09 abril 2006

recordar é viver



muito se tem dito e escrito sobre os sex pistols nestes quase trinta anos que sucederam ao lançamento de never mind the bollocks...here's the sex pistols.
o movimento punk britânico, com todas as virtudes e defeitos que lhe possam ser apontados revê.se inteiramente naquele que é o único long play da banda londrina. pergunto.me apenas se todos os que deles falam realmente conhecem este álbum. na verdade, de um ponto de vista meramente técnico, é recorrente dizer que os tipos só sabiam dois ou três acordes. fala.se muito da relação conturbada entre johnny rotten e sid vicious, entre outras trivialidades.
mas este é um post que se quer diferente.
e diferença é a palavra chave dos sex pistols. never mind the bollocks...here's the sex pistols é inconformismo e atitude. o espírito punk não é cristas na cabeça e cãezinhos com pulgas, como aqueles dois que me estão sempre a pedir dinheiro no chiado querem fazer crer.
o espírito punk, e ninguém dá lições desse tipo aos sex pistols, é dizer as coisas certas nos momentos errados, nem que seja apelidar de regime fascista uma monarquia com séculos de enraízamento na sociedade. a bem da verdade ouvir hoje os sex pistols pode não fazer muito sentido de um ponto de vista meramente social. os punks de hoje são os que deitam fogo aos mcdonald's porque é porreiro ser contra o imperialismo americano. mas em 1977, quando os sex pistols abanaram as estruturas até um ponto de quase rotura, aquela provocação muitas vezes agressiva fazia todo o sentido.
never mind the bollocks...here's the sex pistols é, porventura, o álbum mais importante da história do reino unido pelo facto de se ter transformado no verdadeiro recomeço para uma identidade musical demasiadamente apegada aos cânones que os beatles instituíram. não fossem os sex pistols e do outro lado do mundo teriam agarrado a oportunidade de se destacarem na batalha da primeira linha do rock.
sex pistols foi - e continua a ser - niilismo puro. é catarse colectiva.
as coisas nunca mais foram as mesmas.

10/10

2 comentários:

O Astronauta| disse...

Concordo em pleno com a análise. Este disco é, ainda hoje, uma obra-prima. Cheers

disse...

cheers!