27 fevereiro 2009

matt

a carreira a solo de matt elliott será revisitada na zdb, já no próximo 13 de março. é com grande expectativa que se aguarda a passagem do músico britânico pela sala lisboeta. a trilogia encerrada em 2008 - drinking songs, failure songs e howling songs - é uma das pegadas mais significativas (e um dos trabalhos conceptuais mais poderosos) da lo-fi deste milénio.

26 fevereiro 2009

review da semana

years of refusal, morrissey [2009]



daqui a muitos anos, quando os vossos filhos quiserem ser indie e começarem a ouvir os vossos álbuns dos smiths, poderão confirmar.lhes o que já se suspeitava: foi em 2009 que descobrimos que o morrissey dá nos speeds. é que é impressionante verificar que são precisos mais de 30 minutos de years of refusal para este senhor - que na última vez que verifiquei levava quase 50 anos nas pernas - abrandar um bocadinho. caramba... eu, com os meus vinte e poucos e sentado no sofá, fico cansado só de o ouvir gritar did you really think we meant/all of those syrupy, sentimental things/that we said?
e, a essa altura do long play, ainda só vamos na nona faixa. 
years of refusal é um álbum demolidor para quem já se tinha habituado ao morrissey um pouco lamechas de ringleader of tormentors. é rock em estado puro, com uma ou outra piscadela à fase pop - you were good in your time será o morrissey versão jacques brel e when last i spoke to carol o momento faz-de-conta-que-estou-outra-vez-nos-smiths. em qualquer dos casos falamos de excelentes apontamentos. o resto do álbum é um conjunto de boas canções ao estilo you are the quarry. quem gosta vai delirar com as tiradas tipo i've got nothing to sell/and when i die i want to go to hell e similares.
circula por todo o lado o cliché de que este recente years of refusal é o melhor álbum de morrissey desde vauxhall and i. compreendo que assim o vaticinem: basta abrir o allmusic e ver as estrelinhas que eles atribuem. mas pode ser que até tenham razão. years of refusal surpreende.nos quando menos o esperávamos e ataca.nos por todos os lados numa sucessão pouco crível de 12 faixas equilibradas onde não há espaço para dizer - epá, esta é mazinha.
simplifico.vos, portanto, as coisas: não há quem escreva assim. 
não há quem acabe um álbum assim. 
e não há, literalmente, ninguém com ar tão bimbo a fazer música tão boa.
god save the king.

24 fevereiro 2009

como?

o alinhamento mostra-nos uma mão cheia de canções de apelo pop bem nascidas, entre as quais o single i'm throwing my arms around paris ou that's how people grow up (já revelada, como all you need is me, no recente best of)


n.galopim, no sound+vision


ou eu li mal o post, ou li mal o alinhamento do álbum que comprei. é que a faixa 5 chama.se all you need is me. e a faixa 7 that's how people grow up.
será que ele ouviu mesmo os discos? 

10 fevereiro 2009

review da semana

meio disco!, os quais [2009]


os quais de um bife no chiado são a banda pop portuguesa mais interessante dos últimos anos. uma vez que não sou grande fan da música portuguesa, e como não tenho paciência nenhuma para as manias do reininho, fico muito satisfeito por, finalmente, ter um nome para contra-argumentar os gnr. 
mas o que me satisfaz ainda mais é perceber a forma como o jacinto e o tomás descalçaram a bota do caetano no recado. o j.p. simões - que até é um tipo que eu gosto de ouvir cantar em inglês, em francês, em português, mas nunca em brasileiro [jamais!, dizia o nosso ministro]  - já deve andar a tirar notas sobre isso. compreendam portanto que não lhes terá sido nada fácil embarcar uma bossa em sotaque lisboeta, com palavras lisboetas e com lisboa como fundo [se bem que os tortellini sejam de outra história]. 
agrada.me também o caído no ringue. o riff, o feeling, o que lhe queiram chamar, faz.nos voltar por momentos aos clash e ao que de bom os libertines lhes copiaram. manifesto também a minha simpatia pela calma da mondrianica e pelo rock encavalitado do lero lero. desculpem.me os citados mas acho que a rapariga da caixa está fora do baralho.
o meio disco! d'os quais é a segunda* edição com selo da amor fúria, primeira a entrar no circuito comercial. entre a pop dos beatles e a tropicália de jeito sentimentalão (referências assumidas e facilmente desmascaradas), o duo da capital assina um belo registo. ficamos à espera de saber se, para a editora - e socorro.me aqui da mensagem de corporação do it yourself que perspassa pelo que têm promovido para a envolver nesta conversa - esta será a parte 0 de um capítulo por escrever ou a parte 1 de uma estória que já está a ser escrita. 
os desenvolvimentos, pelo que pude saber, seguem dentro de alguns momentos.


*ver comentários     

09 fevereiro 2009

a minha opinião sobre os actores portugueses

entre as crises dos críticos de cinema, declarações do joão lopes e telenovelas das 10 da noite, existem dois tipos de actores em portugal: os que tratam todos os papéis como se fossem personagens de shakespeare - seja o merceeiro de campo de ourique ou o executivo do saldanha - e os que fazem de labregos com um sotaque tão estúpido e tão falso que aquilo que produzem nem para os malucos do riso serve.

não percebo como é que se perde tempo a discutir o cinema português. 

auto-avaliação

se tiverem tempo, podem ver aqui que a crónica deste vosso amigo sobre o concerto dos mogwai está referenciada no bright light, uma fanzone britânica da banda já com alguns anitos. também lá estão os escritos do filipe

e parece que também andou a girar ali no fórum da last.fm.

review da semana

noble beast, andrew bird [2009]


cresceu muito este rapaz. 
como um filho que sai de casa ainda imberbe, recordamo.nos hoje do andrew bird timidamente apostado em fazer séries de canções pop um pouco como um acontecimento datado e arrumado na prateleira. 
o que se atesta em noble beast é uma refinação dos conteúdos que marcaram grande parte da carreira do músico e que finaram, ao que agora nos parece, em the mysterious production of eggs. isto tendo em conta que o antecessor do álbum que agora chega aos escaparates, armchair apocrypha, já enveredava por uma nova estrada. no entanto, não levem a minha conversa para um caminho enviesado: gostava muito das estruturas simplificadas dos primeiros álbuns deste tipo. dava.me imenso prazer perceber que lhe era fácil fazer músicas inteligentes e que atingiam sempre, a certa altura, o clique necessário para sair da esfera do apenas  agradável. andrew bird não deixou de ser um grande maestro da pop recente - lembro.me bem do último concerto que deu por cá e de como se substituiu a todos os músicos que o acompanham em álbum. parece.me apenas que procura neste momento ser um artista bigger than life, que é como dizer menos vísceras e mais cérebro. 
apesar destas minhas inconfidências, noble beast é um álbum demasiado sólido para não se ouvir. e, a muitos espaços, retrato fiel do bom gosto que o antecede.
ainda não percebi bem se encontro em noble beast a percentagem de genialidade (moderada) que reconhecia no andrew bird.
mas acho que sim. 

06 fevereiro 2009

mogwai, aula magna

será curioso verificar que, apesar desta ter sido a terceira vez que vi os mogwai actuar e de conhecer muito bem toda a discografia da banda, ainda existem vários momentos em que os tipos me conseguem assustar e - dirá o meu cardiologista - provocar as mesmas arritmias que sinto quando o guimarães nos marca um golo quase a acabar o jogo e vejo que a vitória pode, fruto do fado estranho que nos acompanhou durante anos, escapar. 

está claro que os mogwai de hoje já não se revelam na curiosa estrutura que dissecaram ao longo dos 3 primeiros álbuns - começa uma guitarra, entra outra guitarra, entra a terceira e a bateria, carregam nos pedais para fazer muito barulho, voltam a acalmar, voltam a fazer barulho e terminam. no entanto, e apesar de os álbuns da segunda parte da carreira da banda escocesa estarem muito mais próximos do formato tradicional da canção rock (o que parece desgastar muita gente, mas que a mim não me provoca especiais calafrios), parece.me que os mogwai estarão eternamente talhados para as actuações ao vivo. 
foi um bom concerto, que não hajam dúvidas. 
não ombreia com a actuação de há 5 anos, no garage, da qual recordo 24 horas de audição reduzida, mas terá sido porventura melhor que a prestação em algés, em 2005. o local e a qualidade do som ajudaram. mas nisto também temos que contar com a maturidade dos rapazes, agora com ar de pais de família com uma supra-vontade de surpreender audiências e de empolgar as massas que alimentam o culto. 
e no fim de contas, tal como no futebol, saímos vencedores.

01. i'm jim morrison, i'm dead
02. ithica 27-9
03. i love you, i'm going to blow up your school
04. summer
05. scotland's shame
06. hunted by a freak
07. mogwai fear satan
08. thank you space expert
09. new paths to helicon (pt.1)
10. friend of the night
11. like herod
12. batcat

13. the precipice
14. 2 rights make 1 wrong