18 abril 2006

mr. beast, mogwai



donos de um currículo invejável na área da exploração sonora e até do desenvolvimento de uma nova ordem para o rock deste milénio (facto que nunca me cansarei de repetir, por mais ameaças que me sejam dirigidas), o trabalho dos escoceses mogwai sofre de uma necessidade intrínseca de auto renovação a cada novo álbum, situação que me provoca suores nocturnos nos espaços que antecedem qualquer novo lançamento.
é que seguir pelo caminho do pós-rock ou de um space rock instrumentalizado é dos maiores riscos a que uma banda se pode propôr. a partir daí não há mesmo volta a dar, e só sobrevivem aqueles cuja entidade estética é suficientemente forte para significar alguma coisa. e se, nesse campo, muito já foi feito por bandas como os gy!be ou os gang gang dance, não esquecendo a magnífica contribuição que tem sido a música dos texanos explosions in the sky, é aos mogwai que cabe a fatia que mais me agrada desta história toda.
de facto, escrevo estas linhas à medida que oiço pela primeira vez mr. beast, uma vez que estes são acordes mutáveis, tal como os frames que fazem o cinema, e com o qual me parece haver uma relação evidente. a música dos mogwai, quer em álbum quer ao vivo, cria momentos quase cinematográficos, com toda a alma e paixão que os melhores filmes e os melhores actores conseguem dar.
não nos é difícil ouvir mr. beast e criar mentalmente enredos e estórias paralelas que se entrecruzam em cada mudança de faixa. a música destes gaijos é feita de claustrofobia e de aparente calma, de explosões e de repetições exaustivas. a música é, em cada long play dos mogwai o pretexto estudado para a criação. pura e dura.
mr. beast é um álbum que respira momentos e tanto nos descarrega o melhor dos my bloody valentine ou dos sonic youth como nos inunda da essência epidérmica que está na origem de bandas pop escocesas como os reindeer section ou os arab strap.
mr. beast é, neste momento, o melhor álbum de mogwai desde a descarga visceral que significou young team. e não trazendo um mundo novo para o seio dos próprios mogwai (reconheceríamos o que fazem hoje em qualquer rádio do mundo), não deixa de haver um leve indicío de reinvenção. leve é certo, mas o suficiente para acreditarmos que a mutabilidade de todo este discurso será, sempre, circunstancial.
nas mãos dos mogwai as coisas parecem sempre bem feitas.

8/10

Sem comentários: