31 maio 2007

an end has a start, editors


vou pôr os pontos nos i's desde o início: smokers outside the hospital doors, a faixa de abertura de an end has a start, é o melhor single deste ano. pelo menos até vermos outro melhor.
e começar um álbum com uma música assim fortíssima devia ser regra generalizada a todas as bandas que se tentam lançar neste mundo.
eu tenho uma simpatia especial pelos editors. não só porque a minha banda preferida da actualidade são os interpol, e os editors são parecidos, mas também porque me parece que estes tipos fazem canções bem desenhadas e com alguma capacidade de empolgar o ouvinte. no entanto o primeiro álbum não era nada de especial. era, no máximo, giro.
an end has a start é outra conversa. os editors parecem ter ganho uma personalidade mais pessoal e parecem ter construído uma linguagem mais deles. a verificar, sobretudo, em the weight of the world e spiders.
é claro que haverá sempre colagens. é inevitável. as influências são claras e acho que eles também não estão muito interessados em disfarçá.las. não esqueçamos que isto da conversa é muito bonito, mas no final do mês há muito álcool e prostitutas para pagar. mas, apesar de perceber perfeitamente que an end has a start é um álbum que, no extremo da imaginação, já foi escrito pelos eccho & the bunymen ou pelos joy division, sinto que há ali qualquer coisa.
mais uma vez os editors levam o meu benefício da dúvida. se fosse pelo nome que ostentam sentir.me.ia culpado.
é que é de facto muito mau.
mas, de qualquer maneira, an end has a start tem uma grande mais valia: todas as músicas têem o potencial de serem singles da radar.
pena que os she wants revenge tenham aparecido antes...


7.7/10

30 maio 2007

o zé faz falta

hoje, ao mesmo tempo em que o tello fugia para a turquia, vi finalmente o cartaz que se diz já ser o melhor da década.
o zé faz falta, dizem eles.
eu, como espécimen exemplificativo dos zés de portugal, orgulho.me de ser convocado desta maneira.
zés de todo o mundo, uni.vos. precisam de nós.

29 maio 2007

new moon, elliott smith




qualquer pessoa que tende a escrever sobre música com o mínimo de capacidade de abstracção e que não se deixa enveredar pela glorificação massiva dirá que já não se fazem génios. se lerem o contrário desconfiem. porque a verdade é que já está tudo mais ou menos feito, pelo menos até ver. de qualquer maneira há uns que são mais génios do que os outros.
não, o kanye west não é um génio. e não, o justin timberlake também não é um génio. o timbaland também não, não insistam.
elliott smith morreu novo, ainda não se sabe muito bem como. fez uma série de álbuns de estrondosa qualidade. não teve pontos baixos na carreira, se não considerarmos o consumo de drogas e de álcool (o que até ajuda à manutenção de um estatuto de superstar). de facto either/or é um dos melhores álbuns de autor de sempre. leram bem. de sempre. se quiserem, e podem dizer que fui eu que o disse, metam.no no mesmo escaparate de nebraska, de closing time, de highway 61.
não tenham medo. as coisas são o que são e elliott smith é o melhor songwriter da sua época. recuperando o tema de ontem, elliott smith tinha alma. e isso faz toda a diferença no mundo da música.
new moon é o álbum póstumo que recupera uma série músicas não editadas e de versões alternativas a outras que fizeram sucesso nos seis álbuns do músico. a fórmula é muito própria e com este álbum duplo percebemos o potencial sobre o qual estivemos perante. não há ali a procura infrutífera de fórmulas milagrosas nem caprichos estéticos. não há cedências: elliott smith era assim, queria tocar daquela maneira e não se preocupava muito com o resto. como é óbvio não o conheci, mas gosto de acreditar que a música que deixou é o espelho do homem que foi.
e como tal, irrepetível.
new moon não é um álbum pensado num dado momento com a visão de determinado zeitgeist. é um conjunto de canções isoladas. mas quem conhece a fundo a obra de elliott percebe que é hoje como poderia ter sido quando ainda era vivo.
new moon, não sendo transcendente, é exemplar daquilo que é o maior legado da música norte americana entre 94 e 21 de outubro de 03.
aquele fatídico 21 de outubro de 03.

8.5/10

28 maio 2007

boxer, the national



quando peguei no actual do passado sábado (o primeiro suplemento daquela tonelada de papel que é o expresso que me passa pelas mãos) não consegui conter o riso. havia uma reportagem que se referia ao álbum dos the national como uma das melhores obras pop de sempre da história.
eu, que já me habituei ao exagero normalizado na imprensa portuguesa (recordo mais uma vez o célebre caso franz ferdinand), e olhando para o nome da banda, lembrei.me de outro célebre caso - she wants revenge - para formular o meu juízo de valor. até me podia ter lembrado dos the bravery ou dos klaxons, ou daqueles do i predict a riot, ou até mesmo dos arctic monkeys. e é claro que não tinha sequer ouvido uma linha de baixo de boxer. mas isso não me impediu de pensar que estava perante uma grande banhada.
instigado pela curiosidade arranjei o álbum e deixei.o na lista para ouvir num futuro próximo. assim que acabei o new moon de elliott smith (excelente apontamento por sinal) atirei.me ao avanço destes tipos.
ao fim de duas músicas percebi o mais que óbvio. na música ou se tem alma ou não se tem. até se pode tocar tudo muito bem, ir para os palcos com bandeiras de portugal e ser idolatrado por milhares que esperam anos para ver um tipo tocar uma guitarra durante três horas em modo automático.
mas se não existe veracidade na voz, se não existe alma, esqueçam, não estou para aí virado.
e de facto boxer é um álbum cheio de alma. não tem nada a ver com essas bandazecas que sonham acordadas com os joy division e as decalcam até ao tutano. nem tem nada a ver com outras que incorrem numa popzinha sem sal, com vozes afinadinhas mas que podiam estar a vender seguros automóvel como estão a promover uma linguagem que copiam descaradamente de coisas que os anos 80 já nos souberam mostrar. prefiro mil vezes ouvir o final countdown numa discoteca da margem sul do que levar com álbuns amorfos de duvidosa capacidade de empenhamento.
e esta conversa toda porquê? porque os the national fizeram um álbum muito bom. muito honesto, inteligente, sem recurso banal a clichés da pop. a voz faz saltar tinta das paredes: monótona mas convincente. e os rapazes estavam inspirados.
boxer não é o álbum que o actual apregoava. são canções interligadas por um elo comum de superior qualidade estética, mas não é um álbum de referência para a música pop dos próximos vinte anos. para isso ainda há um longo caminho que têem de percorrer.
de qualquer maneira, façam o favor de o descobrir.

7.9/10
ps. mais uma vez não me foi possível disponibilizar a capa do álbum. fica uma fotografia dos tipos.

25 maio 2007

falava de hëgel e de estética

parece que hoje em dia qualquer pessoa que se preze que queira falar sobre música tem de piscar o olho à pop que, há dois anos atrás, denominaríamos de teen, bem como ao hip hop sem hop. hoje em dia para se falar de música tem de se gostar de beyoncé, de rihana, de ciara, de kanye west e de timbaland. e não se pode gostar de folk, caso contrário não se é hip o suficiente. eu, que não vejo grandes diferenças entre a beyoncé e a britney, a não ser o facto de que a primeira está em melhor forma, sinto.me ultrapassado. o facto de não conseguir papar até ao fim uma música da rihana (aquela lamechice toda nem sequer me dá para a nostalgia, quanto mais para acreditar nela), começo.me a perguntar se foram as prioridades que mudaram ou se, de facto, o rock foi declarado culpado e assassinado.
para mim essa música sexy não diz nada. continuo a preferir as músicas que não colam ao ouvido.
porque depois dos beastie boys não há hip hop. e depois do michael jackson a pop morreu.

conselhos matrimoniais de fim de semana

editors, an end has a start [2007]
bill callahan, woke on a whaleheart [2007]
the national, boxer [2007]

23 maio 2007

sun semper chi




14 maio 2007

rules and regulations

de volta às crónicas, o mês de maio trouxe boas surpresas para o a new order. depois do épico regresso de rufus wainwright, naquele que é, muito provavelmente, o seu melhor apontamento desde o disco de estreia, os wilco também nos bombardearam com o muito interessante sky blue sky.

sky blue sky retoma os wilco das investidas quase folk. e por entre neil diamond e dylan, entregaram.se a um conjunto de canções bem medidas. para continuar a descobrir.

já release the stars é a nova longa-metragem cantada de rufus wainwright. e se os últimos dois álbuns do compositor não saíam da cepa torta, o mais recente long play é, até ver, uma bela e refrescante surpresa. os truques são os do costume mas o jeito de cantorzeco de cabaret meio engalfinhado na ideia de poder fazer pop barroca parece já ter adormecido. de qualquer forma, para encenar a pop existe antony e wainwright, felizmente, percebeu que não cabem dois galos naquele poleiro.

11 maio 2007

the dull flame of desire

elliott smith, new moon [2007]
rufus wainwright, release the stars [2007]
mick harvey, two of diamonds [2007]

10 maio 2007

nem se dêem ao trabalho

de volta, o novo álbum de björk, tirando antony e duas outras faixas, não há grande coisa que se aproveite.

05 maio 2007

diz que é uma espécie de antologia dos últimos tempos

o milan é a melhor equipa da europa e o carmona é o novo oh captain my captain, já que não abandona o barco. o mário lino está inscrito na ordem e eu ando enterrado em trabalho que não me apetece fazer. não fui ver a joanna newsom e descobri que ela é mesmo mesmo sexy. o benfica está sem o simão até final da época mas parece que o miccoli quer ficar por cá. não há álbuns novos a registar, pelo menos que eu saiba mas o álbum do andrew bird é mesmo mesmo tranquilamente interessante. ah e os new order acabaram.

03 maio 2007

o roto e o nu

já devem ter reparado que eu tenho uma predilecção em atacar a imprensa portuguesa. isto porque acredito que os nossos jornalistas são, regra geral, uns incompetentes, miúdos sem grande inteligência nem capacidade de observação atirados para os cenários que não compreendem. isto para não falar da manipulação informativa das direcções ou mesmo da subjugação de orgãos dos media a grupos de capital, digamos, volátil e a personagens da vida política.
mas o que eu gosto mesmo é de ouvir as parvoíces do jornalistazeco.

1. um homem estava barricado na garagem. a polícia de intervenção, como é do seu domínio, intervém. ouvem.se disparos e o homem sai para ser conduzido a uma ambulância. a jornalista, confiante naquilo que ouviu dizer, dispara que o homem foi atingido, saiu de maca, com a cara virada para baixo, e se encontra em estado crítico. a ambulância não sai do seu lugar, mas a jornalista não acha estranho. cinco minutos mais tarde o capitão da gnr informa que o homem levou com a porta na cara quando a polícia entrou e que estava a fazer gelo no interior da ambulância. os disparos eram pólvora seca, para o assustar.

2. o jornal relata o encontro de ontem entre o milan e o manchester. os italianos venceram por 3-0, qualificando-se para a final da liga dos campeões. será a 11ª final disputada pela equipa, com 6 vitórias já garantidas, o que a torna na segunda equipa com mais taças ganhas. do outro lado estará o liverpool, que já conquistou o troféu por 5 vezes. o milan eliminou o manchester united (2 vitórias) ao passo que o liverpool derrotou o chelsea (nada a registar na europa). o jornal diz que perderam os dois favoritos.

01 maio 2007

em defesa dos trabalhadores


willy mason, if the ocean gets rough [2007]

28 abril 2007

pobreza intelectual 2

acaba de ser publicado o resultado levado a cabo pelo igai, respeitante à questão dos desacatos do último benfica-porto. a conclusão do inquérito foi a da responsabilização da psp e do benfica pelo sucedido.
mas...não falta aqui alguma coisa?
foi a psp que lançou petardos? foi o benfica que arremessou cadeiras? foram os agentes da autoridade a saltar sobre os torniquetes? devem ter sido, uma vez que a claque é excluída de qualquer responsabilidade nesta questão.
eu não costumo entrar na onda popularucha do "só em portugal é que isto acontece" mas é de facto muito pobre desculpabilizar os inergúmenos, que, com este inquérito, só ganham força para justificar a tese de que é normal fazerem aquilo e de que o clube visitante é que tem de mobilizar os meios para os impedir.
é como se num país as coisas funcionassem ao contrário no que concerne este grupo regional de adeptos. é como se as prioridades se invertessem.
é como se, surpresa das surpresas, vivêssemos num estado em que a regra é o elefante entrar na loja e partir a loiça, e quem paga a conta é o tipo que a arruma no armazém.

pobreza intelectual

há uns tempos, depois de ver o que o amigo jacaré aprendeu com o statcounter, resolvi abrir uma conta para o a new order. depois de umas semanas a analisar diariamente as estatísticas, e logo depois de perceber que existem já muitos blogs nacionais com ligação directa para esta casa - aos quais agradeço sinceramente - deparei.me com alguém que chegou a este espaço através de uma consulta google cujo tema era o do título.
é, no mínimo, esclarecedor.
bom fim de semana.

27 abril 2007

conselho matrimonial de fim de semana


tom waits, franks wild years [1987]

bonnie 'prince' billy, ease down the road [2001]

25 abril 2007

a derrota do futebol

há um momento no encontro que opõs ontem à noite o milan ao manchester united no qual qualquer adepto de futebol que não seja comentador da rtp nem sócio dos ingleses percebe porque é que cristiano ronaldo não é o melhor jogador do mundo. há um momento em que o brasileiro kaká consegue através de um subtil movimento de cabeça fazer chocar dois defesas ingleses, naquela que poderá ter sido a maior humilhação da vida de ambos, culminando a jogada num belo tento.
o jogo de ontem, para além de uma partida emocionante, foi um festival de comentários ridículos. os dois repórteres do canal público de televisão, para além das banalidades comuns e de alguns erros técnicos (o milan não é terceiro classificado da liga italiana), passaram hora e meia a falar do "cinismo típico" da equipa de milão. referiram.no, segundo as minhas contas, pelo menos 5 vezes. repetiram e abusaram dos chavões sobre o futebol italiano, que só utiliza quem não vê um jogo da liga desde que o arrigo sacchi deixou de treinar, e esqueceram.se de falar de futebol real. meteram o milan numa espécie de ilusão imagética à qual vivem agarrados todos os europeus que se habituaram a ouvir falar em catenaccio, sem que saibam muito bem o que é que isso quer dizer. em relação ao manchester nem sequer falaram. estiveram demasiado ocupados a falar da genialidade de cristiano ronaldo, de cada vez que ele pegava na bola, mesmo que apenas por dois segundos. tudo serviu para fazer juízos de valor sobre ronaldo. tudo servia de desculpa para o jogo apagado que o português realizou: ou os colegas não correspondiam, ou o treinador estava a errar na sua colocação. um dos comentadores repetiu mais de trinta vezes que ronaldo era um génio.
se isto é o melhor que tem para dizer uma pessoa paga para comentar um jogo daquele nível, contratem.me a mim.
mas depois há aquele momento do jogo. e aquele segundo golo do brasileiro significou uma verdadeira inflexão dos próprios comentários. a partir daquele momento, como que do nada, aparece um outro génio em campo. ronaldo apaga.se definitivamente e os comentários começam a virar.se para a evidência, em tom crescente.
no final do jogo ronaldo era como o'shea: não existia. e kaká continuava a driblar sem aqueles tiques irritantes, apenas com o movimento do corpo e com aquele típico deixar a bola andar só mais um milésimo de segundo para ultrapassar mais um jogador.

o futebol resume.se a três coisas: elegância, geometria e sacrifício.
o milan, e sobretudo kaká, tem tudo o que é preciso.
e sinceramente, em resposta ao meu irmão, que gosta do cristiano e que vai perceber a origem desta crónica, não posso garantir que o milan seja mais forte mas acredito que o futebol vai vencer na segunda mão.
mas mesmo que não vença, fica o momento em que o kaká fez aquela maldade aos defesas ingleses, durante o qual me lembrei imediatamente do tipo da liga dos últimos, um daqueles destruídos pelo álcool e pela interioridade, que resumiu numa frase mítica o futebol: quando a bola beija a rede, é golo.

hoje é um grande dia para portugal...

...eusébio da silva ferreira está pronto para deixar o hospital

22 abril 2007

person pitch, panda bear


aqui há uns tempos o noah lennox fez a primeira parte de um concerto dos black dice na zdb. na altura, entre os dois concertos encontrei.o ao pé do bar e troquei com ele um sinal de aprovação. conhecia já os animal collective e pareceu.me um tipo simpático. dias depois acabei por comprar young prayer, o seu promissor disco de estreia.
person pitch é o melhor álbum de 2007. pelo menos até ver. isto é tão ou mais estranho quanto o facto de a música de panda bear não ter uma definição fácil, nem uma catalogação imediata. é feita de colagens e de samplagens às quais recorre um músico sem qualquer problema em utilizar toda e qualquer referência.
porque no final person pitch é um álbum entusiasmante com uma dinâmica em crescendo impressionante que culmina num final arrebatador. pelo meio sucedem.se meia dúzia de canções escritas com uma mesa de misturas, por mais difícil que seja concebê.lo. tudo o resto que se possa escrever (a blogosfera nacional começa a ser um fenómeno de adoração quase unívoca) é rebuscado.
a música de panda bear é fantástica, porque é diferente de tudo ao que nos habituámos nos últimos anos, onde a colagem a standards concebidos numa altura diferente da que vivemos (e não apenas num tempo cronológico) tem ditado as regras que, quando cumpridas à risca, acabam exactamente em nada. as bandas que têm sabido construir o seu próprio percurso (arcade fire, liars, animal collective, interpol, tv on the radio...) começam a ser, justamente, aclamadas como os reis do rock.
person pitch é, nesta óptica, um contributo paralelo.
de refinada qualidade.
9/10

21 abril 2007

armchair apocrypha, andrew bird


se é verdade que, por um lado, andrew bird parece ter perdido um pouco do pio que fez ouvir em the mysterious production of eggs, o seu magistral disco anterior, também será justo dizer que armchair apocrypha tem momentos de um requinte espantoso. de facto o songwriter que espantou a europa há dois anos quando, depois de uma carreira já consolidada e munido de pouco mais do que uma excelente voz, um violino e uma guitarra galgou o circuito normal de alguém que não se define como músico alt-folk mas que também não desgarra as comparações com a geração que lhe deu vida, põs no mundo mais um dos bons álbuns deste ano.
a sensibilidade pop de andrew bird é cada vez mais melhor misturada com uma estética que tem tanto de folk como de música erudita. poderíamos dizer que bird é um dos verdadeiros compositores da pop de hoje. fá.lo porque sabe e não apenas porque o sabe sentir.
mas o seu mais recente long play não é, de todo, igual aos pujantes álbuns de estreia, que seguiam uma linha de coerência formal do princípio ao fim, sem momentos mortos nem canções para encher o espaço destinado ao cd. armchair apocrypha continua a saga de um escritor de canções moderno, com um estilo bastante peculiar mas com uma fonte segura (e de bom gosto) de influências, que lhe permitem sonhar com um lugar entre aqueles que contribuirão para escrever a estória dos anos 00 em canções.
mas até lá é preciso fazer melhor do que em armchair apocrypha. e na minha opinião de ouvinte e, podemos até dizê.lo, de fan, com aquela voz e aquela visão grandiloquente da música não será difícil.
e se o pretexto (já falado pelo próprio) de armchair apochrypha era o de poder fazer uma tournée, agradeço. aliás já assegurei o meu lugar para o ver em maio no são jorge.
mas quero mais. quero um novo the mysterious production of eggs.
quero 10 músicas juntas no mesmo espaço iguais às do final deste álbum.
rápido.
7.5/10
n.b. como poderão constatar a foto apresentada não reporta à capa do álbum. de facto foi impossível encontrar online uma imagem decente para apresentar aqui pelo que optei por uma fotografia de promoção bastante bem sacada.