03 fevereiro 2008

the bedlam in goliath, the mars volta

the bedlam in goliath é um álbum de rock a 200km/h. não poderia ser de outra forma.
as personagens principais da banda texana andam há muitos anos a fazer música que de conformada tem muito pouco. podem dizer que os the mars volta já vão em quatro álbuns de repetição de uma mesma fórmula. não é mentira nenhuma. mas as nuances que, disco após disco, os têem feito aperfeiçoar uma espécie de linguagem própria tem muito de positivo. em primeiro lugar porque a música dos the mars volta parece de outra galáxia. em segundo lugar porque não há outros a fazer disto. e em último lugar porque aquilo, depois de muitas horas de audição é certo, soa muito bem.
the bedlam in goliath não é um álbum tão bom como os dois primeiros da banda - de-loused in the comatorium e frances, the mute. em parte porque o factor estranheza face ao desconhecido se perdeu um bocado e em parte porque o factor fundamental da música dos the mars volta - a surpresa de encontrar em cada música uma forma de contornar o que seria óbvio fazer - tornou.se, ao fim de quatro álbuns, a regra. e para uma banda que se diferenciava das demais através do caos instalado em cada música, começar a ser reconhecida por regras é exactamente a antítese dos seus propósitos. de facto os the mars volta podem continuar a fazer álbuns assim que eu não lhes vou levar a mal. mas se tomarem uma direcção completamente diferente - só eles saberão qual e muito poucos senão eles estão, neste momento, em condições de o fazer - conseguirão novamente ganhar o rótulo que já os at the drive-in tinham alcançado.
para já the bedlam in goliath é um dos álbuns mais progressivos dos últimos anos.
o que não deixa de ser pouco para quem sabe tanto.

8.0/10

02 fevereiro 2008

conselho de fim de semana

women as lovers, o novo avanço dos californianos xiu xiu, é um álbum que vai provavelmente passar ao lado de uma grande carreira mediática. é um long play complicado de ouvir, bem ao estilo experimental da banda. é porventura um dos melhores registos deste quarteto, a rever sobretudo em in lust you can hear the axe fall, puff and bunny ou na versão estrondosa de under pressure com a participação de michael gira.

01 fevereiro 2008

os do costume

a primeira grande sondagem do a new order resultou na vitória do esperado 3º long play dos portishead, a ser editado em março. em segundo lugar ficou o novo de nick cave (e minha aposta pessoal diga.se) - dig, lazarus dig! - e o dos franz ferdinand. em quarto lugar os bauhaus. os clinic e os the mars volta não tiveram qualquer voto.

30 janeiro 2008

cassetes won't listen

o gorilla versus bear (link aí ao lado) é a bíblia dos blogs de música indie. no entanto raramente sigo os conselhos deles porque dá muito trabalho andar a ouvir tudo o que eles sugerem. mas hoje segui para o myspace dos cassete won't listen, e aquilo tem muita piada. é uma banda assim tipo postal service meets wolf parade. o novo EP, small-time machine, sai já em março. e promete uma série de boas canções.

vampire weekend

foi grande o alarido que rodeou a saída do álbum homónimo dos vampire weekend. e até certo ponto podemos dizer que a montanha não pariu um rato.
a primeira vez que ouvi este álbum pensei que o ano passado os the good, the bad and the queen já tinham feito isto e com muito mais pinta. não desisto dessa ideia, mas o aumento do número de audições ajuda a descobrir que vampire weekend é um álbum bastante original. quando falo da banda de damon albarn refiro.me à mistura dos sons africanos com indie rock. o álbum dos vampire weekend tenta misturar estes dois conceitos para daí retirar o âmago de um long play que agrade à mesma gente que ouve os talking heads ou as bandas in do momento.
pronto e de resto não há muito mais para dizer. vampire weekend é uma boa estreia. cheira a animal collective misturado com fela kuti, tem momentos em que os clash saem do caixão para misturar uma skazada com uns riffs de guitarra. há momentos em que o panda bear parece que tá a mexer nas máquinas dele. e tem dias em que aquilo soa mesmo mesmo bem. depois há uns minutos (poucos) que não dão para aquecer, mas para já estão perdoados porque são jovens e parecem ter um caminho divertido para percorrer.
estranho mas divertido.
recomenda.se.

8.0/10

outras da semana para além do lóbi

women as lovers/xiu xiu [2008]
down in new orleans/blind boys of alabama [2008]
lady's bridge/richard hawley [2007]

29 janeiro 2008

obrigado

está quase encontrado o vencedor da sondagem. nem o rui oliveira e costa teria métodos tão persuasivos. resultado final daqui a 2 dias.

28 janeiro 2008

é uma ordem

por favor desempatem.me a sondagem aí do lado...é uma vergonha o galopim ter quase 500 votos por sondagem e eu nem sequer conseguir encontrar um vencedor.

27 janeiro 2008

ilike

o ilike é um desses serviços de borla da internet que andam para aí a nascer que nem cogumelos e que serve, basicamente, para ter uma lista partilhada de música de que se gosta. um tipo inscreve.se e dão.lhe uma barra lateral para ter no mediaplayer ou no itunes, que, através da lista de música, encontra sugestões, outros tipos com gostos idênticos e notícias sobre o artista.
tem a sua graça.

25 janeiro 2008

sinceramente nem sei o que hei.de pensar sobre isto

a scarlett johanson vai lançar um álbum com 10 versões do tom waits e um original. se já sinto algum medo pelas canções do tom, então pelo original nem vos digo o que me passa pela cabeça. mas pode ser que me engane.

p.s. o king faz hoje 66 anos. não...não é o cinema...é mesmo o rei eusébio. os mais sinceros parabéns. pode ser que amanhã ainda dê uma perninha em guimarães.

p.s.2. passaram 4 anos desde a morte do miki féher. não esquecer.

24 janeiro 2008

in the future, black mountain

in the future é um álbum do camandro.
o problema é que isto é só a espaços. e é pena que daqui se pudessem perfeitamente fazer 2 álbuns diferentes: um directamente saído de uma aula com o guitarrista dos led zepellin e outro sucedâneo de um ensaio dos arcade fire na tal igreja onde gravaram neon bible.
o primeiro, com stormy high e tyrants à cabeça, poderia também ter sido feito pelos wolfmother. é que in the future tem umas cançõezitas de 8 e mais minutos de rock que muito pouco têem a ver com aquilo que esperaríamos de uma banda da mesma fornada dos broken social scene. e se isso às vezes é estimulante - a já referida tyrants é a melhor música que os black sabbath jamais editariam - a repetição da fórmula acaba por ser desgastante - verificar bright lights.
mas o que eu gosto mesmo nos black mountain é quando o vocalista se cala e deixa a miúda falar. a voz dela parece directamente saída de um álbum dos afgan whigs (não sei se existe alguma relação) e é verdadeiramente cativadora. de resto, as músicas em que amber webber ganha protagonismo são, de facto, as melhor conseguidas, e aquelas que contribuem para a ideia generalizada que o canadá se assume, neste momento e por causa dos miúdos de funeral, como o espaço do hype indie do momento.
a conferir em queens will play, wild wind (com o vocalista a fazer o papel da miúda) e night walks.
no final do dia, um álbum desiquilibrado, mas q.b. para sair daqui com

7.3/10

mais uns quantos

o festival para gente sentada, a decorrer em santa maria da feira a 22 e 23 de fevereiro, traz a portugal nina nastasia e richard hawley, entre outros 4 nomes para encher chouriços. por isso, e pelos comments recentes, richard hawley vai finalmente ter o seu espaço no a new order na próxima semana, não desesperem.
pena é que isto não seja feito cá na capital.

os animal collective vão regressar aos palcos nacionais em maio, no lux. nunca percebi porque é que um concerto deles é assim tão raro, uma vez que o panda bear mora ali no bairro alto.

finalmente, obrigado ao tinaka, que, lá onde o império acaba, vai fazendo publicidade ao a new order, e, com isso, espalhando a palavra. qualquer dia temos uma super-empresa de deli a fazer publicidade aqui no cantinho.

22 janeiro 2008

novidades

a rubrica caixa de pandora vai ser substituída pelo lóbi da semana. a voz do povo e o recordar é viver vão continuar a aparecer ocasionalmente. quando se justificar o a new order apresenta vai dar a conhecer artistas desconhecidos do grande público. e vão aparecer aí umas sondagens para a malta participar. para já é sobre o álbum que maior expectativa está a criar para 2008.

21 janeiro 2008

cara lavada

o a new order vai apresentar.se em 2008, e até mais ver, com este novo look. avisa.se também que já é possível introduzir comentários. serão, obviamente, alvo do lápis azul, para que não surjam para aí outra vez peixeiradas como aquela sobre os tipos que imitavam os interpol e que eu me recusei a ver tocar num festival antes dos strokes. juro que já nem me lembro do nome deles...

o a new order apresenta

vinicio capossela
com uma carreira de quase 20 anos, vinicio capossela é uma espécie de tom waits italiano nascido em hannover.
artista com uma faceta teatral muito marcada, a sua obra reparte.se por 6 álbuns de originais, marcados por uma presença muito forte da música tradicional italiana misturada ora com a pop mais canonizada ora com o rock mais experimental. Capossela não deixa porém de se assumir de forma original no panorama kitsch que é a música italiana actual. torpelias sofisticadas para rever sobretudo em all'una e trintacinque circa (1990), ill ballo di san vito (1996), canzoni a manovella (2000) ou no mais recente ovunque proteggi (2006).
não é o original, mas para imitação do tom waits não está nada mal.

hoje algo completamente diferente

em vez de andar a prever as edições que tardam em chegar deixo duas sugestões já disponíveis. a primeira pelas mãos dos yeasayer. o álbum de estreia, entitulado all hour cymbals, saiu no final de 2007 e já não entrou nas contas do ano. é pena porque é, de facto, um álbum muito interessante, bem ao estilo gang gan dance meets mercury rev meets animal collective.
a segunda é in the future, dos black mountain.
depois do álbum homónimo datado de 2005, os canadianos regressam para mais uma investida indie. a não perder, portanto.

20 janeiro 2008

oração dominical


depois de comprarem ou roubarem the bedlam in goliath comprem ou roubem o álbum de estreia dos nova-iorquinos vampire weekend.

sai no mesmo dia e tudo.

19 janeiro 2008

a resposta à retrospectiva

falei aqui sobre concertos e no dia a seguir as empresas de promoção de eventos respondem com o regresso dos portishead a portugal. passaram 10 anos desde o único concerto da banda por cá e passaram para aí uns 7 anos desde que ouvi pela última vez um dos seus dois álbuns do início ao fim.
apesar de tudo vou comprar um bilhete para o coliseu.

14 janeiro 2008

retrospectiva

ontem à noite, enquanto esperava pelo sono, pus.me a ver um bocado de um concerto que os arcade fire deram na tournée de neon bible. instantaneamente lembrei.me daquele fim de tarde memorável em paredes de coura, na estreia dos canadianos em portugal, e dei por mim a pensar que já lá vão alguns meses sem ver um grande concerto. dei por mim também a pensar aquilo que muita gente tem perdido nos últimos anos, e onde eu tive o prazer de estar presente

os smashing pumpkins ao vivo no coliseu do porto em 2000 (o último concerto da banda antes da dissolução temporária, o tal em que o homem desatou a chorar...)

a pj harvey e os flaming lips no festival do sudoeste de 2001 (energias e sinergias contagiantes)

os radiohead no coliseu de lisboa em 2002 (parecia irrealizável à partida)

os belle and sebastian no sudoeste de 2002 (passaram despercebidos, e ainda bem)

os sigur rós no coliseu de lisboa em 2003 (segunda passagem pelo país, antes da histeria que rodeou a banda durante algum tempo, concerto estrondoso em que a bateria ficou feita em cacos no final do último encore)

beth gibbons no sudoeste de 2003 (o mesmo onde beck se juntou a badly drawn boy para tocar uma musicazita)

mogwai no garage em 2004 (um dos 3 melhores concertos da minha vida.saí da sala literalmente surdo)

nick cave no ccb em 2004 (provavelmente o melhor de sempre. um ano fantástico para ver concertos)

the libertines no garage em 2004 (antes da dissolução da banda, 3 dos 4 libertines vieram a lisboa e deram um concerto onde não se percebeu uma palavra do que cantaram. completamente drogados, claro)

os the kills no sudoeste 2005 - sangue, súor e muita lágrima

os arcade fire e o regresso dos pixies no coura 2005

antony and the johnsons no coliseu em 2005 (arrebatador)

os kings of convenience na aula magna em 2006, com toda a gente em cima do palco a dançar

morrissey no coura 2006 (chuva incessante no anfiteatro ao ar livre, o maior astro da música pop inglesa ainda em actividade, concerto interrompido a meio da música de encerramento)

bonnie prince billy no maxime em 2007 (o último grande concerto a que assisti)

12 janeiro 2008

preparem.se

the bedlam in goliath, o novo álbum dos mars volta, sai já no próximo dia 29.

28 dezembro 2007

antes que isto acabe

quero só aproveitar para desejar que 2008 traga um grande concerto dos animal collective para aí na aula magna, que a rainha de inglaterra me nomeie finalmente sir e que o benfica ganhe o campeonato.
não me parece que seja pedir muito.

17 dezembro 2007

até para o ano


despeço.me de 2007 com strawberry jam, dos animal collective, o grande vencedor dos prémios a new order deste ano. houve algumas alterações de última hora no top ten, o que é perfeitamente normal quando se descobrem discos diariamente. desta lista de 50 ficaram excluídos cerca de 10 álbuns que não atingiram os mínimos olímpicos. continuo ansioso para saber a decisão da pitchforkmedia. sound of silver tem dominado as escolhas, mas, sinceramente, não acredito muito que os tipos o escolham.
até para o ano.

a new order 2007

50. our ill wills, shout out louds
49. friend opportunity, deerhoof
48. yes u, devastations
47. in our nature, josé gonzáles
46. mirrored, battles
45. it's a bit complicated, art brut
44. woke on a whaleheart, bill callahan
43. if the ocean gets rough, willy mason
42. two of diamonds, mick harvey
41. an end has a start, editors
40. shotter's nation, babyshambles
39. adventures of ghosthorse and stillborn, cocorosie
38. untrue, burial
37. cassadaga, bright eyes
36. big city, zita swoon
35. icky thump, the white stripes
34. sound of silver, lcd soundsystem
33. hissing fauna, are you the destroyer?, of montreal
32. armchair apochrypha, andrew bird
31. all of a sudden i miss everyone, explosions in the sky
30. a weekend in the city, bloc party
29. fantastic playroom, new young pony club
28. think before you speak, good shoes
27. the sheperd's dog, iron and wine
26. sky blue sky, wilco
25. alles wieder offen, einsturzende neubauten
24. smokey rolls down thunder canyon, devendra banhart
23. chrome dreams II, neil young
22. drums and guns, low
21. magic, bruce springsteen
20. our love to admire, interpol
19. easy tiger, ryan adams
18. ash wednesday, elvis perkins
17. the magic position, patrick wolf
16. the good, the bad and the queen
15. release the stars, rufus wainwright
14. new moon, elliott smith
13. trees outside the academy, thurston moore
12. grinderman, grinderman
11. the flying club cup, beirut
10. night falls over kortedala, jens lekman
09. you follow me, nina nastasia and jim white
08. the stage names, okkervil river
07. liars
06. neon bible, arcade fire
05. boxer, the national
04. in rainbows, radiohead
03. white chalk, p.j. harvey
02. person pitch, panda bear
01. strawberry jam, animal collective

15 dezembro 2007

night falls over kortedala




a sugestão para o fim de semana cai.nos do céu pelas mãos de jens lekman, mas poderia muito bem ter chegado no famigerado barco do amor. sim aquele mesmo da série. é que as músicas de night falls over kortedala poderiam muito bem integrar o genérico do programa que animava as minhas tardes há 10 anos atrás, quando a decidiram repôr, se não me engano, no canal 2 da rtp.
um final de ano imprevisível, no limbo entre o kitsch e a inatingibilidade.
night falls over kortedala é quase genial.

10 dezembro 2007

caixa de pandora




chrome dreams II, neil young [2007]
nb. até ao lavar dos cestos é vindima. o ano, afinal, ainda não acabou. chrome dreams II é um álbum muito interessante, porventura um grande final para 2007.

08 dezembro 2007

os melhores momentos de 2007, ecos lá de fora, ou então um título que serve apenas para ter mais visitantes

à medida que vão saindo as listas de 2007 percebemos imediatamente que as grandes publicações já não arriscam nada.
a stylus, antes do seu encerramento, deixou uma lista em que figurava como primeira opção o álbum dos lcd soundsystem, sound of silver. uma aposta claramente de rebanho. sound of silver é um álbum interessante mas nada mais do que isso. tem meia dúzia de boas músicas e muitos longos minutos de completa asbtracção, em que os sons não têem muito de sinceros.
o mesmo sucedeu com a uncut, que volta a desiludir com a mesma opinião.
a Q escolheu o álbum dos arcade fire - neon bible - como o mais representativo do ano que agora acaba. é uma boa escolha mas peca por ser algo óbvio no contexto da cena independente. é um bom álbum mas não é, de facto, o melhor.
a mojo, por exemplo, elegeu in rainbows, o mais recente dos radiohead. outro dos melhores do ano, mas mais uma escolha algo conservadora.
é que não choca ninguém escolher os radiohead ou os arcade fire. esse processo - a identificação de um novo grande valor da música rock com a consequente exposição mediática associada - já foi feito para estas 2 bandas.
resta por isso saber qual a escolha da pitchfork.
costuma ser sempre a mais afirmativa, e desde que não incida sobre strawberry jam, poderão marcar o início de 2008 com uma grande surpresa para muitos melómanos. a aposta da pitchfork poderá ser, como manda a tradição, uma salutar percepção do caminho que andamos a seguir. mesmo que o álbum não seja o melhor, a pitchfork costuma arriscar.
mas isto é apenas uma especulação minha.

05 dezembro 2007

blogoesphera

nasceu com o melhor nome jamais dado a um blog (a quantidade de trocadilhos numa só palavra é fantástica) o novo espaço da revista esphera.
e o que é a esphera?
a esphera é a revista editada pela associação de estudantes da faculdade de arquitectura, com a qual eu tenho o prazer de colaborar na coordenação desde há umas semanas. ainda não meti as mãos em nenhum número já editado mas o próximo capítulo, programada para março, está a ganhar forma e promete esclarecer muitos tabus da sociedade.
o link, como sempre, aí ao lado.

porca miséria

outro dia fui ver o novo filme de gus van sant. chama.se paranoid park e conta uma estória que nem sequer é para aqui chamada. tenho alguma estima pelo trabalho do realizador e acho que o filme é muito razoável. mas aquilo que me perturba é o facto de antes de paranoid park ser exibida uma coisa inenarrável chamada porca miséria. é uma curta metragem de animação, parece que portuguesa, com os tiques todos do chamado cinema feito por parvos. porque, de facto, aquilo deve ter sido feito por um parvo. é que não tem a mínima qualidade. é uma coisa absolutamente pseudo, chata em todos os segundos dos longos quatro minutos, e com uma visão tão moralista das coisas que nem sequer nos dá a mínima hipótese de não nos enjoarmos.
e o pior disto tudo, para além de sermos obrigados a gramar com ela, é que esta coisa abjecta tem o apoio do icam.

04 dezembro 2007

não oh não

o a new order não se deixa comer pelo burial nem pelos battles, pelos lcd soundsystem ou pelos map of africa. também não somos enganados pelos buraka, pelo amon tobin ou por outros devaneios parecidos publicados em blogs e revistas da especialidade.
aqui não andamos à procura de diversão pura formato pseudo-post-new-age.
queremos é lágrimas e suor a escorrer pelas cordas da guitarra.

03 dezembro 2007

caixa de pandora

esta semana não há caixa de pandora porque não há álbuns interessantes a serem editados.
uma vergonha.

30 novembro 2007

2007

começam.se a perfilar os candidatos a álbum do ano. na mesma altura em que o kaká e o ronaldo discutem a bola de ouro, o a new order apresenta os dez finalistas a receberem um prémio ainda melhor: o meu reconhecimento eterno.
assim, e ainda sem qualquer ordem de preferência, os escolhidos

_you follow me/nina nastasia & jim white
_the stage names/okkervil river
_boxer/the national
_person pitch/panda bear
_neon bible/arcade fire
_liars/liars
_in rainbows/radiohead
_strawberry jam/animal collective
_white chalk/pj harvey
_grinderman/grinderman

april skies/plano alternativo

as duas mais recentes apostas da casa já se encontram aí ao lado na lista de amigos, conhecidos e nem por isso. é uma questão de passarem por lá e verem as montras.

29 novembro 2007

1980


corria o ano de 1980 quando os young marble giants lançaram o seu único álbum. em 1981 a banda galesa separou.se.
a sua estória é contada em colossal youth.

26 novembro 2007

caixa de pandora




untrue, burial [2007]


n.b. a sugestão desta semana, não sendo exemplar, é o melhor que se pode arranjar em tempo de vacas muito magras. o ano de 2007 fechou com in rainbows e agora é uma questão de contar os dias até ao novo ano. untrue é um álbum que, apesar de despertar algum (pouco) interesse não sai da cepa torta. mais um daqueles que estão a ser levados ao colo pela crítica sem se saber muito bem porquê (recordar lcd soundsystem, recordar the streets, recordar outkast, recordar tanta coisa). já lhe vi serem atribuídas notas de 9.5/10. meus senhores se isto é um 9.5 o que são os clássicos?

19 novembro 2007

control

há certos momentos em control em que, se nos distrairmos, estamos perante ian curtis e os joy division.
o trabalho de aproximação feito por anton corbjin é de facto extraordinário, e até um certo ponto os locais e as pessoas são tal e qual as imaginávamos. é claro que existem coisas execráveis no filme. as interpretações personalizadas da música dos joy division não são grande coisa, algumas personagens são uma caricatura de alguma coisa na forma como se mexem e como falam, e sente.se a falta de profundidade que deve ter estado associada à personagem principal. e depois há sempre a questão de saber até que ponto é que a mitificação que se quer fazer de ian curtis não é um pouco artificial. o homem foi, na minha opinião, o mentor da melhor banda da história, mas isso não faz dele mais do que alguém num determinado momento e com uma determinada aura.
não compliquemos o que é simples.
no entanto, apesar de por vezes control tomar um rumo demasiado lento (afinal os joy division fizeram tudo o que lhe conhecemos em dois ou três anos), o balanço final é extremamente positivo. a imagética e todas as conotações que lhe estão agarradas são muito convincentes. a imagem, como tema explorado incessamente por um fotógrafo que faz um filme, é do melhor que já se viu este ano. as referências implícitas são muito bem misturadas com alguma narrativa mais descritiva e o final do filme, a parte em que ian curtis se suicida, está sinceramente bem feita.
o grande final, ao som de uma das melhores dos joy division - 'don't walk away, in silence...' - tem de facto o efeito oposto ao que prega. quando control acaba é tempo de nos afastarmos do bombardeamento catártico a que fomos sujeitos durante duas horas, mas sem palavras, sem teorias, sem conspirações.
control é um bom filme. mas não é um filme fantástico
fantástico foram os joy division.
fantástico era ian curtis.

caixa de pandora



red carpet massacre, duran duran [2007]

17 novembro 2007

há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável

o benfica é, de há muitos anos para cá, a minha religião. entre amigos toda a gente sabe que para mim o benfica nunca perde. o fernando aguiar foi melhor do que o deco alguma vez será. e o pior que me poderia acontecer era ter um filho lagarto.
no entanto, e apesar da minha devoção incondicional, nunca fiz parte de nenhuma claque do benfica. aliás, para além de sócio do glorioso, a única instituição ligada ao futebol que merece o meu apoio são as brigate rossonere do milan. já fui sócio com as quotas em dia e só não continuo a ser porque não há forma de as pagar em portugal.
mas atenção que aquilo é uma claque a sério. dentro do panorama assustador que é o futebol italiano, as brn são um exemplo de dedicação e da correção possível. é claro que dentro do grupo existem muitos membros violentos, alguns deles ligados à extrema direita. mas num sector com 10.000 pessoas é impossível controlar o pessoal todo. no entanto o contacto que tive com as pessoas que estão à frente da organização permite.me dizer que a confusão instalada neste momento no calcio pouco terá a ver directamente com as brn. este comportamento é, aliás, sustentado pela relação directa entre claque e clube - o que limita a conduta violenta e o incitamento à vida ultra por parte dos seus dirigentes - mas também por toda a história que envolve os adeptos do milan. a fossa dei leoni, que cumpre hoje o 2º ano da sua morte, foi o local mais sagrado do adepto de futebol. e as brn herdaram o trono, respeitando.o dentro dos possíveis que uma vida dedicada ao calcio permite.
longe vão os tempos do roubo de faixas entre claques - verdadeiros troféus de guerra - mas a violência parece querer, pontualmente, regressar à vida do futebol italiano.
por cá, a pior fase parece ter já passado. longe vão os tempos em que os superdragões faziam (tudo) o que queriam. hoje em dia já só fazem o que lhes deixam. e longe vão os tempos em que era preciso levar capacete à lixeira para proteger a tola dos betinhos enraivecidos com sucessivas derrotas caseiras contra a equipa que o povo, normalmente, escolhe. no entanto, acontecimentos recentes têm vindo a despertar o sentimento de que o comportamento do adepto português está a regressar ao do tempo das cavernas. para além de um blog que para aí anda que apela, indiscriminadamente, à violência contra a autoridade (já agora o autor devia ir ver um jogo a san siro para perceber a diferença entre rebelião e estupidez), as claques do benfica recusam.se a aceitar as regras que são impostas às claques organizadas, ao nível da sua legalização. com argumentos muitas vezes pouco convincentes, o único caminho a seguir é o da aceitação.
a opção é a da dissolução enquanto claque.
eu, como indefectível apoiante do meu clube, com as quotas pagas e rios de dinheiro gastos em jogos todos os anos, respeito a malta das claques. são eles que nunca desistem e que andam sempre atrás da equipa. embora o apoio que concedem seja muitas vezes fraquinho (coravam de vergonha se vissem uma coreografia de um derby milanês), têem o direito à organização e à manifestação, dentro das regras, do seu amor ao clube. no entanto, têem que se dar ao respeito, controlando os inergúmenos, seguindo a via que melhor lhes convier.
para isto há que aceitar as regras do jogo.
não compliquem.

14 novembro 2007

14 de novembro de 2004

foi o dia em que o a new order começou a sua emissão.
ou seja, este blog faz hoje 3 anos. são já 699 posts em 1086 dias. são centenas de álbuns sugeridos, dezenas de críticas sustentadas em argumentos mais ou menos convincentes (muitas vezes fruto de uma simples tendência para gostar ou odiar) e alguns concertos revistos, entre outros muitos disparates.
em jeito de balanço deixo alguns reparos acerca desta casa, que penso serem úteis para perceber como é que se consegue não deixar cair um site que não gera nada, não produz nada e não influencia nada.

porque é que surge o a new order? porque o no more loud music não convenceu ninguém.
o que é que move o a new order? absolutamente nada.

a que é que aspira o a new order? a ter uma ligação no blog do nuno galopim.

12 novembro 2007

caixa de pandora



alles wieder offen, einstürzende neubauten [2007]

10 novembro 2007

control

estreia sensivelmente daqui a uma semana o biopic sobre a vida de ian curtis. em paralelo os álbuns da banda foram reeditados, os blogs começam a falar dos joy division e a imprensa vai ter tema para escrever durante umas semanas. vão ser feitas homenagens. a viúva já se zangou porque não aparece no filme (ao contrário da namorada). peter hook já disse que pensa nele todos os dias. não esquecer que os new order acabaram há pouco tempo. e já contrariaram o que disseram, ninguém sabe muito bem.
estamos portanto perante o que se avizinha uma algarviada colectiva. pela parte que me toca tenho grande curiosidade em ver o filme. quanto mais não seja para perceber o impacto que um filme sobre uma banda de culto como os joy division pode, quando publicitado, ter na sociedade. a meu ver este impacto será quase nulo e serão muito poucos os interessados em gramar com control.
veremos.

mouco/my mother's sleeping pills

a lista de amigos, conhecido e nem por isso foi actualizada com duas novas referências. no caso do mouco trata.se de um blog já com uns aninhos, sempre actualizado com boas propostas, e não apenas no campo da música. o my mother's sleeping pills tem uma história mais recente e, apesar de alguma desorganização da barra lateral, está constantemente cheio das melhores novidades.

08 novembro 2007

interpol @ coliseu lx


os interpol são a minha banda em actividade preferida.
ouvi.os pela primeira vez em 2003, depois de ter saído o turn on the bright lights. escrevi pela primeira vez sobre eles em janeiro de 2004, no meu primeiro blog (no more loud music). o antics satisfez.me mais do que quase todos os álbuns que já ouvi na vida e foi com espanto que vi o our love to admire ganhar uma dimensão mediática que me chateia profundamente.
a minha visão purista da coisa faz com que preferisse ter visto ontem o coliseu meio vazio a ter de levar com a cara de espanto de muitos quando os interpol atacavam de forma brilhante os temas mais antigos.
é que isto em portugal é sempre assim:

a) a música no coração decide promover uma banda qualquer e uma certa faixa da população atira.se sem pensar ao que lhe propõem e passa a gostar deles. passado uns meses já nem se lembram do que viram.

e depois isto resulta em situações como as que vi ontem:

i) gente a abandonar a fila da frente a meio do concerto (eu estava no fundo do coliseu)
ii) gente que não sabia muito bem quem é que estava a tocar a obstacle 1 ou a PDA
iii) gente a delirar com músicas banais do último álbum e a ignorar completamente a beleza das composições mais bem conseguidas

b) os portugueses gostam de palminhas a fazer o ritmo e de obrigados mal enjorgados. se houver uma bandeira de portugal pelo meio a banda é a melhor que já actuou em portugal. aliás leiam a crítica musical que se faz em portugal e verifiquem se não aparece todos os meses um novo melhor concerto de sempre da história.


parece.vos pretensioso? sim, eu sei. mas as coisas são mesmo assim. não advogo o direito de ser o único a gostar dos interpol, mas que já os conheço há uns anos (mais do que muitos dos que ali estavam) isso ninguém pode duvidar. e se o próximo álbum for um regresso a tempos mais obscuros, o que significará necessariamente uma quebra do ritmo de pessoas fascinadas pelo mundo dos interpol, eu serei uma pessoa mais feliz.
e em relação ao concerto? os interpol tocam a música que fazem.
what you ear is what you get.

07 novembro 2007

in rainbows

ainda não consegui perceber muito bem se o novo álbum dos radiohead está dentro de uma das duas opções

i) o melhor álbum desde ok computer
ii) um álbum mediano para a expectativa criada

ou se é, no mínimo, incatalogável.
isto porque, de facto, há aqui uma série de belíssimas canções mas parece que não me estão a entusiasmar da mesma forma que as incursões mais experimentalistas dos álbuns anteriores. se calhar é porque tenho andado a ouvir in rainbows depois de muitas horas à frente de uma maquete, ou simplesmente porque o benfica tem perdido vários jogos. de qualquer maneira parece.me um daqueles álbuns que daqui a uns tempos vai fazer clique.

05 novembro 2007

caixa de pandora


shotter's nation, babyshambles [2007]

03 novembro 2007

sugestão do fim de semana

este fim de semana não há dinheiro para gastar em álbuns. por isso não há sugestões.
mas se quiserem, façam como o ministro das obras públicas e dêem uma vista de olhos a um novo blog que aí anda: trying my luck. a ligação, como sempre, aí ao lado.


p.s. são quase 4 anos de blogging. e quase 3 de a new order. as referências na blogosfera são já algumas. bom sinal.

29 outubro 2007

caixa de pandora


real life, joan as police woman [2006]

guilty pleasure #3

bend and break, keane

28 outubro 2007

crónica do fim de semana que parece já acabou

depois de uma prolongada ausência provocada por um irritante vírus, que espero definitivamente morto, deixo.vos a sugestão atrasada para o fim de semana. amanhã, se tudo correr bem, regressam os guilty pleasures.

devastations/yes,u [2007]
josé gonzáles/in our nature [2007]

20 outubro 2007

não brinquem comigo...não é nada de especial


mirrored, battles (2007)

18 outubro 2007

o justin, o dos nerd e o que vai todas

o bar da minha faculdade agora tem 2 plasmas que estão sempre ligados na vh1. hoje à tarde, logo a seguir ao boss ter aparecido em grande estilo de manga cava num estádio sobrelotado, apareceu o justin timberlake.
o tipo veste.se bem para o videoclips. parece que agora está na moda fazer os videoclips de fato e gravata. até o 50 cent já se produz todo, esquecendo de vez a roupa da g unit que vende aos putos dos subúrbios.
eu nem desgosto do justin. fiz o download do último álbum e as primeiras 6 músicas são muito boas, em especial uma que se chama my love. mas também aquela da scarlett johanson. só não sei se gosto da música porque ela aparece no videoclip ou porque aquilo tem mesmo piada. de qualquer maneira têem um bom feeling.
o resto do álbum é uma bela porcaria mas também não se lhe pode pedir muito... o tipo saiu de uma boys band.

15 outubro 2007

guilty pleasures #2

how to save a life, the fray

13 outubro 2007

leituras de fim de semana

two of diamonds, mick harvey (2007)

magic, bruce springsteen (2007)

smokey rolls down thunder canyon, devendra banhart (2007)

08 outubro 2007

guilty pleasure #1

i don't like mondays, the boomtown rats

07 outubro 2007

white chalk, pj harvey




o ano não podia terminar sem um álbum assim.
depois dos the national nos terem relembrado o prazer das canções pop de toada melancólica, de panda bear ter dado mais um novo sentido à música rock e dos animal collective nos terem oferecido um dos mais espantosos ensaios para uma nova linhagem da música contemporânea, depois de tudo isto, só faltava mesmo um álbum negro como white chalk.
o novo avanço de pj harvey, que segue uma linha de construção semelhante à que originou muitas das belíssimas canções do seu antecessor é, de facto, um álbum estarrecedor. sem grandes surpresas a não ser as linhas mais densas com que se cose, white chalk não deverá agradar a muito boa gente.
primeiro porque não tem singles fortes. ou melhor, dada a conjuntura não tem sequer aquilo que se possa dizer, a bem da verdade, uma música talhada para o éter ou para os videoclips da mtv. white chalk é composto de momentos que parecem localizadas num limbo que só a própria poderá esclarecer.
existe um fio ao longo do álbum que já o sentimos anteriormente em música de gente como elliott smith, beth gibbons ou scott walker. é um fio que não esclarece acerca da sanidade emocional de quem o traça, mas que, em termos de resultados palpáveis revela a melhor música jamais feita. o que é que eu estou a tentar dizer? quer white chalk parece o álbum de alguém que, se não está empenhado em morrer brevemente, parece.
white chalk é um álbum feito de uma tensão muito pouco saudável. é um álbum sem luz ao fundo do túnel, feito de canções de curta duração extraordinariamente introspectivas a fazer revelar uma pj harvey como jamais a havíamos conhecido. longe vão os tempos da exploração indiscriminada das guitarras de dry ou rid of me ou até do pesar circunstancial de to bring you my love ou is this desire?
a trilogia que agora completa um novo ciclo (stories from the city, stories from the sea e uh huh her incluídos) revela.nos uma polly jean cada vez mais crua e cada vez menos agarradas a chavões de imagem ou limites para a árdua tarefa de fazer rock.
um álbum fantástico.

8.7/10

28 setembro 2007

vernissage

dei de caras com este blog (carreguem na lista aí ao lado), muito bem estruturado e cheio de cor, com um cardápio muito interessante de escolhas e sugestões.
a ter em conta nas leituras diárias.

no eggs, no omolettes

zach condon está no epicentro da música folk dos anos 00.
mas o que é que faz do líder dos beirut o special one desta corrente?
são dois os factores: uma voz inatingível e uma originalidade extremamente recompensadora. the flying club cup, o novo avanço dos beirut que chega às lojas em outubro é um álbum fantástico de folk que podia muito bem ser world se os comentaristas da praxe quisessem. é o álbum que faz regressar o poder da voz na música pop ao estatuto de principal factor de decisão. longe vão os tempos em que o esforço recompensava se a voz não tivesse sido abençoada.
apesar de algumas torpelias que têem sido escritas sobretudo pela internet, o trabalho da banda cimenta.se como uma das maiores promessas de 2007.
the flying club cup é um álbum imperdível.

27 setembro 2007

viva las vegas

the flying club cup/beirut
the shepherd's dog/iron+wine
white chalk/pj harvey

22 setembro 2007

álbum do fim de semana (ou os sonic youth em versão light)


trees outside the academy/thurston moore

21 setembro 2007

os pés quadrados

não resisto a deixar o link para uma peça incrivelmente bem escrita pelo jornalista fernando alves na edição de hoje do dn, em que gattuso e dostoievsky coabitam debaixo do mesmo tecto.

para ver em http://dn.sapo.pt/2007/09/21/dnsport/os_quadrados.html

15 setembro 2007

deixem de continuar à procura

o novo álbum dos animal collective, strawberry jam, é no mínimo asfixiante.
fireworks é, para aí, a melhor coisa feita no rock desde china girl (exagero consciente).
até me custa corroborar a opinião generalizada, mas parece que, no meio, é já um consenso: álbum do ano.

14 setembro 2007

stumm 287

os otários do disco digital acabaram de descobrir que o último álbum dos liars - auto-intitulado de liars - se chama stumm 287.
tudo porque um dos códigos do álbum (provavelmente o da distribuidora nacional ou europeia ou o raio que o parta) é esse.
meus amigos o álbum chama.se liars. e se não acreditam consultem a pitchfork, o allmusic, a stylus ou qualquer blog.
ele há coisas...

08 setembro 2007

liars, liars


os liars são aquela banda que começou por fazer um álbum onde, para além de um single fortíssimo e de duas ou três canções orelhudas pouco mais havia a registar. deduzia.se, em they threw us all in a trench and stuck a monument on top, que, para além de uma invulgar capacidade de dar nomes às coisas, os liars nunca iriam ser mais do que uma banda agarrada a um movimento de circunstância, um pouco mais garage que os restantes, mas com as mesmas bases de construção. o segundo álbum - they were wrong, so we drowned - o primeiro com uma sustentação conceptual definida, é uma grande seca, há que dizê.lo. a partir daí clarifiquei que os liars eram pouco mais do que uma banda desinteressante que se levava demasiado a sério sem ter o conhecimento para isso.
no entanto em 2006 fui atraído pela capa de drum's not dead, o terceiro long play da banda. comprei.o.

e foi, sem dúvida, a melhor aposta do ano que passou. com drum's not dead os liars escreveram uma página importante na definição de uma nova ordem do rock, sobretudo do norte-americano.

liars, o novo álbum, está uns pequenos furos abaixo do seu antecessor. hoje em dia os liars não são tão surpreendentes como o eram há um ano atrás, apesar de se terem aventurado por um caminho que, de alguma forma, regressa às origens que fizeram de ny a capital do rock. não é de estranhar que ao ouvirmos os liars em 2007 nos lembremos de como deveriam ser as ruas de manhattan ao som dos velvet underground.

existe, em liars, uma capacidade quase única de manifestar uma posição vanguardista no rock actual. os liars trilharam um caminho que encontra agora novos desenvolvimentos. é ainda cedo para dizer o que quer que seja em relação às consequências, uma vez que, na minha opinião, este é apenas o segundo capítulo de uma estória que promete muito. a experimentalidade de liars não pode ser discutida sem a percepção de que os rapazes gostam de boa música e que não a esquecem nas linhas do novo álbum.

liars constrói.se de momento em momento, de quebras inesperadas e de inversões de sentido difíceis de aceitar a uma primeira audição. e faz.se também de músicas desenhadas a régua e esquadro, que intercalam os momentos mais agudos de uma composição que só perde por alguma incapacidade de explosão em momentos-chave.

apesar de tudo, um dos melhores até agora.


8.5/10

álbum do weekend

ash wednesday, elvis perkins [2007]

05 setembro 2007

the stage names, okkervil river




os okkervil river são um fenómeno muito interessante.
dentro daquelas bandas de fazer cortar os pulsos, são os que conseguem imprimir uma toada mais positivista à música que fazem. dotados de um vocalista fantástico (que está a fazer folk-rock como poderia estar a cantar numa discoteca em ibiza), os okkervil river são qualquer coisa entre o extremismo folk dos bright eyes e o indie fortíssimo dos neutral milk hotel.
imaginem os wolf parade sem guitarras eléctricas. ou os hudson wayne bem dispostos.
são, mais ou menos, os okkervil river.
depois de black sheep boy, datado de 2005, the stage names é a rentrée perfeita. longe de alguns clichés que foram assumidos por bandas semelhantes, os okkervil river estão muito mais perto dos belle and sebastian do que dos american music club, como seria de prever pelo percurso que têem seguido, desde stars too small to use.
não esperem grandes veleidades, nem tão pouco uma amostra do que gente mais informada como os liars ou panda bear já fizeram este ano. são canções, belíssimas canções, muito bem arranjadinhas e dentro de um formato que, assumo, me agrada. desde que os radiohead gravaram ok computer que não resisto a um xilofone misturado com guitarras, e os okkervil river sabem fazê.lo com muita graça.
uma boa aposta.

8.2/10

sete

o amigo jacaré lançou o desafio. não sei se o objectivo dele é o de ficar a conhecer melhor as pessoas, ou simplesmente fazer passar o tempo. de qualquer maneira a corrente deve fazer com que cada um escreva sete coisas sobre si. para satisfazer a curiosidade do caríssimo, deixo, portanto, algumas ideias.

1. cada vez gosto menos de escrever posts. começam.me a faltar as palavras, pelo que prefiro deixar as ideias em aberto.
2. ainda não desisti da ideia de ter um porsche antes dos 30, embora os anos estejam a passar e o dinheiro não entra.
3. odeio quando o jacaré fica à mama nos jogos de futebol. não posso subir para marcar golos.
4. continuo a acreditar que o kurt cobain nunca morreu e está algures no leste europeu.
5. também eu gosto de tirar os rótulos das minis, enrolá.los em bocadinhos e atirá.los às pessoas. se for ao galáctico melhor.
6. prefiro as dançarinas exóticas russas às brasileiras.
7. não curto nada estes desafios.

04 setembro 2007

our love to admire, interpol




tem.se dito por aí muito disparate acerca dos interpol. e têem.se escrito barbaridades atrozes sobre our love to admire. eu, que me considero um consumidor compulsivo da música destes rapazes, aviso desde já que, como com qualquer paixão, esta crítica será irredutível nas suas posições.
our love to admire não é o melhor álbum dos interpol, porque antics já foi lançado. sim, é verdade. o melhor álbum dos interpol é antics. mas o mais recente long play não é para ser desconsiderado. aliás existe apenas uma música que não gosto. desde a primeira audição, no concerto do sbsr, que odiei mamooth. curiosamente é daquelas que os críticos mais gostam, o que só corrobora a sua ignorância. e não venham com o disparate de dizerem que os interpol caíram na rede que criaram ou extenderam demasiado o conceito blá blá blá.
our love to admire tem das melhores canções que já ouviram.
desde logo que é possível perceber que a tripleta inicial (pioneer to the falls - no in threesome - the scale) é assustadora. e existem outras belas tiras da quais se destacam, obviamente, all fired up e rest my chemistry (a where is my mind do ano). o single é entusiasmante e as outras músicas que completam o álbum não são más.
por isto tudo porque é que our love to admire tem levado porrada generalizada? porque não é um álbum transgénico. se os músicos metessem para lá umas samples de world music ou fizessem uma cena à M.I.A., com umas misturas incompreensíveis e capazes de provocar vómitos de tão forçadas e mal enjorgadas (era vê.los de olhos regalados no concerto em paredes de coura quando se estava perante uma espécie de ritual de sacríficio onde o microfone estava nas mãos do animal em agonia), os tipos comiam às colheradas.
mas como é um álbum limpinho de rock não passa no teste.
no fundo no fundo eu também acho que os interpol fazem muito melhor do que isto. e a nota reflecte.o. mas achei que era a oportunidade ideal para despir esta tendênciazita que está para aí a nascer.
desculpem o oportunismo.


7.7/10

03 setembro 2007

recordar é viver




passaram.se já 15 anos desde que pj harvey se lançou na ribalta do rock alternativo. em vésperas de lançamento de mais um long play na riquíssima carreira da artista, o a new order recorda aquele que é um dos álbuns seminais dos anos 90. dry, datado de 1992 não é apenas um testemunho de rock cru. é uma das consequências mais fortes de uma escola do pós-punk que nunca assumiu nos states a dinâmica da sua congénere anglo-saxónica, mas que potenciou o nascimento de descendentes directos onde se incluem nomes como os nirvana ou os pixies. neste âmbito também o debute de pj harvey, um álbum quase primitivo na forma como se assume, sem quaisquer receios, perante um mercado que era, à altura, um verdadeiro monstro para as edições independentes, teve uma relevância fundamental.

dry é um long play a cento e muitos à hora, com o músculo suficiente para jamais fazer esquecer o nervo das composições. dry são os nineties, no seu esplendor.

01 setembro 2007

novidades enormes

fantastic playroom, new young pony club [2007]
you follow me, nina nastasia & jim white [2007]
big city, zita swoon [2007]
the stage names, okkervil river [2007]
liars, liars [2007]

19 julho 2007

período estival

o a new order entra hoje de férias.
até setembro.

18 julho 2007

é a última vez nesta semana que falo dos wolfmother

lembram.se daquela música épica dos black sabbath chamada changes?
já ouviram a mind's eye dos wolfmother?
têem tudo a ver.

17 julho 2007

wolfmother

não, não e não.
os wolfmother não são uma banda metal.
por mais que o mediaplayer ou o allmusic o digam, os wolfmother estão muito longe daquela corja de cabeludos a masturbarem.se com os agudos de uma guitarra. só porque têem uma capa metal não quer dizer que o façam.
vocês já ou ouviram? já viram as pessoas que vão aos concertos deles? repararam que têem uma música - a última - que parece saída de um álbum eléctrico do dylan e outra que parece parte de um álbum do otis redding? já repararam que eles até parecem os white stripes, de vez em quando, e os mars volta muitas vezes?
não, não e não.
os wolfmother não são uma banda metal.

conselho matrimonial para esta semana

deixe tudo para trás.
esqueça a praia, o cão, a namorada a correr ao lado dele.
esqueça que os led zeppelin alguma vez existiram. admita que o frank zappa era um menino de coro e os yes eram demasiado bem arranjadinhos para rockar.
acredite que o hard rock nunca saiu de moda.
enfie.se em casa a ouvir wolfmother.

06 julho 2007

o toy gosta dos interpol

tv on the radio - concerto muito esforçado, com energia equivalente. quando a música é excelente é difícil fazer.se um mau concerto, ainda que o som que saía da p.a. estivesse uma bela porcaria. para ver noutro local que não ali.

scissor sisters - o catering que a super bock disponibilizou para os convidados era muito bom. as miúdas do bar eram excelentes e a menina do café era simpática.

interpol - ao contrário do que se possa pensar eu acho que os interpol estão talhados para os grandes concertos de festival. não só porque falam pouco e fazem muito, mas porque são a grande banda rock da actualidade. e tocam as músicas tal qual as compuseram, o que me satisfaz porque não vou aos concertos para ver as bandas ensaiarem. um concerto muito bom.

underworld - as meninas do bar continuavam simpáticas. e das sobremesas nem se fala. e sim, é verdade, o toy, esse vulto da música ligeira portuguesa, gosta mesmo dos interpol.

05 julho 2007

grazie caro

entre o momento em que o fabrizio chegou a lisboa, anafado e baixinho, e o momento em que se despediu em cuecas dos adeptos eufóricos que se apaixonaram de cada vez que o astro batia com a mão no símbolo da águia, passaram 2 anos. ao início, o povo, descrente em 1.68m de futebol recebeu.o com a dúvida que sempre assolou os predestinados.
no entanto, os primeiros 45 minutos em campo, contra o lille, mereceram.lhe uma salva de palmas em pé. a partir daí a relação com o povo vermelho consumou.se até à dádiva do estatuto de rei.
foi merecidamente que o adoptámos.
aborreci.me seriamente de cada vez que se lesionou e festejei todos os golos que fez como gostava de ter festejado aquele em 91 contra o milan, que nunca aconteceu.
o fabrizio parece que vai assinar com o palermo.
e não existe ninguém, desde que o rui costa saiu para itália, que mereça um agradecimento como ele o leva hoje.

03 julho 2007

recordar é viver


abbey road, the beatles (1969)





hoje, como ontem, e provavelmente como nos próximos anos, enquanto o sol não desaparecer, as bandas continuar.se.ão a copiar até ao tutano. é claro que umas sabem copiar e outras, de facto, nem para isso servem.
[mas essas também nem sequer vale a pena estar para aqui a falar: o trolaró trata disso]
abbey road é, porventura, o álbum do top dos copianços. e não falo apenas da capa imortalizada em mais de uma centena de alusões mais ou menos descaradas.
abbey road é, provavelmente, o melhor disco de sempre da história do rock. não é o meu preferido, mas é impossível não dizer que you never give me your money não é a música melhor conseguida desde que o mundo é mundo.
não há, de facto, grande coisa a dizer sobre este long play.
se recordar é viver, como a coluna quer fazer crer, rever abbey road é continuar a viver na ilusão de que o rock ainda existe. sem lamechices do tipo ai que bom que eram estes tempos, abbey road é, ainda, um manual para qualquer melómano. a trilogia because - you never give me your money - sun king devia ser alvo de uma tese de doutoramento. eu, pela parte que me toca, se algum dia me propuser a fazê.lo, será sobre estas 3 músicas que incidirei o meu estudo. ou sobre como um álbum tem (quase) tudo o que precisamos de ouvir enquanto formos vivos.

a manobra de heinrich

cresce a expectativa em relação ao concerto dos interpol da próxima quinta feira. o single de apresentação do novo álbum - o melhor do ano de certeza - traz.nos um vídeo que só confirma o que eu ando a dizer desde turn on the bright lights: os interpol estão a anos luz de toda a concorrência.

30 junho 2007

houvesse mais zés

ao escrever neste meu espaço que o zé faz falta, nunca imaginei que o resultado pudesse ser o aumento do número de visitantes. de facto, através do statcounter, verifiquei que a procura directa no google do tema encaminhava para o a new order, pelo que o número de visitantes tem vindo a aumentar. é claro que depois ficam aqui 5 segundos a procurar o cartaz e não o encontram, mas, pelo menos, contam para a estatística.
e eu adoro estatísticas.
é por isso que lanço o tema para mais uma escalada de visitantes.

7 maravilhas da blogosfera

planeta pop
ladies love cool r
apARTES
juramento sem bandeira
o blog do jacaré
sound+vision
o meu querido ipod nano

ps: a votação diz respeito à que está a ser levada a cabo pelo blog o sentido das coisas, e serviu de pretexto para uma limpeza da secção amigos, conhecidos e nem por isso
ps1: todos os links para os blogs referidos estão aí ao lado
ps2: ainda não vi nenhum voto no a new order. mau sinal.

28 junho 2007

sugestões antecipadas de fim de semana

art brut, it's a bit complicated (2007)
ryan adams, easy tiger (2007)
shout out louds, our ill wills (2007)

26 junho 2007

da finlandia (3)


kiasma, helsinki (steven holl)

da finlandia (2)



sanatório de paimio (alvar aalto)



da finlandia (1)


finlandia hall, helsinki (alvar aalto)

19 junho 2007

colossos

à espera dos novos álbuns de ryan adams e dos interpol, que prometem aquecer a silly season, deitei.me aos colossos que recentemente avançaram com novos álbuns. de sound of silver, dos lcd soundsystem (sim, só agora é que o ouvi) pouco mais se aproveita do que 3 excelentes faixas: someone great, all my friends e new york i love you but you're bringing me down (de longe a melhor coisinha deste álbum). o resto é perfeitamente banal.
icky thump, dos white stripes, tem um bom feeling. falta.me ainda o tempo para opinar melhor. mas a coisa promete.

carta aberta ao comendador berardo

caro comendador berardo, amigo joe

não tenho qualquer complexo com as opas. para mim, que não invisto na bolsa, tanto se me dá como se me deu. também não me chateia que o caríssimo tenha tanto dinheiro. hei.de lá chegar, apesar de não compreender como é que uma pessoa com o seu carisma discursivo faz tanto papel. e gosto sempre de o ouvir falar de benfiquismo. é bonito que os sócios e simpatizantes do glorioso se mobilizem, mesmo que no fundo do túnel a luz seja a dos euros.
o senhor comendador (andei à procura no dicionário desta palavra mas não a consegui descortinar) falou inclusive em investir 50 milhões de euros na equipa, que a direcção só tinha de falar consigo. era de homem, sim senhora!
agora, senhor comendador, benfiquista joe, não se mete com o rui costa. há coisas que são intocáveis. como deus para os crentes e o pinto da costa para os morcões. o rui costa jogará no benfica enquanto quiser. e as suas palavras foram um passo em falso.
se quer cair nas boas graças dos adeptos tem de dizer exactamente o contrário daquilo que pensa. não deverá ser assim tão difícil. basta prometer que o rui será tratado como o rei que é, e os adeptos entregam.lhe os votos de que precisa de mão beijada. tem de compreender, já que afirmou que de bola não percebe nada, que o rui costa é aquilo que em futebol se chama um símbolo. gostava que o alberto joão conduzisse a sua madeira de forma democrática? não lhe cabe na cabeça pois não? seria o fim de um símbolo.
por isso, amigo joe, gaste dinheiro no benfica. invista, como disse, de forma voluntariosa. faça os adeptos vibrarem com contratações milionárias. mas deixe o lugar do rui em paz. é que muito dificilmente veremos os miúdos a jogar pelas ruas com berardo nas costas berrantes. mas com o número 10, esse, nem daqui a 20 anos as arrumam na gaveta.
saudações benfiquistas.

09 junho 2007

marasmo

isto serve só para aumentar o número de posts. e para aumentar o número de visitantes.
é que não se tem passado mesmo nada.

05 junho 2007

recordar é viver




os new order têm mais colectâneas do que álbuns propriamente ditos. não é de estranhar se pensarmos que praticamente todas as músicas que já fizeram até hoje são os singles que os outros sonharam fazer. não é de estranhar se pensarmos que as músicas dos new order são das mais sampladas e remixadas. e que blue monday é o single mais vendido de sempre da história da música. aliás se tivermos em conta que no período de 81 a 86 os new order lançaram os álbuns movement, power corruption & lies, low-life e brotherhood, substance é a pausa mais do que perfeita e necessária para arrumar cinco anos da maior inspiração pop do condado dos anos 80.
substance, em 1987, foi mais importante que a quase totalidade dos álbuns que saíram no decorrer desse ano. apesar de colectânea, é a melhor introdução para quem nunca ouviu sequer dez segundos dos new order. é claro que depois de mais de duas horas de história o ouvido, mais do que cansado, pede outra dose. e para isso existem gravações intemporais sob formato de álbum a explorar e memorizar.
para já substance serve para toda a obra.

01 junho 2007

andrew bird @ são jorge

o rapaz é capaz de estar a cantar e tocar violino ao mesmo tempo que manipula os pedais todos da guitarra, com ela às costas, mete uns assobios pelo meio e com a mão que fica livre (talvez um dia com a boca) toca ferrinhos.
andrew bird é, de facto, um músico completo. o concerto de ontem à noite foi bastante revigorante: o trio de músicos reinventou q.b. praticamente todas as músicas seleccionadas, e, surpresa, aquilo ao vivo funcionou mesmo bem. o facto de não me terem sujeitado a estar de pé foi também fantástico. mais para mais quando o lugar era bastante bom. é assim que eu gosto que as coisas funcionem.
um muito bom concerto, algo inesperado pelo aparato tecnológico mas bastante bem conseguido. e enquanto bird se socorria do que ia gravando como fundo para um excelente solo bluesy de violino, sozinho num palco imenso, só me lembrava: rihana, faz lá isto.

31 maio 2007

an end has a start, editors


vou pôr os pontos nos i's desde o início: smokers outside the hospital doors, a faixa de abertura de an end has a start, é o melhor single deste ano. pelo menos até vermos outro melhor.
e começar um álbum com uma música assim fortíssima devia ser regra generalizada a todas as bandas que se tentam lançar neste mundo.
eu tenho uma simpatia especial pelos editors. não só porque a minha banda preferida da actualidade são os interpol, e os editors são parecidos, mas também porque me parece que estes tipos fazem canções bem desenhadas e com alguma capacidade de empolgar o ouvinte. no entanto o primeiro álbum não era nada de especial. era, no máximo, giro.
an end has a start é outra conversa. os editors parecem ter ganho uma personalidade mais pessoal e parecem ter construído uma linguagem mais deles. a verificar, sobretudo, em the weight of the world e spiders.
é claro que haverá sempre colagens. é inevitável. as influências são claras e acho que eles também não estão muito interessados em disfarçá.las. não esqueçamos que isto da conversa é muito bonito, mas no final do mês há muito álcool e prostitutas para pagar. mas, apesar de perceber perfeitamente que an end has a start é um álbum que, no extremo da imaginação, já foi escrito pelos eccho & the bunymen ou pelos joy division, sinto que há ali qualquer coisa.
mais uma vez os editors levam o meu benefício da dúvida. se fosse pelo nome que ostentam sentir.me.ia culpado.
é que é de facto muito mau.
mas, de qualquer maneira, an end has a start tem uma grande mais valia: todas as músicas têem o potencial de serem singles da radar.
pena que os she wants revenge tenham aparecido antes...


7.7/10

30 maio 2007

o zé faz falta

hoje, ao mesmo tempo em que o tello fugia para a turquia, vi finalmente o cartaz que se diz já ser o melhor da década.
o zé faz falta, dizem eles.
eu, como espécimen exemplificativo dos zés de portugal, orgulho.me de ser convocado desta maneira.
zés de todo o mundo, uni.vos. precisam de nós.

29 maio 2007

new moon, elliott smith




qualquer pessoa que tende a escrever sobre música com o mínimo de capacidade de abstracção e que não se deixa enveredar pela glorificação massiva dirá que já não se fazem génios. se lerem o contrário desconfiem. porque a verdade é que já está tudo mais ou menos feito, pelo menos até ver. de qualquer maneira há uns que são mais génios do que os outros.
não, o kanye west não é um génio. e não, o justin timberlake também não é um génio. o timbaland também não, não insistam.
elliott smith morreu novo, ainda não se sabe muito bem como. fez uma série de álbuns de estrondosa qualidade. não teve pontos baixos na carreira, se não considerarmos o consumo de drogas e de álcool (o que até ajuda à manutenção de um estatuto de superstar). de facto either/or é um dos melhores álbuns de autor de sempre. leram bem. de sempre. se quiserem, e podem dizer que fui eu que o disse, metam.no no mesmo escaparate de nebraska, de closing time, de highway 61.
não tenham medo. as coisas são o que são e elliott smith é o melhor songwriter da sua época. recuperando o tema de ontem, elliott smith tinha alma. e isso faz toda a diferença no mundo da música.
new moon é o álbum póstumo que recupera uma série músicas não editadas e de versões alternativas a outras que fizeram sucesso nos seis álbuns do músico. a fórmula é muito própria e com este álbum duplo percebemos o potencial sobre o qual estivemos perante. não há ali a procura infrutífera de fórmulas milagrosas nem caprichos estéticos. não há cedências: elliott smith era assim, queria tocar daquela maneira e não se preocupava muito com o resto. como é óbvio não o conheci, mas gosto de acreditar que a música que deixou é o espelho do homem que foi.
e como tal, irrepetível.
new moon não é um álbum pensado num dado momento com a visão de determinado zeitgeist. é um conjunto de canções isoladas. mas quem conhece a fundo a obra de elliott percebe que é hoje como poderia ter sido quando ainda era vivo.
new moon, não sendo transcendente, é exemplar daquilo que é o maior legado da música norte americana entre 94 e 21 de outubro de 03.
aquele fatídico 21 de outubro de 03.

8.5/10

28 maio 2007

boxer, the national



quando peguei no actual do passado sábado (o primeiro suplemento daquela tonelada de papel que é o expresso que me passa pelas mãos) não consegui conter o riso. havia uma reportagem que se referia ao álbum dos the national como uma das melhores obras pop de sempre da história.
eu, que já me habituei ao exagero normalizado na imprensa portuguesa (recordo mais uma vez o célebre caso franz ferdinand), e olhando para o nome da banda, lembrei.me de outro célebre caso - she wants revenge - para formular o meu juízo de valor. até me podia ter lembrado dos the bravery ou dos klaxons, ou daqueles do i predict a riot, ou até mesmo dos arctic monkeys. e é claro que não tinha sequer ouvido uma linha de baixo de boxer. mas isso não me impediu de pensar que estava perante uma grande banhada.
instigado pela curiosidade arranjei o álbum e deixei.o na lista para ouvir num futuro próximo. assim que acabei o new moon de elliott smith (excelente apontamento por sinal) atirei.me ao avanço destes tipos.
ao fim de duas músicas percebi o mais que óbvio. na música ou se tem alma ou não se tem. até se pode tocar tudo muito bem, ir para os palcos com bandeiras de portugal e ser idolatrado por milhares que esperam anos para ver um tipo tocar uma guitarra durante três horas em modo automático.
mas se não existe veracidade na voz, se não existe alma, esqueçam, não estou para aí virado.
e de facto boxer é um álbum cheio de alma. não tem nada a ver com essas bandazecas que sonham acordadas com os joy division e as decalcam até ao tutano. nem tem nada a ver com outras que incorrem numa popzinha sem sal, com vozes afinadinhas mas que podiam estar a vender seguros automóvel como estão a promover uma linguagem que copiam descaradamente de coisas que os anos 80 já nos souberam mostrar. prefiro mil vezes ouvir o final countdown numa discoteca da margem sul do que levar com álbuns amorfos de duvidosa capacidade de empenhamento.
e esta conversa toda porquê? porque os the national fizeram um álbum muito bom. muito honesto, inteligente, sem recurso banal a clichés da pop. a voz faz saltar tinta das paredes: monótona mas convincente. e os rapazes estavam inspirados.
boxer não é o álbum que o actual apregoava. são canções interligadas por um elo comum de superior qualidade estética, mas não é um álbum de referência para a música pop dos próximos vinte anos. para isso ainda há um longo caminho que têem de percorrer.
de qualquer maneira, façam o favor de o descobrir.

7.9/10
ps. mais uma vez não me foi possível disponibilizar a capa do álbum. fica uma fotografia dos tipos.

25 maio 2007

falava de hëgel e de estética

parece que hoje em dia qualquer pessoa que se preze que queira falar sobre música tem de piscar o olho à pop que, há dois anos atrás, denominaríamos de teen, bem como ao hip hop sem hop. hoje em dia para se falar de música tem de se gostar de beyoncé, de rihana, de ciara, de kanye west e de timbaland. e não se pode gostar de folk, caso contrário não se é hip o suficiente. eu, que não vejo grandes diferenças entre a beyoncé e a britney, a não ser o facto de que a primeira está em melhor forma, sinto.me ultrapassado. o facto de não conseguir papar até ao fim uma música da rihana (aquela lamechice toda nem sequer me dá para a nostalgia, quanto mais para acreditar nela), começo.me a perguntar se foram as prioridades que mudaram ou se, de facto, o rock foi declarado culpado e assassinado.
para mim essa música sexy não diz nada. continuo a preferir as músicas que não colam ao ouvido.
porque depois dos beastie boys não há hip hop. e depois do michael jackson a pop morreu.

conselhos matrimoniais de fim de semana

editors, an end has a start [2007]
bill callahan, woke on a whaleheart [2007]
the national, boxer [2007]

23 maio 2007

sun semper chi




14 maio 2007

rules and regulations

de volta às crónicas, o mês de maio trouxe boas surpresas para o a new order. depois do épico regresso de rufus wainwright, naquele que é, muito provavelmente, o seu melhor apontamento desde o disco de estreia, os wilco também nos bombardearam com o muito interessante sky blue sky.

sky blue sky retoma os wilco das investidas quase folk. e por entre neil diamond e dylan, entregaram.se a um conjunto de canções bem medidas. para continuar a descobrir.

já release the stars é a nova longa-metragem cantada de rufus wainwright. e se os últimos dois álbuns do compositor não saíam da cepa torta, o mais recente long play é, até ver, uma bela e refrescante surpresa. os truques são os do costume mas o jeito de cantorzeco de cabaret meio engalfinhado na ideia de poder fazer pop barroca parece já ter adormecido. de qualquer forma, para encenar a pop existe antony e wainwright, felizmente, percebeu que não cabem dois galos naquele poleiro.

11 maio 2007

the dull flame of desire

elliott smith, new moon [2007]
rufus wainwright, release the stars [2007]
mick harvey, two of diamonds [2007]

10 maio 2007

nem se dêem ao trabalho

de volta, o novo álbum de björk, tirando antony e duas outras faixas, não há grande coisa que se aproveite.

05 maio 2007

diz que é uma espécie de antologia dos últimos tempos

o milan é a melhor equipa da europa e o carmona é o novo oh captain my captain, já que não abandona o barco. o mário lino está inscrito na ordem e eu ando enterrado em trabalho que não me apetece fazer. não fui ver a joanna newsom e descobri que ela é mesmo mesmo sexy. o benfica está sem o simão até final da época mas parece que o miccoli quer ficar por cá. não há álbuns novos a registar, pelo menos que eu saiba mas o álbum do andrew bird é mesmo mesmo tranquilamente interessante. ah e os new order acabaram.

03 maio 2007

o roto e o nu

já devem ter reparado que eu tenho uma predilecção em atacar a imprensa portuguesa. isto porque acredito que os nossos jornalistas são, regra geral, uns incompetentes, miúdos sem grande inteligência nem capacidade de observação atirados para os cenários que não compreendem. isto para não falar da manipulação informativa das direcções ou mesmo da subjugação de orgãos dos media a grupos de capital, digamos, volátil e a personagens da vida política.
mas o que eu gosto mesmo é de ouvir as parvoíces do jornalistazeco.

1. um homem estava barricado na garagem. a polícia de intervenção, como é do seu domínio, intervém. ouvem.se disparos e o homem sai para ser conduzido a uma ambulância. a jornalista, confiante naquilo que ouviu dizer, dispara que o homem foi atingido, saiu de maca, com a cara virada para baixo, e se encontra em estado crítico. a ambulância não sai do seu lugar, mas a jornalista não acha estranho. cinco minutos mais tarde o capitão da gnr informa que o homem levou com a porta na cara quando a polícia entrou e que estava a fazer gelo no interior da ambulância. os disparos eram pólvora seca, para o assustar.

2. o jornal relata o encontro de ontem entre o milan e o manchester. os italianos venceram por 3-0, qualificando-se para a final da liga dos campeões. será a 11ª final disputada pela equipa, com 6 vitórias já garantidas, o que a torna na segunda equipa com mais taças ganhas. do outro lado estará o liverpool, que já conquistou o troféu por 5 vezes. o milan eliminou o manchester united (2 vitórias) ao passo que o liverpool derrotou o chelsea (nada a registar na europa). o jornal diz que perderam os dois favoritos.

01 maio 2007

em defesa dos trabalhadores


willy mason, if the ocean gets rough [2007]