quando chegamos a uma encruzilhada e não sabemos que caminho tomar, o mais fácil é sempre atirar um papel ao ar e deixar que seja o vento a indicar.nos por onde seguir. sabemos, porém, que tudo o que daí possa advir é completamente desconhecido. e se temos a tendência para o medo quando isso se passa com questões banais da nossa vida, quando falamos de música a surpresa e o simples desconhecimento do que vem a seguir a qualquer coisa é, por vezes, gratificante.
ok computer, o mais badalado álbum dos britânicos radiohead é um desses raros casos em que nunca se sabe o que vem a seguir. e, mais do que isso, nunca sabemos se a nota obviamente debitada não é, também ela, uma perversão do óbvio. nunca sabemos sequer o que as palavras querem dizer, tal a dualidade e ambiguidade com que podem ser interpretadas. mas sabemos que estamos perante uma das obras-primas da história da música rock. a texturização de uma espécie de sinfonia que alterna entre o psicótico e o despudoradamente sereno e harmónico é a marca principal de uma jornada no mínimo transcendente.
1997 marcou a carreira dos radiohead decisivamente, na medida em que que atingiram um patamar de materialização dos seus pressupostos para estas questões que muito dificlmente voltarão a igualar.
mas, de qualquer maneira, com eles nunca sabemos o que vem a seguir.
9.5/10
22 março 2006
recordar é viver
por
joséreisnunes
à(s)
7:08 p.m.
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