22 outubro 2005

raindogs, tom waits



o universo tom waits, galáxia paralela à via láctea, começou a desenhar.se nos idos anos 70 quando um tipo desgrenhado se lança à guitarra com o promissor closing time. nessa altura, os ecos da beat generation de jack kerouac, a tradição recuperada da música tradicional americana (se isso existir), com bob dylan, captain beefheart, os blues de nova orleães e o jazz à cabeça e um ideário lowlife que se resultasse em estilo era tudo menos pop, marcaram o ritmo do início de carreira daquele que não é (injustamente) considerado um dos maiores génios dos u.s. of a. tom waits faz há 20 e tal anos discos de qualidade ímpar, não se limitando a recriar fórmulas, antes combinando.as com influências diversas e com novas aproximações a uma espécie de poesia do comum, de canções sobre os podres do dia a dia.
em 1985, meio ano depois de este que vos escreve ter nascido, tom waits atinge a maioridade na escrita de canções com aquele que é, até à data, o clímax de uma obra. porque no caso deste homem existe claramente uma obra feita com um referencial que se alarga a muitos outros autores. raindogs é feito de cacofonias e de momentos de uma calma pouco habitual. é uma espécie de dicotomia canção pura/canção estranha tão peculiar na discografia do seu autor. tango till they're sore, hang down your head, time ou o fantástico walking spanish, inseridas nesta fórmula menos incompreensível, muito americana, são coisas que ninguém pode dizer que não gosta, sob pena de ser internado compulsivamente numa quinta qualquer para celebridades pindéricas de mau gosto.
tom waits não recebe lições de ninguém. é impossível.
muitos querem ser como ele, aventurando.se naquela que é uma marca muito característica e que não resulta para todos. o gaijo é uma entidade, um músico de alma cujo corpo sofre com isso, ou não fosse conhecida a sua faceta de bon vivant. mas isso não tem nada a ver com o caso.
nobody does it better.

9/10

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