14 março 2006

playing the angel, depeche mode



o tempo ensina.nos que o tempo pode modificar as coisas tal qual as entendemos. o conceito de velhice é, dessa forma, facilmente esquecível se nos concentrarmos o suficiente para perceber que os bauhaus ainda dão concertos, que os the fall ainda editam discos em 2005 ou que os pixies, um dia, resolveram voltar, qual aparição.
não será difícil perceber o que penso do mais recente long play dos depeche mode. não é apenas a minha mania revivalista a falar, se bem que eu sonhe com o dia em que o pós-punk volta a estar na moda e em que os eccho & the bunnymen tomam o lugar dos keane no palco principal do SBSR. é que o tempo ensina.nos a esquecer muito do que vem agarrado aos calcanhares da banda britânica.
realmente 25 anos são muito tempo. e quando parte do percurso se confunde com o de bandas como os roxy music, a-ha, spandau ballet, culture club, the human league ou cabaret voltaire, quer pela afinidade temporal quer, muitas vezes, pela proximidade da linguagem utilizada, não me será difícil dizer uma, duas, três razões para sentir um ardor ao dizer depeche mode.
mas o tempo ensina.nos a perdoar [como cristo na cruz] e playing the angel já não é o exercício automático proto-kraftwerk de manipulação de caixinhas de som a que os depeche mode recorreram em alturas várias. playing the angel é um disco de autor, da mesma forma que falamos de literatura de autor ou do raio que o parta.
hoje, ouvir os depeche mode já não é ouvir um álbum de pop sintético. não esquecer que os new order assassinaram o termo sem pudor, anos antes dos depeche mode começarem a vender discos. nem tão pouco é um mero regresso ao passado glorioso de violator ou do cabelo à marc bolan.
equilíbrio, dinâmica, novidade, força. podiam ser slogans de uma campanha para as presidenciais [a estabilidade dinâmica está na berra, seja lá o que isso for] mas são, neste caso, a minha classificação deste álbum. playing the angel resume.se a palavras parcas de sensibilidade estética e de independência face aos rótulos. a bem da verdade, e para não me acusarem de reaccionário, os tipos têm alguma quota parte na música que vivemos. é também devido a eles que os indies dançam.
playing the angel é surpreendente.

8/10

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