30 março 2009

um novo guia para os músicos do terceiro milénio

el guincho
lightning bolt
black dice
fuck buttons
wavves
no age

coisas deste tipo, percebem?

28 março 2009

curtas

wavvves, wavves [2009] - será, até ver, o disco revelação de 2009. a fazer lembrar o que foi, no ano que passou, o segundo álbum dos no age - o fantástico nouns - os wavves chegam ao mundo da música com um belíssimo apontamento algures entre o noise dos black dice e o indie rock da mais fina flor. wavvves não é um álbum superlativamente vanguardista. é um álbum sobretudo irreverente e explosivo do princípio ao fim. acreditem que é caso para suster a respiração: há aqui uma dose cavalar de atitude. e isso é o mais importante. 


beware, bonnie 'prince' billy [2009] - beware não fará parte do conjunto de álbuns de will oldham capazes de fazer perder o sono a alguém com o mínimo de bom senso para estas coisas da música folk e afins. é um álbum aburguesado, com meia dúzia de apontamentos inesquecíveis, mas aquém da estética endérmica de bonnie 'prince' billy. beware é um avanço interessante, com algumas canções dignas da linhagem master and everyone. mas falta aqui a consistência plural a que o músico nos habituou.


bromst, dan deacon [2009] - já dei para este peditório há muitos anos. se dan deacon quiser brincar aos deerhoof e aos caribou, por mim óptimo. mas avisem.me antes. se, por simetria, quiser ser o novo panda bear ou el guincho, que se mude para uma cidade pitoresca parecida a lisboa ou las palmas. pode ser que abra os olhos. mas se quiser continuar a ser inócuo, então basta.lhe fazer mais uns quantos álbuns iguais a este bromst. e acho que até já disse demais.

25 março 2009

justiça divina

o carlos martins bater o penalty final de um jogo ganho ao estilo dos melhores amigos da equipa adversária com a decisão errada de um árbitro com score francamente positivo nos jogos dos rivais.

não há mastercard que pague isto.

20 março 2009

no hope kid




lo-fi noise pop. é isso mesmo.

14 março 2009

matt elliott, zdb

serão curtas as palavras para um concerto superlativo de matt elliott. 

quando existem músicos quase brilhantes é mais fácil ter esperança de que, após estes anos todos a percorrer salas de concertos, ainda há actuações que nos podem surpreender. a galeria lisboeta, ontem estranhamente a meio gás, confirmou que matt elliott é caso raro na produção de canções. e o processo de concepção do músico, alicerçado em loops que sustentam as diferentes camadas necessárias, acaba por nem ser a nota de maior requinte. o que sobressai de uma noite na companhia do músico britânico é a forma como, sozinho num palco (foi aquele como podia ser um outro 100 vezes maior), a luta será sempre com ele mesmo. as viagens de matt elliott, e na zdb pudemos assistir a praticamente todos os momentos da sua carreira, serão provavelmente apontamentos demasiado pessoais para serem transcritos para uma realidade mais objectiva.

i'll just shut up and start playing, foi a frase de abertura.
ainda bem que existem músicos assim: torna.se mais fácil sentir o verdadeiro alcance do que se passa. 
concerto do ano.

09 março 2009

ficou por dizer

animals in the dark, william elliott whitmore [2009]



corria o ano de 2003 quando william elliott whitmore fez nascer das águas do mississippi que lhe banharam a adolescência o primeiro capítulo de uma trilogia que refloresceu o espírito americana que johnny cash ou captain beefheart engrandeceram. filho da folk e do gospel, com a voz de um afro-americano (expressão politicamente correcta assumida por inexistência de alternativa que me agrade) presa no corpo de um tipo mais branco do que eu, william deu o seu contributo para a gloriosa história da música norte americana com três álbuns negros, densos, mas sobretudo reais. é dos poucos songwriters que eu considero terem realmente chegado ao âmago daquela variante. bob dylan fê.lo primeiro que todos. e se tom waits alcançou o olimpo, william elliott whitmore captou para o seu epitáfio palavras de grande estima

aqui jaz william elliott whitmore, pastor do songwriting do novo milénio 

qualquer coisa deste tipo, digo eu.
mas a seguir à tempestade vem sempre a bonança, já diziam os antigos, e eu acredito. neste caso concreto, a seguir a uma trilogia admiravelmente deprimente, eis que chega o disco prozac de william elliott whitmore. 
there's hope for you reza o single, porque animals in the dark é, de facto, uma nova perspectiva sobre a obra do músico: menos emoção e mais lugares comuns. menos estórias e mais paisagem. menos caixões e mais esperança. 
e embora melhor que a maioria da merda que para aí se faz (o joão lopes se vê esta palavra vai aos arames), esperava mais thoreau e beckett, e não algumas versões de músicas que o elvis perkins um dia poderá fazer ou que o levon helm já imaginou há 20 anos. animals in the dark começa mal, depois cresce exponencialmente até para aí à lifetime underground
e depois morre como morriam as personagens dos álbuns anteriores. 
eu tenho a plena a consciência de que este álbum é muito bom. mas ainda não me habituei a esta fase (habituem.se! dizia o antónio vitorino).
no fundo, no fundo, não gosto mas gosto.