04 outubro 2005

cripple crow, devendra banhart

devendra banhart, diz.se, foi descoberto a cantar e a tocar na rua, qual mendigo. músico simples, cuidadoso, quase ingénuo nos temas e nas palavras, lançou.se nos discos com uma produção caseira que o catapultou para as bocas do universo da free folk. depois de oh me oh my, a edição rafeira das primeiras músicas, assola o mundo com dois excelentes álbuns quase simultâneos. torna.se um ícone dessa malta freak dos cãezinhos e das bolas de palhaço, de certeza por causa da barba e de parecer um deles. mas devendra é um compositor muito mais honesto que a freakalhada.
e toda a gente (sim, toda a gente) sabe que eu odeio álbuns muito grandes. é que na maior parte dos casos são aborrecidos. um álbum com 39 minutos chega e sobra. cripple crow, por seu lado, tem quase oitenta de pequenas estórias. mas, como há sempre uma parva duma excepção que confirma a regra, este mais recente álbum é um tónico de largos minutos.
cada nova música, cada novo tiro certeiro.
e só não tem mais, digo eu, porque a fita deve ter acabado lá no estúdio onde dezenas de pessoas de barbas grandes e pés descalços devem ter dançado felizes da vida durante a concepção de um momento que me parece a mim bastante orgânico e improvisado.
só que devendra banhart sabe bem o que faz, até nesse suposto exercício de improvisação mais ou menos regrada. e só não sai desta crítica com um número maior porque não gosto nada daquela cara cheia de pêlos.

7.5/10

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