26 fevereiro 2006

a emissão segue dentro de momentos

o a new order vai de férias.

drum's not dead, liars



longe vão os tempos em que os liars se deram a conhecer ao mundo com um álbum de dança para punks que hoje temos a certeza ser uma das mais estimulantes estreias dentro de um capítulo de similares, a par dos de tipos como os yeah yeah yeahs ou os clinic.
de facto, o álbum de estreia dos liars lançou.os, ainda que pelos motivos errados, para uma classe de bandas que tentam recriar o rock. no entanto, os liars sempre foram diferentes dos demais, talvez por causa da crueza e o espírito anárquico que imprimiram ás composições.
se assumirmos a faceta do hype que nos acompanha há alguns anos como pós-rock, diríamos que drum's not dead é uma das mais bem conseguidas experimentações de um caminho que promete vir a ser turtuoso. é claro que muitas das bandas que surgiram com esse fenómeno são, tão só, recriações mais ou menos originais de fórmulas já conseguidas. é por isso que os arcade fire, os gy!be, os interpol ou os sigur rós se assumem como os primeiros da linha de batalha: porque estão a desbravar caminho rumo ao rock do século 21.
nessa linha de pensamento, o novo álbum dos liars afasta.se definitivamente da linha imediata de they threw us all in a trench and stuck a monument on top. este é, sem sombra de dúvidas, um álbum que hoje só podemos apelidar de experimental, na medida em que está bastante ao lado de cânones e convenções que se começaram a estabelecer a partir da mediatização de bandas como os the killers ou mesmo os fraquinhos kaiser chiefs e kasabian.
sintetizando, e porque não me parece crível estabelecer um discurso elaborado sobre este primeiro grande tiro de 2006 (a não ser que o final do disco é, simplesmente, assombroso, diria apenas que existem esses, os que vão levar à morte o movimento revivalista que tanto interesse me despertou, e depois existem os outros, os liars, por exemplo, que estão a recriar o rock, sem regras nem intuitos comerciais.
o espírito punk é este. a música, essa, não tem rótulo.
ainda nos escapa.

8/10

25 fevereiro 2006

este sábado o professor marcelo não recomenda, de certeza

comprar bilhete para o concerto dos kings of convenience @aula magna
drum's not dead, liars
the weatherman @lounge
festa retro e tal @caixa económica operária
tiro aos pratos

23 fevereiro 2006

estranha.se (mas não se entranha)

o seleccionador nacional já habituou o país a polémicas no que diz respeito às convocatórias.
eu não costumo ver os jogos da selecção. simplesmente, não me atraem. gosto, contudo, de fazer as contas aos jogadores do benfica que vão dando o seu contributo. hoje, porém, fiquei estupefacto com a mais recente listagem que tem 18 dos 23 jogadores que irão disputar o mundial.
é certo que o petit e o quim foram convocados. merecem.no.
mas não entendo como é que o melhor marcador da superliga, que por acaso é português, e por acaso joga no benfica, e por acaso tem mais golos que o liedson, é preterido. e também não entendo como é que o capitão do benfica, que por acaso é português, e que, por acaso, é um dos jogadores mais influentes da superliga e mais cobiçados em inglaterra, também não é convocado.
haverá quotas por clubes nesta selecção?

22 fevereiro 2006

the life pursuit, belle & sebastian



os belle & sebastian nunca foram uma banda que me tenha despertado um interesse desmedido. conheço, sem grande profundidade, os principais álbuns que editaram. desconheço por completo a infinidade de ep's que proficuamente lançaram ao longo da carreira. vi um concerto deles que me pareceu bastante divertido e no qual me apercebi do culto existente no nosso país. banda de culto aparece aqui não no sentido pearl jam do termo, mas na óptica dos tipos que enchem o coliseu de 7 em 7 anos não se sabe muito bem como, uma vez que passam despercebidos ao comum dos mortais.
de facto os belle & sebastian cultivam há alguns anos uma estética próxima do indie, com muita pop e com uma propensão quase irracional para a incorporação das cordas e dos sopros, no que podem ser consideradas quase como aulas de música erudita para incultos que gostam de pop. chamam.lhe twee. e é claro que os próprios escoceses, para além de todos nós, incultos que só gostamos de pop, têm essa dupla face e cultivam o gosto pueril da música pop de câmara.
confusos?
contraditório?
pois é. a carreira destes tipos tem sido original e qualquer rotulagem acaba invariavelmente no caixote do lixo, porque álbuns como the boy with the arab strap (o álbum mais subvalorizado de sempre pela pitchfork) ou if you're feeling sinister quebraram algumas barreiras nesta problemática.
the life pursuit, o mais recente long play do grupo, continua a tradição experimentada, ainda que se sinta, por vezes, a falta da presença equilibradora de isobell campbell, que, entretanto, parece ter na calha um álbum bastante persuasivo com mark lanegan (queens of the stone age, the screaming trees...).
em the life pursuit há, essencialmente, boas canções.
melancólicas. alegres. espirituosas como o raio. inteligentes. mas o conceito de canção é fundamental. e tem um piano de cabaret em constante regurgitação que é qualquer coisa de insistentemente atractivo.
não esperem milagres. esperem antes uns agradáveis 45 minutos.
chega e sobra.

7.5/10

lampiões de todo o mundo, continuai unidos

fomos talhados para o impossível.
fomos épicos.

20 fevereiro 2006

brokeback mountain



a nova película de ang lee é um filme sobre dois cowboys gay.
ponto final.
não há muito mais a dizer.
é bem filmado por certo. a fotografia é inteligente. não há nonsense, é um filme bastante sério, e isso agrada.me. os actores são coerentes com o tipo de personagem que representam, embora a cara de parvo do jake gyllenhaal, então quando aparece de bigodinho, me chateie um pouco e me faça lembrar os tempos em que apareceu dentro de uma bolha de plástico. mas, sinceramente, não tenho muito mais a dizer. o filme não sai da cepa torta e acaba até por ser deprimente a forma como se auto-rotina e se desenvolve em torno de nada.
brokeback mountain é um filme que vale a pena ver.
mas não me enche as medidas da mesma forma que um bom álbum do bonnie prince billy (pode ser aquele que está para ali a tocar), ou uma revienga bem feita pelo simão sabrosa.
e quando isso acontece com um filme tão promovido, é grave.
acreditem.

mais umas

juntei mais dois blogs aos favoritos, nesta espécie de febre de mudança e aumento das leituras diárias.
a primeira referência vai para a vida em deli do inigualável constantino xavier, o maior especialista vivo na problemática do eixo goa-deli-rogel.
o segundo tiro vai para o apARTES, onde se tecem algumas considerações interessantes sobre a música em que vivemos, ainda que muitas vezes veja algum espirítio messiânico atribuído a álbuns que, sinceramente, não nos vão salvar do inferno.
a ter em conta, no entanto.

19 fevereiro 2006

neste domingo o professor marcelo recomenda

jackie-o motherfucker, flags of the sacred harp
belle & sebastian, the life pursuit
tortoise with bonnie 'prince' billy, the brave and the bold
brokeback mountain @um cinema perto de si
dar de comer aos patos

adenda

domingo húmido e lânguido, próprio para arrastar os minutos pela rede à descoberta de dois novos blogs, por sinal bastante persuasivos. falo do hardblog, cujo autor discorre sobre arquitectura à medida que vai mandando umas farpas a pessoas que me habituei a ver pelos corredores da faculdade, e também do quase famosos, que, num campo bastante diferente, veícula considerações interessantes sobre a música em que vivemos.

18 fevereiro 2006

neste sábado a casa recomenda

ryan adams, 29
jandek, interstellar discussion
vitória de guimarães - benfica
pop dell'arte @zdb
glam slam dance @lounge
disco volante @left
wonderful electric @incógnito

fingerpicking & delay guitar sessions



harris newman @ zdb, 17-02

17 fevereiro 2006

walk the line



hoje quero falar de rock n' roll.
antes de bob dylan, de neil young, de tom waits. antes mesmo dos beatles ou dos byrds, johnny cash.
a par de nomes como roy orbison, jerry lee lewis, elvis presley ou carl perkins, johnny cash foi um dos pioneiros do rock n' roll. e chega de falar de música porque este é um post sobre um filme.
no entanto, a bem da verdade, saí há meia hora da sala de cinema e não me lembro sequer do nome do realizador de walk the line. de facto o filme é uma daquelas películas que se vê mais pelo tema do que pelo interesse no seu autor. e o elenco? à partida, muito menos interessante que os intervenientes retratados. quem se lembra de um filme decente que reese whitherspoon tenha protagonizado? e que dizer de joaquin phoenix a não ser que desempenhou um papel interessante em the village de m.night shyamalan?
desenganem.se.
esqueçam tudo o que vos disseram.
ainda que vá continuar a não me lembrar do nome deste realizador, não estamos a falar de um filme que vive à custa de johnny cash. ou pelo menos, só à custa dele. se a estória, em si, é qualquer coisa de transcendente, ou não estivéssemos a falar de um dos mais lendários intérpretes norte-americanos, tudo o que enrola o filme é, no mínimo, estimulante. sinceramente, este é um dos melhores retratos baseados numa estrela dos media que eu já tive oportunidade de ver.
tenho a certeza que o homem descansa em paz.
é que joaquin phoenix é fantástico.
perdão...
johnny cash é fantástico.

16 fevereiro 2006

o novo porsche chega aos 200kmh em 12.8 segundos

sometimes i seem to lose the power of speech

fantástica a crónica de jacinto lucas pires no diário de notícias, sobre aquele que é, no meu entender, e no dele também, a pedra basilar da equipa do benfica.
o petit, pois é dele que falamos, tem sido injustamente sentenciado, nomeadamente pelos pedidos de castigo que o fcporto insiste em solicitar à liga. e apesar da ideia generalizada que o tipo não passa de um caceteiro, vê.se.lhe cada vez uma maior chama.
chamem.lhe o que quiserem, mas que o homem sabe o que faz, roam.se, sabe.
para ler aqui

15 fevereiro 2006

10 fevereiro 2006

não me vão mandar crucificar pois não?

"as sure as love will spring/from the well of blood in vain, oh jew!the well of blood in vain!"

(antony, hitler in my heart)

09 fevereiro 2006

recordar é viver, closing time/tom waits



ou uma breve estória da música americana de raíz popular

sunset sound, hollywood. 1973.
mostra.se ao mundo um dos mais geniais compositores da história recente da música americana. tom waits, hoje agraciado como um dos mais originais e estimulantes songwriters, sentava.se ao piano, chamava os amigos que ouviam jazz, bebia do blues e fazia canções certinhas e honestas. ouvi.lo hoje e ouvi.lo como soou há 30 anos são duas experiências distintas.
ambas ímpares.
ora o que a mim mais me cativa nesta fase é o facto de em closing time estar 90% daquilo que deveríamos saber acerca da música americana de raíz tradicional. da mesma forma que em harvest de neil young, nebraska de bruce springsteen ou em bringing it all back home de bob dylan.
de facto closing time será uma espécie de parente pobre ou de quarto de uma lista de três discos que, conjugando os blues e a folk, fazem eles próprios a resenha da música americana. tudo o resto, sem desmerecer da qualidade, não consegue alcançar este patamar de excelência.
closing time é o disco que converge para a reinterpretação moderna mais primorosa dos blues que skip james, blind willie johnson ou son house ajudaram a fazer sair dos campos de escravos que apanhavam algodão para os bons dos euro-americanos.
mas o que mais impressiona é que não é preciso ter medo de chamar a este álbum de música popular porque, de facto, a música americana é a folk, o country, os blues, o jazz.
e não há necessidade de vasculharem o baú à procura de mais.
closing time tem tudo o que é preciso.

9.5/10

08 fevereiro 2006

a sua televisão independente

dois dos mais bolorentos e incompreensíveis comentadores generalistas da nossa praça - constança cunha e sá e vasco pulido valente - partilham há algum tempo um blog de devoção incondicional ao sentimento que ambos comungam - o negativismo cru. aqueles que representam o protótipo da frigidez na análise das coisas com que convivemos, já o disse, deveriam parar por vezes e beber umas imperiais. só para descontrairem um pouco, se possível até os dois juntos.
de qualquer forma, o tema do blog, cujo endereço me recuso a espalhar, tem sido invariavelmente o das caricaturas de maomé.
em relação a esse tema, e aparte qualquer consideração liberdade de imprensa vs sensibilidade religiosa, quero apenas dizer que os ocidentais estão a aproveitar esta situação para demonstrarem o seu puro racismo encastrado, do tipo "se eles fazem nós também fazemos" ou "não vi o freitas de amaral a condenar não sei quem por ter dito não sei o quê".
a questão não é assim tão imberbe.

06 fevereiro 2006

matchpoint



eu sabia que esta crise de temas não iria durar muito tempo.
e embora me vá, mais uma vez, aventurar por caminhos para os quais não tenho as referências que se esperaria, serviu.me o último filme de woody allen para escrever algumas notas.
antes de tudo é preciso dizer que a scarlett johanson é divinal. nem sequer está em questão se ela é boa actriz ou não (porque, de facto, até o é...). a questão é mesmo que ela é divinal.
aparte... woody allen é um dos realizadores mais profícuos de que há memória, arriscando.se, daqui a 20 anos, a fazer da memória de manoel de oliveira a de um menino de coro no que à capacidade produtiva diz respeito.
de facto o homem tem tido um percurso acidentado, não deixando, no entanto, de manter um estatuto proto-intelectual reconhecido. depois do acidente que foi perder tempo com the curse of the jade scorpion (intragável), do risco de everyone says i love you ou da aposta ganha de small time crooks, este escriba perdeu o rasto ao realizador em 2003 com anything else.
matchpoint surge agora como a melhor memória que tenho de um filme de woody allen. é que não só o enredo faz sentido e acaba até por ser genial a forma como se suspende em torno de uma casualidade, acusando um desfecho imprevisível devido apenas à estupidez generalidade dos argumentos a que nos habituámos, como a marca do realizador - a ironia - aparece nesta película da forma que mais aprecio: sem o nonsense típico, antes preferindo o caricato das situações ou o trabalho de casa do elenco.
isto tudo para dizer que matchpoint não é um filme parvo, muito menos estúpido. é, sem dúvida, arrebatador do ponto de vista da diversão, sem nunca cair no ridículo a que muitas vezes, para o bem e para o mal, woody allen nos sujeitou.
assim, sinceramente, não me importo de continuar a deixar dinheiro num cinema.
mesmo que seja o da casa de banho da segunda circular.