17 dezembro 2007

até para o ano


despeço.me de 2007 com strawberry jam, dos animal collective, o grande vencedor dos prémios a new order deste ano. houve algumas alterações de última hora no top ten, o que é perfeitamente normal quando se descobrem discos diariamente. desta lista de 50 ficaram excluídos cerca de 10 álbuns que não atingiram os mínimos olímpicos. continuo ansioso para saber a decisão da pitchforkmedia. sound of silver tem dominado as escolhas, mas, sinceramente, não acredito muito que os tipos o escolham.
até para o ano.

a new order 2007

50. our ill wills, shout out louds
49. friend opportunity, deerhoof
48. yes u, devastations
47. in our nature, josé gonzáles
46. mirrored, battles
45. it's a bit complicated, art brut
44. woke on a whaleheart, bill callahan
43. if the ocean gets rough, willy mason
42. two of diamonds, mick harvey
41. an end has a start, editors
40. shotter's nation, babyshambles
39. adventures of ghosthorse and stillborn, cocorosie
38. untrue, burial
37. cassadaga, bright eyes
36. big city, zita swoon
35. icky thump, the white stripes
34. sound of silver, lcd soundsystem
33. hissing fauna, are you the destroyer?, of montreal
32. armchair apochrypha, andrew bird
31. all of a sudden i miss everyone, explosions in the sky
30. a weekend in the city, bloc party
29. fantastic playroom, new young pony club
28. think before you speak, good shoes
27. the sheperd's dog, iron and wine
26. sky blue sky, wilco
25. alles wieder offen, einsturzende neubauten
24. smokey rolls down thunder canyon, devendra banhart
23. chrome dreams II, neil young
22. drums and guns, low
21. magic, bruce springsteen
20. our love to admire, interpol
19. easy tiger, ryan adams
18. ash wednesday, elvis perkins
17. the magic position, patrick wolf
16. the good, the bad and the queen
15. release the stars, rufus wainwright
14. new moon, elliott smith
13. trees outside the academy, thurston moore
12. grinderman, grinderman
11. the flying club cup, beirut
10. night falls over kortedala, jens lekman
09. you follow me, nina nastasia and jim white
08. the stage names, okkervil river
07. liars
06. neon bible, arcade fire
05. boxer, the national
04. in rainbows, radiohead
03. white chalk, p.j. harvey
02. person pitch, panda bear
01. strawberry jam, animal collective

15 dezembro 2007

night falls over kortedala




a sugestão para o fim de semana cai.nos do céu pelas mãos de jens lekman, mas poderia muito bem ter chegado no famigerado barco do amor. sim aquele mesmo da série. é que as músicas de night falls over kortedala poderiam muito bem integrar o genérico do programa que animava as minhas tardes há 10 anos atrás, quando a decidiram repôr, se não me engano, no canal 2 da rtp.
um final de ano imprevisível, no limbo entre o kitsch e a inatingibilidade.
night falls over kortedala é quase genial.

10 dezembro 2007

caixa de pandora




chrome dreams II, neil young [2007]
nb. até ao lavar dos cestos é vindima. o ano, afinal, ainda não acabou. chrome dreams II é um álbum muito interessante, porventura um grande final para 2007.

08 dezembro 2007

os melhores momentos de 2007, ecos lá de fora, ou então um título que serve apenas para ter mais visitantes

à medida que vão saindo as listas de 2007 percebemos imediatamente que as grandes publicações já não arriscam nada.
a stylus, antes do seu encerramento, deixou uma lista em que figurava como primeira opção o álbum dos lcd soundsystem, sound of silver. uma aposta claramente de rebanho. sound of silver é um álbum interessante mas nada mais do que isso. tem meia dúzia de boas músicas e muitos longos minutos de completa asbtracção, em que os sons não têem muito de sinceros.
o mesmo sucedeu com a uncut, que volta a desiludir com a mesma opinião.
a Q escolheu o álbum dos arcade fire - neon bible - como o mais representativo do ano que agora acaba. é uma boa escolha mas peca por ser algo óbvio no contexto da cena independente. é um bom álbum mas não é, de facto, o melhor.
a mojo, por exemplo, elegeu in rainbows, o mais recente dos radiohead. outro dos melhores do ano, mas mais uma escolha algo conservadora.
é que não choca ninguém escolher os radiohead ou os arcade fire. esse processo - a identificação de um novo grande valor da música rock com a consequente exposição mediática associada - já foi feito para estas 2 bandas.
resta por isso saber qual a escolha da pitchfork.
costuma ser sempre a mais afirmativa, e desde que não incida sobre strawberry jam, poderão marcar o início de 2008 com uma grande surpresa para muitos melómanos. a aposta da pitchfork poderá ser, como manda a tradição, uma salutar percepção do caminho que andamos a seguir. mesmo que o álbum não seja o melhor, a pitchfork costuma arriscar.
mas isto é apenas uma especulação minha.

05 dezembro 2007

blogoesphera

nasceu com o melhor nome jamais dado a um blog (a quantidade de trocadilhos numa só palavra é fantástica) o novo espaço da revista esphera.
e o que é a esphera?
a esphera é a revista editada pela associação de estudantes da faculdade de arquitectura, com a qual eu tenho o prazer de colaborar na coordenação desde há umas semanas. ainda não meti as mãos em nenhum número já editado mas o próximo capítulo, programada para março, está a ganhar forma e promete esclarecer muitos tabus da sociedade.
o link, como sempre, aí ao lado.

porca miséria

outro dia fui ver o novo filme de gus van sant. chama.se paranoid park e conta uma estória que nem sequer é para aqui chamada. tenho alguma estima pelo trabalho do realizador e acho que o filme é muito razoável. mas aquilo que me perturba é o facto de antes de paranoid park ser exibida uma coisa inenarrável chamada porca miséria. é uma curta metragem de animação, parece que portuguesa, com os tiques todos do chamado cinema feito por parvos. porque, de facto, aquilo deve ter sido feito por um parvo. é que não tem a mínima qualidade. é uma coisa absolutamente pseudo, chata em todos os segundos dos longos quatro minutos, e com uma visão tão moralista das coisas que nem sequer nos dá a mínima hipótese de não nos enjoarmos.
e o pior disto tudo, para além de sermos obrigados a gramar com ela, é que esta coisa abjecta tem o apoio do icam.

04 dezembro 2007

não oh não

o a new order não se deixa comer pelo burial nem pelos battles, pelos lcd soundsystem ou pelos map of africa. também não somos enganados pelos buraka, pelo amon tobin ou por outros devaneios parecidos publicados em blogs e revistas da especialidade.
aqui não andamos à procura de diversão pura formato pseudo-post-new-age.
queremos é lágrimas e suor a escorrer pelas cordas da guitarra.

03 dezembro 2007

caixa de pandora

esta semana não há caixa de pandora porque não há álbuns interessantes a serem editados.
uma vergonha.

30 novembro 2007

2007

começam.se a perfilar os candidatos a álbum do ano. na mesma altura em que o kaká e o ronaldo discutem a bola de ouro, o a new order apresenta os dez finalistas a receberem um prémio ainda melhor: o meu reconhecimento eterno.
assim, e ainda sem qualquer ordem de preferência, os escolhidos

_you follow me/nina nastasia & jim white
_the stage names/okkervil river
_boxer/the national
_person pitch/panda bear
_neon bible/arcade fire
_liars/liars
_in rainbows/radiohead
_strawberry jam/animal collective
_white chalk/pj harvey
_grinderman/grinderman

april skies/plano alternativo

as duas mais recentes apostas da casa já se encontram aí ao lado na lista de amigos, conhecidos e nem por isso. é uma questão de passarem por lá e verem as montras.

29 novembro 2007

1980


corria o ano de 1980 quando os young marble giants lançaram o seu único álbum. em 1981 a banda galesa separou.se.
a sua estória é contada em colossal youth.

26 novembro 2007

caixa de pandora




untrue, burial [2007]


n.b. a sugestão desta semana, não sendo exemplar, é o melhor que se pode arranjar em tempo de vacas muito magras. o ano de 2007 fechou com in rainbows e agora é uma questão de contar os dias até ao novo ano. untrue é um álbum que, apesar de despertar algum (pouco) interesse não sai da cepa torta. mais um daqueles que estão a ser levados ao colo pela crítica sem se saber muito bem porquê (recordar lcd soundsystem, recordar the streets, recordar outkast, recordar tanta coisa). já lhe vi serem atribuídas notas de 9.5/10. meus senhores se isto é um 9.5 o que são os clássicos?

19 novembro 2007

control

há certos momentos em control em que, se nos distrairmos, estamos perante ian curtis e os joy division.
o trabalho de aproximação feito por anton corbjin é de facto extraordinário, e até um certo ponto os locais e as pessoas são tal e qual as imaginávamos. é claro que existem coisas execráveis no filme. as interpretações personalizadas da música dos joy division não são grande coisa, algumas personagens são uma caricatura de alguma coisa na forma como se mexem e como falam, e sente.se a falta de profundidade que deve ter estado associada à personagem principal. e depois há sempre a questão de saber até que ponto é que a mitificação que se quer fazer de ian curtis não é um pouco artificial. o homem foi, na minha opinião, o mentor da melhor banda da história, mas isso não faz dele mais do que alguém num determinado momento e com uma determinada aura.
não compliquemos o que é simples.
no entanto, apesar de por vezes control tomar um rumo demasiado lento (afinal os joy division fizeram tudo o que lhe conhecemos em dois ou três anos), o balanço final é extremamente positivo. a imagética e todas as conotações que lhe estão agarradas são muito convincentes. a imagem, como tema explorado incessamente por um fotógrafo que faz um filme, é do melhor que já se viu este ano. as referências implícitas são muito bem misturadas com alguma narrativa mais descritiva e o final do filme, a parte em que ian curtis se suicida, está sinceramente bem feita.
o grande final, ao som de uma das melhores dos joy division - 'don't walk away, in silence...' - tem de facto o efeito oposto ao que prega. quando control acaba é tempo de nos afastarmos do bombardeamento catártico a que fomos sujeitos durante duas horas, mas sem palavras, sem teorias, sem conspirações.
control é um bom filme. mas não é um filme fantástico
fantástico foram os joy division.
fantástico era ian curtis.

caixa de pandora



red carpet massacre, duran duran [2007]

17 novembro 2007

há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável

o benfica é, de há muitos anos para cá, a minha religião. entre amigos toda a gente sabe que para mim o benfica nunca perde. o fernando aguiar foi melhor do que o deco alguma vez será. e o pior que me poderia acontecer era ter um filho lagarto.
no entanto, e apesar da minha devoção incondicional, nunca fiz parte de nenhuma claque do benfica. aliás, para além de sócio do glorioso, a única instituição ligada ao futebol que merece o meu apoio são as brigate rossonere do milan. já fui sócio com as quotas em dia e só não continuo a ser porque não há forma de as pagar em portugal.
mas atenção que aquilo é uma claque a sério. dentro do panorama assustador que é o futebol italiano, as brn são um exemplo de dedicação e da correção possível. é claro que dentro do grupo existem muitos membros violentos, alguns deles ligados à extrema direita. mas num sector com 10.000 pessoas é impossível controlar o pessoal todo. no entanto o contacto que tive com as pessoas que estão à frente da organização permite.me dizer que a confusão instalada neste momento no calcio pouco terá a ver directamente com as brn. este comportamento é, aliás, sustentado pela relação directa entre claque e clube - o que limita a conduta violenta e o incitamento à vida ultra por parte dos seus dirigentes - mas também por toda a história que envolve os adeptos do milan. a fossa dei leoni, que cumpre hoje o 2º ano da sua morte, foi o local mais sagrado do adepto de futebol. e as brn herdaram o trono, respeitando.o dentro dos possíveis que uma vida dedicada ao calcio permite.
longe vão os tempos do roubo de faixas entre claques - verdadeiros troféus de guerra - mas a violência parece querer, pontualmente, regressar à vida do futebol italiano.
por cá, a pior fase parece ter já passado. longe vão os tempos em que os superdragões faziam (tudo) o que queriam. hoje em dia já só fazem o que lhes deixam. e longe vão os tempos em que era preciso levar capacete à lixeira para proteger a tola dos betinhos enraivecidos com sucessivas derrotas caseiras contra a equipa que o povo, normalmente, escolhe. no entanto, acontecimentos recentes têm vindo a despertar o sentimento de que o comportamento do adepto português está a regressar ao do tempo das cavernas. para além de um blog que para aí anda que apela, indiscriminadamente, à violência contra a autoridade (já agora o autor devia ir ver um jogo a san siro para perceber a diferença entre rebelião e estupidez), as claques do benfica recusam.se a aceitar as regras que são impostas às claques organizadas, ao nível da sua legalização. com argumentos muitas vezes pouco convincentes, o único caminho a seguir é o da aceitação.
a opção é a da dissolução enquanto claque.
eu, como indefectível apoiante do meu clube, com as quotas pagas e rios de dinheiro gastos em jogos todos os anos, respeito a malta das claques. são eles que nunca desistem e que andam sempre atrás da equipa. embora o apoio que concedem seja muitas vezes fraquinho (coravam de vergonha se vissem uma coreografia de um derby milanês), têem o direito à organização e à manifestação, dentro das regras, do seu amor ao clube. no entanto, têem que se dar ao respeito, controlando os inergúmenos, seguindo a via que melhor lhes convier.
para isto há que aceitar as regras do jogo.
não compliquem.

14 novembro 2007

14 de novembro de 2004

foi o dia em que o a new order começou a sua emissão.
ou seja, este blog faz hoje 3 anos. são já 699 posts em 1086 dias. são centenas de álbuns sugeridos, dezenas de críticas sustentadas em argumentos mais ou menos convincentes (muitas vezes fruto de uma simples tendência para gostar ou odiar) e alguns concertos revistos, entre outros muitos disparates.
em jeito de balanço deixo alguns reparos acerca desta casa, que penso serem úteis para perceber como é que se consegue não deixar cair um site que não gera nada, não produz nada e não influencia nada.

porque é que surge o a new order? porque o no more loud music não convenceu ninguém.
o que é que move o a new order? absolutamente nada.

a que é que aspira o a new order? a ter uma ligação no blog do nuno galopim.

12 novembro 2007

caixa de pandora



alles wieder offen, einstürzende neubauten [2007]

10 novembro 2007

control

estreia sensivelmente daqui a uma semana o biopic sobre a vida de ian curtis. em paralelo os álbuns da banda foram reeditados, os blogs começam a falar dos joy division e a imprensa vai ter tema para escrever durante umas semanas. vão ser feitas homenagens. a viúva já se zangou porque não aparece no filme (ao contrário da namorada). peter hook já disse que pensa nele todos os dias. não esquecer que os new order acabaram há pouco tempo. e já contrariaram o que disseram, ninguém sabe muito bem.
estamos portanto perante o que se avizinha uma algarviada colectiva. pela parte que me toca tenho grande curiosidade em ver o filme. quanto mais não seja para perceber o impacto que um filme sobre uma banda de culto como os joy division pode, quando publicitado, ter na sociedade. a meu ver este impacto será quase nulo e serão muito poucos os interessados em gramar com control.
veremos.

mouco/my mother's sleeping pills

a lista de amigos, conhecido e nem por isso foi actualizada com duas novas referências. no caso do mouco trata.se de um blog já com uns aninhos, sempre actualizado com boas propostas, e não apenas no campo da música. o my mother's sleeping pills tem uma história mais recente e, apesar de alguma desorganização da barra lateral, está constantemente cheio das melhores novidades.

08 novembro 2007

interpol @ coliseu lx


os interpol são a minha banda em actividade preferida.
ouvi.os pela primeira vez em 2003, depois de ter saído o turn on the bright lights. escrevi pela primeira vez sobre eles em janeiro de 2004, no meu primeiro blog (no more loud music). o antics satisfez.me mais do que quase todos os álbuns que já ouvi na vida e foi com espanto que vi o our love to admire ganhar uma dimensão mediática que me chateia profundamente.
a minha visão purista da coisa faz com que preferisse ter visto ontem o coliseu meio vazio a ter de levar com a cara de espanto de muitos quando os interpol atacavam de forma brilhante os temas mais antigos.
é que isto em portugal é sempre assim:

a) a música no coração decide promover uma banda qualquer e uma certa faixa da população atira.se sem pensar ao que lhe propõem e passa a gostar deles. passado uns meses já nem se lembram do que viram.

e depois isto resulta em situações como as que vi ontem:

i) gente a abandonar a fila da frente a meio do concerto (eu estava no fundo do coliseu)
ii) gente que não sabia muito bem quem é que estava a tocar a obstacle 1 ou a PDA
iii) gente a delirar com músicas banais do último álbum e a ignorar completamente a beleza das composições mais bem conseguidas

b) os portugueses gostam de palminhas a fazer o ritmo e de obrigados mal enjorgados. se houver uma bandeira de portugal pelo meio a banda é a melhor que já actuou em portugal. aliás leiam a crítica musical que se faz em portugal e verifiquem se não aparece todos os meses um novo melhor concerto de sempre da história.


parece.vos pretensioso? sim, eu sei. mas as coisas são mesmo assim. não advogo o direito de ser o único a gostar dos interpol, mas que já os conheço há uns anos (mais do que muitos dos que ali estavam) isso ninguém pode duvidar. e se o próximo álbum for um regresso a tempos mais obscuros, o que significará necessariamente uma quebra do ritmo de pessoas fascinadas pelo mundo dos interpol, eu serei uma pessoa mais feliz.
e em relação ao concerto? os interpol tocam a música que fazem.
what you ear is what you get.

07 novembro 2007

in rainbows

ainda não consegui perceber muito bem se o novo álbum dos radiohead está dentro de uma das duas opções

i) o melhor álbum desde ok computer
ii) um álbum mediano para a expectativa criada

ou se é, no mínimo, incatalogável.
isto porque, de facto, há aqui uma série de belíssimas canções mas parece que não me estão a entusiasmar da mesma forma que as incursões mais experimentalistas dos álbuns anteriores. se calhar é porque tenho andado a ouvir in rainbows depois de muitas horas à frente de uma maquete, ou simplesmente porque o benfica tem perdido vários jogos. de qualquer maneira parece.me um daqueles álbuns que daqui a uns tempos vai fazer clique.

05 novembro 2007

caixa de pandora


shotter's nation, babyshambles [2007]

03 novembro 2007

sugestão do fim de semana

este fim de semana não há dinheiro para gastar em álbuns. por isso não há sugestões.
mas se quiserem, façam como o ministro das obras públicas e dêem uma vista de olhos a um novo blog que aí anda: trying my luck. a ligação, como sempre, aí ao lado.


p.s. são quase 4 anos de blogging. e quase 3 de a new order. as referências na blogosfera são já algumas. bom sinal.

29 outubro 2007

caixa de pandora


real life, joan as police woman [2006]

guilty pleasure #3

bend and break, keane

28 outubro 2007

crónica do fim de semana que parece já acabou

depois de uma prolongada ausência provocada por um irritante vírus, que espero definitivamente morto, deixo.vos a sugestão atrasada para o fim de semana. amanhã, se tudo correr bem, regressam os guilty pleasures.

devastations/yes,u [2007]
josé gonzáles/in our nature [2007]

20 outubro 2007

não brinquem comigo...não é nada de especial


mirrored, battles (2007)

18 outubro 2007

o justin, o dos nerd e o que vai todas

o bar da minha faculdade agora tem 2 plasmas que estão sempre ligados na vh1. hoje à tarde, logo a seguir ao boss ter aparecido em grande estilo de manga cava num estádio sobrelotado, apareceu o justin timberlake.
o tipo veste.se bem para o videoclips. parece que agora está na moda fazer os videoclips de fato e gravata. até o 50 cent já se produz todo, esquecendo de vez a roupa da g unit que vende aos putos dos subúrbios.
eu nem desgosto do justin. fiz o download do último álbum e as primeiras 6 músicas são muito boas, em especial uma que se chama my love. mas também aquela da scarlett johanson. só não sei se gosto da música porque ela aparece no videoclip ou porque aquilo tem mesmo piada. de qualquer maneira têem um bom feeling.
o resto do álbum é uma bela porcaria mas também não se lhe pode pedir muito... o tipo saiu de uma boys band.

15 outubro 2007

guilty pleasures #2

how to save a life, the fray

13 outubro 2007

leituras de fim de semana

two of diamonds, mick harvey (2007)

magic, bruce springsteen (2007)

smokey rolls down thunder canyon, devendra banhart (2007)

08 outubro 2007

guilty pleasure #1

i don't like mondays, the boomtown rats

07 outubro 2007

white chalk, pj harvey




o ano não podia terminar sem um álbum assim.
depois dos the national nos terem relembrado o prazer das canções pop de toada melancólica, de panda bear ter dado mais um novo sentido à música rock e dos animal collective nos terem oferecido um dos mais espantosos ensaios para uma nova linhagem da música contemporânea, depois de tudo isto, só faltava mesmo um álbum negro como white chalk.
o novo avanço de pj harvey, que segue uma linha de construção semelhante à que originou muitas das belíssimas canções do seu antecessor é, de facto, um álbum estarrecedor. sem grandes surpresas a não ser as linhas mais densas com que se cose, white chalk não deverá agradar a muito boa gente.
primeiro porque não tem singles fortes. ou melhor, dada a conjuntura não tem sequer aquilo que se possa dizer, a bem da verdade, uma música talhada para o éter ou para os videoclips da mtv. white chalk é composto de momentos que parecem localizadas num limbo que só a própria poderá esclarecer.
existe um fio ao longo do álbum que já o sentimos anteriormente em música de gente como elliott smith, beth gibbons ou scott walker. é um fio que não esclarece acerca da sanidade emocional de quem o traça, mas que, em termos de resultados palpáveis revela a melhor música jamais feita. o que é que eu estou a tentar dizer? quer white chalk parece o álbum de alguém que, se não está empenhado em morrer brevemente, parece.
white chalk é um álbum feito de uma tensão muito pouco saudável. é um álbum sem luz ao fundo do túnel, feito de canções de curta duração extraordinariamente introspectivas a fazer revelar uma pj harvey como jamais a havíamos conhecido. longe vão os tempos da exploração indiscriminada das guitarras de dry ou rid of me ou até do pesar circunstancial de to bring you my love ou is this desire?
a trilogia que agora completa um novo ciclo (stories from the city, stories from the sea e uh huh her incluídos) revela.nos uma polly jean cada vez mais crua e cada vez menos agarradas a chavões de imagem ou limites para a árdua tarefa de fazer rock.
um álbum fantástico.

8.7/10

28 setembro 2007

vernissage

dei de caras com este blog (carreguem na lista aí ao lado), muito bem estruturado e cheio de cor, com um cardápio muito interessante de escolhas e sugestões.
a ter em conta nas leituras diárias.

no eggs, no omolettes

zach condon está no epicentro da música folk dos anos 00.
mas o que é que faz do líder dos beirut o special one desta corrente?
são dois os factores: uma voz inatingível e uma originalidade extremamente recompensadora. the flying club cup, o novo avanço dos beirut que chega às lojas em outubro é um álbum fantástico de folk que podia muito bem ser world se os comentaristas da praxe quisessem. é o álbum que faz regressar o poder da voz na música pop ao estatuto de principal factor de decisão. longe vão os tempos em que o esforço recompensava se a voz não tivesse sido abençoada.
apesar de algumas torpelias que têem sido escritas sobretudo pela internet, o trabalho da banda cimenta.se como uma das maiores promessas de 2007.
the flying club cup é um álbum imperdível.

27 setembro 2007

viva las vegas

the flying club cup/beirut
the shepherd's dog/iron+wine
white chalk/pj harvey

22 setembro 2007

álbum do fim de semana (ou os sonic youth em versão light)


trees outside the academy/thurston moore

21 setembro 2007

os pés quadrados

não resisto a deixar o link para uma peça incrivelmente bem escrita pelo jornalista fernando alves na edição de hoje do dn, em que gattuso e dostoievsky coabitam debaixo do mesmo tecto.

para ver em http://dn.sapo.pt/2007/09/21/dnsport/os_quadrados.html

15 setembro 2007

deixem de continuar à procura

o novo álbum dos animal collective, strawberry jam, é no mínimo asfixiante.
fireworks é, para aí, a melhor coisa feita no rock desde china girl (exagero consciente).
até me custa corroborar a opinião generalizada, mas parece que, no meio, é já um consenso: álbum do ano.

14 setembro 2007

stumm 287

os otários do disco digital acabaram de descobrir que o último álbum dos liars - auto-intitulado de liars - se chama stumm 287.
tudo porque um dos códigos do álbum (provavelmente o da distribuidora nacional ou europeia ou o raio que o parta) é esse.
meus amigos o álbum chama.se liars. e se não acreditam consultem a pitchfork, o allmusic, a stylus ou qualquer blog.
ele há coisas...

08 setembro 2007

liars, liars


os liars são aquela banda que começou por fazer um álbum onde, para além de um single fortíssimo e de duas ou três canções orelhudas pouco mais havia a registar. deduzia.se, em they threw us all in a trench and stuck a monument on top, que, para além de uma invulgar capacidade de dar nomes às coisas, os liars nunca iriam ser mais do que uma banda agarrada a um movimento de circunstância, um pouco mais garage que os restantes, mas com as mesmas bases de construção. o segundo álbum - they were wrong, so we drowned - o primeiro com uma sustentação conceptual definida, é uma grande seca, há que dizê.lo. a partir daí clarifiquei que os liars eram pouco mais do que uma banda desinteressante que se levava demasiado a sério sem ter o conhecimento para isso.
no entanto em 2006 fui atraído pela capa de drum's not dead, o terceiro long play da banda. comprei.o.

e foi, sem dúvida, a melhor aposta do ano que passou. com drum's not dead os liars escreveram uma página importante na definição de uma nova ordem do rock, sobretudo do norte-americano.

liars, o novo álbum, está uns pequenos furos abaixo do seu antecessor. hoje em dia os liars não são tão surpreendentes como o eram há um ano atrás, apesar de se terem aventurado por um caminho que, de alguma forma, regressa às origens que fizeram de ny a capital do rock. não é de estranhar que ao ouvirmos os liars em 2007 nos lembremos de como deveriam ser as ruas de manhattan ao som dos velvet underground.

existe, em liars, uma capacidade quase única de manifestar uma posição vanguardista no rock actual. os liars trilharam um caminho que encontra agora novos desenvolvimentos. é ainda cedo para dizer o que quer que seja em relação às consequências, uma vez que, na minha opinião, este é apenas o segundo capítulo de uma estória que promete muito. a experimentalidade de liars não pode ser discutida sem a percepção de que os rapazes gostam de boa música e que não a esquecem nas linhas do novo álbum.

liars constrói.se de momento em momento, de quebras inesperadas e de inversões de sentido difíceis de aceitar a uma primeira audição. e faz.se também de músicas desenhadas a régua e esquadro, que intercalam os momentos mais agudos de uma composição que só perde por alguma incapacidade de explosão em momentos-chave.

apesar de tudo, um dos melhores até agora.


8.5/10

álbum do weekend

ash wednesday, elvis perkins [2007]

05 setembro 2007

the stage names, okkervil river




os okkervil river são um fenómeno muito interessante.
dentro daquelas bandas de fazer cortar os pulsos, são os que conseguem imprimir uma toada mais positivista à música que fazem. dotados de um vocalista fantástico (que está a fazer folk-rock como poderia estar a cantar numa discoteca em ibiza), os okkervil river são qualquer coisa entre o extremismo folk dos bright eyes e o indie fortíssimo dos neutral milk hotel.
imaginem os wolf parade sem guitarras eléctricas. ou os hudson wayne bem dispostos.
são, mais ou menos, os okkervil river.
depois de black sheep boy, datado de 2005, the stage names é a rentrée perfeita. longe de alguns clichés que foram assumidos por bandas semelhantes, os okkervil river estão muito mais perto dos belle and sebastian do que dos american music club, como seria de prever pelo percurso que têem seguido, desde stars too small to use.
não esperem grandes veleidades, nem tão pouco uma amostra do que gente mais informada como os liars ou panda bear já fizeram este ano. são canções, belíssimas canções, muito bem arranjadinhas e dentro de um formato que, assumo, me agrada. desde que os radiohead gravaram ok computer que não resisto a um xilofone misturado com guitarras, e os okkervil river sabem fazê.lo com muita graça.
uma boa aposta.

8.2/10

sete

o amigo jacaré lançou o desafio. não sei se o objectivo dele é o de ficar a conhecer melhor as pessoas, ou simplesmente fazer passar o tempo. de qualquer maneira a corrente deve fazer com que cada um escreva sete coisas sobre si. para satisfazer a curiosidade do caríssimo, deixo, portanto, algumas ideias.

1. cada vez gosto menos de escrever posts. começam.me a faltar as palavras, pelo que prefiro deixar as ideias em aberto.
2. ainda não desisti da ideia de ter um porsche antes dos 30, embora os anos estejam a passar e o dinheiro não entra.
3. odeio quando o jacaré fica à mama nos jogos de futebol. não posso subir para marcar golos.
4. continuo a acreditar que o kurt cobain nunca morreu e está algures no leste europeu.
5. também eu gosto de tirar os rótulos das minis, enrolá.los em bocadinhos e atirá.los às pessoas. se for ao galáctico melhor.
6. prefiro as dançarinas exóticas russas às brasileiras.
7. não curto nada estes desafios.

04 setembro 2007

our love to admire, interpol




tem.se dito por aí muito disparate acerca dos interpol. e têem.se escrito barbaridades atrozes sobre our love to admire. eu, que me considero um consumidor compulsivo da música destes rapazes, aviso desde já que, como com qualquer paixão, esta crítica será irredutível nas suas posições.
our love to admire não é o melhor álbum dos interpol, porque antics já foi lançado. sim, é verdade. o melhor álbum dos interpol é antics. mas o mais recente long play não é para ser desconsiderado. aliás existe apenas uma música que não gosto. desde a primeira audição, no concerto do sbsr, que odiei mamooth. curiosamente é daquelas que os críticos mais gostam, o que só corrobora a sua ignorância. e não venham com o disparate de dizerem que os interpol caíram na rede que criaram ou extenderam demasiado o conceito blá blá blá.
our love to admire tem das melhores canções que já ouviram.
desde logo que é possível perceber que a tripleta inicial (pioneer to the falls - no in threesome - the scale) é assustadora. e existem outras belas tiras da quais se destacam, obviamente, all fired up e rest my chemistry (a where is my mind do ano). o single é entusiasmante e as outras músicas que completam o álbum não são más.
por isto tudo porque é que our love to admire tem levado porrada generalizada? porque não é um álbum transgénico. se os músicos metessem para lá umas samples de world music ou fizessem uma cena à M.I.A., com umas misturas incompreensíveis e capazes de provocar vómitos de tão forçadas e mal enjorgadas (era vê.los de olhos regalados no concerto em paredes de coura quando se estava perante uma espécie de ritual de sacríficio onde o microfone estava nas mãos do animal em agonia), os tipos comiam às colheradas.
mas como é um álbum limpinho de rock não passa no teste.
no fundo no fundo eu também acho que os interpol fazem muito melhor do que isto. e a nota reflecte.o. mas achei que era a oportunidade ideal para despir esta tendênciazita que está para aí a nascer.
desculpem o oportunismo.


7.7/10

03 setembro 2007

recordar é viver




passaram.se já 15 anos desde que pj harvey se lançou na ribalta do rock alternativo. em vésperas de lançamento de mais um long play na riquíssima carreira da artista, o a new order recorda aquele que é um dos álbuns seminais dos anos 90. dry, datado de 1992 não é apenas um testemunho de rock cru. é uma das consequências mais fortes de uma escola do pós-punk que nunca assumiu nos states a dinâmica da sua congénere anglo-saxónica, mas que potenciou o nascimento de descendentes directos onde se incluem nomes como os nirvana ou os pixies. neste âmbito também o debute de pj harvey, um álbum quase primitivo na forma como se assume, sem quaisquer receios, perante um mercado que era, à altura, um verdadeiro monstro para as edições independentes, teve uma relevância fundamental.

dry é um long play a cento e muitos à hora, com o músculo suficiente para jamais fazer esquecer o nervo das composições. dry são os nineties, no seu esplendor.

01 setembro 2007

novidades enormes

fantastic playroom, new young pony club [2007]
you follow me, nina nastasia & jim white [2007]
big city, zita swoon [2007]
the stage names, okkervil river [2007]
liars, liars [2007]

19 julho 2007

período estival

o a new order entra hoje de férias.
até setembro.

18 julho 2007

é a última vez nesta semana que falo dos wolfmother

lembram.se daquela música épica dos black sabbath chamada changes?
já ouviram a mind's eye dos wolfmother?
têem tudo a ver.

17 julho 2007

wolfmother

não, não e não.
os wolfmother não são uma banda metal.
por mais que o mediaplayer ou o allmusic o digam, os wolfmother estão muito longe daquela corja de cabeludos a masturbarem.se com os agudos de uma guitarra. só porque têem uma capa metal não quer dizer que o façam.
vocês já ou ouviram? já viram as pessoas que vão aos concertos deles? repararam que têem uma música - a última - que parece saída de um álbum eléctrico do dylan e outra que parece parte de um álbum do otis redding? já repararam que eles até parecem os white stripes, de vez em quando, e os mars volta muitas vezes?
não, não e não.
os wolfmother não são uma banda metal.

conselho matrimonial para esta semana

deixe tudo para trás.
esqueça a praia, o cão, a namorada a correr ao lado dele.
esqueça que os led zeppelin alguma vez existiram. admita que o frank zappa era um menino de coro e os yes eram demasiado bem arranjadinhos para rockar.
acredite que o hard rock nunca saiu de moda.
enfie.se em casa a ouvir wolfmother.

06 julho 2007

o toy gosta dos interpol

tv on the radio - concerto muito esforçado, com energia equivalente. quando a música é excelente é difícil fazer.se um mau concerto, ainda que o som que saía da p.a. estivesse uma bela porcaria. para ver noutro local que não ali.

scissor sisters - o catering que a super bock disponibilizou para os convidados era muito bom. as miúdas do bar eram excelentes e a menina do café era simpática.

interpol - ao contrário do que se possa pensar eu acho que os interpol estão talhados para os grandes concertos de festival. não só porque falam pouco e fazem muito, mas porque são a grande banda rock da actualidade. e tocam as músicas tal qual as compuseram, o que me satisfaz porque não vou aos concertos para ver as bandas ensaiarem. um concerto muito bom.

underworld - as meninas do bar continuavam simpáticas. e das sobremesas nem se fala. e sim, é verdade, o toy, esse vulto da música ligeira portuguesa, gosta mesmo dos interpol.

05 julho 2007

grazie caro

entre o momento em que o fabrizio chegou a lisboa, anafado e baixinho, e o momento em que se despediu em cuecas dos adeptos eufóricos que se apaixonaram de cada vez que o astro batia com a mão no símbolo da águia, passaram 2 anos. ao início, o povo, descrente em 1.68m de futebol recebeu.o com a dúvida que sempre assolou os predestinados.
no entanto, os primeiros 45 minutos em campo, contra o lille, mereceram.lhe uma salva de palmas em pé. a partir daí a relação com o povo vermelho consumou.se até à dádiva do estatuto de rei.
foi merecidamente que o adoptámos.
aborreci.me seriamente de cada vez que se lesionou e festejei todos os golos que fez como gostava de ter festejado aquele em 91 contra o milan, que nunca aconteceu.
o fabrizio parece que vai assinar com o palermo.
e não existe ninguém, desde que o rui costa saiu para itália, que mereça um agradecimento como ele o leva hoje.

03 julho 2007

recordar é viver


abbey road, the beatles (1969)





hoje, como ontem, e provavelmente como nos próximos anos, enquanto o sol não desaparecer, as bandas continuar.se.ão a copiar até ao tutano. é claro que umas sabem copiar e outras, de facto, nem para isso servem.
[mas essas também nem sequer vale a pena estar para aqui a falar: o trolaró trata disso]
abbey road é, porventura, o álbum do top dos copianços. e não falo apenas da capa imortalizada em mais de uma centena de alusões mais ou menos descaradas.
abbey road é, provavelmente, o melhor disco de sempre da história do rock. não é o meu preferido, mas é impossível não dizer que you never give me your money não é a música melhor conseguida desde que o mundo é mundo.
não há, de facto, grande coisa a dizer sobre este long play.
se recordar é viver, como a coluna quer fazer crer, rever abbey road é continuar a viver na ilusão de que o rock ainda existe. sem lamechices do tipo ai que bom que eram estes tempos, abbey road é, ainda, um manual para qualquer melómano. a trilogia because - you never give me your money - sun king devia ser alvo de uma tese de doutoramento. eu, pela parte que me toca, se algum dia me propuser a fazê.lo, será sobre estas 3 músicas que incidirei o meu estudo. ou sobre como um álbum tem (quase) tudo o que precisamos de ouvir enquanto formos vivos.

a manobra de heinrich

cresce a expectativa em relação ao concerto dos interpol da próxima quinta feira. o single de apresentação do novo álbum - o melhor do ano de certeza - traz.nos um vídeo que só confirma o que eu ando a dizer desde turn on the bright lights: os interpol estão a anos luz de toda a concorrência.

30 junho 2007

houvesse mais zés

ao escrever neste meu espaço que o zé faz falta, nunca imaginei que o resultado pudesse ser o aumento do número de visitantes. de facto, através do statcounter, verifiquei que a procura directa no google do tema encaminhava para o a new order, pelo que o número de visitantes tem vindo a aumentar. é claro que depois ficam aqui 5 segundos a procurar o cartaz e não o encontram, mas, pelo menos, contam para a estatística.
e eu adoro estatísticas.
é por isso que lanço o tema para mais uma escalada de visitantes.

7 maravilhas da blogosfera

planeta pop
ladies love cool r
apARTES
juramento sem bandeira
o blog do jacaré
sound+vision
o meu querido ipod nano

ps: a votação diz respeito à que está a ser levada a cabo pelo blog o sentido das coisas, e serviu de pretexto para uma limpeza da secção amigos, conhecidos e nem por isso
ps1: todos os links para os blogs referidos estão aí ao lado
ps2: ainda não vi nenhum voto no a new order. mau sinal.

28 junho 2007

sugestões antecipadas de fim de semana

art brut, it's a bit complicated (2007)
ryan adams, easy tiger (2007)
shout out louds, our ill wills (2007)

26 junho 2007

da finlandia (3)


kiasma, helsinki (steven holl)

da finlandia (2)



sanatório de paimio (alvar aalto)



da finlandia (1)


finlandia hall, helsinki (alvar aalto)

19 junho 2007

colossos

à espera dos novos álbuns de ryan adams e dos interpol, que prometem aquecer a silly season, deitei.me aos colossos que recentemente avançaram com novos álbuns. de sound of silver, dos lcd soundsystem (sim, só agora é que o ouvi) pouco mais se aproveita do que 3 excelentes faixas: someone great, all my friends e new york i love you but you're bringing me down (de longe a melhor coisinha deste álbum). o resto é perfeitamente banal.
icky thump, dos white stripes, tem um bom feeling. falta.me ainda o tempo para opinar melhor. mas a coisa promete.

carta aberta ao comendador berardo

caro comendador berardo, amigo joe

não tenho qualquer complexo com as opas. para mim, que não invisto na bolsa, tanto se me dá como se me deu. também não me chateia que o caríssimo tenha tanto dinheiro. hei.de lá chegar, apesar de não compreender como é que uma pessoa com o seu carisma discursivo faz tanto papel. e gosto sempre de o ouvir falar de benfiquismo. é bonito que os sócios e simpatizantes do glorioso se mobilizem, mesmo que no fundo do túnel a luz seja a dos euros.
o senhor comendador (andei à procura no dicionário desta palavra mas não a consegui descortinar) falou inclusive em investir 50 milhões de euros na equipa, que a direcção só tinha de falar consigo. era de homem, sim senhora!
agora, senhor comendador, benfiquista joe, não se mete com o rui costa. há coisas que são intocáveis. como deus para os crentes e o pinto da costa para os morcões. o rui costa jogará no benfica enquanto quiser. e as suas palavras foram um passo em falso.
se quer cair nas boas graças dos adeptos tem de dizer exactamente o contrário daquilo que pensa. não deverá ser assim tão difícil. basta prometer que o rui será tratado como o rei que é, e os adeptos entregam.lhe os votos de que precisa de mão beijada. tem de compreender, já que afirmou que de bola não percebe nada, que o rui costa é aquilo que em futebol se chama um símbolo. gostava que o alberto joão conduzisse a sua madeira de forma democrática? não lhe cabe na cabeça pois não? seria o fim de um símbolo.
por isso, amigo joe, gaste dinheiro no benfica. invista, como disse, de forma voluntariosa. faça os adeptos vibrarem com contratações milionárias. mas deixe o lugar do rui em paz. é que muito dificilmente veremos os miúdos a jogar pelas ruas com berardo nas costas berrantes. mas com o número 10, esse, nem daqui a 20 anos as arrumam na gaveta.
saudações benfiquistas.

09 junho 2007

marasmo

isto serve só para aumentar o número de posts. e para aumentar o número de visitantes.
é que não se tem passado mesmo nada.

05 junho 2007

recordar é viver




os new order têm mais colectâneas do que álbuns propriamente ditos. não é de estranhar se pensarmos que praticamente todas as músicas que já fizeram até hoje são os singles que os outros sonharam fazer. não é de estranhar se pensarmos que as músicas dos new order são das mais sampladas e remixadas. e que blue monday é o single mais vendido de sempre da história da música. aliás se tivermos em conta que no período de 81 a 86 os new order lançaram os álbuns movement, power corruption & lies, low-life e brotherhood, substance é a pausa mais do que perfeita e necessária para arrumar cinco anos da maior inspiração pop do condado dos anos 80.
substance, em 1987, foi mais importante que a quase totalidade dos álbuns que saíram no decorrer desse ano. apesar de colectânea, é a melhor introdução para quem nunca ouviu sequer dez segundos dos new order. é claro que depois de mais de duas horas de história o ouvido, mais do que cansado, pede outra dose. e para isso existem gravações intemporais sob formato de álbum a explorar e memorizar.
para já substance serve para toda a obra.

01 junho 2007

andrew bird @ são jorge

o rapaz é capaz de estar a cantar e tocar violino ao mesmo tempo que manipula os pedais todos da guitarra, com ela às costas, mete uns assobios pelo meio e com a mão que fica livre (talvez um dia com a boca) toca ferrinhos.
andrew bird é, de facto, um músico completo. o concerto de ontem à noite foi bastante revigorante: o trio de músicos reinventou q.b. praticamente todas as músicas seleccionadas, e, surpresa, aquilo ao vivo funcionou mesmo bem. o facto de não me terem sujeitado a estar de pé foi também fantástico. mais para mais quando o lugar era bastante bom. é assim que eu gosto que as coisas funcionem.
um muito bom concerto, algo inesperado pelo aparato tecnológico mas bastante bem conseguido. e enquanto bird se socorria do que ia gravando como fundo para um excelente solo bluesy de violino, sozinho num palco imenso, só me lembrava: rihana, faz lá isto.

31 maio 2007

an end has a start, editors


vou pôr os pontos nos i's desde o início: smokers outside the hospital doors, a faixa de abertura de an end has a start, é o melhor single deste ano. pelo menos até vermos outro melhor.
e começar um álbum com uma música assim fortíssima devia ser regra generalizada a todas as bandas que se tentam lançar neste mundo.
eu tenho uma simpatia especial pelos editors. não só porque a minha banda preferida da actualidade são os interpol, e os editors são parecidos, mas também porque me parece que estes tipos fazem canções bem desenhadas e com alguma capacidade de empolgar o ouvinte. no entanto o primeiro álbum não era nada de especial. era, no máximo, giro.
an end has a start é outra conversa. os editors parecem ter ganho uma personalidade mais pessoal e parecem ter construído uma linguagem mais deles. a verificar, sobretudo, em the weight of the world e spiders.
é claro que haverá sempre colagens. é inevitável. as influências são claras e acho que eles também não estão muito interessados em disfarçá.las. não esqueçamos que isto da conversa é muito bonito, mas no final do mês há muito álcool e prostitutas para pagar. mas, apesar de perceber perfeitamente que an end has a start é um álbum que, no extremo da imaginação, já foi escrito pelos eccho & the bunymen ou pelos joy division, sinto que há ali qualquer coisa.
mais uma vez os editors levam o meu benefício da dúvida. se fosse pelo nome que ostentam sentir.me.ia culpado.
é que é de facto muito mau.
mas, de qualquer maneira, an end has a start tem uma grande mais valia: todas as músicas têem o potencial de serem singles da radar.
pena que os she wants revenge tenham aparecido antes...


7.7/10

30 maio 2007

o zé faz falta

hoje, ao mesmo tempo em que o tello fugia para a turquia, vi finalmente o cartaz que se diz já ser o melhor da década.
o zé faz falta, dizem eles.
eu, como espécimen exemplificativo dos zés de portugal, orgulho.me de ser convocado desta maneira.
zés de todo o mundo, uni.vos. precisam de nós.

29 maio 2007

new moon, elliott smith




qualquer pessoa que tende a escrever sobre música com o mínimo de capacidade de abstracção e que não se deixa enveredar pela glorificação massiva dirá que já não se fazem génios. se lerem o contrário desconfiem. porque a verdade é que já está tudo mais ou menos feito, pelo menos até ver. de qualquer maneira há uns que são mais génios do que os outros.
não, o kanye west não é um génio. e não, o justin timberlake também não é um génio. o timbaland também não, não insistam.
elliott smith morreu novo, ainda não se sabe muito bem como. fez uma série de álbuns de estrondosa qualidade. não teve pontos baixos na carreira, se não considerarmos o consumo de drogas e de álcool (o que até ajuda à manutenção de um estatuto de superstar). de facto either/or é um dos melhores álbuns de autor de sempre. leram bem. de sempre. se quiserem, e podem dizer que fui eu que o disse, metam.no no mesmo escaparate de nebraska, de closing time, de highway 61.
não tenham medo. as coisas são o que são e elliott smith é o melhor songwriter da sua época. recuperando o tema de ontem, elliott smith tinha alma. e isso faz toda a diferença no mundo da música.
new moon é o álbum póstumo que recupera uma série músicas não editadas e de versões alternativas a outras que fizeram sucesso nos seis álbuns do músico. a fórmula é muito própria e com este álbum duplo percebemos o potencial sobre o qual estivemos perante. não há ali a procura infrutífera de fórmulas milagrosas nem caprichos estéticos. não há cedências: elliott smith era assim, queria tocar daquela maneira e não se preocupava muito com o resto. como é óbvio não o conheci, mas gosto de acreditar que a música que deixou é o espelho do homem que foi.
e como tal, irrepetível.
new moon não é um álbum pensado num dado momento com a visão de determinado zeitgeist. é um conjunto de canções isoladas. mas quem conhece a fundo a obra de elliott percebe que é hoje como poderia ter sido quando ainda era vivo.
new moon, não sendo transcendente, é exemplar daquilo que é o maior legado da música norte americana entre 94 e 21 de outubro de 03.
aquele fatídico 21 de outubro de 03.

8.5/10

28 maio 2007

boxer, the national



quando peguei no actual do passado sábado (o primeiro suplemento daquela tonelada de papel que é o expresso que me passa pelas mãos) não consegui conter o riso. havia uma reportagem que se referia ao álbum dos the national como uma das melhores obras pop de sempre da história.
eu, que já me habituei ao exagero normalizado na imprensa portuguesa (recordo mais uma vez o célebre caso franz ferdinand), e olhando para o nome da banda, lembrei.me de outro célebre caso - she wants revenge - para formular o meu juízo de valor. até me podia ter lembrado dos the bravery ou dos klaxons, ou daqueles do i predict a riot, ou até mesmo dos arctic monkeys. e é claro que não tinha sequer ouvido uma linha de baixo de boxer. mas isso não me impediu de pensar que estava perante uma grande banhada.
instigado pela curiosidade arranjei o álbum e deixei.o na lista para ouvir num futuro próximo. assim que acabei o new moon de elliott smith (excelente apontamento por sinal) atirei.me ao avanço destes tipos.
ao fim de duas músicas percebi o mais que óbvio. na música ou se tem alma ou não se tem. até se pode tocar tudo muito bem, ir para os palcos com bandeiras de portugal e ser idolatrado por milhares que esperam anos para ver um tipo tocar uma guitarra durante três horas em modo automático.
mas se não existe veracidade na voz, se não existe alma, esqueçam, não estou para aí virado.
e de facto boxer é um álbum cheio de alma. não tem nada a ver com essas bandazecas que sonham acordadas com os joy division e as decalcam até ao tutano. nem tem nada a ver com outras que incorrem numa popzinha sem sal, com vozes afinadinhas mas que podiam estar a vender seguros automóvel como estão a promover uma linguagem que copiam descaradamente de coisas que os anos 80 já nos souberam mostrar. prefiro mil vezes ouvir o final countdown numa discoteca da margem sul do que levar com álbuns amorfos de duvidosa capacidade de empenhamento.
e esta conversa toda porquê? porque os the national fizeram um álbum muito bom. muito honesto, inteligente, sem recurso banal a clichés da pop. a voz faz saltar tinta das paredes: monótona mas convincente. e os rapazes estavam inspirados.
boxer não é o álbum que o actual apregoava. são canções interligadas por um elo comum de superior qualidade estética, mas não é um álbum de referência para a música pop dos próximos vinte anos. para isso ainda há um longo caminho que têem de percorrer.
de qualquer maneira, façam o favor de o descobrir.

7.9/10
ps. mais uma vez não me foi possível disponibilizar a capa do álbum. fica uma fotografia dos tipos.

25 maio 2007

falava de hëgel e de estética

parece que hoje em dia qualquer pessoa que se preze que queira falar sobre música tem de piscar o olho à pop que, há dois anos atrás, denominaríamos de teen, bem como ao hip hop sem hop. hoje em dia para se falar de música tem de se gostar de beyoncé, de rihana, de ciara, de kanye west e de timbaland. e não se pode gostar de folk, caso contrário não se é hip o suficiente. eu, que não vejo grandes diferenças entre a beyoncé e a britney, a não ser o facto de que a primeira está em melhor forma, sinto.me ultrapassado. o facto de não conseguir papar até ao fim uma música da rihana (aquela lamechice toda nem sequer me dá para a nostalgia, quanto mais para acreditar nela), começo.me a perguntar se foram as prioridades que mudaram ou se, de facto, o rock foi declarado culpado e assassinado.
para mim essa música sexy não diz nada. continuo a preferir as músicas que não colam ao ouvido.
porque depois dos beastie boys não há hip hop. e depois do michael jackson a pop morreu.

conselhos matrimoniais de fim de semana

editors, an end has a start [2007]
bill callahan, woke on a whaleheart [2007]
the national, boxer [2007]

23 maio 2007

sun semper chi




14 maio 2007

rules and regulations

de volta às crónicas, o mês de maio trouxe boas surpresas para o a new order. depois do épico regresso de rufus wainwright, naquele que é, muito provavelmente, o seu melhor apontamento desde o disco de estreia, os wilco também nos bombardearam com o muito interessante sky blue sky.

sky blue sky retoma os wilco das investidas quase folk. e por entre neil diamond e dylan, entregaram.se a um conjunto de canções bem medidas. para continuar a descobrir.

já release the stars é a nova longa-metragem cantada de rufus wainwright. e se os últimos dois álbuns do compositor não saíam da cepa torta, o mais recente long play é, até ver, uma bela e refrescante surpresa. os truques são os do costume mas o jeito de cantorzeco de cabaret meio engalfinhado na ideia de poder fazer pop barroca parece já ter adormecido. de qualquer forma, para encenar a pop existe antony e wainwright, felizmente, percebeu que não cabem dois galos naquele poleiro.

11 maio 2007

the dull flame of desire

elliott smith, new moon [2007]
rufus wainwright, release the stars [2007]
mick harvey, two of diamonds [2007]

10 maio 2007

nem se dêem ao trabalho

de volta, o novo álbum de björk, tirando antony e duas outras faixas, não há grande coisa que se aproveite.

05 maio 2007

diz que é uma espécie de antologia dos últimos tempos

o milan é a melhor equipa da europa e o carmona é o novo oh captain my captain, já que não abandona o barco. o mário lino está inscrito na ordem e eu ando enterrado em trabalho que não me apetece fazer. não fui ver a joanna newsom e descobri que ela é mesmo mesmo sexy. o benfica está sem o simão até final da época mas parece que o miccoli quer ficar por cá. não há álbuns novos a registar, pelo menos que eu saiba mas o álbum do andrew bird é mesmo mesmo tranquilamente interessante. ah e os new order acabaram.

03 maio 2007

o roto e o nu

já devem ter reparado que eu tenho uma predilecção em atacar a imprensa portuguesa. isto porque acredito que os nossos jornalistas são, regra geral, uns incompetentes, miúdos sem grande inteligência nem capacidade de observação atirados para os cenários que não compreendem. isto para não falar da manipulação informativa das direcções ou mesmo da subjugação de orgãos dos media a grupos de capital, digamos, volátil e a personagens da vida política.
mas o que eu gosto mesmo é de ouvir as parvoíces do jornalistazeco.

1. um homem estava barricado na garagem. a polícia de intervenção, como é do seu domínio, intervém. ouvem.se disparos e o homem sai para ser conduzido a uma ambulância. a jornalista, confiante naquilo que ouviu dizer, dispara que o homem foi atingido, saiu de maca, com a cara virada para baixo, e se encontra em estado crítico. a ambulância não sai do seu lugar, mas a jornalista não acha estranho. cinco minutos mais tarde o capitão da gnr informa que o homem levou com a porta na cara quando a polícia entrou e que estava a fazer gelo no interior da ambulância. os disparos eram pólvora seca, para o assustar.

2. o jornal relata o encontro de ontem entre o milan e o manchester. os italianos venceram por 3-0, qualificando-se para a final da liga dos campeões. será a 11ª final disputada pela equipa, com 6 vitórias já garantidas, o que a torna na segunda equipa com mais taças ganhas. do outro lado estará o liverpool, que já conquistou o troféu por 5 vezes. o milan eliminou o manchester united (2 vitórias) ao passo que o liverpool derrotou o chelsea (nada a registar na europa). o jornal diz que perderam os dois favoritos.

01 maio 2007

em defesa dos trabalhadores


willy mason, if the ocean gets rough [2007]

28 abril 2007

pobreza intelectual 2

acaba de ser publicado o resultado levado a cabo pelo igai, respeitante à questão dos desacatos do último benfica-porto. a conclusão do inquérito foi a da responsabilização da psp e do benfica pelo sucedido.
mas...não falta aqui alguma coisa?
foi a psp que lançou petardos? foi o benfica que arremessou cadeiras? foram os agentes da autoridade a saltar sobre os torniquetes? devem ter sido, uma vez que a claque é excluída de qualquer responsabilidade nesta questão.
eu não costumo entrar na onda popularucha do "só em portugal é que isto acontece" mas é de facto muito pobre desculpabilizar os inergúmenos, que, com este inquérito, só ganham força para justificar a tese de que é normal fazerem aquilo e de que o clube visitante é que tem de mobilizar os meios para os impedir.
é como se num país as coisas funcionassem ao contrário no que concerne este grupo regional de adeptos. é como se as prioridades se invertessem.
é como se, surpresa das surpresas, vivêssemos num estado em que a regra é o elefante entrar na loja e partir a loiça, e quem paga a conta é o tipo que a arruma no armazém.

pobreza intelectual

há uns tempos, depois de ver o que o amigo jacaré aprendeu com o statcounter, resolvi abrir uma conta para o a new order. depois de umas semanas a analisar diariamente as estatísticas, e logo depois de perceber que existem já muitos blogs nacionais com ligação directa para esta casa - aos quais agradeço sinceramente - deparei.me com alguém que chegou a este espaço através de uma consulta google cujo tema era o do título.
é, no mínimo, esclarecedor.
bom fim de semana.

27 abril 2007

conselho matrimonial de fim de semana


tom waits, franks wild years [1987]

bonnie 'prince' billy, ease down the road [2001]

25 abril 2007

a derrota do futebol

há um momento no encontro que opõs ontem à noite o milan ao manchester united no qual qualquer adepto de futebol que não seja comentador da rtp nem sócio dos ingleses percebe porque é que cristiano ronaldo não é o melhor jogador do mundo. há um momento em que o brasileiro kaká consegue através de um subtil movimento de cabeça fazer chocar dois defesas ingleses, naquela que poderá ter sido a maior humilhação da vida de ambos, culminando a jogada num belo tento.
o jogo de ontem, para além de uma partida emocionante, foi um festival de comentários ridículos. os dois repórteres do canal público de televisão, para além das banalidades comuns e de alguns erros técnicos (o milan não é terceiro classificado da liga italiana), passaram hora e meia a falar do "cinismo típico" da equipa de milão. referiram.no, segundo as minhas contas, pelo menos 5 vezes. repetiram e abusaram dos chavões sobre o futebol italiano, que só utiliza quem não vê um jogo da liga desde que o arrigo sacchi deixou de treinar, e esqueceram.se de falar de futebol real. meteram o milan numa espécie de ilusão imagética à qual vivem agarrados todos os europeus que se habituaram a ouvir falar em catenaccio, sem que saibam muito bem o que é que isso quer dizer. em relação ao manchester nem sequer falaram. estiveram demasiado ocupados a falar da genialidade de cristiano ronaldo, de cada vez que ele pegava na bola, mesmo que apenas por dois segundos. tudo serviu para fazer juízos de valor sobre ronaldo. tudo servia de desculpa para o jogo apagado que o português realizou: ou os colegas não correspondiam, ou o treinador estava a errar na sua colocação. um dos comentadores repetiu mais de trinta vezes que ronaldo era um génio.
se isto é o melhor que tem para dizer uma pessoa paga para comentar um jogo daquele nível, contratem.me a mim.
mas depois há aquele momento do jogo. e aquele segundo golo do brasileiro significou uma verdadeira inflexão dos próprios comentários. a partir daquele momento, como que do nada, aparece um outro génio em campo. ronaldo apaga.se definitivamente e os comentários começam a virar.se para a evidência, em tom crescente.
no final do jogo ronaldo era como o'shea: não existia. e kaká continuava a driblar sem aqueles tiques irritantes, apenas com o movimento do corpo e com aquele típico deixar a bola andar só mais um milésimo de segundo para ultrapassar mais um jogador.

o futebol resume.se a três coisas: elegância, geometria e sacrifício.
o milan, e sobretudo kaká, tem tudo o que é preciso.
e sinceramente, em resposta ao meu irmão, que gosta do cristiano e que vai perceber a origem desta crónica, não posso garantir que o milan seja mais forte mas acredito que o futebol vai vencer na segunda mão.
mas mesmo que não vença, fica o momento em que o kaká fez aquela maldade aos defesas ingleses, durante o qual me lembrei imediatamente do tipo da liga dos últimos, um daqueles destruídos pelo álcool e pela interioridade, que resumiu numa frase mítica o futebol: quando a bola beija a rede, é golo.

hoje é um grande dia para portugal...

...eusébio da silva ferreira está pronto para deixar o hospital

22 abril 2007

person pitch, panda bear


aqui há uns tempos o noah lennox fez a primeira parte de um concerto dos black dice na zdb. na altura, entre os dois concertos encontrei.o ao pé do bar e troquei com ele um sinal de aprovação. conhecia já os animal collective e pareceu.me um tipo simpático. dias depois acabei por comprar young prayer, o seu promissor disco de estreia.
person pitch é o melhor álbum de 2007. pelo menos até ver. isto é tão ou mais estranho quanto o facto de a música de panda bear não ter uma definição fácil, nem uma catalogação imediata. é feita de colagens e de samplagens às quais recorre um músico sem qualquer problema em utilizar toda e qualquer referência.
porque no final person pitch é um álbum entusiasmante com uma dinâmica em crescendo impressionante que culmina num final arrebatador. pelo meio sucedem.se meia dúzia de canções escritas com uma mesa de misturas, por mais difícil que seja concebê.lo. tudo o resto que se possa escrever (a blogosfera nacional começa a ser um fenómeno de adoração quase unívoca) é rebuscado.
a música de panda bear é fantástica, porque é diferente de tudo ao que nos habituámos nos últimos anos, onde a colagem a standards concebidos numa altura diferente da que vivemos (e não apenas num tempo cronológico) tem ditado as regras que, quando cumpridas à risca, acabam exactamente em nada. as bandas que têm sabido construir o seu próprio percurso (arcade fire, liars, animal collective, interpol, tv on the radio...) começam a ser, justamente, aclamadas como os reis do rock.
person pitch é, nesta óptica, um contributo paralelo.
de refinada qualidade.
9/10

21 abril 2007

armchair apocrypha, andrew bird


se é verdade que, por um lado, andrew bird parece ter perdido um pouco do pio que fez ouvir em the mysterious production of eggs, o seu magistral disco anterior, também será justo dizer que armchair apocrypha tem momentos de um requinte espantoso. de facto o songwriter que espantou a europa há dois anos quando, depois de uma carreira já consolidada e munido de pouco mais do que uma excelente voz, um violino e uma guitarra galgou o circuito normal de alguém que não se define como músico alt-folk mas que também não desgarra as comparações com a geração que lhe deu vida, põs no mundo mais um dos bons álbuns deste ano.
a sensibilidade pop de andrew bird é cada vez mais melhor misturada com uma estética que tem tanto de folk como de música erudita. poderíamos dizer que bird é um dos verdadeiros compositores da pop de hoje. fá.lo porque sabe e não apenas porque o sabe sentir.
mas o seu mais recente long play não é, de todo, igual aos pujantes álbuns de estreia, que seguiam uma linha de coerência formal do princípio ao fim, sem momentos mortos nem canções para encher o espaço destinado ao cd. armchair apocrypha continua a saga de um escritor de canções moderno, com um estilo bastante peculiar mas com uma fonte segura (e de bom gosto) de influências, que lhe permitem sonhar com um lugar entre aqueles que contribuirão para escrever a estória dos anos 00 em canções.
mas até lá é preciso fazer melhor do que em armchair apocrypha. e na minha opinião de ouvinte e, podemos até dizê.lo, de fan, com aquela voz e aquela visão grandiloquente da música não será difícil.
e se o pretexto (já falado pelo próprio) de armchair apochrypha era o de poder fazer uma tournée, agradeço. aliás já assegurei o meu lugar para o ver em maio no são jorge.
mas quero mais. quero um novo the mysterious production of eggs.
quero 10 músicas juntas no mesmo espaço iguais às do final deste álbum.
rápido.
7.5/10
n.b. como poderão constatar a foto apresentada não reporta à capa do álbum. de facto foi impossível encontrar online uma imagem decente para apresentar aqui pelo que optei por uma fotografia de promoção bastante bem sacada.

20 abril 2007

conselho matrimonial de fim de semana


think before you speak, good shoes [2007]
os good shoes são a última aposta cá da casa. antes que o nuno galopim os descubra o a new order antecipa.se e aconselha este mais recente long play. os good shoes são mais uma banda do novo indie rock e são realmente muito estimulantes. para quem anda há três anos a ouvir bandas que soam a is this it? dos strokes e pensava que já não podia mais com esta tendência, os good shoes provam que ainda é possível.
desde os libertines que não aparecia uma banda assim tão boa.

i get lonely but i ain't that lonely yet

de cada vez que se gera um sururu em torno de uma banda há um de dois finais: ou a coisa fica confinada a meia dúzia de apaixonados, sendo que não interessa para o caso a qualidade, ou não do fenómeno, ou a coisa explode e a certa altura já não apetece nada fazer parte de um grupo de milhares. e isto porque, se toda a gente fala de uma coisa nova supostamente "alternativa", é porque ela não deve ser grande coisa enquanto suposta "alternativa" a tudo o resto. foi assim com os arctic monkeys, um pouco com os franz ferdinand e acontece agora com os buraka som sistema.
eu não digo que os rapazes sejam maus músicos ou maus performers. só que já toda a gente anda a cantar as músicas deles. e isso chateia.me.
e diz que hoje vão tocar ao lux e ouvi umas miúdas na faculdade dizer que tinham de ir às 9 da noite para a porta para arranjar lugar porque da última vez que lá foram tocar encheram a sala com facilidade. ao mesmo tempo que combinavam o encontro, o ipod de uma delas debitava os melhores hits das discotecas tipo kapital e capítuloV, contra as quais não tenho nada, mas que mostra bem o tipo de público que fará as honras, da buraca para o mundo.
por estas, e por outras que nem consigo explicar, nunca me senti tentado a abraçar o fenómeno. é que também, apesar de considerar algo viciante o tipo de som proposto, a coisa não me parece muito diferente daquilo que oiço nos honda civic que cruzam a estrada da pontinha ao fim do dia. mas eles dizem que é música urbana.
quem disse que uma simples denominação não quebra fronteiras?

17 abril 2007

don't let him waste your time

o novo disco das cocorosie não é assim nada de transcendental. e continuo sem perceber porque é que noah's ark, o seu segundo long play, é odiado pelos críticos. é um pouco monótono, mas quando o antony aparece as meninas partem a loiça. digo sinceramente que é uma peça incompreendida. no entanto la maison de mon rêve continua a ser a melhor aposta do duo mais sexy da pop internacional.
twelve, de patti smith, não aquece nem arrefece. é um disco de covers, bem estruturadinho mas, mais uma vez, nada de transcendental. continuo a não gostar muito de covers nem de quem as faz.
mas cada vez gosto mais de ouvir o álbum a solo de jarvis. esse sim, tem pinta de transcendental.
a minha próxima aposta cega será em willy mason. e richard swift, quando conseguir encontrar o álbum.
espero que sejam transcendentais.

14 abril 2007

3 discos que ainda não tenho mas que acho que devem valer a pena

cocorosie, the adventures of ghosthorse and stillborn [2007]
richard swift, dressed up for the letdown [2007]
patti smith, twelve [2007]

13 abril 2007

gulag orkestar, beirut


invariavelmente, de tempos a tempos, regresso ao ano que passou.
hoje apenas porque me apaixonei recentemente por este álbum e porque me pesava a consciência se não falasse dele.
confesso que quando ouvi falar de beirut, depois de ler algumas coisas e de ver algumas críticas, me cheirava a um fenómeno do tipo emir kusturica ou, pior ainda, yann tiersen. ou seja, um músico que tenta conciliar world music com pop, no caso do primeiro, com evidente sinal de derrota, ou o caso de um músico world que pega moda e que não sai, não há maneira de sair, do dia a dia das pessoas, das rádios, dos escritos. não tenho nada contra o yann tiersen. simplesmente odeio.o e naquilo em que se transformou. lembro.me também, repentinamente, dos gotan project e do ódio que lhes tenho, e até me sobe o sangue todo à cabeça.
mas beirut não é nada disto. beirut é zach condon, músico de raíz folk bem ao estilo neutral milk hotel que se deve ter apaixonado por uma rapariga da europa do leste. provavelmente esteve em itália, na zona junto às balcãs e contactou com uma croata ou uma húngara ou uma miúda qualquer de um acampamento cigano daquela região.
ou se calhar não foi nada disto.
a verdade é que o rapaz anda a brincar aos músicos itinerantes e fundiu, em gulag orkestar, o que de melhor existe da música daquela zona do globo (os cinco meses em que estive bem perto serviram para sentir que existe ali um grande potencial) com a folk mais alternativa que germinou durante os primeiros anos em que se atirou à guitarra.
no fundo no fundo misturou muito bem todo o caldeirão de influências e desatou um álbum muito interessante, porventura um dos mais surpreendentes do último ano. um álbum genuíno que escorre emoção e que acaba em brilhante fantasia recreativa com caixinha de sons. a voz do homem, essa, é digna de fazer chorar as pedras da calçada. os sopros ajudam, e muito, naquele que é um belíssimo exemplo de como estruturar canções é fácil e eficaz.
e meter.lhe uns pózinhos de inovação dá encanto a estas coisas.
não é brilhante, mas dou.lhe os parabéns.
7.9/10

12 abril 2007

sabia que...

em 28 de agosto de 1923, devido à crise no sporting clube de portugal, o sport lisboa e benfica põe as suas instalações à disposição do rival?
não sabia pois não?

11 abril 2007

o compreendido, os bastardos e o rancor

passou uma semana desde que bonnie 'prince' billy visitou lisboa. lamento que a crónica só seja lançada hoje mas entretanto meteu.se a páscoa. a falta de críticas nos blogs do costume também ajudaram a adiar a decisão de lançar, ou não, a minha ideia.
confesso que saí do maxime na passada quinta-feira irritadíssimo.
porque isto tem de ser assim: há pessoas que ou deviam ser proibidas de entrar nos concertos ou devia ser dada uma autorização especial por parte do ministério da defesa para o seu abate compulsivo. o maxime é, de longe, a pior sala para um espectáculo deste tipo em que eu já estive em lisboa. até na zdb - se não compreendem a comparação experimentem ir em dia de chuva - se ouve e vê melhor um concerto com algum intimismo como foi o de bonnie 'prince' billy.
para além das qualidades deploráveis guardadas para quem não vai uma hora e meia antes para um concerto, ou para quem não tem uma mesinha à espera, há que gramar com a corja que ou não comprou bilhete ou é demasiado estúpida para perceber que gastou dinheiro em vão. isto porque quem ficou de pé teve de gramar com uma dúzia de otários junto ao bar que não se calaram durante um minuto, mesmo depois de algumas ameaças verbais mais subtis. o constante barulho dos empregados a tirar imperiais ou a polir copos também foi exemplificativo do que resulta querer misturar alhos com bugalhos.
para ajudar a esta festa, aquela primeira parte do espectáculo - faun fables - foi de fugir. não se podia esperar muito de um gaijo igual ao guitarrista dos korn a tocar batuques e flauta e de uma miúda igual àquela que passa a vida no chiado com um cão a pedir dinheiro em honra da sua escolha de vida anarco-dependente. e a rapariga teve mesmo direito a dose dupla, acompanhando o músico norte-americano em todas as músicas do mais recente long play. se em disco essa presença já era, algumas vezes, exasperante (salva.se a produção que disfarça uma vozinha desengonhada), ao vivo é, simplesmente, odioso.
mas bonnie 'prince' billy é a maior referência da música folk norte-americana do momento, e, por isso e porque teve, de facto, momentos de uma genialidade inalcançável por todos os outros músicos que se dizem semelhantes, este foi um grande espectáculo.
já se sabe do que a casa gasta não é?

trabalho de casa

cassadaga, bright eyes [2007]
the gulag orkestar, beirut [2006]
sun awakens, six organs of admittance [2006]
ships, danielson [2006]
loose fur, loose fur [2003]
everything is good here/please come home, angels of light [2003]
rec extern, radian [2002]
dark noontide, six organs of admittance [2002]
sometimes good weather follows bad people, califone [2002]

05 abril 2007

conselhos conjugais para a quaresma




armchair apocrypha, andrew bird [2007]





ten new messages, the rakes [2007]


dia b, imperdível


veneração absoluta, mais do que justificada, hoje no cabaret maxime a partir das 23.
senhores e algumas senhoras... bonnie 'prince' billy.

04 abril 2007

prato do dia (é hoje como poderia ter sido em 1976)


we are the pipettes, the pipettes [2006]

the magic position, patrick wolf


para quem nada conhecia de patrick wolf o início do seu mais recente longplay não é, de maneira alguma, auspicioso. as primeiras músicas de magic position não denotam mais do que alguma vulgaridade e uma incapacidade de atracção imediata. a voz não é nada do outro mundo e o violino de andrew bird é bem mais arguto do que o de wolf. a estética scissor sisters da capa parece algo gasta no contexto da pop contemporânea. as explosões de aperture são algo exaustivas e o recurso à batida electrónica não é mais do que um piscar de olhos à música sexy que se anda para aí a fazer em catadupa.
as coisas alegram um bocadinho com o início da juvenil segunda faixa, que dá título ao álbum e que explicitamente faz saber da felicidade, ou pelo menos de alguma resignação do artista. a popzinha de cabaret à rufus wainwright meeting rua sésamo ganha algum grau de entusiasmo e começa, de facto, a contagiar. as palminhas a marcar o ritmo ajudam. e depois começam.se a ouvir, pela primeira vez, o bom humor e a ironia do estilo deste tipo.
mas é preciso esperar uns bons minutos até as coisas começarem a aquecer, e até percebermos que, ainda que algo inconsistente, o rapaz até tem jeito. the bluebell, a quarta faixa, marca o ponto de viragem de um álbum que tenta encadear todos os momentos que o constituem, mas é nas peças soltas que se revela eficaz. a sequência emocional que culmina com o magnífico augustine, passando pela fortíssima (como o porto) magpie, onde mariane faithfull puxa dos galões de uma carreira recheada, faz lembrar, a uma escala própria, o trabalho de antony. a catarse deste álbum é materializada pela choradeira deste conjunto de cinco canções, sendo que tudo o que se lhe segue funciona como um final alongado que recupera algum do optimismo inicial, sem nunca deixar de piscar o olho à nostalgia que, quer o patrick queira, quer não, lhe está no sangue.
é de facto surpreendente o rumo que the magic position toma depois de um início soçobrante. até parece um álbum de uma pesada carreira.
e não fossem aquelas primeiras três faixas (que gostava de eliminar deste conjunto) e estaríamos perante o melhor álbum feito este ano.
7.5/10

5 pontos para compreender um clássico

1. não há mal nenhum em receber os adeptos do porto com garrafais insultos. isso sempre fez, e muito bem, parte da história. benfiquista que vá ao dragão não é recebido com flores, de certeza.

2. problema problema é a claque doravante designada sd partir cadeiras e arremessar petardos aos benfiquistas. não se compreende, uma vez que estão a inverter a lógica de jogar fora de portas. se alguém pode partir cadeiras na luz são os benfiquistas. se alguém pode mandar uns petardos na luz são os no name boys.

3. a subcomissária da psp mente com todos os dentes. até pode estar a dizer a verdade mas a lei do benfica é a lei indiscutível. não vejam, não falem, não oiçam.

4. concordo absolutamente com o ex-treinador do benfica. o golo do benfica é irregular. o lucho está, claramente, em fora de jogo.

5. concordo igualmente com a tese do mesmo ex-treinador do benfica de que o porto foi uma equipa fortíssima na luz. viu.se bem pela forma como comemoraram fortemente o empate no final do jogo. o porto é sem dúvida a equipa com a mais forte possibilidade de ter sido alvo de um milagre na luz. e é a mais forte candidata ao título de equipa mais defensiva a jogar no mesmo estádio. foram, sem dúvida, os que fizeram a festa mais forte. fortíssimos portanto.

01 abril 2007

a weekend in the city, bloc party




é por causa daquela voz que parece ter saído de qualquer coisa transcendental.
é por causa daquela urgência toda repetida vezes e vezes sem conta, num recurso estilístico que já temos como um dado certo num grupo que ainda só vai no segundo ensaio. e também por que a weekend in the city poderia muito bem ser um manual de quem faz pós-rock sem o medo de parar no momento exacto, de fazer sempre o mesmo tipo de acelerações e retardamentos sem que isso signifique uma perda da capacidade de surpreender o ouvinte. porque parece que estão sempre a fazer a mesma coisa, mas estão sempre a fazê.lo como se fosse a última coisa que farão, e porque aquela voz parece mesmo saída de qualquer coisa que nos transcende.
e também, sim, porque os bloc party fizeram a música da vodafone e foram prostituídos em todos os festivais de verão, sem que daí me tivesse vindo qualquer dor de cabeça ou outro tipo de mal.
porque de cada vez que a weekend in the city começa só me apetece é abanar o pezinho porque tenho a certeza que a minha cama não aguentaria uma sessão de trampolim improvisado.
porque os bloc party têm boas guitarras e sabem utilizá.las. e porque detrás das guitarras, por detrás de tudo o que poderia ser muito bem considerado como pós-rock se não fosse o facto de nunca atingirem o ponto de saturação, está aquela voz que parece a de um miúdo numa loja de brinquedos, que sobe sempre no momento exacto e se desvanece quando, esperando, não o esperamos.
porque já é a terceira vez que escrevo esta crítica e já me esqueci de metade da adjectivação que utilizei nas outras duas.
e porque sim, porque são uma espécie de pecado consciente.


8/10