23 outubro 2009

caim

passam a vida a gritar pelo direito à opinião da manuela moura guedes, mas na bíblia não se pode tocar, porque é a bíblia.
mais valia lançarem logo uma fatwa.

21 outubro 2009

curtas

album, girls. a boa surpresa que 2009 ainda não nos tinha reservado. se os melhores até à data nos tinham chegado pelas mãos de velhos conhecidos, os girls surgiram para relembrar que só temos uma oportunidade para causar uma boa primeira impressão. já ouvi dizer que fazem música de verão. que são a versão juvenil dos beach boys. que serão mais qualquer coisa. mas estamos no outono, ontem nevou na serra da estrela e continuo a gostar deste album. e sem perceber porque é que toda a gente é comparada aos beach boys.


declaration of dependence, kings of convenience. parece que os kings of convenience vão continuar a explorar a fórmula belle&sebastian meets simon&garfunkel durante largos anos. se os girls são música de verão, estes são música de inverno. é bom, os rapazes têm muito jeito e fizeram um primeiro álbum fantástico, mas se calhar está na hora de fazer umas coisas tipo i'd rather dance than talk to you. ou então, sei lá, olharem para os beach house ou para os bon iver. de qualquer maneira, vale a pena.


never cry another tear, bad lieutenant. com o início de never cry another tear, new order versão waiting for the sirens' call, até cheguei a pensar que a pop inglesa poderia vir a ganhar algum fôlego neste final de ano. as primeiras 3 faixas do álbum são do caraças. mas a verdade é que quem fez parte de uma instituição chamada joy division e de uma supra-instituição chamada new order, não terá muito com que se motivar. bernard sumner já fez o que tinha a fazer pela música pop. e, à custa disso, never cry another tear acaba sem chama.

19 outubro 2009

lições de teologia n.3

os adeptos do benfica estão por todo o lado. sentados, em pé, amontoados nas escadas. não importa. quando a equipa está bem meio país regozija.se.

graças a jesus.

16 outubro 2009

lições de teologia n.2

but this time will pass

things like this never last
so let.s leave this farce, way behind us

lições de teologia

you must have more important things to do

so you need a murderer
someone to do your dirty work

03 outubro 2009

fuck buttons, zdb

se perguntássemos, alguns dos que ontem estiveram na sala lisboeta diriam que acordaram num campo em hampshire. provavelmente o mesmo onde o jarvis deixou parte do cérebro há 15 anos. os fuck buttons são a banda noise menos noise de todas as que já me deixaram sem ouvir durante um período de 12 horas. e quando não irromperam por lisboa com o hino sweet love for planet earth, só havia uma possibilidade: um final de concerto em êxtase. é claro que a certa altura, logo depois de the lisbon maru (talvez), a coisa esteve para se perder. mas não. os fuck buttons regressaram a um mundo mais simpático e explodiram. não há dinheiro que pague aquela música. sweet love for planet earth.

01 outubro 2009

at the cut, vic chesnutt

antes que possamos sequer pensar em respirar, vic chesnutt atira um repetido 'i am a coward'. abrem.se as hostilidades.
a luz continua desligada, como tem sido norma desde que vic começou a fazer música. trinam as guitarras. tudo na mesma. o mesmo aperto. ao perto, na ponta dos dedos, bob dylan. ao longe, à sombra da tensão, elliott smith, que partiu cedo de mais.
mas o novelo lo fi continua a ser desenrolado em 10 actos. não há imperfeições, tudo bate certo. e não se trata de cosmologia, trata.se de escolher as notas certas para as palavras erradas. e desde que elliott smith, que partiu cedo de mais, que não há mais ninguém a querer fazê.lo. at the cut, felizmente, serve para nos relembrar da estreiteza do songwriting: 'when my mom was cancer sick/she fought but then succumbed to it/but you made her beg for it'.
fala com a morte como quem fala com deus. e isso, por si só, serviria para fazer deste seu mais recente álbum exemplo perfeito de um artista sobrenatural.

aos 18 anos vic ficou paraplégico. vai a caminho dos 45 e continua a fazer álbuns.
cobardes somos nós.

29 setembro 2009

a ver se eu percebo

alguém me acusa de um crime.

ninguém o consegue provar.
outro alguém condena.me na imprensa.
surge um volte face.
a conclusão é que fui eu que utilizei a informação para tirar disso proveito.

é lógico, não é?

25 setembro 2009

bad lieutenant

são os new order versão waiting for the sirens' call com outro nome.

18 setembro 2009

serviço nacional de música

conheço pouca gente em portugal a fazer podcasts interessantes. os do volume/tone são os melhores.

12 setembro 2009

não há justiça no mundo

quando o che guevara vende mais t.shirts que o william shatner.

10 setembro 2009

dona ligeirinha ep, diabo na cruz

sou facilmente corrompível. basta dizerem que a minha opinião vos interessa e dou.vos trela para uma semana. o jorge cruz corrompeu.me. e como é que eu poderia não me deixar corromper por um tipo que conta a estória da sua vida daquela maneira?
a gentileza do jorge vai.me servir, sobretudo, para algumas considerações sobre a música folk portuguesa.
goste.se ou não daquilo que significa o percurso ascendente da flor caveira nos últimos 2 anos, não podemos deixar de ir ao centro da questão. estes senhores estão a redescobrir portugal. com maior ou menor ortodoxia e com maior ou menor perspicácia, a flor caveira parece apresentar.se como um movimento a querer refundar a música portuguesa. não interessa para aqui se gosto ou desgosto do b fachada ou do tiago guillul: abstraio.me dos nomes e vejo a ideologia. ou, se quiserem, um ideário de combate, vulgar acção.
essa opção, mais do que um capricho, parece.me resultar do facto de sermos orfãos de movimentos substanciados, em geral, e da folk, em particular. ao contrário de países como os eua ou a inglaterra, que ostentam percursos lógicos na música popular, em portugal encontramos sempre as coisas um pouco avulso. nunca tivemos um dylan ou um nick drake a definir os zeitgeist. e um zappa ou um tom waits para os desconstruir. o nosso gosto andou sempre a reboque do fado, a nossa música popular andou sempre atrás do que nos chegava do reino unido, e a nossa folk derivou, por culpa óbvia da condição política, para a canção de intervenção. não me interessa agora discutir se nos saímos melhor ou pior. mas, de facto, não atingimos a consistência produtiva de outros países e nem a fase pop-atira.me-água-benta pode ser equiparada a um verdadeiro movimento. isso transpirou para os dias de hoje e estes músicos estão a fazer o que, provavelmente, devia ter sido feito depois da morte do antónio variações ou do fim dos heróis do mar.

os diabo na cruz, um supergrupo da flor caveira, estão a fazer com a folk aquilo que o joão coração faz com a chamada canção de autor. ou o que os golpes estão, noutro espectro, a fazer com a pop. redescobrir portugal em 2009. para mim um ep é sempre uma amostra pouco convincente. mas os 8 minutos de dona ligeirinha ep levam.me a uma conclusão. os diabo na cruz concorrem a um espaço que outros grupos já tentaram preencher. nenhum deles foi particularmente bem sucedido, sobretudo porque fazer música folk exige resolver os fantasmas que ficaram para trás e acertar na maneira de projectar música para o futuro. é claro que alguns venderam uns discos e acabaram por fazer uns quantos concertos, mas não deixaram uma marca que eu considere significante. para os diabo na cruz a balança pode, invariavelmente, tender para dois lados. eu diria que a primeira metade do álbum é agradável e enérgica - surpreendeu.me a dimensão escrita do álbum e os padres comem putos e os putos comem ratos será a frase do ano. a segunda metade do álbum deixa.me inquieto. fico a pensar o que é que poderá vir daqueles lados se a opção dos diabo na cruz for a de encetar uma revisitação da música portuguesa via corridinho do verão.
se fosse eu era por aí que seguia.
está lá tudo o que é preciso.

21 agosto 2009

serve the servants

a partir de hoje regressamos aos verdadeiros clássicos de verão. aos álbuns seminais e às melhores músicas de sempre.

[gostava de ter tocado guitarra nos nirvana, mas nunca calhou]
é que setembro ainda tarda e não podemos ficar quietos.



12 agosto 2009

giros

acho que é positivo para a república que, a partir de um texto assinado por joão bonifácio, se tenha feito uma tempestade em copo de água. não tanto pelo teor dos comentários - uma boa parte deles são completamente idiotas - nem tão pouco pela questão que se eternizou na crítica da crítica de música.

[volto a repetir que não me compete, enquanto leitor, assumir que a crítica deve transparecer a minha opinião. o crítico tem direito à crítica e é necessário que os leitores estejam dispostos a separar a opinião do reconhecimento da competência crítica.]

mas continuo a achar que é positivo que estas discussões saiam dos blogs e entrem nos meios tradicionais. parece.me que dessa forma se conquistará a atenção de algumas cabeças pensantes.
e numa semana em que a monarquia foi reposta durante algumas horas algures numa praça lisboeta, a república, por intermédio de uma das suas criações, pela voz do povo, sai vitoriosa.

06 agosto 2009

as melhores séries, agora

1. skins

2. californication

3. 30 rock

4. shameless

5. dexter

29 julho 2009

curtas

the eternal, sonic youth. se os magik markers tivessem nascido nos anos 80 chamavam.se sonic youth. mas não nasceram. thurston moore chegou primeiro. e já passaram tantos anos mas continuamos a celebrar cada álbum dos sonic youth, independentemente do seu valor individual. caramba... eu ainda puxo pela aparelhagem de cada vez que me lembro de ouvir o daydream nation. e sobre o mais recente the eternal? se o rock é barulho e se ninguém faz barulho assim, os sonic youth são o rock.
é mais ou menos este o princípio lógico.


dark night of the soul, danger mouse&sparklehorse. é o acontecimento do ano. não tanto pela sua qualidade - que a tem mas que não suplanta outros avanços de 2009 - mas mais pelos contornos que o envolvem. dark night of the soul tem david lynch, problemas com a editora, um cd-r vazio no digipack... e vic chesnutt que eu já não ouvia há anos. e um iggy pop tremendo. julian casablancas no seu melhor e os flaming lips sempre flaming lips. tem um black francis de fazer saltar os ouvidos mas também algumas faixas menores. tem uns semi-instrumentais muito bem acamados numa estética que está bem para o nome: dark e soul. é um álbum intrigante.

19 julho 2009

caros bloggers

nem uma palavra sobre os the walkmen?

06 julho 2009

cruzada

passou.me há pouco pelas mãos a última edição do ipsilon.
por norma não leio críticas a álbuns antes de os ouvir. no entanto, e apenas desta vez, centrei.me numa que vem assinada por joão bonifácio.
e o fim da leitura trouxe.me uma certeza irrevogável: o novo álbum de joão coração perdeu um potencial ouvinte. nada contra o músico ou contra a música. mas o pedantismo de uma crónica que precisa de se repetir duas vezes para encher a página de um jornal tirou.me a vontade de ouvir o disco.
é a sério, isto.
passei, portanto, a figurar na categoria c da classificação das espécies segundo joão bonifácio: parte daquela elite de intelectuais sempre pronta a fazer um sorriso complacente com tudo o que não compreende, de modo a não se comprometer com nada.
que tristeza de jornalismo.

03 julho 2009

o regresso do professor marcelo

veckatimest, grizzly bear. muito bom o regresso aos discos dos grizzly bear. pop difícil, inventiva sem roçar a arrogância. sente.se na pele a coerência do álbum e a capacidade que a banda de brooklyn tem de ultrapassar as barreiras da lo fi convencional. e nico muhly dá uma contribuição superlativa nos arranjos. a comprar, decididamente.


wilco, wilco. jeff tweedy é um excelente compositor pop. e os wilco fazem sempre álbuns interessantes. este novo avanço não está ao nível do melhor que a banda editou nos anos 90, mas não deixa de ser um long play acima da média. é um disco normal para os wilco e está tudo dito.


balf quarry, magik markers. se os sonic youth tivessem nascido nos anos 00 chamavam.se magik markers. há pouca gente a tocar assim neste momento. não fosse o legado de thurston moore e estaríamos perante uma das bandas mais significativas da história do rock. não é o caso. mas balf quarry é um álbum do caraças.


bitte orca, the dirty projectors. bitte orca não é o melhor álbum do ano como muitos afirmam. é demasiado longo e por vezes acossa algum desgaste nas fórmulas. os the dirty projectors, por muito boa música que façam, têm tendência para o exagero. gosto mais da versão despida, como demonstrado em rise above.


octahedron, the mars volta. é o álbum menos tenso dos the mars volta. a mostrar que aquela treta do rock matemático e de outras catalogações abusivas só faz sentido em artigos para os jornais. os the mars volta são os the mars volta. ponto final e novo caminho a fazer crescer água na boca.


further complications, jarvis cocker. 3 ou 4 canções à jarvis cocker não salvam o álbum do marasmo em que se enfiou. quando o jarvis quer atinge o topo. quando começa a inventar o resultado é banal.

jackie-o motherfucker, zdb

crónica rápida sobre um concerto telegráfico.

a passagem dos jackie-o motherfucker pela sala lisboeta não foi nem um não nem um sim. é que mal tinham aquecido as cordas das guitarras e já se estavam a despedir da capital, por entre a confusão que se instalou em muitos dos presentes.
quanto ao concerto propriamente dito, começaram aborrecidos com experimentalismo exagerado, melhoraram gradualmente quando atacaram o formato de canção progressiva que desenvolvem há vários anos e que ballads of the revolution, ao que parece, vem aprofundar, e quando tinham tudo para agarrar de vez um público apático, deram por terminada a sessão.
não é que a expectativa em torno dos jackie-o motherfucker fosse demasiado latente.
mas esperava.se muito mais deste colectivo.