
eu sabia que esta crise de temas não iria durar muito tempo.
e embora me vá, mais uma vez, aventurar por caminhos para os quais não tenho as referências que se esperaria, serviu.me o último filme de woody allen para escrever algumas notas.
antes de tudo é preciso dizer que a scarlett johanson é divinal. nem sequer está em questão se ela é boa actriz ou não (porque, de facto, até o é...). a questão é mesmo que ela é divinal.
aparte... woody allen é um dos realizadores mais profícuos de que há memória, arriscando.se, daqui a 20 anos, a fazer da memória de manoel de oliveira a de um menino de coro no que à capacidade produtiva diz respeito.
de facto o homem tem tido um percurso acidentado, não deixando, no entanto, de manter um estatuto proto-intelectual reconhecido. depois do acidente que foi perder tempo com the curse of the jade scorpion (intragável), do risco de everyone says i love you ou da aposta ganha de small time crooks, este escriba perdeu o rasto ao realizador em 2003 com anything else.
matchpoint surge agora como a melhor memória que tenho de um filme de woody allen. é que não só o enredo faz sentido e acaba até por ser genial a forma como se suspende em torno de uma casualidade, acusando um desfecho imprevisível devido apenas à estupidez generalidade dos argumentos a que nos habituámos, como a marca do realizador - a ironia - aparece nesta película da forma que mais aprecio: sem o nonsense típico, antes preferindo o caricato das situações ou o trabalho de casa do elenco.
isto tudo para dizer que matchpoint não é um filme parvo, muito menos estúpido. é, sem dúvida, arrebatador do ponto de vista da diversão, sem nunca cair no ridículo a que muitas vezes, para o bem e para o mal, woody allen nos sujeitou.
assim, sinceramente, não me importo de continuar a deixar dinheiro num cinema.
mesmo que seja o da casa de banho da segunda circular.
06 fevereiro 2006
matchpoint
por
joséreisnunes
à(s)
9:33 p.m.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário