29 março 2006

recordar é viver



esta semana recuamos até 1989, ano em que o rock underground norte americano vê nascer uma das mais geniais amostras do seu próprio paroxismo. não quero, com isto, fazer apenas uma frase bonita. a verdade é que doolittle, o brilhante segundo álbum dos pixies, saindo de um meio de experimentação e de alternativa ao mainstream, ganhou contornos de aula para músicos. a partir do momento em que os recentemente regressados mostraram que surfer rosa, o brutal álbum de estreia (1988) não era um tiro no escuro, o mito ganhou uma força inigualável.
doolittle aparece.nos assim como um complemento vitamínico da música que julgamos ser possível fazer. a crueza das guitarras e o quase lunatismo de muitas das composições encaminha.nos para uma situação de algum desconforto em virtude da consistência com que as músicas, autênticos singles, se apresentam. e depois existem, claro, as que quase todos conhecem.
doolittle é sangue e teatro.
sejamos honestos. os nirvana, os pearl jam, aliás, todos os grupos entendidos como pedras basilares do movimento grunge do princípio dos anos 90 terão despertado para o rock com as músicas dos pixies. eles são, na verdadeira acepção do termo, os pais do novo rock americano. é claro que todo o seu percurso teve antecedentes evidentes: iggy pop, lou reed, ramones, pretenders... mas surfer rosa e doolittle constituem um díptico muito importante para perceber porque é que hoje nos debatemos com uma generalizada falta de criatividade.
é que, há quase 20 anos, já andavam estes senhores a fazer música.
fundamental.

9.5/10

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