09 agosto 2006

o tenente silva vai bebendo granizados e fotografando, com o telemóvel, as meninas da ribeiralves

o a new order vai parar para reabastecimento de conteúdos.
regressa em setembro, num novo formato.
haverá vida em veneza?

08 agosto 2006

é uma américa

existem, essencialmente, duas américas e meia.
da mesma forma que existe o portugal de fantasia e reminiscência salazarista da floribella a medir forças com o portugal cibernáutico do pastorinho da tv cabo e de sócrates [sendo que entre eles existe o portugal sempre destemido do professor marcelo], a américa luta entre a do dr phill e a de michael moore.
na américa de dr phill, assente nos pilares tradicionais da família e da verdade puritana do ser, américa sulista, tudo tem sempre uma solução, desde que devidamente aconselhada pelo próprio. não me admira que o dr phill seja republicano.
na américa de michael moore, pelo outro lado, tudo está sempre à beira do caos e da conspiração, américa urbana do espectáculo e da denúnicia mediática e falsamente puritana. não me admira que o michael moore, bem lá no fundo, seja democrata.
entre eles, claro, a meia américa surreal de george w bush.

06 agosto 2006

estado da nação

a semana passada ficou marcada pela divulgação da entrevista que luis montez deu a ana sousa dias na 2:. e digo marcada porque aquela entrevista dava uma excelente reportagem sociológica do que tem sido a música em portugal nos últimos 20 anos.
antes de mais digo.vos que admiro a postura empreendedora do empresário. luis montez tem gasto o seu tempo a construir uma espécie de império da música, contando já com três rádios (entre as quais a radar) e a maior promotora de espectáculos do território. e admiro também que este engenheiro de formação consiga manter uma bipolaridade no negócio: ganhar dinheiro com nomes feitos e ajudar à promoção de novos artistas, muitos deles de um espectro musical bastante complexo.
o que me chateia é que luis montez reduza tudo a "eu fiz, eu faço, eu vou fazer". as palavras do empresário, directas e acutilantes, determinam claramente o que se ouve nos nossos palcos. se luis montez quiser encher o pavilhão atlântico com o jack johnson, ele enche.o. se luis montez quiser que a radar diga que os she wants revenge foram a sensação de austin (ao qual luis montez assiste todos os anos), a radar di.lo. chega ao ponto de afirmar que vai encher o atlântico com o josé gonzález (reporto.vos para a minha crítica a veneer, para que atentem no meu presságio).
no fundo a música em portugal é isto. está nas mãos de um homem.
e enquanto esse homem detiver a capacidade quase autocrática de decidir aquilo que vamos ouvir durante a temporada (ao qual não é alheia a credibilidade que conquistou enquanto promotor) há muito boa música que se vai limitar a pequenos palcos ou à ausência total do circuito. tenho esperança que os últimos fracassos (depeche mode, hype@tejo, sigur rós) ajudem a equilibrar um pouco mais a balança. tem de haver lugar para o espirito crítico. e tem de haver lugar sobretudo para uma educação musical menos personalizada do dito povo.
porque isto com luis montez não há lugar para possibilidades ou enganos: ele é que faz.

05 agosto 2006

lloyd, i'm ready to be heartbroken

cá pela casa é costume andar sempre atento às edições ditas alternativas ou independentes. o que não invalida que no fundo no fundo tenha uma costela que presta adoração cega ao que hoje temos como kitsch mas que nos anos 80 era pão nosso de cada dia. nem invalida que arregale os olhos quando, nos dias que correm, os artistas piscam os olhos à estética retro kitsch que a mtv ajudou a internacionalizar.
não é por isso de estranhar que os meus heróis secretos sejam os eurythmics, mesmo que nunca tenha ouvido duas músicas seguidas deles, a forever young dos alphaville ou a take on me dos a-ha revisitada em qualquer discoteca sem grande gosto na escolha dos seus alinhamentos.
não me revoltei, dessa forma, quando a mtv me mostrou o mais recente single de nelly furtado - maneater - cujo refrão, num bom estilo soft cell me fez recordar instantaneamente aquilo que a like a prayer da madonna fez nos idos 89.
antes pelo contrário, dei por mim a pensar que maneater é a like a prayer dos anos 00 e que nelly furtado, com tudo o que isso pode trazer de bom e de mau, é a madonna da nossa era.
a rainha da noite.

lost and found, daniel johnston



os meus álbuns preferidos são sempre os que os críticos pior classificam. tenho quase sempre esse problema. da mesma forma que os meus jogadores de futebol preferidos são os que os comentadores dizem que destroem o jogo.
tudo isto a propósito do mais recente álbum de daniel johnston. não é preciso muito tempo de leitura para perceber que o músico passou os últimos 45 anos a lutar com uma doença neurológica. a bipolaridade que o afecta permitiu que à sua volta surgisse um mito de alguma adoração por parte de gente muito recomendada como os sonic youth, kurt cobain ou os butthole surfers.
mas parece que, segundo os críticos, lost and found não é uma pérola. eu acho aquilo tão estranho e tão inesperado que só me posso vergar perante a minha falta de compreensão. e, como tal, prestar.lhe alguma contida vassalagem. porque lost and found é uma viagem pelos últimos anos de grande produção dos estados unidos da américa.
daniel johnston esqueceu a lo-fi dos anos 80 que o celebrizou como músico alternativo e atira.se a todos e mais alguns clichés da música americana. mas no fim recria.os de uma forma que, embora não percebendo muito bem porquê, atrai um ouvinte mais aberto de espírito.
lost and found é um álbum divertido. dizem que a culpa é dos medicamentos que daniel johnston anda a tomar para controlar a fúria e a esquizofrenia.
se é bom para ele, é bom para mim.

7/10

04 agosto 2006

contagem decrescente



outra vez os calmantes

the eraser, thom yorke



há qualquer coisa de primitivo naquilo que thom yorke anda à procura desde a aventura kid a. conseguimos perceber hoje que os radiohead são desde o fim do ciclo ok computer uma banda feita à semelhança do seu vocalista e do seu guitarrista. à primeira vista, thom yorke encontra na idm de gente como os autechre, four tet, boards of canada ou aphex twin semelhanças que lhe parecem ser pistas para o caminho. não fosse a utilização da voz que todos conhecem, a verdadeira voz do indie de finais de 90, e the eraser poderia muito bem ser um álbum da dita música electrónica.
mas na verdade the eraser é um pouco mais do que uma mera manipulação instrumental de um computador e de meia dúzia de teclados digitais ou analógicos. apesar da base rítmica e electrónica bastante forte, apesar de the eraser ser intelligent dance music, como pomposamente gosto de a apelidar, há nos 40 minutos deste álbum a procura de qualquer coisa de primitivo. qualquer coisa que nos faz comparar a música de thom yorke com aquela que sai das prateleiras de música do mundo. não são os temas nem são a forma. é a pungência do ritmo e a urgência de algumas palavras.
da mesma forma com que ali farka touré se revia nos blues do sul dos estados unidos, the eraser tem qualquer coisa que nunca foi feito na perfeitinha inglaterra mas com o qual pode ser conotado com um pouco de pesquisa e alguma abertura de espírito.
no fundo no fundo the eraser é um bom começo. um começo intrigante, fotocopiado das últimas investidas dos radiohead, mas um bom começo.
este álbum pode muito bem parecer dúbio a quem lhe pegar. é que the eraser nunca poderia ter sido escrito pelo morrissey, isso é verdade.
mas fica bem a thom yorke.
no fundo no fundo é tudo uma questão da perspectiva com que se enfrenta o desafio.

7/10