
começa a ser difícil arranjar adjectivos para qualificar estes álbuns todos de que vou falando. começa também a parecer difícil fazer termos de comparação porque, e isto não tem nada a ver com simplismo, as bandas de hoje acabam por parecer a qualquer coisa que já ouvimos (com honrosas excepções, como é óbvio).
é por isso que a escolha do dia se revela um antipirético para a minha cada vez maior falta de originalidade. isto porque me parece estarmos perante um álbum que só mesmo ouvindo se percebe que a simplicidade é um trunfo que só está ao alcance dos melhores.
mas primeiro que tudo esqueçam a capa de black sheep boy. apaguem.na da memória. só depois passem para o disco.
os okkervil river são uma banda texana que editaram em 2005 aquele que é um dos long play do ano transacto que melhor enche as minhas medidas. não me vou alongar em comparações porque, de facto, black sheep boy soa a muita coisa, sem que no entanto tenha um nome na ponta da língua para dizer 'sim, foi ali que foram buscar...'.
os okkervil river são responsáveis por uma visão muito particular da folk norte americana, do pop, do rock alternativo, no que muito sabiamente foi apelidado de lo fi.
black sheep boy é um álbum calmíssimo, próprio para um fim de tarde que se quer relaxante sem cair na onda orelhuda de pop de esquina. há qualquer coisa na música destes tipos que cheira a saudade. há uma série de boas canções, com enigmatismo e melancolia à flor da pele. há também rasgos pop que aparecem um pouco como quem não quer a coisa. e há sobretudo uma daquelas vozes estimulantes.
mais do que aconselhado: imprescindível.
7.9/10
10 abril 2006
black sheep boy, okkervil river
por
joséreisnunes
à(s)
6:57 da tarde
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