falaram. estiveram demasiado ocupados a falar da genialidade de cristiano ronaldo, de cada vez que ele pegava na bola, mesmo que apenas por dois segundos. tudo serviu para fazer juízos de valor sobre ronaldo. tudo servia de desculpa para o jogo apagado que o português realizou: ou os colegas não correspondiam, ou o treinador estava a errar na sua colocação. um dos comentadores repetiu mais de trinta vezes que ronaldo era um génio.
se isto é o melhor que tem para dizer uma pessoa paga para comentar um jogo daquele nível, contratem.me a mim.
mas depois há aquele momento do jogo. e aquele segundo golo do brasileiro significou uma verdadeira inflexão dos próprios comentários. a partir daquele momento, como que do nada, aparece um outro génio em campo. ronaldo apaga.se definitivamente e os comentários começam a virar.se para a evidência, em tom crescente.
no final do jogo ronaldo era como o'shea: não existia. e kaká continuava a driblar sem aqueles tiques irritantes, apenas com o movimento do corpo e com aquele típico deixar a bola andar só mais um milésimo de segundo para ultrapassar mais um jogador.

o futebol resume.se a três coisas: elegância, geometria e sacrifício.
o milan, e sobretudo kaká, tem tudo o que é preciso.
e sinceramente, em resposta ao meu irmão, que gosta do cristiano e que vai perceber a origem desta crónica, não posso garantir que o milan seja mais forte mas acredito que o futebol vai vencer na segunda mão.
mas mesmo que não vença, fica o momento em que o kaká fez aquela maldade aos defesas ingleses, durante o qual me lembrei imediatamente do tipo da liga dos últimos, um daqueles destruídos pelo álcool e pela interioridade, que resumiu numa frase mítica o futebol: quando a bola beija a rede, é golo.

hoje é um grande dia para portugal...

...eusébio da silva ferreira está pronto para deixar o hospital

22 abril 2007

person pitch, panda bear


aqui há uns tempos o noah lennox fez a primeira parte de um concerto dos black dice na zdb. na altura, entre os dois concertos encontrei.o ao pé do bar e troquei com ele um sinal de aprovação. conhecia já os animal collective e pareceu.me um tipo simpático. dias depois acabei por comprar young prayer, o seu promissor disco de estreia.
person pitch é o melhor álbum de 2007. pelo menos até ver. isto é tão ou mais estranho quanto o facto de a música de panda bear não ter uma definição fácil, nem uma catalogação imediata. é feita de colagens e de samplagens às quais recorre um músico sem qualquer problema em utilizar toda e qualquer referência.
porque no final person pitch é um álbum entusiasmante com uma dinâmica em crescendo impressionante que culmina num final arrebatador. pelo meio sucedem.se meia dúzia de canções escritas com uma mesa de misturas, por mais difícil que seja concebê.lo. tudo o resto que se possa escrever (a blogosfera nacional começa a ser um fenómeno de adoração quase unívoca) é rebuscado.
a música de panda bear é fantástica, porque é diferente de tudo ao que nos habituámos nos últimos anos, onde a colagem a standards concebidos numa altura diferente da que vivemos (e não apenas num tempo cronológico) tem ditado as regras que, quando cumpridas à risca, acabam exactamente em nada. as bandas que têm sabido construir o seu próprio percurso (arcade fire, liars, animal collective, interpol, tv on the radio...) começam a ser, justamente, aclamadas como os reis do rock.
person pitch é, nesta óptica, um contributo paralelo.
de refinada qualidade.
9/10

21 abril 2007

armchair apocrypha, andrew bird


se é verdade que, por um lado, andrew bird parece ter perdido um pouco do pio que fez ouvir em the mysterious production of eggs, o seu magistral disco anterior, também será justo dizer que armchair apocrypha tem momentos de um requinte espantoso. de facto o songwriter que espantou a europa há dois anos quando, depois de uma carreira já consolidada e munido de pouco mais do que uma excelente voz, um violino e uma guitarra galgou o circuito normal de alguém que não se define como músico alt-folk mas que também não desgarra as comparações com a geração que lhe deu vida, põs no mundo mais um dos bons álbuns deste ano.
a sensibilidade pop de andrew bird é cada vez mais melhor misturada com uma estética que tem tanto de folk como de música erudita. poderíamos dizer que bird é um dos verdadeiros compositores da pop de hoje. fá.lo porque sabe e não apenas porque o sabe sentir.
mas o seu mais recente long play não é, de todo, igual aos pujantes álbuns de estreia, que seguiam uma linha de coerência formal do princípio ao fim, sem momentos mortos nem canções para encher o espaço destinado ao cd. armchair apocrypha continua a saga de um escritor de canções moderno, com um estilo bastante peculiar mas com uma fonte segura (e de bom gosto) de influências, que lhe permitem sonhar com um lugar entre aqueles que contribuirão para escrever a estória dos anos 00 em canções.
mas até lá é preciso fazer melhor do que em armchair apocrypha. e na minha opinião de ouvinte e, podemos até dizê.lo, de fan, com aquela voz e aquela visão grandiloquente da música não será difícil.
e se o pretexto (já falado pelo próprio) de armchair apochrypha era o de poder fazer uma tournée, agradeço. aliás já assegurei o meu lugar para o ver em maio no são jorge.
mas quero mais. quero um novo the mysterious production of eggs.
quero 10 músicas juntas no mesmo espaço iguais às do final deste álbum.
rápido.
7.5/10
n.b. como poderão constatar a foto apresentada não reporta à capa do álbum. de facto foi impossível encontrar online uma imagem decente para apresentar aqui pelo que optei por uma fotografia de promoção bastante bem sacada.

20 abril 2007

conselho matrimonial de fim de semana


think before you speak, good shoes [2007]
os good shoes são a última aposta cá da casa. antes que o nuno galopim os descubra o a new order antecipa.se e aconselha este mais recente long play. os good shoes são mais uma banda do novo indie rock e são realmente muito estimulantes. para quem anda há três anos a ouvir bandas que soam a is this it? dos strokes e pensava que já não podia mais com esta tendência, os good shoes provam que ainda é possível.
desde os libertines que não aparecia uma banda assim tão boa.

i get lonely but i ain't that lonely yet

de cada vez que se gera um sururu em torno de uma banda há um de dois finais: ou a coisa fica confinada a meia dúzia de apaixonados, sendo que não interessa para o caso a qualidade, ou não do fenómeno, ou a coisa explode e a certa altura já não apetece nada fazer parte de um grupo de milhares. e isto porque, se toda a gente fala de uma coisa nova supostamente "alternativa", é porque ela não deve ser grande coisa enquanto suposta "alternativa" a tudo o resto. foi assim com os arctic monkeys, um pouco com os franz ferdinand e acontece agora com os buraka som sistema.
eu não digo que os rapazes sejam maus músicos ou maus performers. só que já toda a gente anda a cantar as músicas deles. e isso chateia.me.
e diz que hoje vão tocar ao lux e ouvi umas miúdas na faculdade dizer que tinham de ir às 9 da noite para a porta para arranjar lugar porque da última vez que lá foram tocar encheram a sala com facilidade. ao mesmo tempo que combinavam o encontro, o ipod de uma delas debitava os melhores hits das discotecas tipo kapital e capítuloV, contra as quais não tenho nada, mas que mostra bem o tipo de público que fará as honras, da buraca para o mundo.
por estas, e por outras que nem consigo explicar, nunca me senti tentado a abraçar o fenómeno. é que também, apesar de considerar algo viciante o tipo de som proposto, a coisa não me parece muito diferente daquilo que oiço nos honda civic que cruzam a estrada da pontinha ao fim do dia. mas eles dizem que é música urbana.
quem disse que uma simples denominação não quebra fronteiras?

17 abril 2007

don't let him waste your time

o novo disco das cocorosie não é assim nada de transcendental. e continuo sem perceber porque é que noah's ark, o seu segundo long play, é odiado pelos críticos. é um pouco monótono, mas quando o antony aparece as meninas partem a loiça. digo sinceramente que é uma peça incompreendida. no entanto la maison de mon rêve continua a ser a melhor aposta do duo mais sexy da pop internacional.
twelve, de patti smith, não aquece nem arrefece. é um disco de covers, bem estruturadinho mas, mais uma vez, nada de transcendental. continuo a não gostar muito de covers nem de quem as faz.
mas cada vez gosto mais de ouvir o álbum a solo de jarvis. esse sim, tem pinta de transcendental.
a minha próxima aposta cega será em willy mason. e richard swift, quando conseguir encontrar o álbum.
espero que sejam transcendentais.

14 abril 2007

3 discos que ainda não tenho mas que acho que devem valer a pena

cocorosie, the adventures of ghosthorse and stillborn [2007]
richard swift, dressed up for the letdown [2007]
patti smith, twelve [2007]

13 abril 2007

gulag orkestar, beirut


invariavelmente, de tempos a tempos, regresso ao ano que passou.
hoje apenas porque me apaixonei recentemente por este álbum e porque me pesava a consciência se não falasse dele.
confesso que quando ouvi falar de beirut, depois de ler algumas coisas e de ver algumas críticas, me cheirava a um fenómeno do tipo emir kusturica ou, pior ainda, yann tiersen. ou seja, um músico que tenta conciliar world music com pop, no caso do primeiro, com evidente sinal de derrota, ou o caso de um músico world que pega moda e que não sai, não há maneira de sair, do dia a dia das pessoas, das rádios, dos escritos. não tenho nada contra o yann tiersen. simplesmente odeio.o e naquilo em que se transformou. lembro.me também, repentinamente, dos gotan project e do ódio que lhes tenho, e até me sobe o sangue todo à cabeça.
mas beirut não é nada disto. beirut é zach condon, músico de raíz folk bem ao estilo neutral milk hotel que se deve ter apaixonado por uma rapariga da europa do leste. provavelmente esteve em itália, na zona junto às balcãs e contactou com uma croata ou uma húngara ou uma miúda qualquer de um acampamento cigano daquela região.
ou se calhar não foi nada disto.
a verdade é que o rapaz anda a brincar aos músicos itinerantes e fundiu, em gulag orkestar, o que de melhor existe da música daquela zona do globo (os cinco meses em que estive bem perto serviram para sentir que existe ali um grande potencial) com a folk mais alternativa que germinou durante os primeiros anos em que se atirou à guitarra.
no fundo no fundo misturou muito bem todo o caldeirão de influências e desatou um álbum muito interessante, porventura um dos mais surpreendentes do último ano. um álbum genuíno que escorre emoção e que acaba em brilhante fantasia recreativa com caixinha de sons. a voz do homem, essa, é digna de fazer chorar as pedras da calçada. os sopros ajudam, e muito, naquele que é um belíssimo exemplo de como estruturar canções é fácil e eficaz.
e meter.lhe uns pózinhos de inovação dá encanto a estas coisas.
não é brilhante, mas dou.lhe os parabéns.
7.9/10

12 abril 2007

sabia que...

em 28 de agosto de 1923, devido à crise no sporting clube de portugal, o sport lisboa e benfica põe as suas instalações à disposição do rival?
não sabia pois não?

11 abril 2007

o compreendido, os bastardos e o rancor

passou uma semana desde que bonnie 'prince' billy visitou lisboa. lamento que a crónica só seja lançada hoje mas entretanto meteu.se a páscoa. a falta de críticas nos blogs do costume também ajudaram a adiar a decisão de lançar, ou não, a minha ideia.
confesso que saí do maxime na passada quinta-feira irritadíssimo.
porque isto tem de ser assim: há pessoas que ou deviam ser proibidas de entrar nos concertos ou devia ser dada uma autorização especial por parte do ministério da defesa para o seu abate compulsivo. o maxime é, de longe, a pior sala para um espectáculo deste tipo em que eu já estive em lisboa. até na zdb - se não compreendem a comparação experimentem ir em dia de chuva - se ouve e vê melhor um concerto com algum intimismo como foi o de bonnie 'prince' billy.
para além das qualidades deploráveis guardadas para quem não vai uma hora e meia antes para um concerto, ou para quem não tem uma mesinha à espera, há que gramar com a corja que ou não comprou bilhete ou é demasiado estúpida para perceber que gastou dinheiro em vão. isto porque quem ficou de pé teve de gramar com uma dúzia de otários junto ao bar que não se calaram durante um minuto, mesmo depois de algumas ameaças verbais mais subtis. o constante barulho dos empregados a tirar imperiais ou a polir copos também foi exemplificativo do que resulta querer misturar alhos com bugalhos.
para ajudar a esta festa, aquela primeira parte do espectáculo - faun fables - foi de fugir. não se podia esperar muito de um gaijo igual ao guitarrista dos korn a tocar batuques e flauta e de uma miúda igual àquela que passa a vida no chiado com um cão a pedir dinheiro em honra da sua escolha de vida anarco-dependente. e a rapariga teve mesmo direito a dose dupla, acompanhando o músico norte-americano em todas as músicas do mais recente long play. se em disco essa presença já era, algumas vezes, exasperante (salva.se a produção que disfarça uma vozinha desengonhada), ao vivo é, simplesmente, odioso.
mas bonnie 'prince' billy é a maior referência da música folk norte-americana do momento, e, por isso e porque teve, de facto, momentos de uma genialidade inalcançável por todos os outros músicos que se dizem semelhantes, este foi um grande espectáculo.
já se sabe do que a casa gasta não é?

trabalho de casa

cassadaga, bright eyes [2007]
the gulag orkestar, beirut [2006]
sun awakens, six organs of admittance [2006]
ships, danielson [2006]
loose fur, loose fur [2003]
everything is good here/please come home, angels of light [2003]
rec extern, radian [2002]
dark noontide, six organs of admittance [2002]
sometimes good weather follows bad people, califone [2002]

05 abril 2007

conselhos conjugais para a quaresma




armchair apocrypha, andrew bird [2007]





ten new messages, the rakes [2007]


dia b, imperdível


veneração absoluta, mais do que justificada, hoje no cabaret maxime a partir das 23.
senhores e algumas senhoras... bonnie 'prince' billy.

04 abril 2007

prato do dia (é hoje como poderia ter sido em 1976)


we are the pipettes, the pipettes [2006]

the magic position, patrick wolf


para quem nada conhecia de patrick wolf o início do seu mais recente longplay não é, de maneira alguma, auspicioso. as primeiras músicas de magic position não denotam mais do que alguma vulgaridade e uma incapacidade de atracção imediata. a voz não é nada do outro mundo e o violino de andrew bird é bem mais arguto do que o de wolf. a estética scissor sisters da capa parece algo gasta no contexto da pop contemporânea. as explosões de aperture são algo exaustivas e o recurso à batida electrónica não é mais do que um piscar de olhos à música sexy que se anda para aí a fazer em catadupa.
as coisas alegram um bocadinho com o início da juvenil segunda faixa, que dá título ao álbum e que explicitamente faz saber da felicidade, ou pelo menos de alguma resignação do artista. a popzinha de cabaret à rufus wainwright meeting rua sésamo ganha algum grau de entusiasmo e começa, de facto, a contagiar. as palminhas a marcar o ritmo ajudam. e depois começam.se a ouvir, pela primeira vez, o bom humor e a ironia do estilo deste tipo.
mas é preciso esperar uns bons minutos até as coisas começarem a aquecer, e até percebermos que, ainda que algo inconsistente, o rapaz até tem jeito. the bluebell, a quarta faixa, marca o ponto de viragem de um álbum que tenta encadear todos os momentos que o constituem, mas é nas peças soltas que se revela eficaz. a sequência emocional que culmina com o magnífico augustine, passando pela fortíssima (como o porto) magpie, onde mariane faithfull puxa dos galões de uma carreira recheada, faz lembrar, a uma escala própria, o trabalho de antony. a catarse deste álbum é materializada pela choradeira deste conjunto de cinco canções, sendo que tudo o que se lhe segue funciona como um final alongado que recupera algum do optimismo inicial, sem nunca deixar de piscar o olho à nostalgia que, quer o patrick queira, quer não, lhe está no sangue.
é de facto surpreendente o rumo que the magic position toma depois de um início soçobrante. até parece um álbum de uma pesada carreira.
e não fossem aquelas primeiras três faixas (que gostava de eliminar deste conjunto) e estaríamos perante o melhor álbum feito este ano.
7.5/10

5 pontos para compreender um clássico

1. não há mal nenhum em receber os adeptos do porto com garrafais insultos. isso sempre fez, e muito bem, parte da história. benfiquista que vá ao dragão não é recebido com flores, de certeza.

2. problema problema é a claque doravante designada sd partir cadeiras e arremessar petardos aos benfiquistas. não se compreende, uma vez que estão a inverter a lógica de jogar fora de portas. se alguém pode partir cadeiras na luz são os benfiquistas. se alguém pode mandar uns petardos na luz são os no name boys.

3. a subcomissária da psp mente com todos os dentes. até pode estar a dizer a verdade mas a lei do benfica é a lei indiscutível. não vejam, não falem, não oiçam.

4. concordo absolutamente com o ex-treinador do benfica. o golo do benfica é irregular. o lucho está, claramente, em fora de jogo.

5. concordo igualmente com a tese do mesmo ex-treinador do benfica de que o porto foi uma equipa fortíssima na luz. viu.se bem pela forma como comemoraram fortemente o empate no final do jogo. o porto é sem dúvida a equipa com a mais forte possibilidade de ter sido alvo de um milagre na luz. e é a mais forte candidata ao título de equipa mais defensiva a jogar no mesmo estádio. foram, sem dúvida, os que fizeram a festa mais forte. fortíssimos portanto.