02 abril 2006

subtítulo, josh rouse



se há coisa que eu detesto são casais que param no início das escadas para salivarem um no outro. se, por um lado, a coisa me parece uma devassa, a verdade principal é que me impedem a passagem. mas se há coisa que eu gosto é ver chegar o tempo de primavera e um novo álbum do josh rouse.
ponto prévio e assente: o tipo tem uma muito boa voz e nunca faz más canções.
mas este álbum, subtítulo, aparece um pouco do nada, sem euforia criada, sem uma esperança, sem grande alarido. vemos que o josh rouse tem passado por uma metamorfose que o distanciou calmamente do som nashville de início de carreira, aproximando.o de uma leitura pop refinada mais abrangente.
a mudança para espanha, o contacto directo com uma europa que teima em recusar o rótulo da música popular norte americana como algo de qualitativo, e, muito provavelmente, a maturação artística, fizeram do compositor um gaijo bastante diferente daquele que nos surpreendeu com dressed up like nebraska. musicalmente falando, claro, porque nada sei, nem me interessa, da sua vida pessoal, apesar de muito ter ficado a saber através dos dois concertos a que já tive o prazer de assistir.
curiosamente, e apesar da minha tendência alt country, são os álbuns mais solarengos (1972, nashville) que mais interesse me despertam. porque têm o condão de fazer da primavera uma situação secundária em relação a uma banda sonora que se destaca. é que nem precisaríamos do sol para o imaginar, desde que tivéssemos as canções que naqueles álbuns se inscrevem.
tudo isto para dizer o quê? que subtítulo não é o melhor josh rouse. é um exercício de canções acima da vulgaridade mas sem a alma que lhe é conhecida.
esperamos por melhores dias.

7/10

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