29 novembro 2004

à deriva



se o fim de semana realçou alguma coisa no panorama político português foi o estado de total deriva de duas forças partidárias.

em primeiro lugar, o comício do PCP em Almada afirmou-se como uma demonstração cabal do desnorte comunista. um secretário geral que vai sozinho a votos, eleito por um comité que ninguém sabe muito bem como é escolhido e que já orientara o seu voto antecipadamente. mais do mesmo. marxismo-leninismo a disfarçar a predominância estalinista de cunhal, o abandono de uma personagem sem qualquer carisma em substituição por um dos mais duros ortodoxos da grande família, a continuação da caça às bruxas aos renovadores, assobiados e reprimidos pelas opiniões. o Dr.João Amaral, em vida, gostaria de ter visto chegar este dia para obrigar a uma discussão séria sobre o estado do PC. no entanto, e com a sua morte, o que é que se augura para comunistas? uma dissolvição lenta, nada mais.

em segundo lugar, um governo perdido e sem hipóteses de encontrar um caminho de saída. um ministro santanista que acusa um primeiro ministro não legítimo de falta de lealdade, trapalhadas atrás de trapalhadas e um belo serão de telenovela a ver secretários que não aparecem, ministros que não são informados e o dr.sampaio sem capacidade de resposta. à popa, o CDS, a querer mandar sem força para tal, a querer pressionar estando a ser pressionado. em suma, uma grande confusão, um verdadeiro estado de sítio.

posto isto, portugal so pode fazer uma coisa: ligar a têvê na quinta das celebridades e esperar que o Castelo-Branco nos vá animando.

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