08 abril 2006

linda martini, frida kahlo, o entendimento de cultura, um post sobre lisboa

1. o underground português, que parece, segundo quem sabe, estar a ganhar cor e forma, tem na galeria zdb um dos pólos de atracção. confesso que aquele espaço e a dinâmica que imprime tem semelhanças - emocionais, diria - com os grandes centros europeus de divulgação da música e cultura off the record. a zdb poderia ser um marco do nosso panorama. pois poderia. não fosse a nossa música ser bastante má e muito pouco inovadora. a diferença entre lisboa e ny ou londres é que nas zdb's lá dos sítios se escrevem novas páginas. e aqui não.
tudo isto para chegar aos linda martini, banda nacional que ontem tocaram para uma sala demasiado pequena e nada arejada para tanta gente. surpreendeu.me ver tanta gente a ouvir pós-rock feito em portugal. confesso que me surpreendeu. mas os linda martini são um livro que já li muitas vezes. não discordo de que são músicos interessantes e cuja dinâmica parece ganhar coragem de concerto para concerto. mas já ouvi aquela música nos gy!be e nos mogwai, para dar alguns exemplos.
fazer igual não chega: é preciso fazer melhor.

2. visitei finalmente a exposição retrospectiva da obra da pintora mexicana frida kahlo. não sendo um apreciador inquestionável da linguagem artística acessível ao público (escassa, aliás, para uma exposição de primeira linha do maior equipamento cultural de lisboa), agradou.me imenso ver o ccb cheio de gente de todas as idades, a tirar proveito da obra de regime do nosso presidente. é espantoso como se pinta um povo de inergúmeno, bastando uma tarde de sábado para fazer mea culpa. é que o problema, pelo que me apercebo, não está em quem não manda...

3. ... o problema está exactamente nos que têm as decisões na mão. não se compreende que num centro cultural exista um letreiro a proibir o estudo na área de cafeteria. pode.se ler o jornal, se for o expresso melhor. pode.se ler um livro. mas não se pode ler um caderno de notas. é a definição de centro cultural que temos.

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