09 abril 2006

howl, black rebel motorcycle club



eu gostava de já ter arrumado definitivamente as crónicas de 2005. no entanto, e enquanto esperamos por melhores dias no lançamento de novos álbuns (a escassez é evidente), regresso por alguns minutos ao passado para dar conta de que os black rebel motorcycle club, banda responsável por um dos concertos mais chatos que já vi até hoje, deram a volta por cima a uma tendência que prometia ser repetitiva.
o garage rock destes americanos, fortemente enraízado na bela tradição da escola velvet underground, the stooges, t.rex, não foi, propriamente, um tiro no escuro. é certo que conseguiram imprimir algum interesse ao campo que exploraram nos dois primeiros álbuns. foram discos sólidos e crus.
mas tudo o que se repete cansa e perspectivava.se uma jornada já jogada na altura em que se anunciou o lançamento deste terceiro long play.
pasma.se, porém, a volta que a coisa deu. é que os BRMC andaram a explorar e a devorar anos e anos de música norte americana, com especial incidência para o folk, os blues e o gospel. e como resultado temos agora um caldeirão de boa colheita rock com travos vintage nos temas e nas alusões.
os black rebel motorcycle club tiveram a arte de descobrir a pólvora no passado e em quem fez muito decentemente aquilo que sempre procuraram. não arriscaram demasiado, é certo (as referências deste tipo são sempre um bom porto), mas não me parece que sejam predestinados a isso.
foram beber à tradição para elaborar um álbum bastante simpático, para ser breve, que tem a capacidade de surpreender, e de, sobretudo, nos prender.
resultou.

7.5/10

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