31 janeiro 2009

a ter em conta

wonderswan




(sugestão devidamente identificada e em boa hora agradecida) 

30 janeiro 2009

o segundo da semana

tonight, franz ferdinand [2009]



houve um momento em you could have it so much better -  álbum que antecede o mais recente long play dos franz ferdinand - que senti que havia um caminho lógico para a banda. a música chamava.se eleanor put yout boots on, era uma cópia descarada dos beatles, e poderia ter aberto a caixa de pandora da pop dos anos 00. no entanto, a banda escocesa deixou.se envolver pelas tendências mais ou menos dance, mais ou menos retro, mais ou menos punk revival que nos têem feito a cabeça em água nos últimos, digamos, 8 anos, e confirmam aquilo que mais se temia: a carreira dos franz ferdinand vem em decrescendo contínuo. de um primeiro álbum entusiasmante e muito pertinente passámos para um conjunto de algumas boas músicas avulsamente agrupadas a outras completamente inócuas, que dificilmente estabilizam num álbum sólido. 
mas afinal o que é que sobra de tonight, quando bem espremido?
ulysses, turn it on, twilight omens, live alone, bite hard e katherine kiss me - momentos eleanor do disco, e can't stop feeling, uma das melhores que já fizeram. o resto é dispensável, incluindo as 8 versões de bónus.
em conclusão: álbum morno com momentos de excelência. 
fosse ela sempre a regra e continuaríamos a apostar na banda para tornar a década mais feliz.   

o primeiro da semana

working on a dream, bruce springsteen [2009]



não temos ninguém no nosso país que cumpra o papel que detêm bruce springsteen na sociedade norte-americana. depois de uma primeira fase menos interventiva do ponto de vista social - mas curiosamente bem mais interessante - e quando as coisas estiveram muito tremidas do ponto de vista do orgulho nacional, desencantou um álbum chamado born in the usa. quando as coisas não podiam estar piores e o americano comum sentia o país fugir.lhe pelos pés de um terrorista islâmico, springsteen lembra.se: we shall overcome. em 2009, na mesma altura em que ganha novo fôlego, a américa acorda com um espantoso lema, working on a dream.
springsteen não é o espelho da moral norte.americana. mas é quase isso. 
no entanto, working on a dream é um álbum pouco interessante. dos 12 temas que o compõem há quatro ou cinco faixas muito bem orquestradas. o resto é um springsteen em modo automático. 
mais desequilibrado que o seu antecessor - magic - e bastante longe do melhor álbum que o músico já produziu neste milénio - devils&dust - compreende.se, no entanto, a excitação latente ao longo do long play. caramba, até nós vibrámos com o renascer do sonho. mas isso não deveria significar relaxamento para alguém que fez um álbum chamado nebraska. springsteen tem uma responsabilidade para a música popular norte.americana comparável à de nomes como dylan, tom waits ou bob seger. e isso deveria automaticamente impedi.lo de produzir álbuns medíocres.
working on a dream é um título fantástico para um álbum. 
contudo, termina aí a adjectivação.

25 janeiro 2009

review da semana

the crying light, antony and the johnsons [2009]


ao contrário de grande parte das opiniões que têem sido divulgadas, não me parece que the crying light seja uma evolução em sentido oposto ao que a carreira de antony nos tinha revelado nos últimos 9 anos. parece.me inclusive que este novo long play está mais próximo do primeiro álbum do músico do que longe do seu segundo avanço. 
de facto, se i am a bird now foi o melhor álbum pop em que o lou reed já participou, este novo the crying light aproxima.se daquilo que seria a segunda parte do tal álbum homónimo, se entretanto ao antony não lhe tivesse dado para fazer o que fez. com isto quero dizer que antony regressou à pose operática de hitler in my heart, assinalando um conjunto de oito canções de recorte, diria, cenográfico - duas das faixas não são muito felizes. no entanto, não confio na palavra retrocesso. e pouco confio também na ideia iluminada da felicidade vs. infelicidade, como se isso fosse determinante para um músico como antony fazer um bom ou um excelente álbum. 
a questão central está na carga dramática. 
na minha opinião antony sempre foi um artista de extremos, aquilo que o rufus wainwright gostaria de ser, por exemplo. e a oscilação controlada ao pormenor no temperamento das canções de the crying light será sempre a base do seu sucesso. não existem muitos músicos que consigam contemporizar a cadência dos álbuns da forma como antony o faz. assim como também não conheço muitos no mundo pop capazes de realmente se abstraírem do tabu da música erudita. 
poderemos sempre argumentar que i am a bird now é um álbum melhor.
é verdade.
mas the crying light é muito mais coerente com a imagem de antony. 
e, em absoluto, muito mais difícil. o que só o torna mais estimulante.


21 janeiro 2009

why we can't

uma pessoa lê, com atenção e na língua original [porque salvem.nos dos jornalistas tradutores], as peças de oratória extraordinárias do obama, sobretudo aquele discurso no new hampshire, o do yes we can, que é um pouco mais do que a catch phrase que todos conhecem, e depois passa os olhos pelos escarros de retórica linear escritos pelo vasco graça moura e que o diário de notícias teima, a espaços, em publicar


e percebe 

19 janeiro 2009

os 5 reis

ou como 5 bandas marcaram decisivamente 5 décadas

01. os the beatles nos anos 60 a começarem tudo
02. os velvet underground nos anos 60 com clara repercussão directa na década de 70
03. os joy division no final da década de 70 a escrever parte do que seriam os anos 80
04. os the smiths nos anos 80 a abrirem a porta à britpop que percorreu os anos 90
05. os animal collective em todos os anos 00

16 janeiro 2009

mudar de bina

nos 16 dias que este ano leva já mudei de computador.

também já mudei de sistema operativo, porque acabei a minha relação de longa data com a microsoft
e acabei por também mudar um pouco de hábitos: ainda não fiz nenhum download e já comprei 2 álbuns. deixei foi de pagar impostos a portugal pelo meu vício. agora sou contribuinte regular da rainha isabel ii. e quando comprar o álbum dos franz ferdinand - o próximo a sair - terei poupado o suficiente em impostos para comprar o álbum do morrissey.

é fazer as contas, senhor jornalista... 

15 janeiro 2009

review da semana

merriweather post pavillion, animal collective [2009]


não será muito difícil de adivinhar a posição que os animal collective ocuparão nas listas de final de ano que costumo consultar. não naquelas que ainda estamos a digerir, mas sim nas que muitos de nós já começámos, ainda que mentalmente, a organizar. 
há álbuns em que a expectativa sai furada à primeira audição. com outras bandas, pelo contrário, a expectativa do falhanço só aguça o engenho de uma reinvenção positiva. é que, de facto, não tinha a oportunidade de ouvir um álbum tão bom desde a última vez que o grupo de baltimore tinha lançado um long play. e se isto vos pode parecer, a determinado ponto, uma espécie de veneração, digo.vos desde já que não é bem o caso. chamem.lhe antes o meu ideal monárquico na música. é que, na minha óptica, os animal collective são os quintos reis (e dou um doce a quem adivinhar os outros quatro).
a história encarregar.se.á de demonstrar que os animal collective são a banda mais importante para a música indie desde que o kurt cobain deu um tiro na cabeça. e que merriweather post pavillion, capítulo sete de uma saga que parece, ainda, incompleta, não é o melhor álbum que os beach boys nunca fizeram. é o álbum que os beach boys gostariam de um dia ter feito, mas que não fizeram porque, manifestamente, nunca o conseguiriam.  

top 5 da benfica tv

1. canela até ao pescoço

2. em defesa do benfica

3. futebol de ligas

4. couratos e bifanas

5. conversas na catedral

10 janeiro 2009

needle in the hay

destaque do fim de semana para creature fear, blog de campanha de bon iver, e para a epilepsia social do luís azevedo silva e do filipe grácio. 

o primeiro porque será uma oportunidade de perceber mais a fundo não a personagem, mas o homem por detrás de um projecto. o segundo porque - apesar de algumas das ideias veiculadas estarem afastadas da minha posição política e filosófica - é um projecto importante que visa, sobretudo, meter os leitores a pensar. e bem sabemos como no nosso país a não utilização do cérebro é uma das 'posições' intelectuais mais cultivadas. 

09 janeiro 2009

a minha vida nunca mais vai ser a mesma

a benfica tv chegou à clix.

08 janeiro 2009

2008, ainda

street horrrsing, fuck buttons


in ear park, department of eagles

water curses ep, animal collective 

(porque nunca gostei muito de ep.s, mas este ano vou dar.lhes uma oportunidade. juro)

blood bank

é a primeira grande surpresa de 2009. 

ainda antes da chegada oficial de merriweather post pavillion, um álbum que já está, à partida, cotado como o melhor do ano, bon iver lançou via myspace o seu mais recente ep, blood bank. entre a languidez referencial de for emma, forever ago das duas primeiras faixas, e uma aproximação a uma estética menos lo-fi e cada vez mais pop na segunda metade do álbum, bon iver consolida o seu trajecto como songwriter de canções com significado. 
blood bank, em jeito de antevisão de um segundo álbum, certifica que à mulher de césar não basta mesmo parecê.lo. 

07 janeiro 2009

uma questão de 12.50€

o problema de se fazer o download de um álbum dos animal collective é o de nunca se saber ao certo se as interrupções e as falhas de som o são mesmo, ou se não passam de artifícios pop com que os rapazes nos querem brindar.

06 janeiro 2009

honestidade

ontem, ao percorrer as notícias do ipsilon, deparei.me com uma resenha sobre o novo álbum dos animal collective que continha alguns erros: avey tare era apresentado como avey rare, o último álbum de panda bear era denominado personal pitch, e aparecia uma referência ao álbum dos yeasayer como sendo datado de 2007. deixei um comentário ao autor - vitor belanciano - em que o alertava para a incorrecção da prosa. no dia de hoje, como poderão facilmente verificar, os dois erros principais foram corrigidos. 

mas o meu comentário eclipsou.se.

02 janeiro 2009

o que já se pode esperar de 2009

animal collective
andrew bird
antony and the johnsons
jackie o motherfucker
franz ferdinand
morrissey
william elliott whitmore
bonnie 'prince' billy
pj harvey/john parish
black dice
tortoise
art brut
bill callahan
patrick wolf
gomez
sonic youth
wilco
yeah yeah yeahs
bruce springsteen
black lips

21 dezembro 2008

querem mais uma? então pidam...

se todas as músicas do iv fossem mais como o isto é folclore - melhor música em português que o o william elliott whitmore nunca cantou - eu até era capaz de gostar muito do guillul.

20 dezembro 2008

avenida 211

acabei de chegar do avenida 211 e confesso que não gostei.
cheguei tarde, é certo. e posso muito bem ter perdido os melhores concertos. mas ia com a expectativa de ver o dj set do panda bear, que acabou por se revelar um dos momentos mais entediantes do ano.
e enquanto numa das salas havias uns tipos que pareciam os lightining bolt, noutra havia uns que pareciam os yeah yeah yeahs.
[está dentro do espírito da festa.]
lembrei.me agora que também havia um tipo a mandar umas porcarias contra a parede, no que me disseram ser uma performance. e uns gajos armados em high places. obviamente que não vou divulgar nomes para não ser enxovalhado.
e também porque não me lembro.
mas o destaque deste último avenida foi mesmo para os irmãos verdade, vulgos n'gapa. esses, para além de estarem completamente fora do espírito indie da festa - o que lhes permitiu serem os melhores de uma noite demasiado estática - tinham um vocalista que só não levou duas chapadas do panda porque ele não é beirão, como eu.
foram as raínhas da noite, contudo.

12 dezembro 2008

5

01 - alegranza, el guincho
02 - you&me, the walkmen
03 - for emma, forever ago, bon iver
04 - fleet foxes, fleet foxes
05 - devotion, beach house
06 - retribution gospel choir, retribution gospel choir
07 - nouns, no age
08 - lie down in the light, bonnie 'prince' billy
09 - third, portishead
10 - midnight boom, the kills

11 dezembro 2008

4

11 - april, sun kil moon
12 - dear science, tv on the radio
13 - the evangelist, robert forster
14 - at mount zoomer, wolf parade
15 - the stand ins, okkervil river
16 - rook, shearwater
17 - vantage point, dEUS
18 - dig, lazarus, dig!!!, nick cave & the bad seeds
19 - the finally LP, mark kozelek
20 - autista, azevedo silva

10 dezembro 2008

3

21 - women as lovers, xiu xiu
22 - vampire weekend, vampire weekend
23 - the bedlam in goliath, the mars volta
24 - attack and release, the black keys
25 - med sud i eyrum vid spilum endalust, sigur rós
26 - cardinology, ryan adams & the cardinals
27 - lookout mountain, lookout sea, silver jews
28 - the hawk is howling, mogwai
29 - songs in a&e, spiritualized
30 - workout holiday, white denim

09 dezembro 2008

2

31 - real emotional trash, stephen malkmus
32 - heretic pride, the mountain goats
33 - 13 blues for thirteen moons, a silver mt. zion
34 - to survive, joan as police woman
35 - do it!, clinic
36 - in the future, black mountain
37 - go away white, bauhaus
38 - conor oberst, conor oberst
39 - saint dymphna, gang gang dance
40 - the hungry saw, tindersticks

08 dezembro 2008

1

41 - partie traumatic, black kids
42 - carried to dust, calexico
43 - sunday at devil dirt, isobel campbell & mark lanegan
44 - dig out your soul, oasis
45 - high places, high places
46 - anywhere i lay my head, scarlett johansson
47 - santogold, santogold
48 - i know you're married but i've got feelings too, martha wainwright
49 - modern guilt, beck
50 - intimacy, bloc party

devotion

seria muito fácil vir agora fazer trocadilhos com o número 6.
como foi demasiado evidente ter recebido dezenas de mensagens feitas com trocadilhos que envolviam autoestradas e o número 5 há uma semana atrás. e pastéis de belém na última vez que o moreira tinha sido titular.
[e autoestradas e o número 7 há uns anos atrás,
mas onde toda a gente vê vigo eu vejo sempre leverkussen]
e neste momento sou apenas da opinião de que ter um jogador como o suazo na equipa devia ser proibido.
é claramente concorrência desleal para os outros meninos.

04 dezembro 2008

os the walkmen eternamente revisitados

enquanto espero e desespero que os tipos da caldo verde me enviem o novo álbum de mark kozelek, que só vai sair na próxima segunda feira mas que já promete, entretenho.me com a imprensa nacional.
falei aqui há dois dias sobre esta crónica de nuno galopim àcerca do mais recente álbum da banda norte.americana the walkmen. hoje, para animar ainda mais este dia cinzento, deparo.me com esta prosa. nem vou perder tempo a escrever ao autor, conforme tinha já planeado, mas parece que estamos perante um caso óbvio de revisitação de conteúdos. ele é o boxer, dos the national, os velvet underground, a referência aos editors e aos interpol (esta é a tirada mais ingénua, de tão óbvia) ou a ideia subjacente do "pilar da tribo indie" ou do "cânone da cultura indie", conforme se estejam a referir às palavras de davide pinheiro ou de nuno galopim.
será, porventura, um cliché tão grande como o país. mas é o jornalismo que temos.

02 dezembro 2008

os últimos reviews antes do review final

cardinology, ryan adams & the cardinals [2008] - sou, literalmente, a pessoa que melhor conhece a carreira de ryan adams em portugal. a isto não deverá ser alheio o facto de ser a única pessoa que acompanha a carreira do ryan adams em portugal. é claro que o rodrigo, de cada vez que os wilco editam um novo álbum, se deve lembrar do tempo em que gozava com o rapaz por ele ter partido o escafóide, ou lá o que foi. mas, de resto, não existe literalmente mais ninguém no país que ainda oiça o ryan adams. é por estas e por outras que nunca irão saber que cardinology é o melhor álbum de ryan adams desde jacksonville city nights, de 2005. e olhem que desde essa altura ele já lançou outros 2 álbuns e uma série de outros títulos. que ryan adams é profícuo na sala de ensaios já sabíamos. agora que era capaz de se reencontrar com a vertente estética que o consagrou como um caso raro no songwriting americano, disso todos duvidávamos. mas, surpresa das surpresas, cardinology encima uma trilogia de álbuns de fim de ano que, a verificar pelas palavras deste vosso amigo, é dos melhores que já tivémos ultimamente.

devotion, beach house [2008] - foi tarde e a más horas que o mais recente álbum dos norte-americanos beach house me chegou às mãos. motivado, em grande parte, pela onda de comentários positivos em relação à actuação de novembro no nosso país, devotion foi o tónico de um fim de ano cinzento e sem grandes motivos de interesse no que à edição de discos diz respeito. a lo-fi do duo de baltimore, onde a voz quase-nico da vocalista se sobrepõe à estética pop personalizada das instrumentações, é completamente revigorante e nada opaca, como, à partida, se poderia pensar de um projecto deste tipo. está claro que não será, propriamente, do mesmo cardápio luminoso de uns belle&sebastian ou de uns high places. mas a comparação não é, de todo, inocente. é que existe uma melancolia na revisão da pop que os beach house empreenderam que não deixa ninguém indiferente.

um dia ainda te vou apanhar a dizer o contrário

o crítico de música nuno galopim descobriu os the walkmen.
cá para mim, e tendo em conta a descoberta tardia de you&me, deve ter olhado para o cartaz desse festival que vai animar a baixa lisboeta durante esta semana e resolveu ir investigar (festival ao qual não irei por causa da política de venda de bilhetes, que me faria pagar 40€ por um concerto, uma vez que, para além dos norte-americanos, só mesmo de assinalar - à mesma hora - a presença dos belgas zita swoon).
o verdadeiro problema, contudo, é que o jornalista assina uma prosa sobre cânones e mais não sei o quê e, a certa altura, desanca nos interpol. ora eu que já me habituei a ler destas opiniões tenho a certeza que, num futuro próximo, vamos ouvir dizer muito bem dos rapazes através do que sai daquelas mãos sempre sábias.

[e continuo à espera, quatro anos e alguma tinta depois, que o senhor descubra uma destas provocações e me responda à letra. já fui inclusive aconselhado por outros colegas do blogging a desistir e a recentrar a minha raiva no joão moço, mas ele nunca me deu motivos para tal...por falar no joão, e sabendo que ele daqui a uns dias vai ler isto, o ryan adams dedicou.te uma música - a de bónus - no cardinology. se ainda não ouviste, aconselho vivamente.]

acreditem em mim.
eu acreditaria em mim (manuel dias loureiro).

30 novembro 2008

avenida 211

o ano promete encerrar em grande estilo ao som de um dj set do panda bear no já bem conhecido (e por sinal último) avenida 211. é no próximo dia 19 e tem chancela da filho único.

29 novembro 2008

o nome peter sarstedt

diz.vos alguma coisa?

25 novembro 2008

alguns reviews que ficaram por fazer

saint dymphna, gang gang dance [2008] - não foi mau de todo o regresso dos nova-iorquinos gang gang dance aos álbuns. continuam estranhos, inventivos e claramente interessados num percurso experimental que se revê tanto no rock dos animal collective e yeasayer como no psicadelismo exagerado dos black dice. algures entre um rock-neo, a electrónica avant-garde e o hip-hop que o é apenas a espaços muito bem limitados, saint dymphna apresenta.se como um álbum agradável. mas pouco mais do que isso.

is it the sea?, bonnie 'prince' billy [2008] - é um álbum ao vivo de bonnie 'prince' billy. e acho que está tudo dito. mais contido nas palavras e nos improvisos do que lhe conhecemos pelas últimas passagens por lisboa, percebe.se claramente que tudo foi programado para poder ser vendido em álbum. as faixas são interpretadas com a dose certa de liberdade, o som é fantástico para quem está sujeito à pressão do público, a qualidade é inegável. mas é um álbum ao vivo, não um concerto.

workout holiday, white denim [2008] - na onda recente da epidermização do rock de uns no age ou de uns les savy fav, a estreia do colectivo texano é marcada pelo indie rock directo e sem complexos. influenciados claramente pela escola 'garage' norte.americana, mas com uma leitura actual e a espaços luminosa, os white denim assinam um álbum interessante, mas não brilhante.
aconselhável a prescrição. mas com devida moderação.

24 novembro 2008

lightning bolt @ zdb transferida para o parque camões

é preciso ter tido uma infância difícil ou ser.se completamente surdo para se estar em casa, descansadinho no sofá ou às voltas com aquela edição memorável de março da fhm onde aparecia a mariana monteiro, a ouvir os álbuns dos lightning bolt. isto porque, de facto, não consigo encontrar maior contradição do que a que associa três palavras: música/lightning bolt.
é por estas e por outras, que humildemente prefiro ocultar, que me dá para encarar o que se passou ontem no recôndito (mas contudo bem iluminado) piso -5 do parque camões mais como uma experiência do que propriamente como um concerto. é que um concerto pressupõe música e os lightning bolt desde sempre contornaram muito bem essa questão. foi pouco mais de uma hora a ouvir martelar na bateria, sangue quase a escorrer pelas colunas, súor certamente empapado no chão e na máscara que os rapazes pisaram, uma data de miúdos a precipitar.se sobre os 2 norte-americanos, uma série de gente pelo ar quase a bater com qualquer parte do corpo num tecto maravilhoso de tão baixo que é.
e no fim, para além do zumbido constante nos ouvidos - resultado directo da desconstrução sonora típica de uma performance desta natureza - a certeza de que, já tendo visto uma actuação dos lightning bolt, duas dos black dice e um festival de deathcore na póvoa do varzim, não há nada que me possa surpreender.
aquilo pode não ser música. mas é muito mais do que barulho. só não sei bem o quê...
é, certamente, de antologia.

21 novembro 2008

lóbis do fim de semana

workout holiday, white denim [2008]

devotion, beach house [2008]

i believe in you, your magic is real, YACHT [2008]

18 novembro 2008

antes que a casa vá abaixo

o melhor será mesmo destruir o parque camões. lightning bolt no último piso do estacionamento lisboeta, já no próximo domingo.

15 novembro 2008

mogwai

a 5 de fevereiro de 2004 os mogwai passaram pelo garage e pouco deve ter ficado intacto na discoteca lisboeta. a 5 de fevereiro de 2009 os mogwai regressam, desta vez para actuar na aula magna.

14 novembro 2008

um blog pelos vistos porreiro

celebram.se hoje os 4 anos de emissões regulares do a new order.
e se em 2004 o cenário foi aberto com o simbólico ceremony, hoje, um pouco mais velha e mais rabugenta, a casa apresenta esse exercício de onanismo barato que foi a sondagem que desenvolvemos: este é um blog porreiro.

11 novembro 2008

rui oliveira e costa

a minha sondagem está claramente a ser manipulada. já tentei votar 2 vezes na última opção e é como se nada fosse. parece que o bush, agora que deixou a casa branca, já tem um novo entretenimento.

é evidente que quando chega o meio de novembro o ano acabou. as bandas deixam de ter interesse em lançar álbuns e começam a sair os especiais de natal e as reedições formato deluxe. este ano, no entanto, a coisa está a correr bem. os new order re-lançaram 5 dos seus melhores álbuns num formato especial bastante agradável. para evitar a prosa sobre os mesmos, e uma vez que há quem seja pago para isso, a pitchforkmedia dá uma ajuda.



p.s. por favor votem na sondagem aí ao lado. tenho mesmo de vos dizer tudo?

05 novembro 2008

barack

passam 15 minutos das 3 da manhã e começaram a desvanecer.se as dúvidas sobre a eleição de obama. os democratas viraram pelo menos 3 estados republicanos (ohio, iowa e new mexico), e, mesmo perdendo o indiana, a vitória já não deve escapar ao primeiro afro-americano a tomar a si as rédeas do país. se, lá por fora, muitos começam a levar as mãos à cabeça, cá por portugal ainda se dorme. o pequeno almoço, porém, vai ser amargo para muito boa gente (não é guillul?). para o pacheco pereira, por exemplo, a azia já se vê.
e em directo.
eu, no que me toca, vou dormir descansado.

03 novembro 2008

america is not the world/yes we can!

but where the president is never black, female or gay
and until that day
you've got nothing to say to me
to help me believe.

(morrissey)

31 outubro 2008

diabo de gaia

para descomprimir um pouco, surge este novo projecto, baseado numa estória verídica, e com contornos quase metafísicos. um blog para acompanhar para aí durante uma semana, uma vez que, posto isso, pouco mais haverá para dizer.

thee silver mt.zion memorial orchestra @ zdb

entre a hipnose do som dos 2 violinos arrastado praticamente ad eternum e o descalabro emocional da guitarra que já foi peça central dos gy!be, a thee silver mt.zion memorial orchestra arrasou, ontem à noite, a sala do bairro alto.
não fosse a forma como os músicos se apresentam em palco, e a desfaçatez das palavras que dão corpo à música, e poderia muito bem tratar.se de uma orquestra daquelas sérias e arranjadinhas. não fosse a violência das peças que apresentam, e a oscilação dramática entre o caos total e o silêncio que o é quase nos 15-20 minutos de duração de cada investida, a thee silver mt.zion memorial orchestra poderia aspirar a salas mais respeitadas. mas não é assim que as coisas são no mundo rock, e o público que ontem se deslocou à baixa lisboeta, fazendo esgotar o aquário da zdb, fez questão de o demonstrar. minado, provavelmente, pelo descomprometimento do frontman canadiano.
em troca os thee silver mt.zion arrumaram a contenda com 6 faixas que percorreram algumas das fases de uma carreira que se estende já em 6 álbuns de estúdio. no final do dia fica a sensação de que, se os gy!be foram o início de qualquer coisa que entretanto se desfez no tempo e na necessidade, os thee silver mt.zion são, de facto, o passo seguinte no pós pós-rock.


1. 13 blues for thirteen moons
2. 1.000.000 died to make this sound
3. take these hands and throw them in the river
4. god bless our dead marines
5. there's a light
6. microphones in the trees

29 outubro 2008

o plano paulson

cheguei ontem à conclusão que o fight club foi escrito unicamente a pensar na crise financeira de 2008. e não há modo de contornar que o colapso - físico neste caso - das instituições de cartões de crédito que se vê no final é, de forma romanceada, o que nos está para acontecer.
é por isso que não me custa nada imaginar o obama na vez do tyler, a estender a mão ao john mccain na pele da marla, com a música dos pixies a fazer de fundo às torres em chamas, enquanto lhe sussurra: you've met me in a very strange time of my life...

24 outubro 2008

a dieta sá pinto

os dois melhores blogs sobre bola da actualidade são também os que têem o nome mais genial: obrigado sá pinto - de e para benfiquistas - e a dieta rochemback - de e para todos os tiffosi em geral.
aproveito também eu para agradecer ao sá pinto em nome do a new order.

no age @ zdb

foi telegráfica a primeira passagem dos norte americanos no age pela capital. 50 minutos bastaram para devastar as filas da frente do aquário da zdb e provocar alguns espasmos nas filas de trás, as dos bem comportados, como eu. a prestação do power duo de LA não deve ter andado muito longe, em termos de fúria controlada, da passagem do furacão gustav por nova orleães, há coisa de um mês. não havendo mais para mostrar, os no age percorreram todas as faixas que compõem o recente nouns, apresentaram uma ou duas músicas novas e uma versão dos misfits quase a terminar exibição suada q.b.
o final foi rock, apoteótico portanto.
e fica no goto de toda a gente que por lá passou uma certeza: não há banda no mundo que, neste momento, encarne melhor o espírito underground.

21 outubro 2008

long time ahead of us

you & me, the walkmen [2008] - um dos discos mais outonais de 2008 - e sem dúvida um dos melhores do ano - chega.nos pelas mãos dos the walkmen. é a pop mais do que adulta do quinteto de ny a marcar decisivamente este fim de época. personalizada e suficientemente inspirada para proporcionar duas mãos cheias de canções de bom recorte, a música dos the walkmen mostra.se, ao quinto álbum, mais visceral do que nunca. you&me vai ser capaz de arrebatar qualquer admirador da velha escola velvet underground. o single, então, é um mimo.

dear science, tv on the radio [2008] - terceiro álbum dos tv on the radio, terceira lição sobre arte de vanguarda. o futuro está ali e continuará a sorrir enquanto os tv on the radio mantiverem a salutar capacidade imaginativa que os tem caracterizado no sentido ascendente que tem sido a carreira que desenvolveram. um disco diferente, mais pujante e mais matemático, talvez menos iluminado que os antecessores, mas a deixar água na boca para um próximo capítulo.

the hawk is howling, mogwai [2008] - é o regresso aos épicos por parte dos mogwai. depois da leitura estruturada do post rock apresentada no álbum antecessor, os escoceses regressam aos carroséis emotivos que os celebrizaram nos primeiros avanços, para assinar um dos ovnis do ano. the hawk is howling é música que podia dar um filme, e compreende.se o saudosismo young team que atravessa este conjunto. no entanto continuo a gostar dos mogwai que exploram a introdução da voz em faixas de 4 minutos. e em the hawk is howling essa faceta eclipsou.se. é pena.

15 outubro 2008

adelia, i want to love

através dos olhos de vincent moon já tínhamos tido a oportunidade de perceber o processo que levou à concepção do último álbum dos the national. agora chega.nos às mãos um filme sobre os mogwai. ou melhor, um filme onde a estória de uma avó italiana de 89 anos se cruza com o rock dos mogwai. sem imediatismos nem redundâncias, vincent moon assina mais um belíssimo momento de 2008.

14 outubro 2008

epifania em formato single

se as missas do padre barreiros tivessem um coro gospel, provavelmente hoje não era ateu.

09 outubro 2008

buenos matrimonios ahí fuera

alegranza, el guincho [2008] - se a pop fosse sempre feita pelo el guincho, alegranza não servia rigorosamente para nada. e para quem diz que el guincho 'é' o panda bear - não me lembro se não terei também caído nesse engodo um dia - alegranza também não serve para nada. no entanto, e para os interessados mais incautos, o disco de estreia de el guincho é o eldorado de 2008. saído um pouco do nada - à semelhança dos álbuns do rapaz dos animal collective - e sem que ninguém estivesse à espera, aí está a principal razão pela qual eu nunca direi que de espanha não vem bom vento ou que os tokio hotel são a melhor banda de sempre. el guincho é um dos mais revigorantes autores da indústria nos dias de hoje e a prova está espelhada no exercício de corte e costura que é alegranza. é um long play que transpira esclarecimento por todos os poros e que, apesar das limitações de ter sido feito em casa em poucos dias, é digno, no mínimo, de fazer todos os casamentos e baptizados ibéricos até 2010.
está mais do que claro que este ano podem continuar a lançar os álbuns que quiserem. podem vir os franz ferdinand, os radiohead e o morrissey.
depois de ouvir alegranza, o a new order fechou para férias.
mas isto comigo já sabem que para a semana, provavelmente, há mais não é?

08 outubro 2008

hetero avaliação

autista, azevedo silva [2008] - em 2006 o luís azevedo silva contactou.me para escrever umas linhas sobre clarabóia, a demo que tinha acabado de lançar. desde então, não sei se por ter sido demasiado cáustico com o que era apenas uma primeira impressão, deixou de me procurar. em 2007 lançou tartaruga, o primeiro long play, e já este ano, em maio, aventurou.se com autista.
o luís, que eu neste momento considero o bon iver português - a frase é minha e não pressupõe que se copiem um ao outro, mas sim que ambos imprimem uma carga dramática brutal à música que produzem - é o tipo de músico que não precisa de se expôr para fazer música. os álbuns podem ser descarregados gratuitamente, as notícias são escassas, os concertos ocorrem em salas pequenas e se não fossem os blogs eu jamais teria continuado a acompanhar a sua carreira. no entanto, e apesar da contrariedade que possa resultar da falta de feedback massificado - não o conhecendo transparece.me no entanto uma grande e salutar indiferença em relação a isso - a música do luís é de uma honestidade inatacável. perguntam.se, provavelmente com desdém, o que é música honesta. sinceramente não vos consigo explicar. mas consigo.vos dizer que o ambiente que paira em autista é intemporal, e isto ainda a propósito do post anterior, não há tempo que consiga apagar a necessidade de se fazerem álbuns destes. o luís azevedo silva, apesar de ter uma voz educada e extremamente agradável, bem como um bom gosto acima da média nacional, não vai conseguir mudar o mundo com este novo álbum. ele deve.o saber melhor do que ninguém, e talvez por isso não faça de autista um cavalo de batalha demasiado orgulhoso. mas é da entrega de um músico que me conquistou com uma cover de uma música de daniel johnston que se consegue extrair o cimento de um álbum que está ao nível da boa lo-fi que se faz lá fora.

material inútil

há uma razão forte para os the strokes terem tido o sucesso que tiveram no ano em que o tiveram. e há uma razão para que, do outro lado do mundo, os the libertines tivessem tido o mesmo efeito, praticamente ao mesmo tempo. há também uma razão para que, no ano passado, os vampire weekend tivessem alcançado a exposição mediática que alcançaram. e há tantos e tantos outros casos antes deles, sempre com razões fortes: a qualidade no tempo e no espaço.
isto tudo acerca de uma recente onda de excitação, da qual me abstenho desde já em partilhar, levantada em torno do álbum de estreia d'os pontos negros. apesar de nutrir uma simpatia pela banda - como aliás por todos os músicos descomprometidos como eles - e de achar que sim senhora, estão ali umas belas canções para cantarolar com uma produção interessante - apesar dos tiques desnecessários do vocalista, que com a experiência acabará por perder - ouvir o álbum d'os pontos negros nesta altura é um pouco como ouvir o novo álbum dos oasis, dig out your soul, que soa exactamente a como soava um álbum dos oasis em 1994.
para me fazer entender: num caso, como no outro, não é a qualidade da banda que está aqui em causa. adoro os oasis, dig out your soul é o melhor álbum de rock n' roll do ano, os pontos negros são bons rapazes e o conto de fadas de sintra a lisboa é a melhor música portuguesa de 2008.
é uma questão de pertinência temporal das músicas que ouvimos.
nesse aspecto acho que ambos são tiros ao lado.

03 outubro 2008

as chanatas do jacinto

porque é que eu hei.de escrever sobre a minha religião, se o jacinto lucas pires o faz tão bem no jornal de notícias, e, desde há bem pouco tempo, online, no chanatas?

chama imensa

toda a gente parece ter alguma coisa a dizer sobre sarah palin.
por isso também quero dar um contributo.
mesmo que seja difícil perceber porque raio é que em portugal há interesse por umas eleições em que não temos nada a decidir, a verdade é que é condição nacional meter o bedelho e assumir estas questões como se fossem as nossas. depois da decisão de mccain de convidar a governadora, a imprensa tentou, em vão, transformar a candidata republicana num assunto. cá em marrocos abraçou.se a audácia, e, na blogoesfera, sucederam.se as reacções, sobretudo de uma conhecida ala conservadora que tem dado cartas na definição dos grandes temas de discussão online dos últimos anos.
findou.se a chama, fez.se o debate - muito simpático por sinal - e no que é que isto deu?
em rigorosamente nada.
porque a verdade é que o provincianismo da senhora diluiu o efeito potencial do design dos óculos, que nem são assim tão giros.

29 setembro 2008

já começa a ser insustentável

estar tanto tempo em casa.
é que a probabilidade de ouvir a voz irritante da brandi carlile é cada vez maior.

28 setembro 2008

juro

que a águia da capa do novo álbum dos mogwai não é a vitória, a águia do benfica. nem sequer deve ser uma águia. acho que é um falcão.

26 setembro 2008

o fim de semana do professor freitas

dear science, tv on the radio [2008]

high places, high places [2008]

the hawk is howling, mogwai [2008]

17 setembro 2008

calling and not calling my ex

the stand ins, okkervil river [2008] - não sei se com esta avalanche recente de álbuns a sair, reedições a serem cuspidas para as prateleiras e concertos fenomenais a serem anunciados (vejam a programação da zdb para outubro e novembro) já pararam um bocadinho para ouvir o novo álbum dos okkervil river. são apenas 8 faixas e 3 interlúdios.
não custa nada.
é que the stand ins, a par com o álbum de estreia dos fleet foxes, tem a melhor pop de 2008. os okkervil river já tinham surpreendido o meio no ano passado com the stage names, um dos melhores de 2007. e se bem que a história da banda de austin remonte ao longínquo ano de 2000, a verdade é que só com o último long play os rapazes atingiram a excelência. the stand ins vem apenas confirmar o que venho dizendo desde black sheep boy: a chamada lo-fi que conor oberst ajudou a celebrizar num passado recente tem muito mais piada nas mãos dos okkervil river.

13 setembro 2008

colheita do weekend

at mount zoomer, wolf parade [2008] - chega.me finalmente às mãos o muito aguardado sucessor de apologies to queen mary, álbum de estreia dos wolf parade. dizem os entendidos que o segundo long play da banda é o melhor até à data. eu, sinceramente, não concordo. at mount zoomer é um álbum muito bom, claramente identificável com o estilo wolf parade, mas não serve para fazer derrocar o seu antecessor do pódio em que continuará a figurar. mas já ninguém duvida que os wolf parade são um caso sério de música entusiasmante. e ninguém no seu perfeito juízo vai ignorar que at mount zoomer está, do ponto de vista da curiosidade que desperta e da forma particular como se desenvolve, a anos luz de bandas rock que apostam em estruturas clássicas sobejamente conhecidas. a música dos wolf parade não é assim. nem a voz que dá corpo às 9 faixas de at mount zoomer.
os wolf parade são um ovni neste cenário chato de 2008. mas at mount zoomer ainda precisa de rodar mais uns dias.
é uma questão de dúvida razoável.

12 setembro 2008

apARTES

o antónio pinto decidiu fechar as portas do apARTES ao fim de quatro anos de emissão. foram muitas as bandas que me deu a conhecer, através dos escritos sempre eloquentes que publicava diariamente. confesso que cheguei a comprar pelo menos um álbum com base apenas no que ele tinha escrito.
e não me desiludi.
em suma, é mais um dos melhores blogs nacionais a despedir.se do meio. e é com um agradecimento sincero que lhe desejo a melhor sorte.

mr. november

todas as pessoas que gostam muito de música pensam que a banda x escreveu a música y a pensar neles.
é legítimo.
eu sempre tive a ideia de que a theory of the crows dos the national era, de facto, a teoria sobre a minha vida.
hoje descobri que não é assim.
afinal a música que eles escreveram sobre mim é a mr. november.

09 setembro 2008

a vida para além do lóbi

carried to dust, calexico [2008] - o início de victor jara's hands, a primeira faixa do recente carried to dust transporta.nos imediatamente para um imaginário próximo de um álbum de kizomba. só com a entrada da voz meio josh rouse-meio tom barman do vocalista do conjunto de tucson é que percebemos que não comprámos o álbum errado. carried to dust mostra.nos uns calexico espaçadamente interessantes, um pouco menos comprometidos com a sonoridade que lhes deu fama, se bem que de vez em quando ainda saiam uns minutinhos mais experimentais, sobretudo os que percorrem essa língua estranha que é o espanhol, e o calipso fica muito mais perto de lisboa - neste caso de telheiras, o bairro onde existem garagens em que o joão lisboa diz que se ouve música alternativa da mesma forma que nos sótãos de reykjavik, isto acerca de uma crítica ao álbum dos sigur rós, onde também fala, por exemplo dos my bloodless valentine (sic), sejam lá esses quem forem.
em suma, carried to dust não aleija ninguém. mas também não é um álbum que me faça levantar mais cedo da caminha.
e eu com essas coisas sou mais do tipo marco fortes.

04 setembro 2008

mais blogs

chamada de atenção para a voz do deserto do tiago guillul, blog com mais de cinco (!) anos de existência e que só agora - por culpa da "mediatização" que o músico tem vivido no último ano - começa a chegar aos ouvidos de tantos. eu incluído.
destaque também para o shadow play e o dejá vus nostálgicos, bem mais recentes mas com enorme vontade de mostrar serviço.

review da semana

intimacy, bloc party [2008] - fraquinho o regresso dos bloc party aos álbuns. depois de dois avanços bastante bem conseguidos, a viragem dos britânicos para os horizontes, digamos, de uns tv on the radio, não foi bem sucedida. vê.se que ali já há muito pouco para explorar e que a banda procura novo caminho. mas intimacy, para mal dos pecados de um grupo que já meteu muita gente a ouvir boa música - apesar disso ter sucedido única e exclusivamente à conta de um anúncio para vender telemóveis - não é um bom resultado final. apesar de dois ou três bons momentos - halo será a melhor música do long play - o álbum parece morrer mesmo antes de ter realmente começado.
ficamos à espera de uma nova resposta.

22 agosto 2008

review para o fim de semana (e vemo.nos em setembro)

heretic pride, the mountain goats [2008] - foi tarde e a más horas que o novo avanço dos the mountain goats me chegou às mãos. mas bendita a hora em que começou a rodar na aparelhagem cá de casa. há por aí pouca gente que escreva letras tão sarcásticas e bem intencionadas como john darnielle. se juntarmos a este diz-que-é-uma-espécie-de-daniel-johnston uma trupe extraordinária como aquela constituída pelos músicos que o rodeiam, temos em heretic pride uma bomba relógio do melhor lo-fi da actualidade. os the mountain goats já existem há mais de uma década mas, para além de uma consistência qualitativa pouco habitual, conseguem sempre arranjar espaço para surpreender quem os ouve, ano após ano.

20 agosto 2008

outro review

rook, shearwater [2008] - entre as elegias pop dos okkervil river e o fantasma omnipresente de will oldham, os shearwater assinam um dos álbuns do ano. não estranha por isso a ninguém quem em rook se oiçam por vezes os metais dos calexico ou as cordas dos arcade fire misturados com a pop personalizada que poderia ter resultado de uma one night stand de owen pallett e antony (um cenário que não é de todo impossível...).
e perguntam.se vocês: porquê tantos nomes?
e responde a casa: porque o mais recente long play dos shearwater é um catálogo extremamente sofisticado de música indie, longe dos complexados cânones que em agosto ganham peso nos festivais de verão.
não me foi nada fácil encontrar e comprar rook. mas valeu a espera.

19 agosto 2008

review

conor oberst [2008] - tendo perdido algum fulgor com a marca bright eyes - o mais recente cassadaga é um pobre exemplo para quem prometeu tanto, p.e., nos antecessores fevers and mirrors ou lifted or the story is in the soil, keep your ear to the ground - conor oberst lança o primeiro álbum "a solo". o que equivale a dizer que bright eyes lançam mais um álbum porque conor oberst=bright eyes. e conor oberst poderá muito bem ser o renascimento de quem já foi um rei midas da música alternativa de autor. inteligente e declaradamente dramático, conor parece hoje um stephen malkmus desembarcado numa ilha deserta, com tempo suficiente para se sentar com a guitarra nas mãos e com a calma urgente de dizer qualquer coisa a quem o queira ouvir. e se enquanto bright eyes era demasiado dylan sobre os seus ombros, a nova denominação permitiu ao rapaz criar uma saída interessante e, sobretudo, entusiasmante.
um bom álbum para marcar 2008.

16 agosto 2008

parte 2

mais uma semana de férias que lá vai, e o regresso para mais uma temporada. digo.vos que em áfrica nem vampire weekend nem nada que se pareça. só kizomba e kuduro.

02 agosto 2008

flor caveira

muita atenção para a divulgação que o caríssimo almirante faz, através do amor fúria, do trabalho desenvolvido pela flor caveira - e que começa, aos poucos, a ter os seus lucros à medida que a carreira dos seus artistas ganha reconhecimento.
a par com o filho único, ainda que com objectivos diferentes, representam o melhor que se tem feito no país ao nível da promoção de artistas e espetáculos do círculo externo ao mainstream. e se o filho único tem apostado sobretudo em artistas estrangeiros - e que grandes concertos já proporcionaram em pouco tempo de vida - a flor caveira dedica.se à colheita made in portugal.

30 julho 2008

rook

o novo álbum dos shearwater, que já foram, em tempos, um projecto paralelo de will sheff dos okkervil river (curiosamente ambos editaram, até ao momento, 5 long-play's...), parece que promete.
chama.se rook e já está disponível nos escaparates.
desenvolvimentos em breve.

29 julho 2008

boicotem.nos

vai ser mais um ano sem festivais de verão.
depois da viagem a paredes para ver o morrissey em 2006, jurei para nunca mais. e a promessa mantém.se.
é que, sinceramente, já não há estofo sequer para estar 2 dias em trânsito, a dormir e comer mal, para ver um concerto, quando lisboa acabará por receber o mesmo concerto, uma vez que, como diz o ny times, somos a capital cultural da europa.
(e este ano, diga.se, não há ninguém que me faça sair de casa)
o cartaz de paredes tem 3 nomes interessantes -dEUS, the mars volta e sex pistols - mas nenhuma truta, como em anos anteriores. o sudoeste, esse, outros 3 - björk, franz ferdinand e tindersticks.
e como com metade destas bandas já seria um repeat, este ano, mais uma vez, opto pelo sofá.
divirtam.se

25 julho 2008

jovens promessas

mais 2 nomes adicionados à lista de recomendáveis. os novos pornógrafos e a ana fazem parte, desde hoje, da conceituada lista cá do burgo. amor com amor se paga não é?

23 julho 2008

primeira impressão

partie traumatic, black kids [2008] - é daqueles discos alegres e descomprometidos, que agradam a gregos e troianos, ainda que não sejam todos os que reconhecerão no trabalho dos black kids a colagem a modelos que vêem desde os velhinhos smiths, com ponto de paragem na carreira dos the cure ou com expressão contemporânea nos arcade fire. o single explosivo - i'm not gonna teach your boyfriend how to dance with you - é o momento pop de 2008. mas os melhores títulos de canções dos últimos tempos não servem, no entanto, para disfarçar alguma inconsequência deste partie traumatic: a voz do rapaz é demasiado parecida com a do brett anderson (e os anos 90 morreram há muito), o toque china girl de algumas músicas não se compara à versão bowie/iggy, e inovação não é uma palavra que seja muito conhecida destes jovens. partie traumatic é um long play desenvolto e os black kids são um hype interessante. mas ainda têem muita sopinha para comer.

desculpem não ter dito nada mas entretanto meteram.se as férias

12 julho 2008

bonnie 'prince' billy, zdb

a haver um título secundário deste post só poderia ser bigger than life. os leitores do a new order - são poucos mas existem - sabem que nem sou muito dado à glorificação barata. mas ontem, na zdb, cumpriu.se parte da história que vai ser contada de pais para filhos.
longe da poeira que o bob dylan teimava em fazer acalmar, bonnie e a banda que o acompanhou dispensaram mais de duas horas para a malta aprender alguma coisa sobre música. normalmente, quando um concerto não passa da cepa torta, há tendência para falar da competência dos intervenientes como justificação da inabilidade de fazer música com significado. imaginem o que é conjugar uma competência inatingível por todas essas bandazecas que enchem o coliseu à custa de um ou dois álbuns que ninguém vai recordar daqui a 50 anos, com uma postura humildemente cooperante com o público e a genialidade destinada a muito poucos transposta para mais de 30 temas. adicionem.lhe a capacidade de improviso e as falhas naturais de músicos bastante jovens que apenas nos ajudam a regressar à terra quando já os imaginávamos com uma áurea supranatural.
pensem naqueles concertos em que tudo corre, simplesmente, bem. em que as músicas não são o acompanhamento de uma conversa qualquer e onde a simbiose entre os músicos é muito mais do que latente.
foi assim que, ontem, se ganhou o oeste.

07 julho 2008

just rocky

consegui finalmente ver o último filme do rocky. mais velho mas igualmente estúpido, o italian stalian continua cheio de energia nos punhos e de boas lições para os mais novos. e depois de ver a forma como o homem, sendo derrotado aos pontos, consegue ter um pavilhão inteiro a gritar o seu nome, arrisco.me a dizer que para muitos miúdos da minha idade que nunca tiveram muita paciência para livros, o stallone enquanto balboa foi e continuará a ser o maior filósofo e a grande referência moral para a vida.

06 julho 2008

a sentença do professor marcelo

vantage point, dEUS [2008] - longe vão os tempos dos dEUS de in a bar, under the sea ou de the ideal crash. e longe vão também os tempos em que os dEUS, com uma formação mais ambiciosa (e tecnicamente melhor), marcaram ritmo na música independente europeia. e quando digo europeia excluo, obviamente, todas as bandas inglesas. vantage point, longe do brilho dos dEUS pré-1999, é um avanço consistente e esteticamente bem definido. a hibridez própria do conjunto belga é hoje uma mera miragem. perdem em surpresa e brilhantismo, mas conseguiram alcançar o que parece ser o padrão actual do conjunto: fazer um bom disco de rock. ponto alto na dupla tirada the vanishing of maria schneider/popular culture, essas sim, duas músicas à dEUS.

to survive, joan as police woman [2008] - dona de uma voz espantosa, melhor do que a de 2 amy winehouse, joan wasser regressa em 2008 com o seu terceiro long play enquanto joan as police woman. to survive desilude em relação ao anterior avanço - real life - mas não deixa de ser uma bela aposta para as noites de trabalho mais prolongadas. a colaboração de rufus wainwright no tema que encerra um álbum bastante personalizado - daqueles que realmente se pode chamar de autor - é um dos melhores momentos discográficos de 2008.

modern guilt, beck [2008] - mais um disco completamente inconsequente de beck. aliás, aquele que é um dos artistas mais sobrevalorizados da música norte-americana, não acerta uma desde sea change. e já lá vão 6 anos e 3 álbuns. diga.se desde já que metade dos long play que editou não servem, absolutamente, para nada. quando beck toma um rumo estético bem definido faz álbuns arrebatadores (ver mellow gold, odelay ou one foot in the grave, p.e.). quando insiste em tentar descobrir a pólvora, como é o caso do mais recente modern guilt, a coisa soa tão falsa quanto inoportuna.

03 julho 2008

sugestões para o fim de semana do professor marcelo

vantage point, dEUS [2008]

modern guilt, beck [2008]

to survive, joan as police woman [2008]

aposto que foi um português

roubaram a lápide de ian curtis.

triunfo da experiência

med sud i eyrum vid spilum endalust, sigur rós [2008] - são uns sigur rós bem diferentes, estes os de 2008. conforme começaram a fazer notar ao quarto álbum - takk - deixaram para trás o tipo de som que os caracterizou em 3 long plays de excelente recorte, e abraçam definitivamente a pop esteticamente menos elaborada e arrebatadora mas igualmente rica em conteúdo e dramatismo.
uma bela surpresa.

lie down in the light, bonnie 'prince' billy [2008] - não é o will oldham maior que o mundo de i see a darkness. nem tão pouco a voz que se impunha sobre a guitarra de matt sweeney em superwolf. é um oldham mais maduro, cheio de vontade de mostrar que aprendeu a limpar a voz. e se é verdade que não faz álbuns maus, o príncipe não atinge, em lie down in the light, a genialidade que já lhe conhecemos. mas de qualquer forma álbuns imortais só se faz um na vida. e ele já fez 3.

02 julho 2008

últimas impressões

fleet foxes [2008] - o álbum que se arrisca a ser a grande surpresa deste ano revela.nos a folk independente destes rapazes de seattle. para perceberem do que se fala, os fleet foxes são os iron and wine com um devendra banhart a cantar bem e em inglês correcto. caso para dizer que do nada se fez a revelação.

lookout mountain, lookout sea, silver jews [2008] - é dos meus preferidos para este ano. são os silver jews menos irónicos mas igualmente assertivos. numa pop mais escorreita e cheia de referências paradigmáticas do que foram os últimos 20 anos de produção indie - descaradamente roubadas, diga.se de passagem - os silver jews tomam a dianteira desta frente de batalha.

no age, nouns [2008] - por quanto mais não fosse, os quase 2 minutos da última música deste long play dos nouns justificam um ano de conversa. brain burner é a única música punk escrita desde que os ramones se extinguiram. e no age é o melhor álbum rock de 2008.

25 junho 2008

actualizações

lookout mountain, lookout sea fantástico: os silver jews melhores que em tanglewood numbers. arriscam.se a ganhar um prémio este ano.

wolf parade ainda não disponíveis para comentário.

os sigur rós de regresso aos álbuns, para conferir brevemente.

fleet foxes, em álbum homónimo, a rebentar aí não tarda nada, segundo o meu brotha.

[agora até na arrecadação tenho internet. estou sempre online]

18 junho 2008

regresso de jedi

bonnie 'prince' billy na zdb a 11 de julho. melhor notícia do ano.

17 junho 2008

a montanha por quem a vê

lookout mountain, lookout sea, silver jews [2008]

at mount zoomer, wolf parade [2008]

10 junho 2008

liars, santiago alquimista

pouco público para ver o regresso dos liars à cidade mais bonita da europa, como o vocalista fez questão de dizer para aí umas trinta vezes. de facto, se eu fosse americano e me pusessem a tocar por 2 vezes junto ao rio e à terceira me surpreendessem com a vista sobre alfama do santiago alquimista, também ficaria maravilhado.
para sintetizar foi uma prestação suada dos liars, centrada quase exclusivamente no alinhamento de drum's not dead e liars. desapontante, no entanto, as quebras de ritmo - sobretudo nos primeiros temas - que serviram para alguns bocejos e para perder muitas vezes o fio à meada de uma prestação que no geral foi bastante convincente.
os rapazes fartaram.se de bater nas tarolas onde descarregaram, com toda a certeza, o que acumularam na viagem para a europa.
em suma concerto de rock sem pedir licença, dos melhores que lisboa já viu este ano - ainda que me pareça que em álbum as coisas funcionam bem melhor.
nota pré-final para a audiência da linha da frente: pelas vestes e pela idade dos indivíduos parecia um concerto dos linkin park, o que é de estranhar, uma vez que tinha ideia de que o rock dos liars era um bocado mais maduro.
se calhar ando enganado.

07 junho 2008

tropics

enquanto esperava impacientemente pelo número 1 do top mais, um hábito adquirido pelos almoços tardios de sábado, a isabel figueiras estreou um videoclip do usher que já me tinha fartado de ver na mtv e que deve estar quase quase a rebentar no goto do país. e enquanto o rapaz abanava os peitos (e não eram só os dele...) regressei ao euro-dance dos anos 80 que o festival da eurovisão não deixa morrer, e à discoteca tropics em lloret de mar, onde, todos os anos, os miúdos "finalistas" se embebedam para festejar o fim da melhor vida do mundo - a de estudante claro. de facto não existem muitas diferenças entre aquela música e o tecno-xunga que faz a imagem da costa espanhola.
e é por isso que ninguém - onde me incluo orgulhosamente - consegue mudar de canal.

zeitgeist

songs in A & E, spiritualized [2008] - melhor sugestão de sempre do joão

nouns, no age [2008] - este está em todo o lado

for emma, forever ago, bon iver [2008] - melhor sugestão de sempre do plano alternativo

05 junho 2008

lisboa a arder




é já na segunda feira que os liars descem à cave do santiago alquimista.
prevê.se o caos.






03 junho 2008

ÚLTIMA HORA REPEAT

e barrou-as com manteiga becel

02 junho 2008

ÚLTIMA HORA

cristiano ronaldo comeu duas torradas ao lanche.

31 maio 2008

já não há paciência para

as birras da amy winehouse

a energia da ivete sangalo

o cristiano ronaldo

29 maio 2008

animal collective, lux

entre o tédio e a genialidade os animal collective viraram do avesso o rés do chão da discoteca lisboeta.
esperava.se muito do trio de baltimore. os dois últimos avanços em álbum (feels e strawberry jam), já algo distantes das primeiras investidas de puro experimentalismo, confirmaram.lhes o estatuto de banda da linha da frente do rock indie. e se em álbum as coisas são quase perfeitas - como a super bock - no formato ao vivo é um mundo ilimitado de opções.
ontem à noite os animal collective recusaram.se a debitar as músicas tal qual as conceberam e optaram por atribuir.lhes novas roupagens. o resultado foi, tal como a banda, bipolar. entre alguns largos minutos verdadeiramente aborrecidos - o início, então, foi escandaloso - o saldo final regista algumas das melhores abordagens rock já conseguidas ao vivo, pelo menos das muitas a que já assisti. a versão encadeada de peacebone e fireworks, o registo de comfy in nautica de panda bear, o primeiro final com a nova brother sport ou a grande catarse com grass, do anterior feels, foram momentos altos de uma prestação que, se tivesse seguido o patamar de exigência com que nos brindaram em grande parte do alinhamento, poderia ter sido a hora e meia mais avassaladora dos últimos anos na capital.
sendo assim, ficaram.se pelo quase.
o que não desmorece em nada a minha ideia de que os animal collective são, no sentido bíblico, os profetas dos tempos modernos.

24 maio 2008

kizomba do brasil

já não andava de metro há quase um ano.
a última vez que o tinha utilizado foi no dia de santo antónio, quando lisboa não tem espaço para mais carros e os dependentes motorizados como eu são forçados a quebrar as rotinas. na segunda paragem da primeira viagem, para mal dos meus pecados, tomo consciência de que o que já tinha lido num blog sobre a nova moda que está a assolar a capital, é realmente verdade. hoje em dia há gente que entra nos transportes públicos, liga o telemóvel a debitar mp3's manhosos no som máximo e só dá descanso aos ouvidos da malta na estação de saída.
neste caso, e como se não fosse nada com ele, o tipo entra no metro, mete uma kizomba, leva o telemóvel ao bolso e só em entrecampos é que o deixei de ouvir. ao princípio ainda pensei que era o rádio do metro, mas acabei por tomar consciência do que é que se estava a passar quando o som diminuía à medida que o homem se afastava.
a manhã de trabalho termina e a viagem de regresso reserva.me o quê? mais uma kizomba, desta vez até aos anjos, altura em que outro tipo resolveu sair do metro.
quando o telemóvel começou a guinchar levei a mão ao meu. a ideia era fazer concorrência mas acabei por perceber que só tinha o mp3 dos mgmt que serve de toque e uma música do patrick wolf que serve de despertador. para evitar levar uma carga de porrada de um ressabiado qualquer, acabei por desistir da ideia.
mas daqui a um ano, quando voltar a utilizar o metro, e se esta moda ainda não tiver acabado, terei preparado um mp3 da cavalgada das valquírias para, numa assombrosa touche surrealista, deixar toda a gente da carruagem de boca aberta com a potência sonora do meu sony ericsson, e o disco da kizomba do brasil a piar fininho.

18 maio 2008

report:semana académica de lisboa

generalizou.se a ideia de que as semanas académicas são feitas à base de sagres ou superbock, conforme o patrocínio for maior ou menor. e, de facto, o que tenho tido oportunidade de ver nos últimos anos (e não só em lisboa diga.se) é que as celebrações das semanas académicas são bem regadas, invariavelmente, com muito alcool e muita música.
e pergunto...aparte os lamentáveis problemas a longo prazo que daí possam resultar para o fígado dos estudantes, qual é o problema? há tempo para tudo e quem lá põe os pés, sabe ao que vai.
isto tudo para dizer que se forem à SAL à procura de ouvir música, esqueçam. o ambiente vai distrair.vos e vai direccionar.vos para outras batalhas.
o último dia das festividades de 2008 no parque tejo acabou, como não poderia deixar de ser, em clima de festa e de comunhão entre público e as bandas presentes. do que pude ver - e do que posso destacar - os buraka som sistema continuam a ser um must da juventude lisboeta. há muito que deixaram o discurso cauteloso que mantiveram no início de carreira, e são, hoje, uma banda das massas. e não o entendam num sentido depreciativo. os buraka meteram a malta de telheiras e de campolide a dançar como se toda a vida tivessem vivido na damaia e fossem do club kuduro desde pequeninos. e isso, mais do que uma moda, é um sinal do melting pot cultural que é lisboa. continuo a não me sentir minimamente tentado a ouvi.los enquanto trabalho, mas reconheço hoje que a dimensão da banda é sobretudo a de ser o espelho de uma cidade que não é branca nem preta, é tudo isso há muitos séculos e vai continuar a seguir essa escolha.
de resto, e para abreviar porque há gente que vai escrever sobre a SAL muito melhor do que eu o posso fazer, destacar o ambiente saudável, a boa organização - melhor até que a do SBSR se querem que vos diga - e o fortalecimento da minha ideia de que uma semana académica merece um espaço bem melhor do que aquele. vejam o caso de coimbra ou do porto e pensem: se levaram aquela malta toda a loures (com as dificuldades de transporte inerentes) quantas pessoas não metiam na cidade universitária, na alameda, ou mesmo em algés? com o cartaz em causa - sem dúvida do agrado de muitos estudantes - a SAL teria outro impacto e outra exposição.
fica a sugestão.

n.b. - um agradecimento à lift, na pessoa do filipe marques, pelo "convite" e pelas informações, e por terem percebido antes de muitas outras empresas da área das comunicações que a blogoesfera é um mercado em crescimento. e que a divulgação de eventos, hoje em dia, se pode fazer não apenas através dos meios de comunicação tidos como normais, mas também por intermédio de quem, com as inerências resultantes dos escassos meios disponíveis, acaba por ganhar uma franja consistente de público.

15 maio 2008

take your time

estamos em modo off até isto acalmar um pouco.

12 maio 2008

SAL

a não perder até sábado a semana académica de lisboa, com performances várias e outros acontecimentos de destaque. ponto alto, obviamente, na última noite, com a presença dos kalashnikov. mas vejam o site que está muito bem concebido.

the national, aula magna

até ao momento em que o vocalista dos the national resolveu saltar para a plateia tenho a dizer.vos que o concerto estava a ser bastante morno.
é claro que as canções são óptimas, disso não há dúvidas. os the national são músicos fantásticos e muito empenhados. simplesmente acho que o concerto estava a ser quebrado com as interrupções entre as músicas. acho que os rapazes deviam fazer como os interpol e tocar o que tinham a tocar tudo de seguida sem conversas nem perdas de tempo. o que é facto é que a partir daquele momento tive que me levantar porque já não conseguia ver nada e o concerto ganhou realmente outra dinâmica. logo a seguir chegou o momento de antologia, com a interpretação perfeita de fake empire, a faixa que abre boxer.
de resto, não tenho muito mais para vos contar, a não ser que quando aquilo acabou saí da aula magna a pensar sinceramente que tinha estado ou numa performance das adufeiras de monsanto ou numa convenção de power dance. a primeira imagem surgiu.me com as palminhas do público, irritantes e desconexas. os portugueses não são, regra geral, muito dotados musicalmente, o que faz com que cada ritmo marcado pela bateria dê para bater palmas. o que geralmente acontece é que se trocam todos e alguém da banda tem de os ajudar a encontrar o ritmo certo. já o vi repetidas vezes.
a segunda imagem surgiu.me quando vi um casal na fila da frente aos saltinhos e a dançar como se estivessem no ginásio, naquelas máquinas de step. não percebi aquela excitação toda mas sempre é mais divertido do que aqueles que se agarram aos cabelos como se estivessem em grande sofrimento com as músicas mais introspectivas das bandas. aqueles dois fizeram.me lembrar o célebre caso das dançarinas num dos concertos dos sigur rós a que assisti, que, do alto das laterais, simulavam um bailado no mínimo esotérico.
estórias aparte, os the national são fantásticos. o concerto foi de facto muito bom, quase exclusivamente centrado no último long play - boxer - mas com algumas recordações do passado muito bem escolhidas e com algumas derivações instrumentais que oscilaram entre o muito bom - o final - e o dispensável.
duas notas finais: uma para a pose do berninger, que não percebi se estava bêbedo ou se é mesmo assim esquisito (e acreditem que já vi muitos vocalistas esquisitos e ainda mais bêbedos), e outra para as palavras que a banda destinou ao maior génio português das últimas décadas, ao dedicarem a actuação ao maestro rui costa.

é claro que os the national não falaram do rui costa, mas eu tinha de arranjar maneira de introduzir o tema.

08 maio 2008

jerónimo

estava a ouvir o líder do pc a discursar no parlamento e de repente percebi: o apocalipse está a chegar.

07 maio 2008

breves

the evangelist, robert forster [2008] - doze anos depois de warm nights, e com a extinção dos the go-betweens devido à morte de grant mclennan , robert forster dá um novo impulso à sua carreira a solo com este the evangelist. considerado como a catarse dos the go-betweens, ou até como o derradeiro álbum da banda sem a banda, the evangelist é um dos discos mais sólidos de 2008. dentro do género, é do melhor que se tem feito.

anywhere i lay my head, scarlett johansson [2008] - não quero dizer que este álbum é inenarrável. a musa de que se trata não o merece. mas ao falarmos de um álbum praticamente constituído por versões do melhor intérprete norte-americano depois de dylan, anywhere i lay my head não poderia não ser inconsequente. meus amigos, esqueçam! não há hipóteses... tom waits não pode ser revisto. fica, no entanto, a promessa de uma voz de actriz que não assusta (esta é para a juliette lewis...).

sunday at devil dirt, isobel campbell and mark lanegan [2008] - se seguir a linha de the ballad of broken seas deve ser óptimo. simplesmente ainda não tive oportunidade de o ouvir. mas promete...

santo é o senhor

santogold, o projecto que junta santi white e john hill na intenção de mestiçar o rock - com maior contenção do que faz, por exemplo, M.I.A. - tem vindo a gerar grande entusiasmo junto dos media.
tido por muitos como a grande revelação de 2008 - o que em si nem é nada de surpreendente dada a amplitude estética do projecto, muito semelhante a outras apostas de anos anteriores - foi obviamente a curiosidade que me levou a ouvir o álbum de estreia, e não tanto o interesse por esta franja da produção rock.
e, na minha humilde opinião, estamos perante mais um caso de sobrevalorização extremamente comum na cultura mediática actual. santogold não é um álbum mau. é simplesmente um álbum razoável (mais estimulante em momentos instantâneos do que consistente a longo prazo) que não justifica um tão grande hype. de qualquer maneira tenho ideia de que o fenómeno só tem tendência para aumentar: santogold é claramente um disco de verão, solto e descomprometido em muitas alturas, que bebe dos stiffed a influência necessária para agradar a muitas camadas. no entanto, tal como com as modas de anos anteriores, ainda não é desta que se está a fazer um álbum para a eternidade...
lamento desapontar.vos.

05 maio 2008

novas da semana

sunday at devil dirt, isobel campbell & mark lanegan [2008]
anywhere i lay my head, scarlett johanson [2008]
the evangelist, robert forster [2008]

01 maio 2008

há mais vida para além do lóbi


the hungry saw, tindersticks [2008]