um festival urbano, regra geral, resvalaria, no nosso país, para uma demonstração de meia dúzia de rappers a debitar palavras de ordem sempre iguais, em mau português. um festival urbano entitulado sons de lisboa seria isso, ou então uma concentração de bandas lisboetas medíocres e conimbricenses um pouco melhor que medíocres. mas, talvez por isso, optou.se por chamar lisbon soundz, em mau ingês, a este festival urbano. se a escolha do nome é bastante atractiva, o seu significado não pode deixar de ser questionado.
afinal, é este o som de lisboa? e se é, o que duvido, porque é que nenhuma banda lisboeta está representada?
ou este é o som que lisboa devia ter?
na minha perspectiva este tema poderia ter sido muito melhor explorado. mas não deixa de haver muito mérito no cartaz.
dos bunnyranch, que aparecem aqui um pouco como extraterrestres, pouco mais haverá a dizer do que "são de coimbra".
promover o regresso de jimmy chamberlin a portugal é um ponto favorável. porque o homem é um grande baterista, e apesar de a música do seu complex roçar por vezes a banalidade e o cansaço, reconhece.se o risco e a coragem da escolha.
depois há a opção, arrojada, de colocar uma banda como os mogwai a tocar ao ar livre para pessoas maioritariamente desesperadas pelo carinho da banda cabeça de cartaz. arrojado, mas ganho. os mogwai foram os senhores da noite, num cenário estranhamente incorporador do rock instrumental dos escoceses. sem rodeios nem floreados de linguagem ou de pose, as descargas eléctricas foram sendo debitadas irrepreensivelmente com a cumplicidade de uma óptima engenharia de som. mogwai é uma experiência, não um espectáculo. foi uma banda sonora quase perfeita para uma noite à beira do rio.
depois há o factor moda. todos sabemos que os franz ferdinand passaram muito rapidamente de revelação da pop alternativa para os escaparates do conhecimento global. não deixaram de ter algumas boas músicas entre outras mais pressionadas. não deixaram de arrastar muito boa gente com bom gosto. têm um espectáculo bem oleado, divertido, competente, profissional. são músicos acima da média... portuguesa, digamos. mas também não deixam de arrastar muita gente que não percebe nada do que se passa neste mundo. nem deixam de ser um retrato pálido dos pulp de 1994 (different class tem lá tudo - som, pose, atitude - dez anos antes). as novas músicas são banais. meia dúzia das primeiras que fizeram são contagiantes. fifty fity portanto.
o som de lisboa? definitivamente: não. apenas um conjunto interessante de bandas estrangeiras num festival bem localizado que, curiosamente, se revelou uma surpresa agradável. e isso chega.nos perfeitamente.
29 agosto 2005
o som de lisboa
por
joséreisnunes
à(s)
2:24 p.m.
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