28 novembro 2005

antony and the johnsons, antony and the johnsons



quando chegam os primeiros acordes de twilight sabemos que estamos num ponto sem retorno. a partir daí toda e qualquer tentativa de desligar a aparelhagem é um quase sacrilégio.
antony and the johnsons é o primeiro álbum do compositor norte-americano apadrinhado por lou reed, companheiro de amizade de devendra banhart e padrinho das cocorosie, vencedor justíssimo do mercury prize (antony nasceu no reino unido mas cedo se mudou para os states).
antony é, muito provavelmente, o artista mais interessante da actualidade. espécie de boy george dos anos 00, vê.mo.lo neste primeiro capítulo a trilhar o caminho da pop quase lírica que nos maravilhou no corrente ano. algo diferente de i'm a bird now na forma, os temas dominantes continuam os mesmos. no entanto, a um certo raio luminoso ao fundo do túnel que caracterizava o segundo long play, antony and the johnsons contrapõe.se com a escuridão emocional total. a capacidade de levantar os pêlos, no entanto, é a mesma.
quando hitler in my heart dá lugar a the atrocities sabemos que as coisas não podem melhorar. e quando todas as músicas que se seguem poderiam muito bem ser a última de um álbum (para final perfeito), sabemos que estamos perante uma obra de extraordinária qualidade.
a marca antony é, cada vez mais, um sinónimo de compensação para o ouvinte.
o tempo acabará por, justamente, o imortalizar.

8.5/10

26 novembro 2005

o último golo



george best 1946-2005

25 novembro 2005

down in albion, babyshambles



os libertines tinham tudo para ser os sex pistols dos anos 00 se se interessassem minimamente por política e se a relação de ódio entre as duas mentes criativas - doherty e barat - a droga e kate moss não tivessem estragado tudo.
tinham o feeling, a chama, a aura, chamem.lhe o que quiserem, não me interessa.
só me interessa pensar que existiu durante dois ou três anos um hype saído de uma sala de ensaios muito parecido àquele que johnny rotten e sid vicious transformaram na maior revolução sem armas da história do reino unido.
tempos depois do fim pete doherty volta à carga com os babyshambles. o mote é dado pela segunda música: fuck forever.
o álbum, como a música, é um postal ilustrado para um estilo de vida. a música, como a vida do seu principal compositor, é fluida, honesta consigo própria, desinteressada, descomprometida com regras e com pretensões. down in albion é, muito provavelmente, o marco da inversão da carreira de doherty. descomplexado e liberto de intrigas - até mais ver - o músico atira.nos com um sólido início para uma banda que muito nos promete.
não são fantásticos, mas são reais. não há cá maquilhagens nem corzinhas nas bochechas.
é rock à the clash (mick jones assegura a produção), é espírito punk, rebeldia e james dean numa harley. são os specials de vez em quando a regressarem à jamaica. é a inglaterra a ganhar a final do euro2008, o george best a voltar à terra, o príncipe carlos exilado em frança. é o labour sem poder nenhum.
é aquele espírito da velha albion que julgávamos perdido.

7.5/10

23 novembro 2005

nem que me pagassem votava louçã/nem que me pagassem batia palmas ao porto

o que é que têm em comum francisco louçã e jorge nuno pinto da costa?
são ambos responsáveis por recentes demonstrações de péssimos exemplos para a geração dos rascas.
louçã, o terrorista da palavra, acusou recentemente um secretário de estado de ter perdido um mandato autárquico devido a faltas. o visado respondeu com um documento oficial da dita câmara a desmentir as afirmações do bloquista. e o que faz francisco? refugia.se em duas notícias de jornais que só quem não é da região considera como "de referência". o jornal do fundão e a gazeta do interior, pasquins de hoje que nada têm a ver com outrora, aparentemente erraram. e só o francisco parece não entender que notícias há muitas.
para o deputado, muito provavelmente, o tomasson e o robinho jogam no benfica.
porque saiu na bola e um jornal não se engana.
e por falar em benfica temos de falar da atitude de jorge nuno. parece que o avançado benfiquista nuno gomes terá feito um sinal menos próprio a um jogador do braga (uma seringa no braço?). e o que faz jorge nuno? denuncia o caso à liga que imediatamente lhe cai aos pés e instaura um inquérito ao jogador. é verdade que o presidente do porto não deve lealdade ao benfica. aliás, não deve lealdade a ninguém porque não é um homem leal. mas de cada vez que o porto pede um inquérito ao benfica eu só me consigo lembrar daqueles colegas da primária a que chamávamos queixinhas.
hoje (e sempre) são os que o tempo encarrega de atirar aos leões.
de preferência vivos.

21 novembro 2005

eu sei que não se parece com nada mas sim são eles



sigur rós, coliseu de lisboa, 20 novembro 2005

and the mysterious production of eggs, andrew bird

andrew bird não é propriamente um estreante neste mundo.
o compositor, violinista, guitarrista, assobiador vai já no seu quinto álbum de originais, numa carreira que oscilou entre o retro pop do início das hostilidades e um rock mais académico, num sentido completamente vago do termo, do long play que data deste ano.
e como está mais do que visto que hoje não estou com a míninma paciência para dissertar, deixo.vos só com esta ideia: andrew bird é um excelente músico. tecnicamente é bastante superior a, por exemplo, elliott smith, cujo mundo estético era bastante similar ao de andrew. mas o que elliott smith perdia em técnica ganha em alma. e sabemos que a alma na música faz milagres.
the mysterious production of eggs é uma excelente companhia, dotada de letras irresistíveis, de uma harmonia pouco comum e de algum experimentalismo na junção do rock com um certo lirismo quase clássico. e já ganhou o prémio de melhor design do ano.
sai do templo com um

7.8/10

20 novembro 2005

a descobrir (e a dissecar nos próximos dias porque amanhã há sigur rós no coliseu)



andrew bird and the mysterious production of eggs

18 novembro 2005

contra informação

a crítica de música em portugal é, como todos sabemos, fraca. para o confirmar não são precisos mais do que cinco minutos: três para ler a crónica de nuno galopim na edição de hoje do dn:música, em que o autor compara os interpol com os the killers e os the faint (duas bandas de um hype sem substância que nada tem a ver com o fantástico mundo interpol) no mesmo texto em que mete os joy division ao lado dos duran duran (sacrilégio).
os outros cinco minutos são para ler a crónica à nova colectânea singles dos new order do disco digital, em que o seu autor afirma peremptoriamente que a carreira dos new order não significou uma viragem em relação aos joy division. ou o tipo nunca ouviu os joy division ou então tem de me esclarecer em que mundo é que vive.
neste não pode ser de certeza, porque joy division sem ian curtis não é igual a new order.
o fim dos joy division e o nascimento dos new order marcou uma mudança estética, de comportamento, de direcção nas influências e na linguagem, de vivência e interpretação do mundo e da vida brutal. o autor devia ouvir a ceremony para compreender que ali é encerrado um capítulo.
mudam as personagens e muda o caminho.
ouvir a disorder (primeira música do primeiro álbum de joy division) é um mundo. ouvir a blue monday (primeiro single consagrado de new order) é outro mundo.
completamente diferente.

15 novembro 2005

recordar é viver (the stone roses/the stone roses)



nomes maiores do fenómeno madchester pós-punk, os the stone roses imortalizaram dez anos de carreira com este magnífico álbum homónimo, datado de 1989.
contemporâneos dos the charltans e dos happy mondays, os stone roses estão para o brit pop da década de 90 como os reality shows estão para a tvi: não sobreviveria sem eles.
o que seria dos blur, dos the verve, dos cast sem os stone roses? provavelmente só o renascimento do rock puro e duro dos the kinks e dos beatles pela mão dos stone roses abriu os olhos a muitos dos que nos acompanharam nos 90's.
este álbum é um dos paradigmas da música indie. lá dentro está tudo o que é preciso saber para se ter sucesso num sector restrito.
the stone roses é o espelho do sucesso merecido, da inovação e capacidade de condensação na música de uma série de influências, do desânimo pós-obra-quase-prima, do início do fim de uma banda que mal teve tempo (ou discernimento) para passar para disco tudo aquilo que conseguiu produzir.
mas talvez por isso se imponham no meio como uma das maiores one hit bands de sempre. só que no caso dos stone roses o seu one hit foi um álbum inteiro.
e fazer melhor do que em the stone roses era quase impossível.

(9/10)

14 novembro 2005

obrigado obrigado obrigado

porquê tanta excitação e súbita mudança? é muito simples: o a new order completa hoje um ano de existência e, em busca de um futuro mais risonho, decidiu lavar a cara.
ao longo dos últimos 360 dias este blog teve uma média de 1 post e qualquer coisa como 6,5 visitantes por dia. se contarmos que eu entro pelo menos duas vezes por dia não sobra muita margem de manobra pois não?
mas o que interessa é que o a new order ultrapassou a barreira psicológica da sobrevivência e está aí para as curvas.

prometo.

12 novembro 2005

não esquecer por favor



o indie de há dez anos é o pop retro-kitsch de hoje.
e continua a ser bom.

11 novembro 2005

sugestões para o fim de semana

se forem crentes vão ver a procissão da senhora.
se forem meus amigos venham.me ajudar na frequência de estruturas.
se não forem nada disto, carreguem aqui e atrevam.se a perturbar o universo.

já agora era todos os dias um álbum novo, não?

10 novembro 2005

i belive in this, thorir



thorir é um jovem músico islandês já reconhecido no meio de reykjavik como uma das maiores promessas da música lo-fi do país.
i belive in this é um álbum onde a simplicidade dos sons e o quase naïfismo das letras têm a capacidade de evocar sítios que à face da terra só mesmo na ilha do norte. o bucolismo e nostalgia na voz deste songwriter, que convoca nick drake e rustin' man para o mesmo local, tornam.se experiências agradáveis para noites longas de inverno. as atmosferas que cria num álbum sólido e minimal superam largamente alguma precariedade da manipulação da voz de sotaque cerrado.
e tem uma cover dos outkast que é um mimo.
i belive in this é uma pérola, mas não das verdadeiras, da música indie do país que tem produzido algumas das surpresas mais estimulantes que nos vão chegando do mundo civilizado.

6.8/10

09 novembro 2005

greatest palace music, bonnie 'prince' billy



quando colocamos um álbum do bonnie 'prince' billy na aparelhagem temos de saber ao que vamos. caso contrário corremos o risco de sair desiludidos. o homem faz nos dias de hoje, com tudo o que isso implica, o que se fazia em nashville há décadas, ou seja, country e folk rock. se não gostarem do imaginário da voz sombria e da voz feminina aguda sobreposta, do violino e dos temas recorrentes de cavalos, planícies e mulheres que teimam em desaparecer, então esqueçam.
poupem o vosso tempo e a minha paciência.
agora se sonham todas as noites que conseguem cantar aquela música do chris isaak, aqueles oldies do lloyd cole e tocar aquela guitarra do johnny cash, greatest palace music é o álbum indicado para as noites frias que ai vêm.
este álbum é, dos que conheço, o mais académico e oldschool do alter-ego de will oldham. neste passeio pela música tradicional americana, com reminescências dos extintos palace brothers ao qual pertenceu, 'prince' billy percorre uma série de quase lugares comuns não visíveis em álbuns mais exploratórios como o magnífico i see a darkness ou o fenomenal superwolf. no entanto, e sublinho, um álbum deste tipo é sempre uma experiência agradável. palmas, sobretudo, para as interpretações arrebatadoras de new partner, gulf shores, agnes queen of sorrow e o nostálgico horses.
no entanto, e apesar disso, sai desta crítica com um

7/10

08 novembro 2005

o meu candidato presidencial, está decidido

you could have it so much better, franz ferdinand



banda tornada moda na ressaca do pós-is this it?, os franz ferdinand regressaram em 2005 com um novo long play.
e, sinceramente, não trouxeram nada de novo.
as músicas são bem dispostas, a escola pop agradece. não há faixas abaixo da média. mas não passa disso: da média.
os franz ferdinand conseguiram com o primeiro álbum direccionar alguma música para uma pop mais dançável como os pulp fizeram há dez anos atrás. no entanto, e quando se lhes pedia urgentemente um novo rumo, porque hoje em dia quase só se sobrevive dessa forma, voltaram a repetir fórmulas e a enveredar por aquilo que sabem fazer melhor. não quero com isto dizer que todas as bandas têm de se regenerar a cada álbum. os oasis fazem rock n' roll há mais de dez anos e continuam a fazê.lo bem. mas a fórmula franz ferdinand é demasiadamente ocasional para ter sucesso prolongado. daqui a tempos os bloc party ou os the killers lançam outro álbum e ninguém mais se vai lembrar destes tipos, até nova edição. é uma caminhada pouco saudável para uma banda.
you could have it so much better é um álbum competente e pouco mais. salva.se de alguma mediocridade a consistência, walk away e os fantástico eleanor put your boots on e fade together, curiosamente os momentos em que os escoceses abandonam os pressupostos da boa disposição matinal e se lançam à aventura pelo conceito de canção.
no entanto, sabe, muito sinceramente, a pouco.

6.5/10

07 novembro 2005

noah's ark, cocorosie



eu já ouvi muitos álbuns este ano e descobri coisas fantásticas. já gastei muito dinheiro e muitos cd-r. tive que arrumar muitas vezes as prateleiras no decorrer destes últimos trezentos dias. mas não encontro, em nenhuma delas, um álbum datado de 2005 tão viciante à primeira audição como o das cocorosie. não é que elas tenham melhor voz que o antony ou sejam mais explosivas que os sigur rós.
são viciantes e ponto final.
as cocorosie fazem parte do círculo íntimo de antony, devendra banhart e, por arrasto, lou reed.
processos pop simplificados, vozes arrastadas, o piano do gonzales na caixa de ritmos da björk com a visão da joanna newsom na calha. colaboração fantástica do senhor já falado. as guitarras sabem ali tão bem como tordos no céu em época de caça. dream pop para o menino e para a menina.
noah's ark não é propriamente o álbum que vai marcar toda a cultura pop da década. mas é uma lufada de ar fresco repleta de bons momentos e de poucos exageros. o minimalismo destas meninas identifica.se com uma nova corrente freak no arrojo das vocalizações, atingindo níveis de excelência nos preciosos pormenores.
o nome indie fica.lhes tão bem.

7.5/10

04 novembro 2005

jovem promessa

acaba de nascer mais um blog digno do meu círculo restrito de leituras (hoje não é arrogância, é falta de paciência para ler blogs enfezados).
quando quiserem espreitem um blog em que se fala pouco sobre muito

03 novembro 2005

aires mateus, arquitectos



as estrelas da nova arquitectura portuguesa, para ver no centro cultural de belém mais perto de si

viva as coisas que queremos dizer mas que outros já o disseram e melhor por nós

I got the style but not the grace
I got the clothes but not the face
I got the bread but not the butter
I got the wind but not the shutter
But hey I'm big in Japan

(waits)

02 novembro 2005

não gosta, come e cala

god is empty just like me.
yeah

01 novembro 2005

fistful of love




já aqui escrevi uma vez sobre antony e os seus the johnsons. para quem conhece, as palavras serão quase ocas. para quem não conhece, sinceramente, que vá a correr comprar o melhor álbum do ano.
foi esse i am a bird now a base do concerto de ontem no coliseu dos recreios. oito temas do mais recente long play foram misturados com interpretações de músicas originais de lou reed (candy says), nico (afraid), moondog (lonely) e leonard cohen (the guests) e com algumas do primeiro álbum.
ao vivo a música de antony perde alguma da fluidez do álbum, muito por culpa da falta das segundas vozes e de alguma necessidade que o gaijo sente de comunicar com o público. sabemos que, regra geral, o público português tem carências afectivas e precisa que os artistas digam umas piadas. no caso de antony o busílis da noite foi o próprio edifício e uma estúpida colaboração com os que pagaram bilhete numa música de agradecimento. completamente desnecessário, bem como a primeira parte - currituck co - que, basicamente, se resumiu a um tipo igual ao devendra banhart, mas com o cabelo limpo, virtuosismo na guitarra e a cantar afinado com uma série de trejeitos pretensamente folk. o que não tem piada nenhuma.
mas isso não retira um pingo da qualidade do espectáculo principal da noite de ontem.
intenso, catártico, quase surreal.
a mistura de um sentimento completamente pop, uma voz genial e um formato quase clássico (violinos, violoncelo, guitarras acústicas), resultou num dos melhores momentos que a sala viveu este ano.
arriscar-me-ia a dizer que irrepetível.