07 dezembro 2004

o padrinho



quando morrer espero levar comigo uma vida tão cheia de experiências e de convicções como a que o dr.mário soares tem tido.
o padrinho da democracia em portugal, fundador do partido socialista, europeísta convicto, bon vivant, ex primeiro ministro e presidente da república, o homem que travou uma luta dura contra a ditadura de salazar e contra a instauração à força de um regime comunista no nosso país, o senhor que descolonizou de forma atabalhoada as colónias, mas que sempre teve como objectivo dar uma vida melhor a quem sofreu com a censura, faz hoje 80 anos.

tenho a certeza que o doutor está preparado para morrer.
viveu, fez viver, lutou e construiu um nome e uma personagem. tirou portugal da penumbra conservadora, guerreou com cunhal, com cavaco, com freitas do amaral e com tantos outros pesos pesados da política nacional, mas encontrou em todos eles, assim como em quase todos os portugueses, o respeito que só é devido aos melhores.
foi o doutor soares, que durante tantos anos apelidei de padrinho sem nunca sequer ter falado com ele, que me "meteu" na política e no partido socialista.
e há-de ser ele, sempre, a transportar a imagem do punho esquerdo erguido.

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