
periodicamente, as coisas correm surpreendentemente bem.
o trabalho avança sem pudor, o nosso clube quebra recordes com quase tantos anos como aqueles que nós próprios temos, e o ryan adams lança um álbum.
tornou.se cíclica a vontade do homem em fazer canções. falei aqui recentemente de um álbum duplo que o relançava neste mundo e no outro. chega.nos agora uma nova edição, em formato mais apetecível, de 50 e poucos minutos.
jacksonville city nights é o derradeiro regresso de ryan adams ao imaginário country dos chapéus de cowboys, dos bares à pinha com a banda ao canto e casais a alinhar em slows, do tipo bêbedo ao balcão e do homem de barba agarrado à harmónica a ver quem não entra.
jacksonville city nights é, todo ele, uma imagem desses anos perdidos, dos que realizadores cotados recuperaram em películas de interesse menor, dos que músicos como os blue rodeo ou gram parsons, bem como os blind boys of alabama e william elliott whitmore numa versão mais sulista e blues, conseguiram ou conseguem perpetrar.
não há muito de novo que possa dizer sobre este tipo. as músicas são boas, de execução excelente. os companheiros da aventura têm a escola toda e ryan adams é um músico que leva até ao fim o conceito de dedicação. as coisas funcionam e desenrolam.se sem sobressaltos.
não há, em jacksonville city nights, espaço para mudar o mundo.
as coisas são como são: amores em catadupa, raparigas que fogem, amigos que morrem, vales que formam skylines impressionantes, comboios.
mas há a américa no seu melhor.
7.8/10
16 outubro 2005
jacksonville city nights, ryan adams and the cardinals
por
joséreisnunes
à(s)
5:58 p.m.
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