29 julho 2009

curtas

the eternal, sonic youth. se os magik markers tivessem nascido nos anos 80 chamavam.se sonic youth. mas não nasceram. thurston moore chegou primeiro. e já passaram tantos anos mas continuamos a celebrar cada álbum dos sonic youth, independentemente do seu valor individual. caramba... eu ainda puxo pela aparelhagem de cada vez que me lembro de ouvir o daydream nation. e sobre o mais recente the eternal? se o rock é barulho e se ninguém faz barulho assim, os sonic youth são o rock.
é mais ou menos este o princípio lógico.


dark night of the soul, danger mouse&sparklehorse. é o acontecimento do ano. não tanto pela sua qualidade - que a tem mas que não suplanta outros avanços de 2009 - mas mais pelos contornos que o envolvem. dark night of the soul tem david lynch, problemas com a editora, um cd-r vazio no digipack... e vic chesnutt que eu já não ouvia há anos. e um iggy pop tremendo. julian casablancas no seu melhor e os flaming lips sempre flaming lips. tem um black francis de fazer saltar os ouvidos mas também algumas faixas menores. tem uns semi-instrumentais muito bem acamados numa estética que está bem para o nome: dark e soul. é um álbum intrigante.

19 julho 2009

caros bloggers

nem uma palavra sobre os the walkmen?

06 julho 2009

cruzada

passou.me há pouco pelas mãos a última edição do ipsilon.
por norma não leio críticas a álbuns antes de os ouvir. no entanto, e apenas desta vez, centrei.me numa que vem assinada por joão bonifácio.
e o fim da leitura trouxe.me uma certeza irrevogável: o novo álbum de joão coração perdeu um potencial ouvinte. nada contra o músico ou contra a música. mas o pedantismo de uma crónica que precisa de se repetir duas vezes para encher a página de um jornal tirou.me a vontade de ouvir o disco.
é a sério, isto.
passei, portanto, a figurar na categoria c da classificação das espécies segundo joão bonifácio: parte daquela elite de intelectuais sempre pronta a fazer um sorriso complacente com tudo o que não compreende, de modo a não se comprometer com nada.
que tristeza de jornalismo.

03 julho 2009

o regresso do professor marcelo

veckatimest, grizzly bear. muito bom o regresso aos discos dos grizzly bear. pop difícil, inventiva sem roçar a arrogância. sente.se na pele a coerência do álbum e a capacidade que a banda de brooklyn tem de ultrapassar as barreiras da lo fi convencional. e nico muhly dá uma contribuição superlativa nos arranjos. a comprar, decididamente.


wilco, wilco. jeff tweedy é um excelente compositor pop. e os wilco fazem sempre álbuns interessantes. este novo avanço não está ao nível do melhor que a banda editou nos anos 90, mas não deixa de ser um long play acima da média. é um disco normal para os wilco e está tudo dito.


balf quarry, magik markers. se os sonic youth tivessem nascido nos anos 00 chamavam.se magik markers. há pouca gente a tocar assim neste momento. não fosse o legado de thurston moore e estaríamos perante uma das bandas mais significativas da história do rock. não é o caso. mas balf quarry é um álbum do caraças.


bitte orca, the dirty projectors. bitte orca não é o melhor álbum do ano como muitos afirmam. é demasiado longo e por vezes acossa algum desgaste nas fórmulas. os the dirty projectors, por muito boa música que façam, têm tendência para o exagero. gosto mais da versão despida, como demonstrado em rise above.


octahedron, the mars volta. é o álbum menos tenso dos the mars volta. a mostrar que aquela treta do rock matemático e de outras catalogações abusivas só faz sentido em artigos para os jornais. os the mars volta são os the mars volta. ponto final e novo caminho a fazer crescer água na boca.


further complications, jarvis cocker. 3 ou 4 canções à jarvis cocker não salvam o álbum do marasmo em que se enfiou. quando o jarvis quer atinge o topo. quando começa a inventar o resultado é banal.

jackie-o motherfucker, zdb

crónica rápida sobre um concerto telegráfico.

a passagem dos jackie-o motherfucker pela sala lisboeta não foi nem um não nem um sim. é que mal tinham aquecido as cordas das guitarras e já se estavam a despedir da capital, por entre a confusão que se instalou em muitos dos presentes.
quanto ao concerto propriamente dito, começaram aborrecidos com experimentalismo exagerado, melhoraram gradualmente quando atacaram o formato de canção progressiva que desenvolvem há vários anos e que ballads of the revolution, ao que parece, vem aprofundar, e quando tinham tudo para agarrar de vez um público apático, deram por terminada a sessão.
não é que a expectativa em torno dos jackie-o motherfucker fosse demasiado latente.
mas esperava.se muito mais deste colectivo.

20 junho 2009

crítica da crítica

parece que a poeira já assentou sobre a polémica que marcou os últimos dias da ribeira das naus. uma vez que tive prestação discreta - o assunto não me dizia propriamente respeito - deixo agora algumas considerações.
a crítica de música indie portuguesa é fraca.
os protagonistas - jornalistas ou não - estão grande parte das vezes mal preparados para a fazer e sofrem de um mal comum ao jornalismo português: falta de ideias. ao contrário do que os críticos pensam, a crítica é criticável. os fundamentos da crítica são criticáveis. o estilo e a forma são criticáveis. caramba, até o gosto é criticável. isto para dizer que a falácia da liberdade, evocada muitas vezes nestas discussões, devia ter os dias contados. a liberdade crítica só faz sentido quando relacionada com o conceito de responsabilidade. porque se eu for um crítico, e relembro o que alguém disse numa das intervenções - sendo que escreve num jornal, quem o lê é potencialmente toda a gente - e quiser fazer uma crítica ao novo álbum dos sonic youth, terei a liberdade para o fazer em torno de cãezinhos de porcelana, não dizendo uma única palavra sobre o disco em si?
é claro que não.
a crítica não é um exercício de onanismo. palavras chave a reter: honestidade intelectual.
mas centremo.nos no caso em questão. não se esteve a discutir conteúdo crítico. porque esse é, de facto, o tema mais difícil de rebater. discutiu.se, sobretudo, a forma da crítica. a mim pouco me importa o que o joão lisboa pensa dos discos que ouve. apesar de gostar do estilo da prosa - mas não do da resposta directa que se assemelha a qualquer coisa saída de um maus manual persecutório - não lhe dou grande crédito enquanto opinion maker. para dizer que não será por ele que comprarei qualquer álbum. mas desagrada.me ver um crítico que se dá ao trabalho de responder a quem o critica apenas para dizer que o brinquedo é dele e de mais ninguém. mais lhe valia continuar a caminhada solitária que parece querer perpetuar sem escrever uma palavra. nunca ninguém lhe pediu que mudasse de opinião - eu bem sei como isso seria complicado. apenas foi dito que a forma da crítica, a ausência de informação útil ou de considerações próprias, é uma via que desagrada a quem o lê. e que a suspeição de uma intriga não é crítica, é telenovela.
duvido que alguém tenha aprendido alguma coisa com isto. de um lado estiveram pessoas que não ganham nada em dar opiniões, que não têm tempo de exposição pública e que tomaram de assalto o espaço dos blogs para democratizar a crítica. e que o fazem sobretudo porque gostam. do outro lado esteve um crítico cujo nome aparece semanalmente nos jornais, que não quis perceber o que lhe estavam a querer dizer e que continuará a desenvolver os seus textos - agora bem que o posso dizer sem receios - insipientes. entre estes dois pólos os yes men que a tudo acenam com a cabeça.
quero que reparem numa coisa: os críticos de música portugueses não são a minha referência para me actualizar. o trabalho que fazem está demasiado próximo conceptualmente do de uma agência noticiosa. as minhas referências são as pessoas que estão aí nessa lista ao lado.
por isso tanto se me dá se o joão lisboa, ou outro crítico qualquer, não quiser reflectir sobre a crítica à crítica. o país caíu há muito num princípio de peter generalizado.
a solução é lerem blogs.

16 junho 2009

insipiente, insipiente, insipiente

espero que o joão lisboa aprenda a palavra.

14 junho 2009

instead we take bilbao

o guggenheim é tão feio.

06 junho 2009

then we take berlin

eu bem queria escrever sobre os magik markers e sobre balf quarry, só para poder dizer qualquer coisa contrária ao miguel arsénio. onde é que já se viu, em plenos anos 00, vir falar da pedra de roseta?
mas a verdade é que ainda não descobri a temática dessa futura crítica. se bem que ontem à noite sonhei qualquer coisa sobre a minha tendência para não concordar com as pessoas. mas já não me lembro da conclusão a que cheguei.

31 maio 2009

wavves, zdb

os wavves não vieram a lisboa.

a zdb diz que foi por causa de uma doença do vocalista. ou isso ou o facto de terem andado quase à pancada no dia anterior em cima do palco do primavera.
uma das duas.

18 maio 2009

mais amor que propriamente fúria

cruz vermelha sobre fundo branco, os golpes


o melhor d'os golpes faz.me lembrar a mensagem.
ressalvando a devida separação das águas entre os músicos e fernando pessoa, cruz vermelha sobre fundo branco tem uma série de imagens fortes e incisivas sobre um país que está para ser e, em grande parte dos seus capítulos, uma prosa poética sobre um país que já o foi que me agrada particularmente. o melhor d'os golpes condensa.se, a meu ver, na frase de abertura da marcha: gerados por uma pátria ausente,/buscamos um tempo transparente.
mas é claro que a retórica na música - a retórica per se - serve.me de pouco.
se não houver o clique que é inatingível pelas palavras resta a minha condenação a uma vida de esquecimento.
feitas as contas, e descontando os instrumentais, cruz vermelha sobre fundo branco tem 6 faixas onde se dá o clique.
e embora muito se tenha desfiado sobre a banda por fóruns e jornais nunca dantes navegados [os strokes ou os television, os colégios jesuítas ou o nacionalismo dos heróis do mar] a mim tanto se me dá. e embora me estranhe que nenhum iluminado com tempo de antena reconheça n'os golpes alguma da mesma massa que tornou a ceremony dos new order na melhor música de sempre, a crítica de música não é um exercício de pura comparação ou de referenciação abusiva.
para isso existem os textos do joão lisboa.

no fim de contas trata.se de discernir se a banda em causa tem, ou não, a atitude e a massa necessárias para fazer alguma coisa com significado. serão os golpes os já anunciados rostos da pop portuguesa do novo milénio?
estão mesmo à espera que eu - ou alguém - consiga responder?
sobre isso pouco saberei. conheço mal a música portuguesa. limito.me a reconhecer n'os golpes a ingenuidade que faz os músicos quebrar barreiras.
e atitude. muita atitude.


15 maio 2009

antony and the johnsons, coliseu lisboa

já confessei por diversas vezes que tenho muito pouca paciência para as conversas dos músicos sobre o povo português, o castelo de são jorge ou as aparições de fátima. por isso, e se a boutade de antony sobre obama e dick cheney lhe saiu relativamente bem, o certo é que as estorietas sobre sintra, sobre o poder das mulheres - e aí fiquei relativamente confuso apesar de reconhecer um transgender quando o vejo - ou sobre jesus reencarnado numa mulher que anda sobre a água, mais não fizeram que retirar tempo para pelo menos mais duas interpretações. o que foi uma pena porque em cima do palco estiveram aquilo que na verdadeira acepção da palavra se designa por músicos. os ambientes de maior cumplicidade entre artistas e público servem sobretudo os interesses de  intérpretes menores. não sendo o caso de antony e do sexteto que o acompanha em digressão ficou.me alguma raiva. 

moderada.
mas é claro que isto acaba por não influenciar de modo algum a ideia que formulei na última passagem do músico pela sala lisboeta: antony é um caso raro da pop actual e um dos poucos que consegue, nas actuações ao vivo, re-inventar as suas composições sem nunca perder o fio à meada da essência dos seus 3 álbuns de estúdio. contudo, como fiel apreciador do álbum homónimo, o primeiro da carreira de antony, desgosto bastante que hitler in my heart não faça parte do alinhamento de todos os concertos. 
no entanto, a noite de ontem era de the crying light. e o preâmbulo do concerto, na forma de actuação de uma bailarina butoh, serviu para dar consistência à linha conceptual do último long play do músico. e como é de luz que se fala quando se fala de antony, a noite só podia ter terminado como ele/ela a imaginou: com a sala às escuras e um foco sobre o piano, ao som de hope there's someone, hino maior de i am a bird now, música capaz de levar à histeria grande parte de um coliseu esgotado. 
o que me deixou definitivamente confuso.  

10 maio 2009

i trust their guitar, etc.

mais uma coordenada para a história dos anos 00: balf quarry é o novo avanço dos magik markers.

04 maio 2009

black dice, museu do chiado

facto primeiro: há gente que paga para estar no mesmo espaço que os black dice.
facto segundo: diz quem já lá esteve que ny é a cidade mais interessante do mundo. e eu acredito.
facto último: já paguei o espaço partilhado com os black dice por 3 vezes. continuo a não lhe chamar concerto por mero processo de dúvida. nunca estive em ny, mas hei.de lá ir. um dia.

03 maio 2009

go where new experiences await you

por causa da crise, da precariedade no emprego ou da falta de candidatos às eleições do sporting - escolham a que melhor vos convier - tive de faltar à apresentação do disco de estreia d'os golpes. espero, no entanto, que a celebração tenha confirmado a minha vontade. saberei esperar pacientemente até comprar um exemplar do disco.
hoje, sem falhas, black dice no chiado.
amanhã menos dinheiro para as contas do fim do mês. 

29 abril 2009

mais curtas

it's blitz!, yeah yeah yeahs [2009] - este até pode muito bem ser o álbum que os críticos mais gostam dos yyy. e até acredito que seja o long play mais adulto da banda nova iorquina. pelo menos é o que tem a maior concentração por metro quadrado de músicas parecidas à maps, o hino imortal do álbum de estreia da banda. o que não me impede de dizer que os tipos se acagaçaram. positivamente. yeah yeah yeahs costumava ser sinónimo de rock sem premissas nem pedidos de permissão. hoje em dia os yeah yeah yeahs são uma banda rock a fazer música sexy. para alguns é capaz de nem ser mau. para mim - dull life aparte - perdeu.se um reduto.



a woman a man walked by, pj harvey & john parish [2009] - há um adjectivo em inglês que não sei traduzir e que personifica aquilo que tem sido vida e obra de pj harvey: raw. esta mais recente colaboração entre os dois músicos acaba, no fundo, por reiterar o percurso dos dois últimos capítulos a solo da songwriter mais amada cá em casa. mas se a exponência de white chalk - uma obra prima do rock minimalista - combateu com o melhor de polly jean, a woman a man walked by não encanta. percebo onde é que os músicos querem chegar. mas fico à espera de novo álbum em nome próprio.

28 abril 2009

já ouviste música hoje?

não?
então carrega aí nessa imagem ao lado. sim, a que tem as árvores e uma montanha e diz woods.

17 abril 2009

kill the radio star

passei a semana inteira a ouvir a rfm no trabalho. 8 horas por dia.
já sei que há uma tipa qualquer que vai ter bebé. e que estão a escolher alguém para a substituir. conheço de cor as letras dos madcon, da lady gaga e da belinda carlisle. descobri que há uma tipa que faz uma versão do hallelujah do leonard cohen e que as pessoas gostam.
é um mundo novo.

08 abril 2009

maio maduro

vai começar com os golpes. prossegue com os black dice e antony. fecha com os wavves. querem melhor do que isto?

07 abril 2009

um novo guia para os músicos portugueses do terceiro milénio

o manuel já me tinha avisado aqui há uns tempos, por ocasião de um jogo do nosso clube, e o almirante fez muito bem em relembrar.me. o disco de estreia d'os golpes, cruz vermelha sobre fundo branco, está pronto para ser apresentado. 
dia 1 de maio, no santiago alquimista.
independentemente de serem pessoas que eu estimo - o que tolda muitas vezes a razão - pelo que já ouvi estou convicto de que estamos perante o acontecimento mais positivo para a música portuguesa neste ano.