28 setembro 2007

vernissage

dei de caras com este blog (carreguem na lista aí ao lado), muito bem estruturado e cheio de cor, com um cardápio muito interessante de escolhas e sugestões.
a ter em conta nas leituras diárias.

no eggs, no omolettes

zach condon está no epicentro da música folk dos anos 00.
mas o que é que faz do líder dos beirut o special one desta corrente?
são dois os factores: uma voz inatingível e uma originalidade extremamente recompensadora. the flying club cup, o novo avanço dos beirut que chega às lojas em outubro é um álbum fantástico de folk que podia muito bem ser world se os comentaristas da praxe quisessem. é o álbum que faz regressar o poder da voz na música pop ao estatuto de principal factor de decisão. longe vão os tempos em que o esforço recompensava se a voz não tivesse sido abençoada.
apesar de algumas torpelias que têem sido escritas sobretudo pela internet, o trabalho da banda cimenta.se como uma das maiores promessas de 2007.
the flying club cup é um álbum imperdível.

27 setembro 2007

viva las vegas

the flying club cup/beirut
the shepherd's dog/iron+wine
white chalk/pj harvey

22 setembro 2007

álbum do fim de semana (ou os sonic youth em versão light)


trees outside the academy/thurston moore

21 setembro 2007

os pés quadrados

não resisto a deixar o link para uma peça incrivelmente bem escrita pelo jornalista fernando alves na edição de hoje do dn, em que gattuso e dostoievsky coabitam debaixo do mesmo tecto.

para ver em http://dn.sapo.pt/2007/09/21/dnsport/os_quadrados.html

15 setembro 2007

deixem de continuar à procura

o novo álbum dos animal collective, strawberry jam, é no mínimo asfixiante.
fireworks é, para aí, a melhor coisa feita no rock desde china girl (exagero consciente).
até me custa corroborar a opinião generalizada, mas parece que, no meio, é já um consenso: álbum do ano.

14 setembro 2007

stumm 287

os otários do disco digital acabaram de descobrir que o último álbum dos liars - auto-intitulado de liars - se chama stumm 287.
tudo porque um dos códigos do álbum (provavelmente o da distribuidora nacional ou europeia ou o raio que o parta) é esse.
meus amigos o álbum chama.se liars. e se não acreditam consultem a pitchfork, o allmusic, a stylus ou qualquer blog.
ele há coisas...

08 setembro 2007

liars, liars


os liars são aquela banda que começou por fazer um álbum onde, para além de um single fortíssimo e de duas ou três canções orelhudas pouco mais havia a registar. deduzia.se, em they threw us all in a trench and stuck a monument on top, que, para além de uma invulgar capacidade de dar nomes às coisas, os liars nunca iriam ser mais do que uma banda agarrada a um movimento de circunstância, um pouco mais garage que os restantes, mas com as mesmas bases de construção. o segundo álbum - they were wrong, so we drowned - o primeiro com uma sustentação conceptual definida, é uma grande seca, há que dizê.lo. a partir daí clarifiquei que os liars eram pouco mais do que uma banda desinteressante que se levava demasiado a sério sem ter o conhecimento para isso.
no entanto em 2006 fui atraído pela capa de drum's not dead, o terceiro long play da banda. comprei.o.

e foi, sem dúvida, a melhor aposta do ano que passou. com drum's not dead os liars escreveram uma página importante na definição de uma nova ordem do rock, sobretudo do norte-americano.

liars, o novo álbum, está uns pequenos furos abaixo do seu antecessor. hoje em dia os liars não são tão surpreendentes como o eram há um ano atrás, apesar de se terem aventurado por um caminho que, de alguma forma, regressa às origens que fizeram de ny a capital do rock. não é de estranhar que ao ouvirmos os liars em 2007 nos lembremos de como deveriam ser as ruas de manhattan ao som dos velvet underground.

existe, em liars, uma capacidade quase única de manifestar uma posição vanguardista no rock actual. os liars trilharam um caminho que encontra agora novos desenvolvimentos. é ainda cedo para dizer o que quer que seja em relação às consequências, uma vez que, na minha opinião, este é apenas o segundo capítulo de uma estória que promete muito. a experimentalidade de liars não pode ser discutida sem a percepção de que os rapazes gostam de boa música e que não a esquecem nas linhas do novo álbum.

liars constrói.se de momento em momento, de quebras inesperadas e de inversões de sentido difíceis de aceitar a uma primeira audição. e faz.se também de músicas desenhadas a régua e esquadro, que intercalam os momentos mais agudos de uma composição que só perde por alguma incapacidade de explosão em momentos-chave.

apesar de tudo, um dos melhores até agora.


8.5/10

álbum do weekend

ash wednesday, elvis perkins [2007]

05 setembro 2007

the stage names, okkervil river




os okkervil river são um fenómeno muito interessante.
dentro daquelas bandas de fazer cortar os pulsos, são os que conseguem imprimir uma toada mais positivista à música que fazem. dotados de um vocalista fantástico (que está a fazer folk-rock como poderia estar a cantar numa discoteca em ibiza), os okkervil river são qualquer coisa entre o extremismo folk dos bright eyes e o indie fortíssimo dos neutral milk hotel.
imaginem os wolf parade sem guitarras eléctricas. ou os hudson wayne bem dispostos.
são, mais ou menos, os okkervil river.
depois de black sheep boy, datado de 2005, the stage names é a rentrée perfeita. longe de alguns clichés que foram assumidos por bandas semelhantes, os okkervil river estão muito mais perto dos belle and sebastian do que dos american music club, como seria de prever pelo percurso que têem seguido, desde stars too small to use.
não esperem grandes veleidades, nem tão pouco uma amostra do que gente mais informada como os liars ou panda bear já fizeram este ano. são canções, belíssimas canções, muito bem arranjadinhas e dentro de um formato que, assumo, me agrada. desde que os radiohead gravaram ok computer que não resisto a um xilofone misturado com guitarras, e os okkervil river sabem fazê.lo com muita graça.
uma boa aposta.

8.2/10

sete

o amigo jacaré lançou o desafio. não sei se o objectivo dele é o de ficar a conhecer melhor as pessoas, ou simplesmente fazer passar o tempo. de qualquer maneira a corrente deve fazer com que cada um escreva sete coisas sobre si. para satisfazer a curiosidade do caríssimo, deixo, portanto, algumas ideias.

1. cada vez gosto menos de escrever posts. começam.me a faltar as palavras, pelo que prefiro deixar as ideias em aberto.
2. ainda não desisti da ideia de ter um porsche antes dos 30, embora os anos estejam a passar e o dinheiro não entra.
3. odeio quando o jacaré fica à mama nos jogos de futebol. não posso subir para marcar golos.
4. continuo a acreditar que o kurt cobain nunca morreu e está algures no leste europeu.
5. também eu gosto de tirar os rótulos das minis, enrolá.los em bocadinhos e atirá.los às pessoas. se for ao galáctico melhor.
6. prefiro as dançarinas exóticas russas às brasileiras.
7. não curto nada estes desafios.

04 setembro 2007

our love to admire, interpol




tem.se dito por aí muito disparate acerca dos interpol. e têem.se escrito barbaridades atrozes sobre our love to admire. eu, que me considero um consumidor compulsivo da música destes rapazes, aviso desde já que, como com qualquer paixão, esta crítica será irredutível nas suas posições.
our love to admire não é o melhor álbum dos interpol, porque antics já foi lançado. sim, é verdade. o melhor álbum dos interpol é antics. mas o mais recente long play não é para ser desconsiderado. aliás existe apenas uma música que não gosto. desde a primeira audição, no concerto do sbsr, que odiei mamooth. curiosamente é daquelas que os críticos mais gostam, o que só corrobora a sua ignorância. e não venham com o disparate de dizerem que os interpol caíram na rede que criaram ou extenderam demasiado o conceito blá blá blá.
our love to admire tem das melhores canções que já ouviram.
desde logo que é possível perceber que a tripleta inicial (pioneer to the falls - no in threesome - the scale) é assustadora. e existem outras belas tiras da quais se destacam, obviamente, all fired up e rest my chemistry (a where is my mind do ano). o single é entusiasmante e as outras músicas que completam o álbum não são más.
por isto tudo porque é que our love to admire tem levado porrada generalizada? porque não é um álbum transgénico. se os músicos metessem para lá umas samples de world music ou fizessem uma cena à M.I.A., com umas misturas incompreensíveis e capazes de provocar vómitos de tão forçadas e mal enjorgadas (era vê.los de olhos regalados no concerto em paredes de coura quando se estava perante uma espécie de ritual de sacríficio onde o microfone estava nas mãos do animal em agonia), os tipos comiam às colheradas.
mas como é um álbum limpinho de rock não passa no teste.
no fundo no fundo eu também acho que os interpol fazem muito melhor do que isto. e a nota reflecte.o. mas achei que era a oportunidade ideal para despir esta tendênciazita que está para aí a nascer.
desculpem o oportunismo.


7.7/10

03 setembro 2007

recordar é viver




passaram.se já 15 anos desde que pj harvey se lançou na ribalta do rock alternativo. em vésperas de lançamento de mais um long play na riquíssima carreira da artista, o a new order recorda aquele que é um dos álbuns seminais dos anos 90. dry, datado de 1992 não é apenas um testemunho de rock cru. é uma das consequências mais fortes de uma escola do pós-punk que nunca assumiu nos states a dinâmica da sua congénere anglo-saxónica, mas que potenciou o nascimento de descendentes directos onde se incluem nomes como os nirvana ou os pixies. neste âmbito também o debute de pj harvey, um álbum quase primitivo na forma como se assume, sem quaisquer receios, perante um mercado que era, à altura, um verdadeiro monstro para as edições independentes, teve uma relevância fundamental.

dry é um long play a cento e muitos à hora, com o músculo suficiente para jamais fazer esquecer o nervo das composições. dry são os nineties, no seu esplendor.

01 setembro 2007

novidades enormes

fantastic playroom, new young pony club [2007]
you follow me, nina nastasia & jim white [2007]
big city, zita swoon [2007]
the stage names, okkervil river [2007]
liars, liars [2007]

19 julho 2007

período estival

o a new order entra hoje de férias.
até setembro.

18 julho 2007

é a última vez nesta semana que falo dos wolfmother

lembram.se daquela música épica dos black sabbath chamada changes?
já ouviram a mind's eye dos wolfmother?
têem tudo a ver.

17 julho 2007

wolfmother

não, não e não.
os wolfmother não são uma banda metal.
por mais que o mediaplayer ou o allmusic o digam, os wolfmother estão muito longe daquela corja de cabeludos a masturbarem.se com os agudos de uma guitarra. só porque têem uma capa metal não quer dizer que o façam.
vocês já ou ouviram? já viram as pessoas que vão aos concertos deles? repararam que têem uma música - a última - que parece saída de um álbum eléctrico do dylan e outra que parece parte de um álbum do otis redding? já repararam que eles até parecem os white stripes, de vez em quando, e os mars volta muitas vezes?
não, não e não.
os wolfmother não são uma banda metal.

conselho matrimonial para esta semana

deixe tudo para trás.
esqueça a praia, o cão, a namorada a correr ao lado dele.
esqueça que os led zeppelin alguma vez existiram. admita que o frank zappa era um menino de coro e os yes eram demasiado bem arranjadinhos para rockar.
acredite que o hard rock nunca saiu de moda.
enfie.se em casa a ouvir wolfmother.

06 julho 2007

o toy gosta dos interpol

tv on the radio - concerto muito esforçado, com energia equivalente. quando a música é excelente é difícil fazer.se um mau concerto, ainda que o som que saía da p.a. estivesse uma bela porcaria. para ver noutro local que não ali.

scissor sisters - o catering que a super bock disponibilizou para os convidados era muito bom. as miúdas do bar eram excelentes e a menina do café era simpática.

interpol - ao contrário do que se possa pensar eu acho que os interpol estão talhados para os grandes concertos de festival. não só porque falam pouco e fazem muito, mas porque são a grande banda rock da actualidade. e tocam as músicas tal qual as compuseram, o que me satisfaz porque não vou aos concertos para ver as bandas ensaiarem. um concerto muito bom.

underworld - as meninas do bar continuavam simpáticas. e das sobremesas nem se fala. e sim, é verdade, o toy, esse vulto da música ligeira portuguesa, gosta mesmo dos interpol.

05 julho 2007

grazie caro

entre o momento em que o fabrizio chegou a lisboa, anafado e baixinho, e o momento em que se despediu em cuecas dos adeptos eufóricos que se apaixonaram de cada vez que o astro batia com a mão no símbolo da águia, passaram 2 anos. ao início, o povo, descrente em 1.68m de futebol recebeu.o com a dúvida que sempre assolou os predestinados.
no entanto, os primeiros 45 minutos em campo, contra o lille, mereceram.lhe uma salva de palmas em pé. a partir daí a relação com o povo vermelho consumou.se até à dádiva do estatuto de rei.
foi merecidamente que o adoptámos.
aborreci.me seriamente de cada vez que se lesionou e festejei todos os golos que fez como gostava de ter festejado aquele em 91 contra o milan, que nunca aconteceu.
o fabrizio parece que vai assinar com o palermo.
e não existe ninguém, desde que o rui costa saiu para itália, que mereça um agradecimento como ele o leva hoje.