06 Julho 2009

cruzada

passou.me há pouco pelas mãos a última edição do ipsilon.
por norma não leio críticas a álbuns antes de os ouvir. no entanto, e apenas desta vez, centrei.me numa que vem assinada por joão bonifácio.
e o fim da leitura trouxe.me uma certeza irrevogável: o novo álbum de joão coração perdeu um potencial ouvinte. nada contra o músico ou contra a música. mas o pedantismo de uma crónica que precisa de se repetir duas vezes para encher a página de um jornal tirou.me a vontade de ouvir o disco.
é a sério, isto.
passei, portanto, a figurar na categoria c da classificação das espécies segundo joão bonifácio: parte daquela elite de intelectuais sempre pronta a fazer um sorriso complacente com tudo o que não compreende, de modo a não se comprometer com nada.
que tristeza de jornalismo.

03 Julho 2009

o regresso do professor marcelo

veckatimest, grizzly bear. muito bom o regresso aos discos dos grizzly bear. pop difícil, inventiva sem roçar a arrogância. sente.se na pele a coerência do álbum e a capacidade que a banda de brooklyn tem de ultrapassar as barreiras da lo fi convencional. e nico muhly dá uma contribuição superlativa nos arranjos. a comprar, decididamente.


wilco, wilco. jeff tweedy é um excelente compositor pop. e os wilco fazem sempre álbuns interessantes. este novo avanço não está ao nível do melhor que a banda editou nos anos 90, mas não deixa de ser um long play acima da média. é um disco normal para os wilco e está tudo dito.


balf quarry, magik markers. se os sonic youth tivessem nascido nos anos 00 chamavam.se magik markers. há pouca gente a tocar assim neste momento. não fosse o legado de thurston moore e estaríamos perante uma das bandas mais significativas da história do rock. não é o caso. mas balf quarry é um álbum do caraças.


bitte orca, the dirty projectors. bitte orca não é o melhor álbum do ano como muitos afirmam. é demasiado longo e por vezes acossa algum desgaste nas fórmulas. os the dirty projectors, por muito boa música que façam, têm tendência para o exagero. gosto mais da versão despida, como demonstrado em rise above.


octahedron, the mars volta. é o álbum menos tenso dos the mars volta. a mostrar que aquela treta do rock matemático e de outras catalogações abusivas só faz sentido em artigos para os jornais. os the mars volta são os the mars volta. ponto final e novo caminho a fazer crescer água na boca.


further complications, jarvis cocker. 3 ou 4 canções à jarvis cocker não salvam o álbum do marasmo em que se enfiou. quando o jarvis quer atinge o topo. quando começa a inventar o resultado é banal.

jackie-o motherfucker, zdb

crónica rápida sobre um concerto telegráfico.

a passagem dos jackie-o motherfucker pela sala lisboeta não foi nem um não nem um sim. é que mal tinham aquecido as cordas das guitarras e já se estavam a despedir da capital, por entre a confusão que se instalou em muitos dos presentes.
quanto ao concerto propriamente dito, começaram aborrecidos com experimentalismo exagerado, melhoraram gradualmente quando atacaram o formato de canção progressiva que desenvolvem há vários anos e que ballads of the revolution, ao que parece, vem aprofundar, e quando tinham tudo para agarrar de vez um público apático, deram por terminada a sessão.
não é que a expectativa em torno dos jackie-o motherfucker fosse demasiado latente.
mas esperava.se muito mais deste colectivo.

20 Junho 2009

crítica da crítica

parece que a poeira já assentou sobre a polémica que marcou os últimos dias da ribeira das naus. uma vez que tive prestação discreta - o assunto não me dizia propriamente respeito - deixo agora algumas considerações.
a crítica de música indie portuguesa é fraca.
os protagonistas - jornalistas ou não - estão grande parte das vezes mal preparados para a fazer e sofrem de um mal comum ao jornalismo português: falta de ideias. ao contrário do que os críticos pensam, a crítica é criticável. os fundamentos da crítica são criticáveis. o estilo e a forma são criticáveis. caramba, até o gosto é criticável. isto para dizer que a falácia da liberdade, evocada muitas vezes nestas discussões, devia ter os dias contados. a liberdade crítica só faz sentido quando relacionada com o conceito de responsabilidade. porque se eu for um crítico, e relembro o que alguém disse numa das intervenções - sendo que escreve num jornal, quem o lê é potencialmente toda a gente - e quiser fazer uma crítica ao novo álbum dos sonic youth, terei a liberdade para o fazer em torno de cãezinhos de porcelana, não dizendo uma única palavra sobre o disco em si?
é claro que não.
a crítica não é um exercício de onanismo. palavras chave a reter: honestidade intelectual.
mas centremo.nos no caso em questão. não se esteve a discutir conteúdo crítico. porque esse é, de facto, o tema mais difícil de rebater. discutiu.se, sobretudo, a forma da crítica. a mim pouco me importa o que o joão lisboa pensa dos discos que ouve. apesar de gostar do estilo da prosa - mas não do da resposta directa que se assemelha a qualquer coisa saída de um maus manual persecutório - não lhe dou grande crédito enquanto opinion maker. para dizer que não será por ele que comprarei qualquer álbum. mas desagrada.me ver um crítico que se dá ao trabalho de responder a quem o critica apenas para dizer que o brinquedo é dele e de mais ninguém. mais lhe valia continuar a caminhada solitária que parece querer perpetuar sem escrever uma palavra. nunca ninguém lhe pediu que mudasse de opinião - eu bem sei como isso seria complicado. apenas foi dito que a forma da crítica, a ausência de informação útil ou de considerações próprias, é uma via que desagrada a quem o lê. e que a suspeição de uma intriga não é crítica, é telenovela.
duvido que alguém tenha aprendido alguma coisa com isto. de um lado estiveram pessoas que não ganham nada em dar opiniões, que não têm tempo de exposição pública e que tomaram de assalto o espaço dos blogs para democratizar a crítica. e que o fazem sobretudo porque gostam. do outro lado esteve um crítico cujo nome aparece semanalmente nos jornais, que não quis perceber o que lhe estavam a querer dizer e que continuará a desenvolver os seus textos - agora bem que o posso dizer sem receios - insipientes. entre estes dois pólos os yes men que a tudo acenam com a cabeça.
quero que reparem numa coisa: os críticos de música portugueses não são a minha referência para me actualizar. o trabalho que fazem está demasiado próximo conceptualmente do de uma agência noticiosa. as minhas referências são as pessoas que estão aí nessa lista ao lado.
por isso tanto se me dá se o joão lisboa, ou outro crítico qualquer, não quiser reflectir sobre a crítica à crítica. o país caíu há muito num princípio de peter generalizado.
a solução é lerem blogs.

16 Junho 2009

insipiente, insipiente, insipiente

espero que o joão lisboa aprenda a palavra.

14 Junho 2009

instead we take bilbao

o guggenheim é tão feio.

06 Junho 2009

then we take berlin

eu bem queria escrever sobre os magik markers e sobre balf quarry, só para poder dizer qualquer coisa contrária ao miguel arsénio. onde é que já se viu, em plenos anos 00, vir falar da pedra de roseta?
mas a verdade é que ainda não descobri a temática dessa futura crítica. se bem que ontem à noite sonhei qualquer coisa sobre a minha tendência para não concordar com as pessoas. mas já não me lembro da conclusão a que cheguei.

31 Maio 2009

wavves, zdb

os wavves não vieram a lisboa.

a zdb diz que foi por causa de uma doença do vocalista. ou isso ou o facto de terem andado quase à pancada no dia anterior em cima do palco do primavera.
uma das duas.